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Eleições 2026

EXCLUSIVO: Levantamento aponta perfil dos municípios de MT que votaram em Lula e Flávio Bolsonaro no 1.º Turno

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Mapa da eleição em Mato Grosso de 2026 com as 10 maiores votações de Lula, em vermelho, e de Flávio Bolsonaro, em azul

Flávio Bolsonaro venceu em 133 dos 142 municípios no 1º turno. As maiores votações de Lula se concentram nas cidades com mais pobreza e analfabetismo, mostra o cruzamento de dados do TSE, do IBGE e do Inep feito com exclusividade pelo ConexãoMT.

Por se tratar de um assunto complexo, no final da matéria incluímos um Box explicativo para facilitar o entendimento.

Flávio Bolsonaro (PL) venceu o 1º turno da eleição em Mato Grosso para presidente, em 2026, com 1.298.581 votos, 65,15% dos votos válidos, quase dois em cada três. Lula (PT) teve 581.681 votos, 29,18%. Flávio ficou à frente em 133 dos 142 municípios, e Lula, em nove.

Nos dez municípios em que Lula teve os maiores percentuais, a mediana da parcela da população que vive com até meio salário mínimo por pessoa é de 35,35%. Nos dez de Flávio, é de 17,81%. A mediana é o valor que divide o grupo em duas metades: metade dos municípios fica acima dele, metade abaixo.

Os dois grupos também se separam no analfabetismo, com mediana de 12,25% nas cidades de Lula e de 5,97% nas de Flávio. Nas de Lula, o PIB per capita mediano é cerca de metade da mediana estadual, e as notas do Ideb das escolas públicas são mais baixas nas três etapas de ensino.

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O padrão não fica restrito aos extremos. Entre os municípios do estado, quanto maior a parcela de pobres, maior tende a ser o percentual de Lula. Num cálculo que considera seis indicadores ao mesmo tempo, a pobreza teve o maior peso.

As maiores cidades fogem em parte desse padrão. Cuiabá e Várzea Grande têm analfabetismo baixo, mas deram a Lula 34,07% e 36,48% dos votos válidos, acima do resultado dele no estado. A reportagem mostra ainda que a abstenção foi menor nas cidades de maior votação de Lula, com mediana de 19,98%, contra 22,25% nas de Flávio.

A reportagem cruzou o resultado oficial do Tribunal Superior Eleitoral, município por município, com 18 indicadores sociais e econômicos do IBGE, do Inep e do Atlas do Desenvolvimento Humano. Os indicadores descrevem a cidade, não o eleitor.

O resultado usado é o da totalização de 5 de outubro de 2026, com 100% das 8.287 seções apuradas no estado. Os indicadores vêm do Censo Demográfico de 2022, do PIB dos Municípios de 2023, das pesquisas agrícola e pecuária municipais de 2024, do Censo Escolar e do Ideb de 2025 e do IDHM de 2010. As medianas, as correlações e o modelo estatístico citados no texto são cálculos da reportagem sobre esses dados.

Resultado da eleição em Mato Grosso por município

Mato Grosso tinha 2.637.801 eleitores aptos a votar no 1º turno. Foram às urnas 2.052.133, ou 77,80% do eleitorado. Faltaram 585.668, uma abstenção de 22,20%. Os votos válidos somaram 1.993.288.

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Flávio passou de 50% dos votos válidos em 131 municípios. Em 60 deles, passou de 70%. Em três cidades, superou 80%: Itanhangá (82,61%), Nova Bandeirantes (82,12%) e Guarantã do Norte (81,09%).

Lula passou de 50% em sete municípios. Em 22, ficou com até 20% dos válidos.

Nas maiores cidades, a vantagem de Flávio variou. Em Cuiabá, ele teve 208.637 votos (57,70%), contra 123.207 de Lula (34,07%). Em Várzea Grande, o placar foi de 56,42% a 36,48%. Em Rondonópolis, de 64,77% a 28,69%. Em Sinop, a distância foi maior: 76,66% para Flávio e 18,27% para Lula.

