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Operação Laço Oculto

Por três anos, servidora pagou para se proteger de agiotas que nunca existiram, diz polícia

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Operação Laço Oculto

A colega apontada como autora se dizia vítima da mesma ameaça; operação da Derf apura prejuízo de R$ 1,1 milhão, mira servidores da Saúde e um policial militar e investiga também agiotagem e lavagem

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou na manhã desta terça-feira (21) a Operação Laço Oculto, que apura um esquema de extorsão contra uma servidora da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT). A vítima teria repassado R$ 1.132.680 a uma colega de trabalho entre 2022 e 2025, convencida de que ambas estavam ameaçadas por agiotas. A ação, conduzida pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá, cumpre 14 medidas judiciais nas duas cidades da região metropolitana.

A trama dos agiotas inventados

Entre 2022 e 2025, a servidora teria sido submetida a um processo contínuo de intimidação e manipulação psicológica. A colega a teria convencido, aos poucos, de que as duas estavam ameaçadas por agiotas por causa de uma dívida atribuída a outro servidor público, de que os criminosos conheciam a rotina das duas e de que seus familiares poderiam ser atacados.

A cada cobrança, novos pagamentos eram apresentados como necessários porque a dívida e os juros não parariam de crescer. Ao mesmo tempo, a investigada se colocava como vítima da mesma ameaça e dizia ter condições de negociar com os agiotas e proteger a colega.

A hipótese da investigação é que a narrativa tenha sido construída para manter a servidora em medo permanente e garantir repasses sucessivos. Os pagamentos teriam se estendido por cerca de três anos, em parcelas que cresciam a cada nova cobrança.

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De onde saiu o dinheiro

Para atender às exigências, a vítima contraiu empréstimos bancários, sacou o limite de cartões de crédito, resgatou recursos da previdência privada e usou economias reservadas para os filhos e para a construção da própria casa. Também financiou uma caminhonete em seu nome.

O veículo seria usado pelo marido da principal investigada, enquanto a dívida do financiamento permanecia com a servidora. Somados, os empréstimos, os resgates e o financiamento comprometeram reservas que a família havia reunido ao longo de anos. Não está esclarecido se o valor da caminhonete integra os R$ 1.132.680 já identificados como transferências bancárias, o que mantém em aberto o tamanho final do prejuízo.

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Como o caso veio à tona

A sequência de pagamentos parou quando o marido da vítima percebeu o abalo emocional e a mudança de comportamento da esposa. Ao descobrir o que ocorria, ele impediu a continuidade do contato com a investigada, interrompeu os repasses e procurou a Polícia Civil. A data da denúncia e da instauração do inquérito não foi divulgada.

O que o rastreamento bancário mostrou

Com autorização judicial para a quebra do sigilo bancário, os investigadores identificaram o repasse direto de R$ 1.132.680 para a conta da colega. Parte do dinheiro teria seguido para outras pessoas ligadas ao núcleo investigado.

A análise revelou ainda movimentações incompatíveis com a renda formal dos envolvidos, contas com alta rotatividade, grande volume de saques em espécie e possível uso de interpostas pessoas, os chamados laranjas, para dificultar o rastreamento. Há também indícios de ocultação patrimonial e de circulação de recursos com o objetivo de esconder a origem e o destino do dinheiro. Por causa desses elementos, a apuração passou a mirar também os crimes de agiotagem e lavagem de dinheiro, ainda dependentes de aprofundamento.

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As 14 medidas e os alvos

As ordens foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias, polo Cuiabá, após manifestação favorável do Ministério Público. São cinco mandados de busca e apreensão domiciliar, um de busca e apreensão de veículo, cinco de sequestro de bens e três de bloqueio de ativos financeiros.

Os bloqueios, direcionados a três investigados, podem alcançar mais de R$ 3,3 milhões. O valor não representa quantia já recuperada, e sim o teto autorizado pela Justiça, e não se confunde com o prejuízo bancário de R$ 1.132.680 identificado até aqui.

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As buscas ocorrem em endereços residenciais de Cuiabá e Várzea Grande, onde equipes da Derf cumprem as ordens. Entre os alvos estão servidores ligados à SES-MT, um policial militar e pessoas relacionadas ao fluxo financeiro identificado na investigação. A Polícia Civil não informou quantas pessoas são formalmente investigadas nem divulgou nomes.

Saúde e PM diante da operação

A Polícia Civil informou que a Secretaria de Estado de Saúde não é investigada e que colaborou com as diligências, apesar de servidores do órgão figurarem entre os alvos. A Corregedoria da Polícia Militar acompanha o cumprimento das ordens por causa da presença de um policial militar entre os investigados. Não foram detalhados a participação atribuída a esse policial nem eventual afastamento funcional.

