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TECNOLOGIA

Após anos de retração, investimento público em ciência e tecnologia avança 30% no País

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O investimento público em ciência e tecnologia (C&T) cresceu 30% no País, de 2021 a 2024. No mesmo período, os recursos destinados à pesquisa e ao desenvolvimento (P&D) aumentaram 35%. Os dados fazem parte do levantamento Dispêndio Nacional em C&T e P&D — Setores Governamental e Empresarial 2014-2024, apresentado nesta terça-feira (16) pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), no Rio de Janeiro (RJ). 

A recomposição do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) aparece como um dos principais fatores por trás desse crescimento. No intervalo analisado, os recursos do principal instrumento de apoio à ciência e à inovação do País aumentaram 216%, ampliando as condições para investimentos. 

A recuperação interrompe uma trajetória de retração observada de 2015 a 2021 e sinaliza a recomposição da capacidade do Estado de financiar atividades científicas, apoiar o desenvolvimento tecnológico e sustentar políticas públicas de longo prazo. Em 2024, os investimentos governamentais alcançaram R$ 88,7 bilhões em ciência e tecnologia e R$ 72,9 bilhões em pesquisa e desenvolvimento. 

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“O Brasil voltou a investir em ciência, tecnologia e inovação. Essa é uma prova do papel estratégico do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e da importância da retomada de políticas voltadas à tecnologia, que trazem efeitos concretos no desenvolvimento do País”, afirmou a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos. 

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O levantamento indica que a continuidade do financiamento é um dos fatores que permitem a manutenção de laboratórios, a formação de recursos humanos altamente qualificados e a execução de projetos científicos de longo prazo.  

Os aportes feitos pelo setor empresarial também cresceram. De 2021 a 2024, os investimentos privados em pesquisa e desenvolvimento passaram de R$ 67 bilhões para R$ 72 bilhões. Segundo Luciana Santos, a existência de instrumentos de financiamento, programas estratégicos e políticas de longo prazo ajuda a criar um ambiente mais favorável para decisões empresariais relacionadas à inovação. 

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“A recomposição do FNDCT, o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial e os instrumentos da Finep [Financiamento de Estudos e Projetos] criam um ambiente mais previsível para investimentos de longo prazo. E, para o setor privado, a previsibilidade é um ativo tão importante quanto o volume de recursos”, destacou a ministra. 

Outro aspecto apontado pelos indicadores é a expansão dos investimentos em estados das regiões Norte e Nordeste. Acre (AC), Ceará (CE), Pará (PA), Rondônia (RO), Roraima (RR), Tocantins (TO) registraram algumas das maiores taxas de crescimento em ciência, tecnologia e inovação no período analisado. 

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Embora a concentração de recursos ainda seja elevada nos estados com sistemas de pesquisa mais consolidados, os dados mostram sinais de maior dinamismo em diferentes regiões do País, ampliando a presença das atividades científicas e tecnológicas em novos territórios. 

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Os indicadores apresentados mostram que a ciência voltou a ocupar espaço relevante na agenda de investimentos públicos. A recuperação dos recursos destinados à área fortalece a capacidade nacional de produzir conhecimento, desenvolver tecnologias e criar condições para que a inovação contribua para o desenvolvimento econômico e social do País. 

Ciência de Dados

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Durante a cerimônia, a ministra lançou o projeto Ciência de Dados pelo Brasil, com investimento superior a R$ 13 milhões e execução prevista para 36 meses. A iniciativa visa fortalecer a produção e o uso de indicadores de ciência, tecnologia e inovação e integra o Pacto Nacional em Favor dos Indicadores Estaduais de CT&I. O projeto apoiará a consolidação da Rede Nacional de Indicadores Estaduais de Ciência, Tecnologia e Inovação. 

Na mesma ocasião, o MCTI e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) também lançaram o Tecnova 2026/2027. O investimento de R$ 588 milhões vai apoiar micro e pequenas empresas inovadoras. Desse montante, R$ 360 milhões são do FNDCT, e R$ 228 milhões em contrapartidas estaduais e distrital. 