Entre as cidades com mais de 40 mil votos válidos, a disputa mais apertada foi em Cáceres: 52,38% para Flávio e 41,72% para Lula. Em Boa Esperança do Norte, Flávio teve 70,34%, e Lula, 23,96%.

Onde Lula teve as maiores votações

O maior percentual de Lula no estado foi em Nossa Senhora do Livramento: 60,58% dos válidos, ou 6.530 votos. Depois vêm Barão de Melgaço (57,59%), Porto Estrela (55,97%), Poconé (55,85%), Campinápolis (54,45%), Alto Paraguai (53,06%) e Jangada (50,17%). São os sete municípios em que ele passou da metade dos votos.

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Santo Antônio de Leverger (47,56%), Ponte Branca (47,44%) e Acorizal (46,87%) completam a lista dos dez maiores percentuais. Lula ficou à frente de Flávio em nove municípios, exatamente os nove primeiros dessa lista. Em Acorizal, o décimo, Flávio venceu com 48,35% e 2.864 votos, contra 2.776 de Lula.

Sete dos dez ficam na mesorregião Centro-Sul Mato-grossense, pela divisão regional do IBGE. Nossa Senhora do Livramento e Santo Antônio de Leverger estão na microrregião de Cuiabá. Barão de Melgaço e Poconé, na do Alto Pantanal. Jangada e Acorizal, na de Rosário Oeste. Alto Paraguai fica na microrregião de mesmo nome.

Os outros três estão em outras partes do estado. Porto Estrela fica no Sudoeste, na microrregião de Tangará da Serra. Ponte Branca, no Sudeste, na microrregião Tesouro. Campinápolis, no Nordeste, na microrregião de Canarana, a mesma de Água Boa e Canarana, dois municípios que estão entre as maiores votações de Flávio.

São municípios pequenos. Somados, os dez tiveram 77.073 votos válidos, menos de 4% do total do estado, pelo cálculo da reportagem. O maior deles é Poconé, com 18.827 votos válidos. Desses, 10.514 foram para Lula.

A soja tem presença pequena ou nula nesses municípios. Em Barão de Melgaço, Porto Estrela e Acorizal, a Produção Agrícola Municipal de 2024 não registra área plantada de soja. O maior índice do grupo é o de Campinápolis, com soja em 8,36% do território.

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Barão de Melgaço tem o segundo menor PIB per capita, ou por habitante, do estado: R$ 19.806,58 em 2023. Alto Paraguai tem R$ 21.382,31, e Ponte Branca, R$ 24.828,90. O maior valor do grupo é o de Santo Antônio de Leverger, R$ 48.781,11, ainda abaixo da mediana estadual.

Na nota do Ideb de 2025 para o ensino médio da rede pública, nenhum dos dez municípios passa de 4,2, nota de Ponte Branca. A mediana de Mato Grosso é de 4,4. Barão de Melgaço tem a menor nota do grupo, 3,5.

Os dez maiores percentuais de Flávio

Depois de Itanhangá, Nova Bandeirantes e Guarantã do Norte, os maiores percentuais de Flávio vieram de Colíder (79,86%), Água Boa (79,02%), Marcelândia (78,86%), Canarana (78,73%), Tapurah (78,65%), Figueirópolis D’Oeste (78,17%) e Santa Carmem (77,73%). Em todos, Lula ficou entre 15,14% e 18,85% dos válidos.

Sete desses municípios ficam na mesorregião Norte Mato-grossense. Itanhangá e Tapurah estão na microrregião Alto Teles Pires. Nova Bandeirantes, na de Alta Floresta. Guarantã do Norte e Colíder, na de Colíder. Marcelândia e Santa Carmem, na de Sinop. Água Boa e Canarana ficam no Nordeste. Figueirópolis D’Oeste fica no Sudoeste, na microrregião de Jauru.

Os dez municípios somaram 95.530 votos válidos, também pelo cálculo da reportagem. Os maiores são Colíder, com 17.912 votos válidos, e Guarantã do Norte, com 17.235.

