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Boi gordo bate recorde enquanto soja perde valor nos portos

O Indicador do boi Cepea/Esalq atingiu R$ 365,45 por arroba em 9 de abril, recorde nominal da série, enquanto a soja em Paranaguá caiu para R$ 127,84 mesmo com embarques em ritmo alto.

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boi gordo recorde Cepea
Oferta curta de animais terminados e exportação recorde no primeiro trimestre levaram a arroba ao maior valor nominal já registrado pelo indicador Cepea/Esalq. Imagem ilustrativa.

Arroba fechou em R$ 365,45 com exportação aquecida; saca em Paranaguá caiu para R$ 127,84 mesmo com embarques em ritmo alto

O Indicador do boi gordo Cepea/Esalq fechou em R$ 365,45 por arroba na quarta-feira (9), o maior valor nominal já registrado pela série histórica. No mesmo dia, a soja negociada em Paranaguá caiu para R$ 127,84 por saca, retração de 0,22% em 24 horas e de 1,08% no mês. Os dois movimentos refletem uma combinação hoje comum no agronegócio brasileiro: exportação forte e oferta curta sustentam o preço da carne, enquanto safra recorde, dólar mais baixo e frete mais caro reduzem a margem do produtor de soja.

Arroba sobe com oferta curta e exportação forte

O recorde do boi não começou nesta semana. A média mensal de março já havia fechado em R$ 350,18, e o último dia útil do mês marcou R$ 356,00 por arroba. A referência a prazo em São Paulo, que antecipa o comportamento do curto prazo, rondava R$ 369,84 no dia 9, e a média móvel de cinco indicadores estava em R$ 363,33.

O vetor principal da alta é externo. O Brasil exportou 701.662 toneladas de carne bovina in natura no primeiro trimestre, volume 19,7% maior que o mesmo período de 2025 e recorde para o intervalo. O preço médio pago pela tonelada em março ficou em US$ 5.814,80, avanço de 3,1% sobre fevereiro e de 18,7% na comparação anual. A Abiec, com base em dados da Secex/MDIC, contabilizou 801,9 mil toneladas de embarque total de carne bovina brasileira no trimestre, com receita de US$ 4,33 bilhões, altas de 18,4% em volume e de 34,3% em valor. A diferença entre os dois recortes se explica pelo escopo: o primeiro trata apenas de carne in natura, enquanto o segundo considera o total exportado.

China concentra demanda, mas impõe teto para 2026

As vendas à China somaram 335,3 mil toneladas no trimestre, alta de 41,8% em volume sobre o mesmo intervalo de 2025, e o país asiático seguiu como maior comprador isolado. Os Estados Unidos ficaram em segundo, com 107,4 mil toneladas. No mercado doméstico, há pouca oferta de animais terminados: com frigoríficos disputando lote curto, a arroba subiu em todas as praças acompanhadas pelo Cepea.

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O risco para o segundo semestre está no mesmo destino que hoje sustenta a demanda. Desde janeiro, a China aplica um regime de salvaguarda que incide tarifa adicional de 55% sobre volumes acima da cota anual. Para o Brasil, a cota de 2026 foi fixada em 1,106 milhão de toneladas, o equivalente a cerca de 92,2 mil toneladas por mês sem sobretaxa. Em 2025, os embarques brasileiros de carne bovina fresca ao mercado chinês somaram 1,648 milhão de toneladas, ritmo acima do novo limite. Governo e indústria discutem a divisão de cotas por empresa para evitar uma corrida de embarques no primeiro semestre.

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Soja vende mais e recebe menos

Na soja, o volume exportado sobe e o preço interno cai. A Anec projeta 15,778 milhões de toneladas de embarque em abril, contra 13,496 milhões em abril de 2025, e praticamente o mesmo patamar de março deste ano (15,836 milhões). O farelo segue a mesma direção, com 2,707 milhões de toneladas previstas no mês, acima do mesmo período do ano passado. Mesmo assim, o Indicador da soja Cepea/Esalq Paranaguá caiu de R$ 130,01 em 27 de março para R$ 127,84 em 9 de abril, queda de cerca de 1,7% em menos de duas semanas.

A safra pesa no resultado. O 6º levantamento da Conab traz a produção brasileira de soja em 177,8 milhões de toneladas, alta de 3,7% sobre o ciclo anterior, com exportações previstas para a temporada 2025/26 em 114,38 milhões de toneladas. Já no início de março, a colheita havia atingido 50,6% da área plantada, apesar de atrasos localizados por chuva intensa. Quando a oferta física cresce rápido e exige escoamento acelerado, a formação de preço dentro do país enfraquece.

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Câmbio e frete completam a pressão sobre a saca

O dólar é o segundo freio. Na virada de 9 para 10 de abril, a moeda americana operava abaixo de R$ 5,10, faixa que reduz as referências em reais nos portos. O terceiro freio é logístico. O Boletim Logístico da Conab registrou altas de frete de até 19% em Mato Grosso e superiores a 50% em algumas rotas de Goiás. No mesmo período, controles fitossanitários mais rígidos nos embarques para a China elevaram o tempo de liberação nos portos e somaram cerca de 24% ao custo do frete Panamax de Santos para o norte chinês em março.

O produtor de soja, portanto, recebe menos por saca mesmo com o comprador externo ativo, enquanto o pecuarista vende arroba em valor nominal recorde. Nas próximas semanas, o ponto de atenção do boi é a coordenação dos embarques para a China, de modo a diluir a cota ao longo de 2026 e evitar queda de volume no segundo semestre. Na soja, o curto prazo depende do ritmo final da colheita, do comportamento do dólar e da normalização do fluxo logístico para a Ásia.

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AGRONEGÓCIO

Estoques de títulos privados do agronegócio somam R$ 597 bilhões em setembro

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O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) divulgou os dados do Boletim de Finanças do Agro referentes a setembro de 2026. O levantamento apresenta o desempenho dos principais instrumentos privados de financiamento do agronegócio, com destaque para os estoques de Cédulas de Produto Rural (CPR), que totalizaram R$ 597 bilhões no período.

Ao todo, foram registradas 333 mil CPRs, com valor médio de R$ 1,79 milhão por cédula. Considerando as emissões realizadas na safra 2026/2027, entre julho e setembro, o volume de novas CPRs alcançou R$ 98 bilhões.

No caso da Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), os estoques somaram R$ 563 bilhões em setembro. De acordo com as regras vigentes do Manual de Crédito Rural (MCR), pelo menos 60% desse montante, equivalente a R$ 338 bilhões, deve ser direcionado ao financiamento do setor agropecuário. Desse total, no mínimo 45%, correspondente a R$ 152 bilhões, deve ser destinado ao crédito rural oficial. Os valores abrangem recursos relacionados à safra atual e a contratos ainda vigentes de safras anteriores.

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Os estoques do Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e do Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) atingiram, respectivamente, R$ 175 bilhões e R$ 30 bilhões em setembro.

Já o patrimônio líquido dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (Fiagro) alcançou R$ 73 bilhões no período. Atualmente, 301 fundos dessa categoria estão em operação.

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Os dados são do Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário da Secretaria de Política Agrícola do Mapa.

Informações à imprensa
[email protected]

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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