AGRONEGÓCIO
Cepea divulga análise de março de 2026 com alta em grãos, carnes firmes e volatilidade em commodities
O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) divulgou as análises mensais de março de 2026, destacando um cenário de valorização em diversas commodities agrícolas, firmeza no setor pecuário e influência direta do ambiente internacional sobre os preços no Brasil.
O levantamento mostra mudanças importantes no comportamento de mercados como açúcar, milho, café e trigo, além de oscilações relevantes em proteínas e fibras.
Açúcar reage com oferta restrita e cenário externo
O mercado de açúcar apresentou recuperação em março, revertendo parcialmente a tendência de queda observada nos meses anteriores. O Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco em São Paulo saiu da faixa de R$ 98,00 por saca de 50 kg no início do mês para R$ 105,46/sc no fechamento.
A alta foi impulsionada pela menor oferta típica da entressafra e pela retomada da demanda. No cenário internacional, o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã trouxe volatilidade ao mercado, influenciando custos de insumos, logística e decisões sobre o mix produtivo das usinas.
Algodão registra maior alta mensal desde 2022
Após meses de estabilidade, os preços do algodão em pluma ganharam força em março. O movimento foi sustentado pela resistência dos vendedores, maior demanda e apoio do mercado externo.
Com isso, o Indicador CEPEA/ESALQ voltou a superar R$ 3,91 por libra-peso, registrando a maior valorização mensal desde agosto de 2022.
Arroz sobe mais de 12%, mas liquidez segue baixa
Os preços do arroz em casca avançaram significativamente no Rio Grande do Sul, com alta superior a 12% em relação ao final de fevereiro.
Apesar da valorização, o mercado manteve baixa liquidez ao longo do mês, refletindo a retração dos produtores, divergência entre preços e custos de produção e postura cautelosa dos agentes. As negociações ocorreram de forma pontual e com volumes reduzidos.
Boi gordo mantém firmeza com oferta limitada
O mercado pecuário brasileiro apresentou estabilidade e firmeza em março. Os preços da arroba do boi gordo permaneceram sustentados nos níveis de fevereiro, apoiados pela baixa oferta de animais prontos para abate e pela demanda externa aquecida.
Mesmo diante de incertezas e impactos do cenário internacional, o setor manteve desempenho consistente.
Café tem comportamento distinto entre arábica e robusta
O mercado de café apresentou dinâmicas diferentes entre as variedades. Após forte queda em fevereiro, o café arábica voltou a subir em março, impulsionado pela oferta limitada e pelas incertezas geopolíticas.
Já o robusta seguiu pressionado durante boa parte do mês, refletindo maior disponibilidade e a proximidade da colheita, fatores que contribuíram para a queda nas cotações.
Etanol recua em março, mas ciclo segue positivo
Os preços do etanol caíram em março no estado de São Paulo, acompanhando o fim do período de entressafra.
Apesar da retração mensal, o acumulado da safra 2025/26 (de abril de 2025 a março de 2026) mostra valores médios superiores aos registrados no ciclo anterior, tanto para o etanol hidratado quanto para o anidro.
Feijão atinge recorde histórico, apesar de queda no fim do mês
Os preços do feijão carioca registraram forte valorização até meados de março, mas recuaram nas últimas semanas devido à retração da demanda.
Ainda assim, a média mensal superou a de fevereiro e atingiu o maior nível da série histórica do Cepea/CNA, iniciada em setembro de 2024. Já o feijão preto apresentou estabilidade em relação ao mês anterior.
Setor avícola sinaliza recuperação após quedas
O setor de frango acumulou queda expressiva nos preços ao longo do primeiro trimestre de 2026. No entanto, os últimos dias de março indicaram uma possível reversão dessa tendência.
Mesmo em um período de menor demanda sazonal, os preços reagiram de forma significativa, influenciados, entre outros fatores, pelos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre o mercado global.
Milho avança com oferta restrita no mercado interno
Os preços do milho registraram alta ao longo de março, sustentados pela baixa disponibilidade no mercado spot brasileiro.
A restrição ocorreu mesmo com o avanço da colheita da safra de verão e a existência de estoques de passagem considerados confortáveis, evidenciando uma dinâmica de oferta mais ajustada.
