AGRONEGÓCIO
Crédito rural e Prodes: falsos-positivos preocupam produtores e acendem alerta no agronegócio
Desde 1º de abril, produtores rurais brasileiros passaram a enfrentar novas exigências para obtenção de crédito rural no âmbito do Plano Safra. As instituições financeiras agora são obrigadas a consultar dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes) antes da liberação dos financiamentos, medida que ampliou o controle ambiental sobre as propriedades rurais.
Embora a iniciativa tenha como objetivo fortalecer a sustentabilidade e combater o desmatamento ilegal, produtores e entidades do setor agropecuário alertam para problemas relacionados aos chamados “falsos-positivos” do sistema, que podem bloquear automaticamente o acesso ao crédito mesmo em áreas sem irregularidades ambientais.
O que são os falsos-positivos do Prodes
Os falsos-positivos ocorrem quando o sistema identifica alterações na vegetação e interpreta a movimentação como possível desmatamento irregular, ainda que a atividade seja legal e faça parte do manejo produtivo da propriedade.
Entre as situações que podem gerar notificações indevidas estão:
- limpeza de pastagens;
- troca de culturas agrícolas;
- manejo florestal autorizado;
- colheita de eucalipto;
- recuperação de áreas produtivas.
Na prática, o sistema de monitoramento via satélite não consegue, sozinho, diferenciar imediatamente uma atividade agrícola regular de uma supressão ilegal de vegetação nativa.
Com isso, propriedades rurais com apontamentos positivos acabam sofrendo restrições automáticas no acesso ao crédito rural, situação que preocupa produtores em meio ao cenário de juros elevados, aumento dos custos de produção e margens financeiras apertadas.
Mais de 5,4 milhões de apontamentos preocupam setor produtivo
Dados da consultoria Datagro apontam que mais de 5,4 milhões de apontamentos positivos em propriedades rurais foram registrados no Prodes até outubro de 2025.
Segundo representantes do setor, parte significativa dessas notificações pode estar relacionada justamente aos falsos-positivos, reforçando a necessidade de mecanismos mais precisos de validação antes da aplicação de sanções financeiras.
O temor do agronegócio é que produtores ambientalmente regulares sejam impedidos de financiar custeio, investimento e plantio por inconsistências no sistema de monitoramento remoto.
FPA tenta suspender exigência do Prodes no crédito rural
Diante da repercussão do tema, integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) protocolaram dois Projetos de Decreto Legislativo (PDL) no Congresso Nacional para sustar os efeitos das resoluções do Conselho Monetário Nacional (CMN) que tornaram obrigatória a consulta ao Prodes.
As medidas foram apresentadas:
- na Câmara dos Deputados, por meio do PDL 178/2026;
- no Senado Federal, por meio do PDL 176/2026.
- As resoluções questionadas são:
- Resolução CMN nº 5.193/2024;
- Resolução CMN nº 5.268/2025.
Segundo o presidente da FPA, Pedro Lupion, a suspensão temporária das regras é considerada urgente para evitar prejuízos imediatos aos produtores rurais.
De acordo com o parlamentar, a intenção é garantir que o sistema conte com mecanismos mais confiáveis de verificação ambiental antes da imposição de restrições automáticas ao crédito.
Projetos buscam aprimorar fiscalização ambiental no campo
Além da tentativa de suspensão das resoluções, parlamentares ligados ao agronegócio também articulam mudanças legislativas para aperfeiçoar as regras ambientais relacionadas ao crédito rural.
Um dos projetos em discussão é o Projeto de Lei 2.564/2025, apresentado pelos deputados Lúcio Mosquini e José Adriano.
A proposta prevê que embargos ambientais só possam ocorrer após comprovação efetiva do dano ambiental, proibindo medidas baseadas exclusivamente em imagens de satélite sem verificação presencial.
Segundo Mosquini, o modelo atual pode penalizar produtores que atuam dentro da legalidade, já que a fiscalização remota não consegue distinguir corretamente determinadas práticas agrícolas.
Senado debate regras para limitar crédito rural por questões ambientais
Outra proposta em tramitação é o Projeto de Lei 205/2025, de autoria do senador Jaime Bagattoli.
O texto estabelece critérios objetivos para restrições ambientais relacionadas ao crédito rural, incluindo exigências ligadas ao Cadastro Ambiental Rural (CAR).
A proposta também busca garantir maior segurança jurídica para instituições financeiras e produtores rurais, limitando o peso de normas infralegais frente às determinações previstas no Código Florestal.
FPA cobra governo e Banco Central
A Frente Parlamentar da Agropecuária também encaminhou ofícios ao Conselho Monetário Nacional solicitando o adiamento da entrada em vigor das exigências relacionadas ao Prodes.