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Os dez não têm a mesma economia. Em cinco deles, a soja ocupa uma parte grande do território. A conta, feita pela reportagem, divide a área plantada registrada na Produção Agrícola Municipal de 2024 pela área de cada município.

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Em Tapurah, a soja cobre 47,86% do território. Em Itanhangá, 42,96%. Em Santa Carmem, 34,10%. Em Água Boa, 30,47%. Em Canarana, 29,48%.

Nesses cinco, o PIB per capita de 2023 vai de R$ 84.866,53, em Água Boa, a R$ 210.850,86, em Santa Carmem. A mediana de Mato Grosso é de R$ 59.335,82.

Em outros dois, a soja ocupa pouca área e o gado tem peso maior. Nova Bandeirantes tem soja em 1,81% do território e 47,81 cabeças de gado por habitante, pelo rebanho de 2024 dividido pela população do Censo de 2022. Figueirópolis D’Oeste tem soja em 1,01% da área e 50,86 cabeças por habitante. A mediana do estado é de 16,77 cabeças por habitante.

Guarantã do Norte, Colíder e Marcelândia ficam no meio, com soja entre 4,88% e 12,78% do território e PIB per capita entre R$ 41.462,39 e R$ 90.320,46.

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No Ideb do ensino médio da rede pública de 2025, nove dos dez municípios ficam na mediana estadual, de 4,4, ou acima dela. Santa Carmem tem a maior nota do grupo, 5,2. A exceção é Canarana, com 3,8.

Renda e analfabetismo separam os dois grupos

No estado, a mediana da parcela da população com renda de até meio salário mínimo por pessoa é de 23,02%, segundo o Censo de 2022. A mediana dos dez municípios de Lula, de 35,35%, fica acima disso. A dos dez de Flávio, de 17,81%, fica abaixo.

Campinápolis, o quinto maior percentual de Lula, tem a maior proporção de pobres de Mato Grosso: 64,20% da população vive com até meio salário mínimo por pessoa, quase dois em cada três moradores. Porto Estrela, o terceiro da lista, tem a maior taxa de analfabetismo do estado, 23,16%.

Na extrema pobreza, com renda de até um quarto do salário mínimo por pessoa, a mediana é de 12,50% nos municípios de Lula e de 4,76% nos de Flávio. A taxa de analfabetismo tem mediana de 12,25% no primeiro grupo e de 5,97% no segundo.

O PIB per capita mediano dos dez municípios de Lula é de R$ 29.644,67, cerca de metade da mediana estadual. Nos dez de Flávio, é de R$ 87.593,50. No IDHM de 2010, as medianas são de 0,634 e 0,707.

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O Ideb da rede pública de 2025 vai na mesma direção nas três etapas. No ensino médio, a mediana é de 3,85 nos municípios de Lula e de 4,55 nos de Flávio. Nos anos iniciais do ensino fundamental, de 5,55 e 6,40. Nos anos finais, de 4,40 e 5,25.

Um padrão que atravessa o estado

Os dois grupos de dez são os extremos. Para saber se o padrão vale para o estado inteiro, a reportagem calculou a correlação de Spearman* entre o percentual de Lula e cada indicador. Essa medida vai de menos 1 a mais 1 e indica se duas grandezas sobem ou descem juntas.

A correlação mais forte é com a pobreza: quanto maior a parcela da população com renda de até meio salário mínimo por pessoa, maior o percentual de Lula. O valor é de 0,60. Com o analfabetismo, é de 0,59. Com a extrema pobreza, de 0,43.

No sentido oposto, quanto maior o Ideb do ensino médio, menor o voto em Lula, com correlação de menos 0,48. Para o PIB per capita, o valor é de menos 0,41. Para o IDHM de 2010 e para a área de soja no território, de menos 0,39. Para o crescimento da população entre 2001 e 2025, de menos 0,37.

O padrão aparece também quando os municípios são divididos em cinco faixas de tamanho parecido, da menor para a maior votação de Lula.