Ovinos têm valorização na maioria das regiões
O mercado de ovinos apresentou elevação nos preços do cordeiro vivo na maior parte dos estados monitorados pelo Cepea.
Nos locais onde houve queda, como no Rio Grande do Sul, o principal fator apontado foi a lentidão nas negociações.
Óleo de soja sobe com tensões no Oriente Médio
Os preços do óleo de soja registraram alta expressiva nos mercados nacional e internacional. A valorização foi impulsionada pelo aumento das tensões no Oriente Médio, com impactos diretos sobre o fluxo de petróleo.
A proximidade de conflitos no Estreito de Ormuz elevou as preocupações logísticas e sustentou as cotações de commodities ligadas ao setor energético.
Trigo sobe no Brasil com influência externa
O mercado de trigo também apresentou valorização em março. Nos estados do Sul, as médias mensais atingiram níveis semelhantes aos observados em outubro de 2025, enquanto em regiões como São Paulo os preços foram os maiores em cerca de seis meses.
O movimento foi influenciado principalmente pela valorização internacional do cereal, pela alta do dólar frente ao real e pelas expectativas para a próxima safra, que indicam possível redução de área e produção em relação a 2025.
Cenário geral aponta influência externa e ajustes de oferta
De forma geral, o relatório do Cepea evidencia um mercado agrícola impactado por fatores externos, como conflitos geopolíticos e variações cambiais, além de ajustes internos de oferta e demanda.
A tendência para os próximos meses dependerá da evolução desses fatores, especialmente no cenário internacional, que segue como principal vetor de volatilidade para os preços das commodities agrícolas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Esmagamento de soja no Brasil deve bater recorde em 2026, projeta ABIOVE
ABIOVE revisa projeções e indica novo recorde no processamento de soja
A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE) atualizou as projeções para o complexo soja em 2026, indicando que o Brasil deve alcançar um novo recorde no esmagamento do grão.
De acordo com o levantamento, o processamento interno deve atingir 62,2 milhões de toneladas, representando um crescimento de 1,1% em relação à estimativa anterior. O avanço é impulsionado pela forte produção agrícola e pela demanda crescente por produtos derivados.
Produção de farelo e óleo acompanha expansão do setor
Com o aumento do esmagamento, a produção de derivados também deve crescer. A expectativa é de que o Brasil produza:
- 47,9 milhões de toneladas de farelo de soja
- 12,5 milhões de toneladas de óleo de soja
O desempenho reforça o papel do país na geração de produtos de maior valor agregado dentro da cadeia do agronegócio.
Setor demonstra resiliência e ganho de competitividade
Segundo Daniel Furlan Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da ABIOVE, a revisão positiva das projeções reflete a solidez da indústria.
De acordo com ele, o crescimento do processamento mostra a capacidade do setor de absorver uma safra robusta e transformar a matéria-prima em produtos estratégicos tanto para a alimentação quanto para a matriz energética.
Exportações de soja e derivados seguem em alta
No comércio exterior, o Brasil mantém posição de destaque global. A projeção para 2026 indica exportações de:
- 113,6 milhões de toneladas de soja em grão
- 24,6 milhões de toneladas de farelo de soja
- 1,5 milhão de toneladas de óleo de soja, com crescimento de 3,3%
Os números reforçam a relevância do país no fornecimento global de alimentos e insumos industriais.
Dados de fevereiro confirmam ritmo de crescimento
Os dados mais recentes já indicam o bom desempenho do setor em 2026. Em fevereiro, o processamento de soja totalizou 3,546 milhões de toneladas, o que representa alta de 8,5% em relação ao mesmo mês de 2025, considerando o ajuste amostral.
No acumulado do ano até fevereiro, o volume processado alcançou 7,421 milhões de toneladas, crescimento de 6,4% na comparação anual.
Indústria de soja fortalece cadeia produtiva do agronegócio
O avanço do esmagamento de soja no Brasil evidencia o fortalecimento da indústria nacional e sua capacidade de agregar valor à produção agrícola.
Com perspectivas positivas para 2026, o setor segue como um dos pilares do agronegócio brasileiro, contribuindo tanto para o abastecimento interno quanto para o desempenho das exportações.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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