AGRONEGÓCIO
Soja hoje: oferta concentrada no Brasil pressiona preços, enquanto Chicago oscila com petróleo, demanda e geopolítica
O mercado da soja inicia o mês de maio dividido entre pressões internas no Brasil e sustentação no cenário internacional. Enquanto a oferta concentrada, os desafios logísticos e a limitação de armazenagem pesam sobre os preços domésticos, a Bolsa de Chicago (CBOT) segue volátil, reagindo a fatores como petróleo, demanda global e tensões geopolíticas.
Chicago oscila após alta recente e mantém patamar elevado
Na CBOT, os contratos futuros da soja começaram a semana em forte alta, atingindo os maiores níveis dos últimos sete meses. O movimento foi impulsionado principalmente pela valorização do petróleo e pelo avanço do óleo de soja, que elevou o complexo como um todo.
O contrato julho chegou a superar US$ 12,20 por bushel, acumulando ganhos superiores a 1,5%, enquanto o óleo registrou alta próxima de 2%. O farelo apresentou valorização mais moderada.
Já nesta terça-feira (5), o mercado passou por ajuste técnico, com realização de lucros após a sequência de ganhos. Apesar das correções pontuais, as cotações permanecem firmes acima dos US$ 12,00 por bushel, indicando sustentação no curto prazo.
Fundamentos externos seguem no radar do mercado
O ambiente internacional continua sendo direcionado por três fatores principais:
A demanda segue aquecida, com destaque para o esmagamento de soja nos Estados Unidos, que superou 6,8 milhões de toneladas em março, reforçando o consumo consistente.
O plantio da nova safra norte-americana avança e já atinge cerca de 33% da área, mantendo o mercado atento às condições climáticas no Corn Belt e ao desenvolvimento inicial das lavouras.
No campo geopolítico, as expectativas sobre um possível encontro entre lideranças dos Estados Unidos e da China em maio aumentam a especulação sobre novos acordos comerciais, o que pode favorecer a demanda chinesa pela oleaginosa.
Além disso, as tensões no Estreito de Ormuz seguem sustentando os preços do petróleo, fator que influencia positivamente o complexo soja, especialmente o óleo.
Brasil: avanço da colheita amplia pressão sobre preços
No mercado interno, o avanço da colheita intensifica a oferta e pressiona as cotações, especialmente nas principais regiões produtoras.
No Rio Grande do Sul, a colheita já alcança cerca de 79% da área cultivada, estimada em 6,62 milhões de hectares. O excesso de umidade, no entanto, dificulta os trabalhos de campo e compromete a qualidade dos grãos.
Os preços médios no estado registraram queda de 1,68%, atingindo R$ 115,25 por saca, enquanto no Porto de Rio Grande as cotações giram em torno de R$ 130,00 por saca. Também há preocupação com o avanço da ferrugem asiática em lavouras tardias.
Em Santa Catarina, a demanda firme das cadeias de proteína animal contribui para maior sustentação dos preços. Em Rio do Sul, a saca é negociada a R$ 118,00, enquanto em São Francisco do Sul atinge R$ 129,20.
No Paraná, a produção combinada de soja e milho deve alcançar 39,1 milhões de toneladas. Ainda assim, os preços permanecem cerca de 6% abaixo dos níveis registrados em 2025, impactados principalmente pelo câmbio.
Centro-Oeste enfrenta gargalos logísticos com safra cheia
Nos estados do Centro-Oeste, o cenário é de produção robusta, mas com desafios relevantes na armazenagem e no escoamento.
Em Mato Grosso, a produção deve atingir recorde de 51,56 milhões de toneladas. No entanto, a limitação da capacidade de armazenagem e o custo elevado do frete reduzem a competitividade e pressionam as margens dos produtores.
No Mato Grosso do Sul, a produtividade média é estimada em 61,73 sacas por hectare, com produção total de 17,75 milhões de toneladas, reforçando o cenário de oferta elevada.
