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TECNOLOGIA

Tecnova mobiliza R$ 588 milhões para transformar conhecimento em negócios em todo o País

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Soluções que podem melhorar serviços, gerar empregos, fortalecer cadeias produtivas e ampliar a competitividade da economia brasileira começam, muitas vezes, dentro de pequenas empresas. Para ampliar essas oportunidades, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) lançaram nesta terça-feira (16) o Tecnova 2026/2027. Considerado o maior programa de subvenção econômica voltado a micro e pequenas empresas inovadoras do País, contará com cerca de R$ 588 milhões, sendo R$ 360 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e aproximadamente R$ 228 milhões em contrapartidas estaduais e distrital. 

O programa apoiará mais de 700 empresas em todas as unidades da Federação. Os recursos serão destinados ao desenvolvimento de projetos de inovação tecnológica com base científica, além de ações de aceleração e internacionalização. A iniciativa integra a estratégia do Governo do Brasil de ampliar a capacidade nacional de transformar pesquisa em produtos, processos e serviços capazes de chegar ao mercado e à sociedade. 

Durante a cerimônia, Luciana Santos destacou o papel do programa na aproximação das políticas públicas dos empreendedores que desenvolvem novas tecnologias. “O programa tem uma característica que considero muito bonita e poderosa: ele chega perto de onde a inovação nasce. Ele chega às micro e pequenas empresas brasileiras que carregam grandes ideias, mas que muitas vezes não encontram condições financeiras necessárias para assumir o risco de inovar”, afirmou a ministra. 

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A ministra também ressaltou a dimensão nacional da iniciativa e o esforço para ampliar o acesso aos recursos em diferentes regiões. “O Tecnova 2026/2027 nasce da convicção de que o Brasil precisa continuar ampliando sua capacidade de transformar conhecimento em desenvolvimento”, disse. Segundo ela, a distribuição dos investimentos busca fortalecer ecossistemas de inovação em todo o território brasileiro e ampliar oportunidades para empresas de diferentes perfis e realidades. 

Nesta quarta edição, o Tecnova incorpora mudanças para simplificar a operação do programa nas unidades federativas. Entre as novidades estão a criação de um novo modelo de convênio para descentralização dos recursos, atualização do manual operacional, adoção de fluxo contínuo para análise de propostas, flexibilização das ações de aceleração e internacionalização e um novo modelo de acompanhamento dos projetos baseado em indicadores de desempenho. 

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Para o presidente da Finep, Luis Antonio Elias, o Tecnova se consolidou como uma das principais iniciativas de apoio à inovação empresarial no País. “O Tecnova aproxima conhecimento, inovação e desenvolvimento. É um programa que cria oportunidades para transformar boas ideias em soluções capazes de gerar empregos, competitividade e crescimento em todas as regiões do Brasil”, destacou.   

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Outro destaque da nova edição é a distribuição regional dos recursos. Cerca de 58% dos investimentos federais serão destinados às regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, com o objetivo de ampliar as oportunidades para empresas inovadoras instaladas fora dos principais centros econômicos do país e fortalecer ecossistemas regionais de ciência, tecnologia e inovação. 

Para a ministra, a medida reforça o compromisso do governo com um desenvolvimento mais equilibrado. “A inovação brasileira não pode ter CEP privilegiado. Há talento, criatividade e capacidade de inovação em todas as regiões do País. O que muitas vezes falta é oportunidade, financiamento e confiança”, destacou. 

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Para o diretor de Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Finep, Carlos Aragão, a nova edição representa um marco para o programa. “Pela primeira vez, o Tecnova chega a todas as unidades da Federação com um volume de recursos dessa dimensão. É um passo importante para fortalecer a inovação em todo o País.” 

Projeto Ciência de Dados pelo Brasil 

Durante a cerimônia, a ministra lançou o projeto Ciência de Dados pelo Brasil, iniciativa voltada ao fortalecimento da produção e do uso de dados e indicadores de ciência, tecnologia e inovação (CT&I) nos estados brasileiros. A ação integra o Pacto Nacional em Favor dos Indicadores Estaduais de CT&I e será executada pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), com financiamento do FNDCT, por meio da Finep.   

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Com investimento superior a R$ 13 milhões e execução prevista para 36 meses, o projeto apoiará a consolidação da Rede Nacional de Indicadores Estaduais de Ciência, Tecnologia e Inovação, promovendo metodologias comuns para a produção de dados, ampliando a comparabilidade das informações e fortalecendo a tomada de decisão baseada em evidências.   

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A iniciativa prevê ainda a capacitação de cientistas de dados, o fortalecimento da governança de dados e o desenvolvimento de infraestrutura tecnológica para integração de informações estratégicas. “Estamos investindo R$ 13 milhões para apoiar a implementação de uma rede de pesquisa, de dados e de indicadores nessa área, em articulação com as Fundações de Amparo à Pesquisa e as secretarias estaduais. Queremos formar cientistas de dados nos estados para que possamos ter indicadores confiáveis e metodologias pactuadas por todos”, afirmou a ministra. 

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O objetivo é criar um ecossistema capaz de sistematizar os avanços científicos em prol do desenvolvimento do Brasil. “O projeto é uma estratégia para fortalecer a soberania informacional do País sobre o resultado da própria ciência e isso será feito de forma colaborativa entre todos os entes federativos brasileiros, estaduais e federal”, disse o diretor do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), Tiago Braga. 

