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Nas águas da resistência: a história de Seu Geraldo

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Aos 60 anos, Geraldo Ângelo é um pescador negro que conhece os segredos das águas desde os nove anos de idade. Natural de Unaí (MG), ele conta que sua família fazia de tudo um pouco para sobreviver. Às margens do Rio Preto, plantavam, pescavam e também produziam cal para garantir a renda da casa.  

Em busca de melhores oportunidades, seus parentes seguiram para diferentes regiões do país. Seu Geraldo, por sua vez, mudou-se primeiro para Buritis (MG) e, depois, migrou para Brasília, onde passou a viver na região do Lago Paranoá.  

Como muitos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros, ele não teve a oportunidade de estudar. “A gente não tinha tempo para estudar. Na verdade, a cidade era muito pacata e nós não levávamos os estudos a sério”, relembra.  

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Seus filhos seguiram o mesmo caminho da pesca, mas ele admite sentir um misto de orgulho e preocupação. “Sinto um pouco de culpa por não ter ensinado outra profissão para eles”, conta.  

A conquista da primeira carteira de pescador profissional aconteceu de forma inusitada. Apaixonado por futebol e conhecido pelo talento dentro de campo, Seu Geraldo recebeu um convite de um presidente de clube.  

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“Eu era muito bom de bola. Aí um presidente de um time me convidou para jogar e perguntou o que eu queria. Eu disse que queria minha liberdade, que seria minha carteirinha de pesca”, relata.  

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Segundo ele, o dirigente lhe ofereceu um contrato de dois anos e, ao fim desse período, conseguiu providenciar sua documentação. “A partir daí me tornei pescador profissional. Foi preciso jogar e fazer muitos gols”, lembra, sorrindo.  

Seu Geraldo com seu amigo pescador
Seu Geraldo com seu amigo pescador

Resistência e luta  

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Quem conversa com Seu Geraldo logo percebe que ele carrega nas mãos e na memória parte da história da pesca artesanal de Brasília, especialmente a do Lago Paranoá. Ele recorda que, na virada de 1999 para 2000, a pesca era proibida no lago. A situação mudou após uma grande mortandade de peixes, causada pela poluição das águas.  

“Teve uma mortandade muito grande de peixes no lago e Brasília ficou com um cheiro muito forte. Por causa da poluição e da morte dos peixes, as autoridades entenderam que seria importante colocar os pescadores para controlar esse peixe invasor, que era a tilápia. O resultado foi um sucesso. Conseguimos reduzir muito a população dessa espécie, quase chegando à sua extinção no lago”, afirma.  

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Seu Geraldo conta sua história no Lago Paranoá
Seu Geraldo conta sua história no Lago Paranoá

Reconhecido em reportagens dos jornais brasilienses por seus feitos na pesca artesanal, ele guarda com orgulho uma conquista marcante”. Quando liberaram a pesca no Lago Paranoá, peguei um surubim com mais de oito quilos. A história saiu no noticiário”, recorda.  

Foi também no Lago Paranoá que viveu um dos momentos mais difíceis de sua vida. Durante uma pescaria, a canoa de fibra em que estava com a esposa afundou. “Minha mulher passou três dias na UTI. Foi um momento muito difícil. Também já afundei no Tocantins”, relembra.  

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Mesmo diante das adversidades, Seu Geraldo mantém a força e a disposição de quem dedicou a vida às águas. Hoje, define-se com orgulho como um “vovô da pesca” e faz questão de exibir os calos nas mãos, marcas de décadas de trabalho, resistência e luta em defesa dos pescadores e pescadoras de Brasília.  

 

Geilson Silva

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Ministério da Pesca e Aquicultura 

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

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AGRONEGÓCIO

Mercado de trigo mantém preços firmes no Sul, mas baixa liquidez limita negócios e preocupa produtores

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O mercado brasileiro de trigo continua operando com baixa liquidez na Região Sul, refletindo o desencontro entre compradores e vendedores, o ritmo reduzido das aquisições pelos moinhos e as dificuldades de repasse dos custos ao mercado de farinha. Apesar do volume limitado de negociações, as cotações permanecem firmes nos principais estados produtores.