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Na faixa de menor votação, com 29 municípios, Lula teve de 15,14% a 21,52%. Ali, a mediana de pobres é de 18,18%, e a de analfabetismo, de 5,72%.

Na faixa de maior votação, com 28 municípios, Lula teve de 38,92% a 60,58%. A mediana de pobres sobe para 31,96%, e a de analfabetismo, para 10,86%. Nas três faixas do meio, os dois indicadores crescem em sequência.

A soja e o crescimento da população fazem o caminho inverso. A área de soja tem mediana de 28,08% do território na faixa de menor votação de Lula e de 4,16% na de maior votação. A população estimada pelo IBGE cresceu 59,07% entre 2001 e 2025 na mediana da primeira faixa e 3,10% na da última.

Em cinco dos dez municípios de maior votação de Lula, a população estimada para 2025 é menor que a de 2001. A queda é de 31,33% em Porto Estrela, de 15,56% em Acorizal, de 7,38% em Alto Paraguai, de 5,56% em Nossa Senhora do Livramento e de 3,62% em Barão de Melgaço. Entre os dez de Flávio, Água Boa mais que dobrou de tamanho no período, com alta de 117,69%.

As maiores cidades fogem em parte do padrão

As oito cidades com mais votos válidos concentram quase metade do eleitorado que votou em candidatos. Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Sinop, Sorriso, Tangará da Serra, Cáceres e Primavera do Leste somaram 942.346 votos válidos, 47,28% do total do estado, pelo cálculo da reportagem.

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Nessas oito cidades, Lula teve 285.120 votos, 49,02% de toda a votação dele em Mato Grosso. As contas são da reportagem, sobre os resultados do TSE.

Cuiabá e Várzea Grande não seguem o padrão por inteiro. As duas têm analfabetismo baixo, de 3,56% e 4,49%. Mesmo assim, Lula teve nelas 34,07% e 36,48% dos votos válidos, acima dos 29,18% que recebeu no estado.

A pobreza nas duas cidades fica perto da mediana de Mato Grosso, de 23,02%. Em Cuiabá, 21,28% da população tem renda de até meio salário mínimo por pessoa. Em Várzea Grande, 25,32%. A soja não tem presença relevante em nenhuma das duas.

Cáceres segue o padrão geral. A cidade tem 33,30% da população com renda de até meio salário mínimo por pessoa e deu a Lula 41,72% dos votos válidos, o maior percentual dele entre as oito maiores. Sinop, Sorriso e Primavera do Leste, com soja em 44,60%, 64,56% e 53,01% do território, deram a Lula menos de 21%.

Soja e PIB andam junto com a renda

Soja, PIB per capita, pobreza e escolaridade não variam de forma independente em Mato Grosso. Os municípios com mais soja tendem a ter PIB per capita mais alto e menos pobreza. Nos dados da reportagem, a correlação entre soja e PIB per capita chega a 0,77.

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Para separar o peso de cada fator, a reportagem fez um cálculo estatístico chamado regressão linear, que considera seis indicadores ao mesmo tempo: pobreza, analfabetismo, área de soja, crescimento da população, PIB per capita e Ideb do ensino médio. O modelo usou os 137 municípios com todos os dados.

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Três indicadores mantiveram relação com o voto em Lula mesmo depois de considerados os outros: pobreza, analfabetismo e Ideb do ensino médio. A pobreza teve o maior peso.

A área de soja, o PIB per capita e o crescimento da população perderam a relação estatística quando pobreza, analfabetismo e Ideb entraram no modelo. Juntos, os seis indicadores explicam 58% das diferenças de voto em Lula entre os municípios.

O resultado não permite dizer que a economia agrícola não influencia o voto.

Abstenção foi menor nas cidades de maior voto em Lula

A abstenção no 1º turno variou de 17,24% a 31,70% do eleitorado entre os municípios de Mato Grosso, segundo os arquivos municipais do TSE. A mediana estadual, calculada pela reportagem, é de 23,31%.

