GASTOS PÚBLICOS
Nova Lacerda: shows de R$ 300 mil contrastam com alertas na saúde
Prefeitura de Nova Lacerda gasta R$ 300 mil em shows para o aniversário da cidade. Levantamento revela contraste com saúde aprovada “com ressalvas” e falta de dados de saneamento.
As luzes do palco principal da Praça José Luiz Holffman, em Nova Lacerda, prometem ofuscar — pelo menos por algumas noites de dezembro — uma realidade de indicadores sociais que pedem socorro. Enquanto a Prefeitura Municipal, sob gestão de Airton Justino do Nascimento (Airton Lagoano), investe R$ 300 mil na contratação de shows sertanejos para o 30.º aniversário da cidade, relatórios técnicos apontam falhas estruturais na gestão da saúde e um vácuo preocupante no saneamento básico.
A discrepância salta aos olhos quando confrontamos o brilho das festividades com a frieza dos dados oficiais. Publicados na edição desta quinta-feira (27/11) do Jornal Oficial da AMM, os contratos para as apresentações das duplas Diego & Arnaldo e Wender & Falcão representam um montante expressivo para um município de apenas 7 mil habitantes, onde a mortalidade infantil ainda supera metas internacionais e a gestão fiscal da saúde enfrenta ressalvas técnicas.
O preço da festa
O extrato das contratações revela uma priorização clara de recursos para o entretenimento de curto prazo. O contrato nº 059/2025, firmado com a Regras Produções Artísticas Ltda, destina R$ 220.000,00 para um único show da dupla Diego & Arnaldo, agendado para 13 de dezembro. Dois dias antes, em 11 de dezembro, a dupla Wender & Falcão sobe ao palco ao custo de R$ 80.000,00, pagos à Tritono Produções e Eventos Ltda.
É importante ressaltar que os R$ 300 mil cobrem apenas os cachês artísticos. A conta final — incluindo estrutura de palco, som, iluminação e segurança — deve elevar significativamente o custo total da celebração, drenando recursos de um cofre que, embora superavitário, lida com demandas sociais represadas.
Saúde: aprovação “com ressalvas”
Enquanto o Executivo garante o show, a gestão da saúde pública caminha sobre uma linha tênue. Dados do Sistema de Monitoramento de Instrumentos de Gestão da Saúde (DigiSUS) revelam que o Relatório Anual de Gestão (RAG) de 2024 de Nova Lacerda foi classificado como “Aprovado com Ressalvas”.
Na linguagem técnica da administração pública, “ressalvas” indicam que, embora não existam irregularidades fatais, há falhas no cumprimento de metas, inconsistências financeiras ou deficiências na execução de serviços essenciais. Coincidentemente, o município ostenta uma taxa de mortalidade infantil de 9,62 óbitos por mil nascidos vivos (dados de 2023), um índice que ultrapassa a meta de 8,0 estabelecida pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.
Cada ponto acima dessa meta não é apenas estatística; reflete fragilidades no pré-natal e na assistência básica que o brilho de um show nacional não consegue curar.
O que daria para fazer?
Com R$ 300 mil investidos apenas em cachês, o município poderia, hipoteticamente:
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Adquirir uma ambulância UTI móvel totalmente equipada.
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Custear, por um ano, uma equipe completa de Saúde da Família (médico, enfermeiro e técnicos).
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Investir em quilômetros de rede de distribuição de água potável.
O abismo do saneamento
Se na saúde há ressalvas, no saneamento há silêncio. A consulta à base do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) de 2023 para Nova Lacerda retorna um cenário de dados inexistentes ou nulos para coleta e tratamento de esgoto. Colunas críticas como população atendida com esgotamento sanitário aparecem vazias ou zeradas nos relatórios federais.
Essa invisibilidade estatística sugere uma precariedade infraestrutural severa. Num município onde mais de 11% da população já foi estimada em situação de extrema pobreza, a falta de saneamento básico é um vetor direto para doenças que sobrecarregam o sistema de saúde — o mesmo sistema que opera com ressalvas.
Pão, circo ou prioridades?
A realização de eventos culturais é legítima e fomenta a economia local. Contudo, o dispêndio de quase meio milhão de reais (considerando a estrutura) em três dias de festa levanta o debate sobre a eficiência do gasto público.
Ao assinar os contratos que garantem a festa de dezembro, a administração municipal envia uma mensagem dúbia: há dinheiro sobrando para o efêmero, mas a gestão do essencial ainda engatinha. Para o cidadão que aplaudirá Diego & Arnaldo na praça, resta a esperança de que, passado o show, a saúde e o saneamento recebam a mesma atenção — e o mesmo orçamento — que o palco principal.
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