Fortalecimento da ciência de dados no Brasil 

Na ocasião, o MCTI também divulgou o crescimento de 30% do investimento público em ciência e tecnologia (C&T) e de 35% pesquisa e ao desenvolvimento (P&D), de 2021 a 2024. O Dispêndio Nacional em C&T e P&D — Setores Governamental e Empresarial 2014-2024, também revelou que os recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) aumentaram 216%. 

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A recuperação interrompe uma trajetória de retração observada de 2015 a 2021 e sinaliza a recomposição da capacidade do Estado de financiar atividades científicas, apoiar o desenvolvimento tecnológico e sustentar políticas públicas de longo prazo. Em 2024, os investimentos governamentais alcançaram R$ 88,7 bilhões em ciência e tecnologia e R$ 72,9 bilhões em pesquisa e desenvolvimento. 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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Projeto de monitoramento do clima na Amazônia expande em cinco novas áreas

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O projeto Lagos Sentinelas da Amazônia ampliou a área de monitoramento dos lagos da região amazônica impactados por eventos extremos climáticos registrados nos últimos anos. Agora, quatro lagos no Amazonas (AM) e um no Pará (PA) passam a ter informações sobre temperatura e umidade do ar, oxigênio dissolvido, direção e velocidade do vento, radiação solar e quantidade de chuva colhida. A iniciativa é liderada pelo Instituto Mamirauá, organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

O projeto nasceu da necessidade de monitoramento nas regiões. “Nos últimos anos, nós temos observado momentos sem precedentes para lagos amazônicos, especialmente em decorrência das secas extremas. Vimos lagos secando quase inteiramente, outros superaquecendo. Por exemplo, o Lago de Tefé que, em 2023, chegou a mais de 40ºC, trazendo consequências enormes para os ecossistemas, mortandade de peixes e outros animais aquáticos, como botos”, explica o pesquisador do Instituto Mamirauá e coordenador da iniciativa, Ayan Fleischmann.

No Lago de Tefé, o morador e presidente da Comunidade São Raimundo de Cima, Ediney Gonçalves Marinho, relembrou os impactos da estiagem extrema na região. “Esses anos que morei aqui, o lago seca, mas nunca tinha ficado como ficou no ano passado. Então isso para mim não foi motivo nem de alegria, foi de tristeza de ver tantos peixes morrendo”, contou. Ele também falou sobre as dificuldades enfrentadas pelas famílias para manter a produção e o deslocamento na região durante a seca.

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Desenvolvida desde 2025, a iniciativa envolve 69 pesquisadores e mais de 200 pessoas que vivem na região monitorada. “Além dos impactos ambientais, as mudanças nos lagos também afetam centenas de comunidades ribeirinhas isoladas que dependem da pesca e das águas para sobreviver. Por isso, nós decidimos envolver a comunidade nesse processo de vigilância e transformar essas pessoas em protagonistas das suas próprias coletividades”, continua Fleischmann.

O projeto é viabilizado pela chamada CNPq/MCTI/FNDCT nº 19/2024 – Pró-Amazônia e tem como principais apoiadores o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de reunir 15 instituições nacionais e internacionais parceiras.

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Oficinas fortalecem participação comunitária

Oficinas
Durante as oficinas, os moradores desenvolveram documentos diagnósticos socioambientais para cada lago

Visando o envolvimento da comunidade e a ampliação da iniciativa, o projeto realizou, entre outubro de 2025 e março de 2026, oficinas de diagnóstico participativo nos cinco lagos monitorados, reunindo representantes de 52 comunidades ribeirinhas, quilombolas e tradicionais. “As oficinas serviram para aproximar o projeto das comunidades e ouvir os moradores sobre os principais problemas que eles têm percebido nos lagos. A ideia foi construir um diagnóstico participativo, considerando temas como mudanças climáticas, qualidade da água, saneamento, saúde, pesca, produção, educação e transportes, além do uso do território e formas de organização das comunidades”, explicou a pesquisadora e coordenadora das oficinas, Heloísa Pereira.

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Ainda de acordo com a pesquisadora, através dos encontros foi possível identificar os impactos das mudanças climáticas no cotidiano das comunidades. “Os moradores relataram as dificuldades enfrentadas, como as secas mais intensas, o deslocamento, a redução da pesca, a alteração da qualidade da água, os problemas de saneamento, o aumento de doenças associadas à água”, exemplifica

Durante as oficinas, os moradores desenvolveram documentos diagnósticos socioambientais para cada lago. Mediado pelo projeto, o material reúne demandas, propostas de soluções e melhorias voltadas à construção de novas políticas públicas para seus territórios e futuras ações do próprio projeto.

Além do debate e elaboração de documentos, as oficinas também serviram para aproximar os ribeirinhos do projeto para que, futuramente, eles passem a integrar o monitoramento das águas ao lado dos pesquisadores. A atuação dos sentinelas deve começar em 2027.

As atividades foram coordenadas por pesquisadores do Instituto Mamirauá, da Universidade Federal do Amazonas, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e da Universidade Federal do Oeste do Pará.

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Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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