A combinação entre safra volumosa e gargalos logísticos mantém o mercado doméstico pressionado, mesmo diante de um ambiente internacional mais favorável.
Tendência: mercado dividido entre fatores internos e externos
O comportamento do mercado segue dividido no curto prazo.
No Brasil, a tendência é de pressão sobre os preços, influenciada pela oferta concentrada, limitações logísticas e ritmo de comercialização.
No cenário externo, o suporte vem do petróleo, da demanda aquecida e das incertezas geopolíticas, que sustentam as cotações em Chicago.
Fatores de atenção para os próximos dias
Os agentes de mercado devem monitorar:
- O relatório de oferta e demanda dos Estados Unidos, previsto para o dia 12
- As condições climáticas no Corn Belt
- O andamento das negociações entre Estados Unidos e China
- O ritmo de escoamento da safra brasileira
Conclusão
Apesar do suporte observado na Bolsa de Chicago, o produtor brasileiro enfrenta um cenário mais desafiador no curto prazo. A combinação de safra cheia, gargalos logísticos e elevada oferta tende a limitar a recuperação dos preços internos, ao menos até que haja melhora no fluxo de exportações ou novos estímulos relevantes da demanda global.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Unesp desenvolve nova abordagem para nanoherbicidas mais eficientes e sustentáveis no controle de plantas daninhas
Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) propuseram uma nova abordagem científica para o desenvolvimento de nanoherbicidas, com foco em maior eficiência agronômica e sustentabilidade ambiental. O estudo, conduzido no âmbito do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura Sustentável, sugere inverter a lógica tradicional de criação desses insumos, colocando as características das plantas daninhas no centro do processo.
A proposta foi publicada na revista científica Nature Reviews Methods Primers e representa um avanço relevante para o manejo de invasoras que impactam diretamente a produtividade agrícola no Brasil.
Plantas daninhas seguem como desafio no campo
Espécies como caruru, capim-azevém e capim-pé-de-galinha estão entre as principais ameaças às lavouras, podendo reduzir em cerca de 15% a produtividade de grãos, mesmo em áreas com manejo.
Esse cenário tem impulsionado a busca por soluções mais eficientes, como os nanoherbicidas — tecnologia que permite a liberação controlada e direcionada de ingredientes ativos, aumentando a absorção pelas plantas e reduzindo o volume aplicado.
Novo conceito melhora eficiência dos nanoherbicidas
Atualmente, o desenvolvimento de nanoherbicidas é baseado principalmente nas propriedades dos materiais utilizados. A nova proposta da Unesp, chamada de Plant-informed nanodesign (PIND), muda esse paradigma ao priorizar as características biológicas das plantas-alvo.
Na prática, isso significa desenvolver nanopartículas específicas para cada espécie daninha, aumentando a eficácia do controle e reduzindo perdas.
Caracterização detalhada das plantas orienta tecnologia
Para viabilizar essa abordagem, os pesquisadores realizam análises aprofundadas das plantas invasoras, considerando fatores como:
- Espessura e tamanho das folhas
- Quantidade de estômatos
- Espessura da cutícula
- Presença de tricomas
- Rugosidade da superfície foliar
Essas informações permitem projetar nanopartículas mais aderentes e eficientes na absorção dos herbicidas.
Tecnologia alia produtividade e sustentabilidade
As análises utilizam técnicas avançadas, como microscopia confocal e microscopia eletrônica de varredura, que permitem observar estruturas microscópicas com alta precisão.
O objetivo é desenvolver soluções que aumentem a eficiência do controle de plantas daninhas, reduzam o uso de insumos químicos e minimizem impactos ambientais — uma demanda crescente no agronegócio brasileiro.
Inovação fortalece agricultura de precisão
A nova metodologia reforça o papel da nanotecnologia na agricultura de precisão e na transição para sistemas produtivos mais sustentáveis. Ao alinhar ciência, inovação e eficiência no campo, a proposta da Unesp abre caminho para uma nova geração de defensivos agrícolas mais inteligentes e adaptados às condições reais das lavouras.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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