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AGRONEGÓCIO

Cana, açúcar e etanol: queda do etanol pressiona usinas enquanto El Niño pode mexer com mercado global de açúcar

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O mercado sucroenergético brasileiro atravessa um momento de contrastes. Enquanto o etanol ganha competitividade frente à gasolina nos postos de combustíveis, as margens das usinas seguem pressionadas pela forte queda dos preços do biocombustível. Ao mesmo tempo, o mercado internacional de açúcar acompanha com atenção os possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre as safras asiáticas.

A análise faz parte do relatório AgroInfo Junho 2026, divulgado pelo Rabobank, que apresenta um panorama detalhado para os setores de cana-de-açúcar, açúcar e etanol no Brasil e no mundo.

Etanol acumula forte desvalorização e preocupa rentabilidade das usinas

De acordo com o levantamento, o principal destaque do segundo trimestre foi a expressiva queda dos preços do etanol hidratado. Entre o final de março e o início de junho, o indicador ESALQ registrou recuo de aproximadamente 24%, saindo de R$ 2,90 por litro para níveis próximos de R$ 2,20 por litro.

Nas bombas, o movimento também foi observado, embora de forma mais moderada. Em São Paulo, o preço médio do etanol hidratado caiu cerca de 14%, ampliando sua competitividade frente à gasolina.

Esse cenário reduziu a relação entre os preços do etanol e da gasolina para cerca de 60%, tornando o biocombustível uma alternativa economicamente mais atrativa para os consumidores. No entanto, para as usinas, a combinação entre preços menores e aumento da oferta limita a rentabilidade do setor.

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Segundo o Rabobank, a relação ideal para equilibrar o mercado brasileiro de etanol seria próxima de 63% durante a safra 2026/27.

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Mistura maior de etanol na gasolina pode estimular demanda

Uma das notícias positivas para o setor é a expectativa de ampliação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, passando de 30% para 32%.

A medida deve entrar em vigor ainda neste ano e tende a ampliar o consumo doméstico do biocombustível, reduzindo a necessidade de importação de gasolina e fortalecendo a participação do etanol na matriz energética brasileira.

Além disso, os preços mais competitivos do etanol hidratado podem contribuir para aumentar sua participação no abastecimento da frota flex nacional.

Açúcar acompanha cenário global e monitora riscos climáticos

No mercado internacional, os preços do açúcar seguem pressionados pelas expectativas de maior oferta global. Entretanto, o cenário pode mudar caso as previsões climáticas para a Ásia se confirmem.

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O Rabobank destaca que a possibilidade de um El Niño de moderada a forte intensidade no segundo semestre de 2026 aumenta as incertezas sobre a produção em importantes países exportadores, como Índia e Tailândia.

Caso ocorram perdas produtivas nessas regiões, o equilíbrio global da commodity poderá sofrer alterações relevantes, trazendo suporte às cotações internacionais.

Outro fator de atenção envolve os custos de produção. Mesmo em um cenário de redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio, os preços elevados de fertilizantes e combustíveis podem comprometer investimentos em manejo agrícola em diversas regiões produtoras do mundo, afetando o potencial produtivo das próximas safras.

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Brasil segue como protagonista do mercado mundial

O terceiro trimestre representa tradicionalmente o pico da moagem de cana e da produção de açúcar e etanol no Centro-Sul brasileiro, principal região produtora do país.

Como maior exportador global de açúcar, o Brasil continua exercendo papel decisivo na formação dos preços internacionais. Segundo a análise do Rabobank, a tendência para os próximos meses é de maior convergência entre os preços do açúcar e do etanol, refletindo o equilíbrio econômico entre os dois produtos dentro das usinas.

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Perspectiva para o setor

Apesar do cenário desafiador para as margens do etanol, o aumento da mistura obrigatória na gasolina e a forte competitividade do biocombustível no mercado interno trazem oportunidades para o setor.

No caso do açúcar, o mercado permanece atento ao comportamento climático na Ásia e aos impactos do El Niño sobre a oferta global. Qualquer alteração significativa na produção de países-chave poderá redefinir o equilíbrio mundial da commodity e influenciar diretamente as estratégias das usinas brasileiras nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

FAEP contesta resolução do CMN e pede ao Banco Central garantia do direito de prorrogação das dívidas rurais

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O Sistema FAEP encaminhou um ofício ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, solicitando a revisão da Resolução nº 5.314/2026, publicada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Segundo a entidade, a nova norma altera a interpretação sobre a prorrogação das dívidas de crédito rural e pode comprometer um direito já consolidado na legislação e na jurisprudência brasileira.

A resolução entra em vigor em 1º de julho e modifica a redação do item 4 da Seção 6 do Capítulo 2 do Manual de Crédito Rural (MCR 2-6-4). A principal preocupação do Sistema FAEP está na inclusão da expressão “por sua conveniência e decisão”, que, na avaliação da entidade, passa a permitir que instituições financeiras neguem pedidos de prorrogação de financiamentos com base em critérios subjetivos.

FAEP alerta para perda de segurança jurídica no crédito rural

Para o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, a alteração representa um risco significativo para milhares de produtores rurais que enfrentam dificuldades financeiras provocadas por eventos climáticos extremos, queda nos preços das commodities e aumento dos custos de produção.

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Segundo ele, transformar um direito previsto em lei em uma faculdade das instituições financeiras compromete a segurança jurídica do setor agropecuário e amplia a incerteza em um momento de elevada pressão econômica sobre o campo.

“O produtor rural não pode perder o direito legal de alongar suas dívidas. A realidade da atividade agropecuária continua desafiadora diante das perdas climáticas e da redução da rentabilidade das propriedades”, destacou Meneguette.

Mudança pode ampliar judicialização no agronegócio

No documento enviado ao Banco Central, o Sistema FAEP sustenta que a Resolução nº 5.314/2026 não pode restringir um direito previsto na legislação federal.

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A entidade lembra que o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), consolidado na Súmula 298, estabelece que o alongamento das dívidas oriundas de crédito rural não constitui uma faculdade das instituições financeiras, mas um direito do produtor que atende aos requisitos legais.

Na avaliação da FAEP, permitir que bancos neguem a prorrogação por mera conveniência poderá estimular um aumento expressivo da judicialização das operações de crédito rural, gerando custos adicionais tanto para produtores quanto para o sistema financeiro.

Além disso, a entidade alerta que a insegurança jurídica poderá dificultar a contratação de novos financiamentos para as próximas safras, afetando diretamente os investimentos, a produção agropecuária e a continuidade das atividades no campo.

Pedido ao Banco Central

No ofício, o Sistema FAEP solicita que o Banco Central reveja a redação da resolução para restabelecer uma interpretação compatível com a legislação vigente.

Enquanto a norma não for revisada, a entidade pede que o Banco Central oriente as instituições financeiras a garantir a prorrogação das dívidas sempre que o produtor rural comprovar o atendimento aos requisitos objetivos previstos no Manual de Crédito Rural, impedindo que pedidos sejam recusados exclusivamente por decisão discricionária das instituições.

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Segundo a FAEP, preservar esse direito é essencial para manter a previsibilidade do crédito rural, assegurar a continuidade da produção agropecuária e evitar conflitos judiciais desnecessários em um dos setores mais estratégicos da economia brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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