De acordo com análise da TF Agroeconômica, o cenário é marcado por ofertas restritas, demanda cautelosa e expectativas voltadas para a próxima safra, que enfrenta desafios relacionados aos custos de produção, ao clima e ao potencial de redução da área cultivada.

Rio Grande do Sul registra mercado calmo e preocupação com a próxima safra

No Rio Grande do Sul, o mercado segue praticamente parado. Os grandes moinhos permanecem fora das compras imediatas, com indicações próximas de R$ 1.420 por tonelada entregue, embora os valores variem conforme localização, qualidade e prazo de entrega.

As indústrias já possuem cobertura para o mês de julho e parte delas direciona as negociações para agosto, reduzindo ainda mais o volume de negócios no mercado disponível.

No campo, o cenário preocupa os produtores. O aumento dos custos de produção, a pressão sobre os preços, o risco climático associado ao possível retorno do fenômeno El Niño e a possibilidade de maior incidência de doenças, como o DON (Deoxinivalenol), influenciam o planejamento da nova temporada.

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Cooperativas das regiões Central e Noroeste relatam redução de até 40% na intenção de plantio, embora os números ainda aguardem confirmação oficial.

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As estimativas da Emater-RS apontam produção próxima de 2,2 milhões de toneladas, volume significativamente inferior às cerca de 3,8 milhões a 4 milhões de toneladas registradas na safra anterior. Caso esse cenário se confirme, o Estado poderá enfrentar déficit de aproximadamente 1,9 milhão de toneladas.

Enquanto isso, o preço de balcão apresentou nova valorização, alcançando R$ 70,02 por saca.

Santa Catarina enfrenta dificuldades para comercializar farinha

Em Santa Catarina, os preços elevados do trigo continuam limitando a comercialização da farinha e reduzindo o ritmo dos negócios.

Foi registrado um lote de trigo melhorador negociado a R$ 1.450 por tonelada FOB, com entrega futura, mas o restante do mercado segue praticamente travado.

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As referências permanecem em torno de R$ 1.350 por tonelada FOB, enquanto os moinhos localizados na região leste indicam valores próximos de R$ 1.500 por tonelada CIF.

No mercado de balcão, as cotações permaneceram estáveis na maior parte das regiões, com altas pontuais observadas nas praças de Chapecó e São Miguel do Oeste.

Oferta restrita sustenta preços no Paraná

No Paraná, a oferta disponível continua limitada, sustentando as cotações do cereal.

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Os moinhos trabalham com indicações de R$ 1.450 por tonelada CIF nos Campos Gerais e na região de Curitiba, enquanto no Norte do Estado os valores chegam a R$ 1.480 por tonelada CIF.

Do lado da oferta, produtores pedem preços a partir de R$ 1.400 por tonelada FOB, enquanto o trigo originado no Rio Grande do Sul aparece entre R$ 1.330 e R$ 1.350 por tonelada FOB.

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Para a nova safra, as negociações ainda são pontuais, com referências próximas de R$ 1.400 por tonelada CIF, para entregas previstas entre o final de agosto e setembro.

Mercado segue atento ao equilíbrio entre oferta e demanda

O mercado de trigo brasileiro permanece sustentado pela baixa disponibilidade de produto, mas enfrenta um ambiente de negociações reduzidas em razão da cautela dos compradores e das dificuldades enfrentadas pelo setor de moagem para repassar os custos ao consumidor.

Ao mesmo tempo, as perspectivas de menor produção no Rio Grande do Sul, aliadas às incertezas climáticas e ao elevado custo de produção, reforçam a expectativa de um mercado que deverá continuar acompanhando de perto a evolução da safra e o comportamento da oferta nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fonte: Portal do Agronegócio

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