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Café hoje: mercado recua após disparada histórica em Nova York; dólar em alta e clima no Brasil mantêm produtores cautelosos

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O mercado brasileiro de café inicia esta terça-feira com expectativa de preços mais baixos no mercado físico, refletindo a forte realização de lucros na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) após a expressiva alta registrada na sessão anterior. Ao mesmo tempo, a leve valorização do dólar frente ao real contribui para um ambiente de maior cautela entre produtores e compradores.

Depois de um avanço histórico superior a 16% na segunda-feira, as cotações internacionais do café arábica passam por uma correção técnica, enquanto os agentes do mercado aguardam a consolidação dos preços antes de ampliar os volumes negociados.

Bolsa de Nova York corrige após disparada histórica

Os contratos futuros do café arábica negociados na ICE Futures US operam em queda nesta terça-feira.

O contrato com vencimento em setembro de 2026 recua 4,35%, sendo negociado a 334,70 centavos de dólar por libra-peso, devolvendo parte da forte valorização observada na sessão anterior.

Na segunda-feira, o mesmo contrato encerrou cotado a 349,95 centavos de dólar por libra-peso, acumulando alta de 48,75 centavos, equivalente a 16,2%, enquanto o vencimento dezembro/2026 avançou 17,1%, fechando a 335,40 centavos de dólar por libra-peso.

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Segundo o analista Gil Barabach, da Safras & Mercado, o forte movimento de alta foi impulsionado por uma combinação de fatores climáticos e financeiros.

Entre os principais motivos estão:

  • preocupação com as chuvas durante a colheita brasileira;
  • dificuldades na secagem e no beneficiamento dos grãos;
  • riscos de perda de qualidade da safra;
  • rompimento de importantes resistências técnicas;
  • reposicionamento dos fundos de investimento;
  • ajustes de carteiras antes do vencimento das opções previsto para o dia 10.

Esse conjunto de fatores acelerou as compras especulativas e levou o mercado aos maiores níveis em aproximadamente nove meses.

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Mercado físico reduz ritmo de negociações

Apesar da expressiva valorização registrada na segunda-feira, o mercado físico brasileiro teve volume limitado de negócios.

De acordo com Safras & Mercado, os compradores não conseguiram repassar integralmente o aumento observado nas bolsas internacionais, enquanto os produtores optaram por reter parte da oferta aguardando preços mais consistentes.

O segmento de café conilon apresentou movimentação um pouco melhor, embora também tenha registrado negociações pontuais.

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A expectativa para esta terça-feira é de menor liquidez, já que tanto vendedores quanto compradores aguardam uma definição mais clara da tendência internacional.

Preços do café no mercado brasileiro

Na segunda-feira, as principais praças produtoras registraram forte valorização:

Sul de Minas Gerais: café arábica bebida boa (15% de catação) passou para R$ 1.850,00 a R$ 1.855,00 por saca, ante R$ 1.720,00/R$ 1.725,00 anteriormente.

Cerrado Mineiro: arábica bebida dura foi negociado entre R$ 1.860,00 e R$ 1.865,00, contra R$ 1.730,00/R$ 1.735,00 no fechamento anterior.

Zona da Mata (MG): café arábica tipo Rio 7 avançou para R$ 1.360,00 a R$ 1.365,00, frente aos R$ 1.290,00/R$ 1.295,00.

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Vitória (ES): o conilon tipo 7 safra 2026 subiu para R$ 1.110,00 a R$ 1.115,00, enquanto o tipo 7/8 alcançou R$ 1.100,00 a R$ 1.105,00 por saca.

Fundos ampliam posição comprada no café

Os dados mais recentes da Commodity Futures Trading Commission (CFTC), referentes à semana encerrada em 30 de junho, mostram aumento da confiança dos investidores no mercado do café.

Os grandes fundos e especuladores elevaram sua posição líquida comprada de 15.053 para 20.531 contratos, indicando maior aposta na continuidade da valorização das cotações.

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Já as empresas comerciais — como indústrias, exportadores e tradings — mantinham posição líquida vendida de 20.776 contratos, estratégia tradicional de proteção das operações físicas.

Os pequenos investidores apresentavam posição líquida comprada de 245 contratos.

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O número total de contratos em aberto na ICE Futures US somava 183.728 lotes, redução semanal de 2.889 contratos.

Dólar e cenário externo seguem no radar

Além das oscilações nas bolsas internacionais, o mercado acompanha o comportamento do câmbio.

O dólar comercial opera em leve alta de 0,19%, cotado a R$ 5,1426, enquanto o Dollar Index avança 0,07%, aos 100,925 pontos.

No cenário internacional, as bolsas asiáticas encerraram o dia em queda, com destaque para Japão (-2,12%) e China (-1,26%). Na Europa, os principais índices operam sem direção única, enquanto o petróleo WTI sobe 0,71%, negociado próximo de US$ 69,04 por barril.

Perspectivas para o mercado de café

A tendência para os próximos dias é de elevada volatilidade nas cotações internacionais.