Os documentos foram enviados ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e à então ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet.
No pedido, a bancada solicitava prazo adicional de pelo menos seis meses para adaptação das regras e aprimoramento dos mecanismos de análise ambiental.
Segundo a FPA, o uso isolado do Prodes como critério impeditivo transfere ao produtor rural o custo e a responsabilidade de comprovar a regularidade ambiental da propriedade, muitas vezes por meio de processos complexos e onerosos.
Segurança jurídica e acesso ao crédito entram no centro do debate
O avanço das exigências ambientais no crédito rural intensifica o debate sobre equilíbrio entre preservação ambiental e segurança jurídica no agronegócio brasileiro.
Enquanto o governo busca ampliar os mecanismos de controle ambiental e rastreabilidade da produção, representantes do setor defendem que produtores regulares não sejam penalizados por limitações técnicas dos sistemas de monitoramento remoto.
O tema deve seguir em discussão no Congresso Nacional e no Conselho Monetário Nacional ao longo dos próximos meses, especialmente diante da proximidade do novo ciclo do Plano Safra e da crescente demanda por financiamento no campo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Preço do boi gordo perde força antes do Dia das Mães e mercado aponta acomodação da arroba
O mercado físico do boi gordo encerrou a semana em ritmo mais lento e com sinais de acomodação nos preços, mesmo diante da proximidade do Dia das Mães, uma das datas mais importantes para o consumo de carnes no Brasil. O cenário reflete uma combinação de demanda doméstica moderada, maior competitividade das proteínas concorrentes e cautela das indústrias frigoríficas nas compras de animais para abate.
Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, frigoríficos de estados como São Paulo, Goiás e Minas Gerais tentaram alongar escalas de abate com ofertas em patamares mais baixos. Em contrapartida, em Mato Grosso houve encurtamento das escalas, levando parte da indústria local a reajustar preços para garantir abastecimento.
Mercado acompanha limite da cota chinesa
Além do comportamento do consumo interno, o setor pecuário monitora com atenção a evolução da cota de exportação de carne bovina para a China. A expectativa é de que o limite atual seja atingido em meados de junho, o que aumenta as incertezas sobre o ritmo dos embarques brasileiros durante o terceiro trimestre de 2026.
A China segue como principal destino da carne bovina brasileira e qualquer alteração no fluxo de exportações tende a impactar diretamente a formação de preços da arroba no mercado doméstico.
Preço da arroba do boi gordo por estado
Na modalidade a prazo, os preços da arroba do boi gordo apresentaram estabilidade na maior parte das praças pecuárias monitoradas até o dia 7 de maio:
- São Paulo (Capital): R$ 350,00 por arroba, queda de 2,78% frente aos R$ 360,00 da semana anterior;
- Goiás (Goiânia): R$ 340,00 por arroba, recuo de 1,45%;
- Minas Gerais (Uberaba): R$ 340,00 por arroba, estável;
- Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 350,00 por arroba, sem alterações;
- Mato Grosso (Cuiabá): R$ 360,00 por arroba, estável;
- Rondônia (Vilhena): R$ 330,00 por arroba, sem mudanças em relação ao mês anterior.
Carne bovina perde competitividade no atacado
No mercado atacadista, os preços também apresentaram acomodação, mesmo em um período tradicionalmente favorável ao consumo, impulsionado pela entrada dos salários e pelas compras relacionadas ao Dia das Mães.
Segundo Iglesias, os atuais níveis de preços da carne bovina limitam novas altas mais intensas, já que parte da população encontra dificuldade para absorver reajustes adicionais no varejo.
A carne bovina continua perdendo competitividade frente às proteínas mais acessíveis, principalmente a carne de frango, que segue ganhando espaço no consumo doméstico.
Os cortes bovinos registraram os seguintes preços médios na semana:
- Quarto do dianteiro: R$ 23,00 por quilo, queda de 2,13%;
- Cortes do traseiro: R$ 28,00 por quilo, recuo de 1,75%.
Exportações de carne bovina seguem fortes em abril
Apesar da acomodação do mercado interno, as exportações brasileiras de carne bovina seguem em ritmo robusto.
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil exportou 251,944 mil toneladas de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada em abril, considerando 20 dias úteis.
A receita obtida pelo país somou US$ 1,572 bilhão, com média diária de US$ 78,625 milhões. O preço médio da tonelada exportada ficou em US$ 6.241,50.
Na comparação com abril de 2025, os números mostram:
- Alta de 29,4% na receita média diária;
- Crescimento de 4,3% no volume médio diário embarcado;
- Avanço de 24,1% no preço médio da tonelada.
O desempenho das exportações segue sendo um dos principais fatores de sustentação para o setor pecuário brasileiro, especialmente em um momento de maior cautela no consumo doméstico.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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