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Acorizal teve a menor abstenção do estado: 1.268 dos 7.353 eleitores não votaram, ou 17,24%. Depois vêm Santa Carmem (17,26%), Nossa Senhora do Livramento (17,79%), Juscimeira (17,91%) e Barão de Melgaço (17,95%). Três dos cinco estão entre os dez maiores percentuais de Lula, e Santa Carmem está entre os dez de Flávio.

A maior abstenção foi em Nova Nazaré: 31,70%, ou 1.116 dos 3.521 eleitores. Serra Nova Dourada (31,42%), Aripuanã (31,19%), São José do Xingu (30,88%) e Nova Lacerda (30,45%) completam os cinco maiores índices.

Nos dez municípios de maior votação de Lula, a abstenção mediana foi de 19,98%. Nos dez de Flávio, de 22,25%. Entre as maiores cidades, Cuiabá teve abstenção de 18,23%, e Várzea Grande, de 19,62%.

No conjunto dos 142 municípios, a relação entre abstenção e voto é fraca. A correlação de Spearman* entre a abstenção e o percentual de Lula é de menos 0,17. Com o percentual de Flávio, é de 0,18. Com a pobreza, fica próxima de zero.

A abstenção tende a ser um pouco maior nos municípios de PIB per capita mais alto, com correlação de 0,23. Com o tamanho da população, a relação é de 0,07.

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Entenda os indicadores usados na reportagem

Mediana. É o número do meio de uma lista. Quando os municípios de um grupo são colocados em ordem, do menor para o maior valor, a mediana é aquele que fica no centro: metade dos municípios está acima dela, metade abaixo. A reportagem usa a mediana, e não a média, porque um único município com valor muito alto ou muito baixo não consegue puxar o resultado.

Renda de até meio salário mínimo por pessoa. Soma-se tudo o que os moradores de uma casa ganham e divide-se o total pelo número de pessoas que moram nela, incluindo crianças e quem não tem renda. Se o resultado fica em até metade de um salário mínimo, todos os moradores daquela casa entram nessa conta. O dado é do Censo Demográfico de 2022, feito pelo IBGE, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Extrema pobreza. Na reportagem, é o nome dado à parcela da população que vive com até um quarto do salário mínimo por pessoa, pela mesma conta do item anterior. A fonte também é o Censo de 2022.

Taxa de analfabetismo. É a porcentagem de pessoas com 15 anos ou mais que não sabem ler e escrever pelo menos um bilhete simples no idioma que conhecem. É o critério do IBGE, e o dado também vem do Censo de 2022.

PIB per capita. O PIB, ou Produto Interno Bruto, é o valor de tudo o que se produz no município em um ano: lavouras, gado, comércio, indústria e serviços. O PIB per capita divide esse valor pela população, o que dá um valor em reais por habitante. Não é o salário de ninguém: um município pode ter PIB per capita alto e, ao mesmo tempo, muita gente com pouca renda. O dado usado é o do PIB dos Municípios de 2023, do IBGE.

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IDHM. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal junta três medidas: a expectativa de vida ao nascer, a educação e a renda dos moradores. Vai de 0 a 1, e quanto mais perto de 1, melhores as condições de vida. Ele é calculado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o Pnud, com dados do Censo do IBGE. A reportagem usou o de 2010, feito com o Censo daquele ano.

Ideb. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica é a nota oficial da qualidade do ensino no Brasil, calculada pelo Inep, o instituto de pesquisas educacionais do Ministério da Educação. Ele junta duas informações: quantos alunos foram aprovados de ano, segundo o Censo Escolar, e quanto eles aprenderam de português e matemática na prova do Saeb, o Sistema de Avaliação da Educação Básica. A nota vai de 0 a 10. A reportagem usou o Ideb de 2025 das escolas públicas, em três etapas: anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano), anos finais (6º ao 9º ano) e ensino médio.

Todos esses números descrevem o município como um todo. Eles mostram em que tipo de cidade cada candidato teve mais votos, mas não dizem como votou cada pessoa.

