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ECONOMIA

Acordo Mercosul-EFTA entra em vigor; MDIC lança painel para ampliar acesso às novas oportunidades

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O Diário Oficial da União (DOU) publicou em edição extra na quarta-feira (23/9) Decreto do presidente  Luiz Inácio Lula da Silva que internaliza no Brasil o Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), formada por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein.

Com o ato, o acordo entra oficialmente em vigor em 1º de outubro para o Brasil e a Islândia. Para Brasil e Noruega, vale a partir de 1º de novembro. Quanto a Suíça e Liechtenstein, o início da aplicação de tarifas preferenciais ainda depende dos respectivos processos de internalização nestes países.

Assinado em 16 de setembro de 2025, o Acordo Mercosul-EFTA integra a estratégia de expansão e diversificação da rede de acordos comerciais do país. O bloco europeu representa um mercado de aproximadamente 15 milhões de pessoas, com PIB de cerca de US$ 1,4 trilhão. Seus quatro membros estão entre as economias de maior PIB per capita do mundo.

“A entrada em vigor do acordo é mais um passo na estratégia de diversificação comercial e de integração do Brasil à economia internacional”, afirma o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.

O acordo prevê novas condições de acesso para produtos brasileiros, combinando eliminação e redução de tarifas, cotas e outros regimes específicos de tratamento preferencial.

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Pelo lado do EFTA, todos os produtos industriais e pesqueiros têm eliminação imediata das tarifas de importação, assim que o acordo entrar em vigor; enquanto produtos agropecuários estão sujeitos, conforme o caso, a diferentes modalidades de abertura. O acordo também estabelece compromissos em áreas como regras de origem, facilitação de comércio, serviços, investimentos, compras governamentais, propriedade intelectual e desenvolvimento sustentável.

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“Nosso objetivo, agora, é facilitar a compreensão e a utilização das regras do acordo, para que o setor produtivo possa identificar onde estão as oportunidades e se preparar para aproveitá-las”, destaca a secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres.

Painel de Dados

Para apoiar empresas e setores produtivos na utilização das novas preferências comerciais, o MDIC construiu um Painel de Dados do Acordo Mercosul-EFTA, ferramenta que reúne, em um único ambiente, informações sobre o comércio do Brasil com os quatro países da EFTA e os efeitos previstos com a entrada em vigor do acordo.

O painel permite partir de uma visão geral da relação comercial e avançar até o detalhamento por grupo de produtos, com informações sobre as tarifas atualmente aplicadas e o tratamento previsto no acordo.

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A ferramenta também permite filtrar os dados por unidade da Federação, facilitando a identificação da distribuição regional do comércio e o mapeamento de oportunidades de promoção comercial.

A relação comercial brasileira com a EFTA tem como principais parceiros a Suíça e a Noruega, que respondem conjuntamente por 94% das exportações brasileiras destinadas ao bloco e por 99% das importações provenientes da EFTA. No recorte por unidade da Federação, Pará e Minas Gerais se destacam nas exportações, enquanto São Paulo lidera as importações.

No detalhamento por produto, o painel combina dados de comércio com as informações tarifárias previstas no acordo. Entre os produtos para os quais a abertura comercial poderá representar novas oportunidades estão os agropecuários, que hoje enfrentam tarifas mais elevadas e passarão a contar, conforme o produto e o país, com redução ou eliminação tarifária, cotas ou regimes agrícolas específicos.

O café torrado, por exemplo, está atualmente sujeito a tarifas de 10% na Islândia e de 7% na Suíça e em Liechtenstein, com previsão de reduções tarifárias imediatas para a maior parte dos códigos NCM relacionados a esses produtos.

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Além das informações tarifárias, o painel apresenta os principais compromissos do acordo em temas como regras de origem, facilitação de comércio, compras governamentais, serviços, investimentos e desenvolvimento sustentável.

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A ferramenta também permite consultar as 63 indicações geográficas brasileiras protegidas na Suíça e em Liechtenstein, abrangendo produtos como cafés, vinhos, queijos, cachaça, artesanato, pedras, calçados e têxteis.

Materiais de apoio

O painel passa a integrar o conjunto de materiais de apoio disponibilizados pelo MDIC para preparar o setor produtivo para a entrada em vigor do acordo.

No início de setembro, o ministério publicou, no Portal Siscomex (link), manuais sobre desgravação tarifária, regras de origem e indicações geográficas, com informações destinadas a auxiliar as empresas a compreender as novas regras e a se preparar para utilizar as preferências comerciais.

“Estamos disponibilizando diferentes instrumentos para transformar o conteúdo negociado em informação prática, permitindo que exportadores e importadores conheçam as regras, identifiquem oportunidades e se preparem para operar com as novas condições de acesso”, afirma Tatiana.

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O Acordo Mercosul-EFTA foi concluído após 14 rodadas de negociação e assinado em 16 de setembro de 2025. A entrada em vigor ocorre de forma bilateral, à medida que os países concluam seus respectivos procedimentos de internalização.