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Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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TECNOLOGIA

Pesquisadores discutem combate à desertificação em seminário internacional do MCTI

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Pesquisadores que estudam a desertificação do Brasil e do mundo se reuniram, nesta quarta-feira (17), no Seminário Internacional sobre Combate à Desertificação: Desafios Científicos e Tecnológicos para o Semiárido, evento promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para debater causas, impactos e combate do fenômeno.  

Para a diretora de Tecnologia Social, Economia Solidária e Tecnologia Assistiva do MCTI, Sônia da Costa, o seminário foi, acima de tudo, estratégico para a pasta. “Além de reunirmos dados internacionais super atualizados, como os que foram apresentados pela FAO, pelo Instituto IRD da França, pelo Conicet da Argentina, nós conseguimos também apresentar os desafios ambientais e o aumento da desertificação, principalmente no Brasil”, disse a representante. 

Segundo informações do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), unidade de pesquisa vinculada ao MCTI, estudos indicam que as áreas classificadas como semiáridas no Brasil aumentaram 75 mil km² por década, em média, desde 1960. As áreas classificadas como semiáridas no País se concentram na região Nordeste e no Norte de Minas Gerais. 

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Mais do que apresentar os problemas, o encontro foi um espaço para destacar as soluções desenvolvidas pelas instituições, como o Instituto Nacional do Semiárido (Insa), unidade de pesquisa também ligada ao MCTI e localizada em Campina Grande (PB). “Em 22 anos, o Insa desenvolveu diversas tecnologias, especialmente em uma perspectiva social, para a transformação da convivência com o semiárido e é muito importante termos espaços de apresentação e discussão para que o conhecimento seja divulgado”, afirmou o diretor do instituto, Etham Barbosa. 

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Entre os projetos apresentados pelo diretor, está a tecnologia de Saneamento Ambiental e Reúso de Água (Sara), que, visando a vulnerabilidade hídrica e a falta de esgotamento sanitário comum do clima, promove a coleta e tratamento do esgoto domiciliar para produção de uma fonte alternativa de água e nutrientes na agricultura familiar. 

De acordo com a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (UNCCD, na sigla em inglês), a desertificação é um processo de degradação das terras que ocorre essencialmente nas áreas onde se situam as zonas áridas, semiáridas e sub-úmidas secas. Ela é caracterizada por um ciclo vicioso associado à vulnerabilidade climática, com secas prolongadas e alta de evapotranspiração, e à ação humana predatória. 

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Seminário Internacional sobre Combate à Desertificação 

O encontro contou com duas mesas de debates. A primeira, Causas e Impactos Econômicos, Ambientais e Sociais da Desertificação, contou com a participação da diretora do Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas (Conicet) da Argentina, Elena María Abraham; do representante do Brasil no Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), da França, Abdelfetah Siffedine; e do representante adjunto da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) no Brasil, Gustavo Kauark Chianca. 

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“A América Latina passou e continua passando por momentos críticos de desertificação e é como se estivéssemos em um estado de hibernação sobre o assunto. Então, precisamos dar força ao tema, nos movimentar e unir os povos antes que seja impossível conviver. E, para mim, esse evento é isso: um momento de renascimento das discussões”, disse a diretora do Conicet, Elena María Abraham. 

Na América Latina, o semiárido pode ser encontrado no Nordeste brasileiro, no Grande Chaco Americano, região compartilhada pela Argentina, Bolívia e Paraguai, e no Corredor Seco da América Central.  

Já a segunda mesa discutiu Ciência, Tecnologia e Inovação para a Inclusão Socioprodutiva no Combate à Desertificação e contou com a presença do diretor do Insa, Etham Barbosa; do diretor técnico da Fundação Araripe, Francisco Campello; e do representante da Articulação para o Semiárido Brasileiro (ASA). 

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O seminário antecipa a 17ª Convenção das Partes (COP17) da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), que ocorrerá de 17 a 28 de agosto, na Mongólia. O evento reunirá 197 países e terá como tema Restaurando a Terra, Restaurando a Esperança. 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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