O nome

O nome Laço Oculto, segundo a Polícia Civil, remete ao vínculo de medo e dependência psicológica que teria prendido a vítima às cobranças. Enquanto acreditava pagar para proteger a família, ela via os recursos serem transferidos e dispersados entre pessoas do núcleo investigado.

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Até o fechamento desta reportagem não havia prisões nem mandados de prisão, e os resultados das buscas e o valor efetivamente bloqueado não tinham sido divulgados. As medidas cautelares não significam condenação, e os investigados seguem presumidos inocentes enquanto não houver decisão definitiva. A Derf mantém a análise dos aparelhos apreendidos e a apuração sobre agiotagem e lavagem de dinheiro.

 

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Um ano sem Preta Gil: o alerta sobre o câncer de intestino

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câncer de intestino

Brasileiros reconhecem sinais do câncer colorretal, mas adiam a ida ao médico, mostra pesquisa

Levantamento do A. C. Camargo e da Nexus com mais de 2 mil pessoas revela que, entre quem já percebeu sangue nas fezes, 40% não buscaram atendimento imediato; o exame que antecipa o diagnóstico é desconhecido por dois em cada três.

A maioria dos brasileiros sabe que sangue nas fezes e mudança no funcionamento do intestino por mais de um mês podem ser sinais graves — mas boa parte não converte esse conhecimento em atitude. Oito em cada dez entrevistados reconhecem que os dois sintomas podem indicar algo sério e, ainda assim, quase metade admite que não procuraria assistência médica com rapidez.

O descompasso importa porque esses dois sinais estão entre os principais indícios do câncer colorretal, tumor que o Instituto Nacional de Câncer (INCA) projeta em 53.810 novos casos por ano no triênio 2026-2028 — o segundo de maior incidência no país. Foi essa doença que levou à morte a cantora Preta Gil, há exatamente um ano, em 20 de julho de 2025, após dois anos de tratamento.

Os números são de um levantamento do Hospital A. C. Camargo e da Nexus, que ouviu mais de 2 mil pessoas sobre o câncer colorretal e seus sintomas. Cerca de 67% dos entrevistados concordam que os dois sinais podem indicar a doença, e 24% dizem concordar totalmente com essa associação.

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Entre quem já teve o sintoma, quatro em cada dez não agiram

A distância entre reconhecer o risco e reagir a ele fica evidente no grupo que já enfrentou o sinal mais associado ao tumor. Nove por cento dos entrevistados relataram já ter notado sangue nas fezes; desses, 59% procuraram atendimento médico de imediato, mas 40% não tiveram a mesma reação.

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Nesse grupo que hesitou, 19% não fizeram nada e esperaram o sintoma passar, e 10% aguardaram dias ou semanas antes de procurar um médico. Houve ainda quem recorresse a remédios caseiros ou mudanças na alimentação (7%), quem fosse à farmácia por conta própria (3%) e quem pesquisasse na internet antes de buscar orientação profissional (1%).

O líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A. C. Camargo Cancer Center, Samuel Aguiar, afirma que, diante do aumento de casos no Brasil, não se deve ignorar sinais como sangramento, alteração no ritmo intestinal, dor abdominal persistente e perda de peso sem causa aparente.

“Também é necessário realizar exames preventivos a partir dos 45 anos ou antes, conforme orientação médica e histórico familiar. O diagnóstico precoce do câncer colorretal está diretamente ligado a taxas de cura mais elevadas, o que reforça o papel de exames simples, como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, na detecção da doença ainda em estágio inicial”, ressaltou.

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Exame que antecipa o diagnóstico é desconhecido por dois terços

A Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (PSO) é apontada como o principal recurso para flagrar a doença antes de sintomas evidentes — e, mesmo assim, dois em cada três entrevistados (67%) nunca ouviram falar dela. Só 11% já fizeram o exame; outros 21% conhecem o procedimento, mas nunca o realizaram.

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O desconhecimento se concentra em grupos específicos: alcança 85% entre os jovens de 16 a 24 anos e fica acima da média geral entre homens (76%), pessoas de menor renda (73%) e quem estudou apenas até o ensino fundamental (72%).

O distanciamento também aparece no convívio. Apenas 21% dizem conhecer alguém que teve a doença — 15% um parente muito próximo e 6% um amigo ou conhecido —, enquanto 75% afirmam nunca ter tido contato com pacientes desse tipo de câncer.

Para entender melhor

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A Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes procura identificar a doença antes que os sintomas apareçam. Segundo o oncologista Samuel Aguiar, ela e a colonoscopia ajudam a detectar o câncer colorretal ainda em estágio inicial, quando as chances de cura são maiores. A recomendação do médico é começar os exames preventivos aos 45 anos — ou antes, conforme o histórico familiar e a orientação médica.

 

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