Confira os links para painel e documentos do Mercosul-EFTA:

Painel de Dados

Manual de Desgravação Tarifária

Manual de Regras de Origem

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Manual de Indicações Geográficas

Página com tudo sobre o Acordo

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

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Festa em Poconé e Livramento celebra a cadeia do baru em Mato Grosso

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Aperto de mão em estrada de terra diante de caixa d'água enferrujada, em foto da reportagem sobre o baru em Mato Grosso

Primeira edição reúne cooperados e extrativistas no fim de semana, enquanto a Labra amplia sua estrutura industrial e busca o mercado internacional

A Labra e a Coopcentral realizam no sábado (26) e no domingo (27) a Primeira Festa do Baru, com cooperados e comunidades extrativistas de Poconé e de Nossa Senhora do Livramento. O encontro celebra a parceria entre poder público, produtores rurais e cooperativas na cadeia do baru em Mato Grosso, fruto nativo do Cerrado.

Foto: Rogério Florentino.

Programação nas duas comunidades

No sábado, a festa acontece na Comunidade Bandeira, em Poconé. No domingo, o evento segue para a Comunidade Cachoeirinha, em Nossa Senhora do Livramento. Nos dois dias, a programação começa com café da manhã às 8h, tem reunião às 9h e almoço às 12h.

O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Livramento (STTR) apoia a realização e participa como parceiro da mobilização da comunidade no município. A entidade é presidida por Simão, coletor de baru que fornece o fruto à Labra e ajuda a organizar as famílias da região.

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Também no domingo, mulheres de uma associação local apresentam produtos feitos a partir do baru, entre eles biscoitos e bombons.

Indústria do baru em Mato Grosso

A Labra instalou em Mato Grosso a primeira estrutura industrial dedicada ao processamento do fruto no Estado. A estrutura tem tecnologia de descasque, seleção e torra e está em ampliação.

Segundo a Labra, a produção, até então artesanal, passa a acessar um mercado internacional interessado em conhecer e consumir o baru. O respaldo, na conta da empresa, vem de mais de 120 artigos científicos sobre as propriedades nutricionais do fruto e da aprovação da semente torrada como Novel Food pela União Europeia.

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A companhia estrutura a cadeia comercial ao lado de cooperativas da agricultura familiar em Mato Grosso, da coleta à industrialização.

Castanha de baru na lista europeia

A autorização europeia está no Regulamento de Execução (UE) 2025/1263, da Comissão Europeia, de 30 de junho de 2025. O texto permite a colocação no mercado do bloco de sementes torradas de Dipteryx alata, nome científico do baru, como alimento tradicional de um país terceiro.

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Com a decisão, o produto entrou na lista de novos alimentos da União Europeia. Pela norma do bloco, só os novos alimentos autorizados e incluídos nessa lista podem ser colocados no mercado europeu.

A notificação foi apresentada em 16 de março de 2023 pela CoopCerrado, cooperativa mista de agricultores familiares, extrativistas e outros grupos do Cerrado. O pedido previa o consumo da semente torrada inteira pela população em geral, e o regulamento registra que os dados da cooperativa demonstram antecedentes de uso alimentar seguro no Brasil.

Em 14 de setembro de 2023, a Comissão Europeia repassou a notificação aos países do bloco e à Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA). Nenhum deles apresentou objeção de segurança fundamentada dentro do prazo previsto.

Em 7 de fevereiro de 2025, a EFSA publicou relatório técnico sobre o pedido. O regulamento registra que a autoridade concluiu que os dados sobre a composição e o histórico da utilização solicitada da semente torrada não suscitam preocupações de segurança. A publicação no Jornal Oficial da União Europeia saiu em 1º de julho de 2025.

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O regulamento fixa a composição típica do produto. A cada 100 gramas, a semente torrada tem de 20 a 35 gramas de proteína, de 20 a 35 gramas de gordura e de 40 a 50 gramas de carboidratos totais, com umidade de até 5 gramas.

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Árvore em pé e renda para quem colhe

A colheita já é fonte de renda para famílias extrativistas e cooperados no Estado.

Foto: Rogério Florentino.

O modelo da Labra aposta na árvore em pé: quanto maior o valor gerado por quem colhe o baru, maior o incentivo para preservar o Cerrado em vez de desmatar.

Câmara setorial

A Câmara Setorial Temática do Baru foi instalada a partir do Requerimento nº 500/2026, do deputado Dilmar Dal Bosco. O colegiado reúne poder público estadual, cooperativas, universidades, instituições de financiamento e iniciativa privada em uma agenda única para o fruto.

Ricardo Pavan, representante da Labra, ocupa a secretaria da câmara. Em declaração divulgada pela empresa, ele resumiu a proposta levada ao colegiado.

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“A proposta que levamos à Câmara Setorial é juntar poder público, produtores rurais e cooperativas em um plano único de crédito, assistência técnica e escoamento da produção. Sem essa integração, a cadeia cresce mais devagar do que o Cerrado permite”, disse Pavan.

A aposta, conforme a empresa, é que a articulação entre setores coloque Mato Grosso na conversa internacional sobre bioeconomia do Cerrado, com o baru como um dos símbolos dessa posição.

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