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Os investidores permanecem atentos às condições climáticas nas principais regiões produtoras do Brasil, ao andamento da colheita, ao comportamento dos fundos de investimento e à evolução do dólar, fatores que deverão continuar determinando a formação dos preços tanto na Bolsa de Nova York quanto no mercado físico brasileiro.

Enquanto persistirem as incertezas sobre a qualidade da safra e a disponibilidade de oferta, o mercado tende a permanecer sensível a novas oscilações, mantendo produtores e compradores em posição de cautela.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Pesquisa inédita define manejo de micronutrientes no cacau e pode elevar a produtividade das lavouras

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A cacauicultura brasileira acaba de ganhar um importante avanço científico que promete aumentar a eficiência da produção e reduzir custos no campo. Pesquisadores do Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia (PCTSul) desenvolveram a primeira referência técnica específica para o manejo dos micronutrientes cobre, ferro, manganês e zinco em lavouras de cacau cultivadas na região Sul da Bahia.

Os resultados, publicados na revista científica Soil Science Society of America Journal, estabelecem faixas inéditas de disponibilidade desses nutrientes no solo, oferecendo uma base mais precisa para interpretação de análises laboratoriais e definição das recomendações de adubação.

A expectativa é que a nova metodologia contribua para aumentar a produtividade das lavouras, reduzir desperdícios de fertilizantes, diminuir custos de produção e tornar o uso dos recursos naturais mais eficiente.

Pesquisa cria referência inédita para a cacauicultura brasileira

O estudo foi liderado pelo engenheiro agrônomo e pesquisador do PCTSul, Edson França, mestre em Produção Vegetal, e representa um marco para a nutrição mineral do cacaueiro.

Segundo o pesquisador, a ausência de parâmetros específicos para a cultura fazia com que muitas recomendações de adubação fossem realizadas com base em referências desenvolvidas para outras culturas ou em critérios generalistas.

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A pesquisa reuniu centenas de amostras de solo coletadas ao longo de vários anos em áreas comerciais de produção de cacau no Sul da Bahia. A partir da análise dos dados, os pesquisadores conseguiram estabelecer faixas consideradas ideais para cada micronutriente, identificando situações de deficiência, equilíbrio e excesso no solo.

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Esses elementos — cobre, ferro, manganês e zinco — são absorvidos em pequenas quantidades pelas plantas, mas exercem papel fundamental no desenvolvimento vegetativo, na formação dos frutos e no potencial produtivo das lavouras.

Adubação mais precisa reduz custos e impactos ambientais

Com a nova classificação, técnicos e produtores passam a contar com informações específicas para definir o manejo nutricional do cacaueiro.

A utilização de parâmetros mais precisos tende a evitar aplicações desnecessárias de fertilizantes, reduzindo desperdícios, diminuindo os custos de produção e minimizando impactos ambientais causados pelo uso excessivo de insumos.

Além do benefício econômico, a adoção de recomendações mais ajustadas contribui para melhorar a fertilidade do solo e aumentar a sustentabilidade dos sistemas produtivos.

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Camada superficial do solo oferece diagnóstico mais eficiente

Outro resultado relevante da pesquisa diz respeito à profundidade ideal para as análises de solo.

Os pesquisadores identificaram que a camada superficial, entre 0 e 10 centímetros, apresenta maior capacidade para indicar desequilíbrios nutricionais nas lavouras de cacau, permitindo diagnósticos mais rápidos e precisos do que o modelo tradicional baseado em amostras coletadas até 20 centímetros de profundidade.

O estudo também verificou que os micronutrientes apresentam distribuição distinta nas diferentes camadas do solo, reforçando a importância de avaliações que considerem múltiplas profundidades para ampliar a confiabilidade dos diagnósticos agronômicos.

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Ciência aproxima recomendações da realidade do produtor

De acordo com os pesquisadores, este é um dos primeiros estudos realizados no Brasil a desenvolver classes específicas de interpretação dos micronutrientes para o cacaueiro com base em informações obtidas diretamente em áreas comerciais de produção.

Essa abordagem permite aproximar a pesquisa científica das condições reais enfrentadas pelos produtores, tornando as recomendações técnicas mais eficientes e aplicáveis ao campo.

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Até então, a ausência de referências específicas fazia com que muitas decisões sobre adubação fossem tomadas de forma empírica ou utilizando parâmetros desenvolvidos para outras culturas.

Projeto reúne instituições de pesquisa

Os dados utilizados na pesquisa foram obtidos por meio do Projeto Renova Cacau, desenvolvido em parceria com o Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia.

O trabalho contou ainda com a participação do Centro de Inovação do Cacau (CIC), unidade operacional do PCTSul, da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) e de outras instituições de pesquisa.

Com a definição dessas novas referências técnicas, a expectativa é que o manejo nutricional do cacaueiro entre em uma nova etapa, oferecendo maior precisão na adubação, aumento da produtividade e fortalecimento da competitividade da cacauicultura brasileira.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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