Entenda a correlação de Spearman*

A correlação de Spearman é uma medida estatística que indica se duas grandezas andam juntas. Ela não usa os valores exatos de cada município, e sim a posição de cada um quando os 142 são colocados em ordem, do menor para o maior. A pergunta que ela responde é simples: os municípios que estão mais acima numa lista também tendem a estar mais acima na outra?

O resultado vai de menos 1 a mais 1. Quanto mais perto de mais 1, mais as duas listas sobem juntas. Quanto mais perto de menos 1, mais uma sobe enquanto a outra desce. Perto de zero, não há relação entre elas.

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Nesta reportagem, a correlação entre a parcela da população com renda de até meio salário mínimo por pessoa e o percentual de Lula é de 0,60, a mais forte encontrada. Com o analfabetismo, é de 0,59. Com o Ideb do ensino médio, é de menos 0,48: onde a nota é maior, o voto em Lula tende a ser menor. Já a escolarização de crianças de 6 a 14 anos tem correlação de 0,03, o que indica que ela não acompanha o voto.

Correlação não é causa. O número mostra que dois dados variam juntos entre os municípios, mas não explica por quê. E, como os indicadores descrevem a cidade, e não o eleitor, a medida não diz como votaram as pessoas pobres ou ricas de cada lugar.

 

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ALERTA:Mato Grosso segue em alerta para SRAG, diz Fiocruz; influenza quase dobra em Cuiabá

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Boletim InfoGripe de 8 de outubro mantém o estado em nível de alerta, risco ou alto risco, sem sinal de crescimento a longo prazo. Na capital, a influenza chega a 2.214 casos entre moradores no acumulado do ano.

O boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgado na quinta-feira (8) mantém Mato Grosso entre as unidades da federação com incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em nível de alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas, mas sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo. Estão na mesma situação Maranhão, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

A edição anterior, de 1º de outubro, já colocava Mato Grosso nesse grupo e apontava aumento dos casos de SRAG por influenza B no estado e na Bahia. No fim de agosto, o boletim havia registrado sinal de crescimento da SRAG em Mato Grosso, concentrado em crianças de 2 a 4 anos.

No país, os casos de SRAG associados a rinovírus, metapneumovírus e Sars-CoV-2 apresentam tendência de aumento, embora os novos casos semanais por covid-19 sigam baixos. O boletim observa leve sinal de retomada do crescimento da SRAG em crianças e adolescentes de 2 a 14 anos, e estabilização nas demais faixas etárias. Os casos por VSR e por influenza B estão em queda, e as hospitalizações por influenza A permanecem estáveis, em níveis baixos.

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Cuiabá

O boletim de vigilância de vírus respiratórios da Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá, que cobre as semanas epidemiológicas 1 a 37 (de 4 de janeiro a 19 de setembro), registra 2.820 casos de influenza A e B na capital. Desse total, 2.214 são de moradores, contra 1.136 no mesmo período de 2025, alta de 94,89%. As crianças de 0 a 6 anos concentram o maior número de registros, 1.164. As notificações de Covid-19 caíram 88,13%.

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No período, 1.729 pessoas foram hospitalizadas por SRAG: 1.134 receberam alta, 139 morreram e 456 casos seguiam em investigação. Entre os moradores de Cuiabá, foram 1.214 casos, com 819 altas, 82 óbitos e 313 em investigação.

As internações por SRAG associadas à influenza somam 378, sendo 287 de moradores. Entre os residentes, houve 16 mortes, 14 delas de pessoas com mais de 60 anos; outros sete óbitos por influenza foram de não residentes. A Covid-19 respondeu por 32 internações por SRAG, 20 de moradores.

Vacinação

Os pesquisadores do InfoGripe recomendam que “a população prioritária verifique se está em dia com a vacinação contra a covid-19” e, no caso das gestantes, a vacinação também contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR). A Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá reforça a vacinação como uma das principais ferramentas para evitar formas graves, internações e complicações.

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