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Economia em Alerta

Dólar a R$ 5,26 e juros de 20%: a 'tempestade perfeita' que corrói o lucro do agro em Mato Grosso

Com o dólar recuando 15% em um mês e a Selic travada em 14,75%, produtores de soja em Mato Grosso enfrentam margens negativas de até R$ 2,5 mil por hectare. Entenda como o “efeito tesoura” ameaça a solvência do setor.

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crise do agronegócio em Mato Grosso
Embora os silos estejam cheios com a safra recorde, a queda do dólar para R$ 5,26 corrói a rentabilidade do produtor que fixou custos na alta. Im agem ilustrativa.

Cotação da moeda americana recua 15% em apenas um mês e cria armadilha financeira para produtores que fixaram custos no auge; endividamento real no setor já atinge 14% no estado

A euforia do mercado financeiro com a queda do dólar, cotado a R$ 5,26 no fim de janeiro deste ano, esconde uma crise silenciosa e estrutural nas lavouras de Mato Grosso. O estado, responsável por 40% do saldo positivo da balança comercial brasileira, vive um paradoxo: colhe uma safra volumosa, mas enfrenta um colapso de margem de lucro que ameaça a solvência de milhares de produtores.

Análises econômicas detalham o mecanismo dessa crise. O cenário é formado por uma combinação letal de câmbio em queda livre, custos de produção cristalizados em patamares altos e uma taxa Selic de 14,75% que inviabiliza o crédito.

A tesoura cambial

O produtor rural mato-grossense foi pego no contrapé. A maioria dos insumos (fertilizantes e defensivos) para a safra atual foi comprada ou negociada quando o dólar estava acima de R$ 6,00, no final de 2024. Agora, no momento de vender a colheita e converter a receita para reais, a moeda americana vale 15% a menos.

Essa diferença corrói o caixa. Para cada dólar exportado, o produtor recebe cerca de R$ 1,00 a menos do que o previsto no planejamento da safra.

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A matemática da inviabilidade é direta. O custo para produzir um hectare de soja em Mato Grosso está fixado em R$ 7.466, segundo dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA). Com a saca da soja cotada a R$ 100 em praças como Lucas do Rio Verde — pressionada pelo câmbio baixo —, um produtor que colha 50 sacas por hectare obtém uma receita de apenas R$ 5.000. O resultado é um prejuízo operacional de quase R$ 2.500 por hectare plantado.

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Crédito a peso de ouro

Sem caixa próprio devido à quebra de receita, o agricultor precisa recorrer aos bancos, onde encontra a segunda parte da armadilha: os juros. Com a Selic mantida em 14,75% pelo Banco Central para segurar a inflação, o crédito rural tornou-se proibitivo.

Enquanto o Plano Safra (com juros subsidiados de 6% a 8%) sofreu restrições orçamentárias e redução de volume, o mercado privado cobra taxas de até 21% ao ano.

O diretor administrativo da Aprosoja-MT, Diego Bertuol, alerta que essa taxa inviabiliza o negócio. A diferença é brutal: financiar R$ 500 mil no mercado livre custa R$ 62,5 mil a mais em juros por ano do que custaria via crédito oficial. Para muitos, essa conta não fecha.

O epicentro da crise

Mato Grosso é a maior vítima dessa conjuntura por sua exposição ao mercado externo. O estado exportou mais de US$ 30 bilhões em 2025, com a soja respondendo por 42% desse total. Diferente de estados com agricultura mais voltada ao mercado interno, a economia mato-grossense pulsa no ritmo do câmbio.

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Os dados de endividamento já refletem o problema. Embora a inadimplência oficial seja de 5,1%, o índice real — que considera dívidas renegociadas para evitar a falência imediata — já chega a 14,4%. É o segundo maior nível de endividamento agrícola do país.

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O impacto é sentido com força em polos como Sorriso e Sinop, bases eleitorais de importantes lideranças políticas estaduais, onde a redução de investimentos em maquinário e tecnologia já é visível. O “efeito riqueza” do agro, que irriga o comércio e os serviços nessas cidades, começa a secar.

Cenário para 2026

A perspectiva para o restante de 2026 exige cautela. O mercado aposta que a Selic deve cair lentamente, chegando a 12% no fim do ano, mas o alívio pode chegar tarde demais para quem precisa pagar as contas da safra 2025/2026 agora.

Se o dólar permanecer na faixa de R$ 5,10 a R$ 5,30 e os custos não recuarem na mesma proporção, Mato Grosso pode enfrentar uma nova onda de Recuperações Judiciais, repetindo ciclos de crise que pareciam superados. A safra é recorde nos campos, mas os balanços financeiros estão no vermelho.

 

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AGRONEGÓCIO

Brasil e Honduras discutem parceria estratégica para modernizar a agricultura e fortalecer a segurança alimentar

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O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) concluiu, nesta quinta-feira (4), missão oficial em Honduras com avanços na agenda de cooperação bilateral em pesquisa agropecuária, inovação tecnológica, desenvolvimento rural e segurança alimentar. A programação também resultou em encaminhamentos voltados ao fortalecimento das relações comerciais entre os dois países.

A missão foi liderada pelo secretário-executivo do Mapa, Cleber Soares, e contou com a participação da embaixadora do Brasil em Honduras, Andrea Watson; da adida agrícola Priscila Rech; da chefe de gabinete da Secretaria-Executiva, Erika Ferraz; e do representante do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Cristian Fischer.

A programação teve início com reunião com o ministro da Agricultura e Pecuária de Honduras, Moisés Molina. Durante o encontro, as autoridades discutiram oportunidades de atuação conjunta em áreas estratégicas para o desenvolvimento do setor agropecuário, incluindo planejamento agrícola, inovação tecnológica, melhoramento genético e transferência de conhecimento.

A delegação brasileira também se reuniu com representantes da Dirección de Ciencia y Tecnología Agropecuaria (Dicta), principal instituição de pesquisa agropecuária hondurenha. Na ocasião, foram debatidas ações voltadas ao fortalecimento institucional, à formação de recursos humanos e à modernização dos sistemas de inovação. As discussões evidenciaram oportunidades de intercâmbio em áreas como pesquisa agropecuária, assistência técnica, sanidade animal e vegetal e adaptação às mudanças climáticas, com potencial contribuição de instituições brasileiras como a Embrapa e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

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No campo comercial, a missão também avançou em tratativas relacionadas a produtos de interesse bilateral, com destaque para farinhas de origem animal, carne de aves e carne suína. Os temas integram a agenda de ampliação do comércio agropecuário entre Brasil e Honduras.

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O encerramento da missão ocorreu na Presidência da República de Honduras, em reunião que reafirmou o interesse dos dois governos em aprofundar o diálogo técnico e institucional. O encontro destacou a convergência de prioridades em temas como segurança alimentar, inovação, desenvolvimento rural e modernização da agricultura.

A missão contou com o apoio do IICA, parceiro estratégico na articulação institucional e na identificação de oportunidades de trabalho conjunto. Os resultados da agenda reforçam o compromisso do Brasil com a promoção do desenvolvimento agropecuário sustentável e com o fortalecimento das relações com os países da América Central.

Informações à imprensa
[email protected]

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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