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EDUCAÇÃO

Realizar o sonho de aprender a ler e escrever não tem idade

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Na Bahia, durante boa parte de sua vida, Elias dos Santos carregou um desejo que foi adiado devido às circunstâncias: voltar à escola. Aos 78 anos, já aposentado, decidiu transformar esse sonho em realidade e retomou seus estudos por meio da educação de jovens e adultos (EJA). Seu objetivo era aprender a ler e escrever.

A história de Elias ganhou repercussão em todo o Brasil quando um vídeo de seu filho, o professor Pertiano dos Santos, emocionar milhares de pessoas nas redes sociais. Durante uma comemoração surpresa de aniversário dentro da sala de aula, em Salvador (BA), o filho falou do orgulho de ver seu pai realizar um sonho que havia atravessado décadas.

Desde muito jovem, Elias precisou conciliar estudo com a rotina intensa de trabalho no campo, além de enfrentar um longo deslocamento diário de transporte público. Até que um dia o cansaço venceu. “De onde eu morava, era uma hora e meia de ônibus. Aí eu perdia muito tempo dentro do ônibus dormindo, muito cansado. Aí eu maneirei, não deu para estudar não”, recordou. 

A interrupção dos estudos, porém, não apagou a vontade de aprender. Elias conta que o desejo de voltar à escola reaparecia sempre que percebia as dificuldades para ler ou escrever algo. Aos poucos, ele começou a exercitar a leitura por conta própria. Depois de conseguir um novo par de óculos, passou a ler a Bíblia e percebeu que era hora de retornar definitivamente aos estudos. 

Um novo começo na EJA – A entrada de Elias em uma turma da EJA trouxe mudanças que ultrapassaram a aprendizagem. Na escola, encontrou convivência, rotina e um novo espaço de participação.

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A dedicação dele logo chamou a atenção de professores e colegas, sobretudo ao perceberem que Elias sempre chegava cerca de meia hora antes de a aula começar. Com o tempo, sua pontualidade passou a influenciar também outros estudantes, que passaram a chegar mais cedo. 

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Para os educadores, receber estudantes com uma trajetória como a de Elias, que já foi tirador de leite, vaqueiro, tropeiro e trabalhador da roça, reforça o sentido da EJA. 

A professora Eliúde da Silva admira o desejo de aprendizagem, a força de vontade, a alegria e a disposição de Elias. “Ele não apenas aprende, mas também contribui com os demais estudantes e com os próprios docentes”, explicou.

Para Elias, o retorno à escola também trouxe uma percepção renovada de independência. Hoje, ele realiza atividades escolares em casa e comemora cada avanço na compreensão de textos.

Atualmente, amigos e conhecidos são incentivados por ele regularmente para retomarem seus estudos. Em conversas com pessoas da comunidade e até de outras localidades, insiste para que elas voltem à sala de aula. “Estudar é bom, você se diverte, você se move lá na escola, aprende a escrever seu nome”, contou.

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O estudante que voltou à escola para superar as próprias dificuldades tornou-se um exemplo para outros adultos que ainda desejam aprender.

Para Pertiano, a decisão do pai revela a força de alguém que enfrentou uma vida de trabalho sem abandonar completamente aquilo que desejava realizar. Ao olhar para o pai, diz enxergar coragem, audácia e uma grande alegria de viver.

“Meu pai é um homem de 78 anos que, recentemente, depois de aposentado, decidiu estudar. Eu acho que isso reflete uma história de um homem forte, que não deixou que as dificuldades da vida o impedissem de realizar os seus sonhos”, afirmou.

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Há uma dimensão familiar que ajuda a explicar essa relação com o conhecimento. Elias lembra de um ensinamento que recebeu do próprio pai: “o meu pai me dizia para eu estudar, porque o estudo era uma coisa que ninguém tirava da gente”, lembrou. 

Décadas depois, essa frase ganhou um novo sentido: Elias voltou à escola. Sua trajetória mostra que o direito à educação não termina com a juventude. 

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Números – De acordo com a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), o Brasil registrou, em 2025, a menor taxa de analfabetismo da série histórica: 4,9% entre a população com 15 anos ou mais. Em 2024, o índice era de 5,3%. Essa faixa etária integra o público atendido pelas políticas de educação de jovens e adultos nos estados.

CadEJA – O Ministério da Educação (MEC) desenvolve uma série de ações vinculadas ao Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação da EJA (Pacto EJA), conjunto de iniciativas colaborativas implementadas com a participação dos entes federativos, incluindo o Cadastro da Educação de Jovens e Adultos (CadEJA), plataforma virtual criada para registrar o interesse em cursar a EJA e auxiliar o planejamento da oferta de vagas.

Instituído pela Portaria nº 275/2026, o CadEJA funciona como uma ponte entre pessoas interessadas em retomar os estudos e as oportunidades de EJA disponíveis. Na plataforma, as pessoas podem manifestar interesse em voltar a estudar e receber orientação para encontrar uma oportunidade de matrícula. A iniciativa envolve quatro diferentes perfis de acesso: usuários, operadores, agentes de cadastro e gestores. 

Assessoria de Comunicação Social do MEC

Fonte: Ministério da Educação

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DESTAQUE

Enem 2026: quem foi inscrito automaticamente precisa escolher o idioma da prova até 18 de outubro

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Participantes devem indicar se querem fazer a prova de língua estrangeira em inglês ou em espanhol; o questionário socioeconômico também passou a ser obrigatório

Os estudantes inscritos automaticamente no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 têm até 18 de outubro para escolher o idioma da prova de língua estrangeira: inglês ou espanhol. A escolha é obrigatória.

Quem deixar o prazo passar fará a prova de inglês, e a definição não poderá ser alterada depois. A regra consta da retificação do edital 64/2026, publicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Neste ano, pela primeira vez, a inscrição automática alcançou os concluintes do ensino médio da rede pública. O procedimento usou os dados que as redes de ensino enviaram ao Ministério da Educação (MEC).

A prova de língua estrangeira tem cinco questões de múltipla escolha, voltadas à interpretação e à compreensão de textos. Para estudar e ampliar o vocabulário, o MEC oferece a plataforma gratuita MEC Idiomas, com aulas de inglês e espanhol do nível básico ao avançado.

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Questionário socioeconômico também é obrigatório

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A retificação do edital, publicada na quarta-feira (7), determina que os inscritos de forma automática também preencham o Questionário Socioeconômico. O acesso é pela Página do Participante, com a senha da plataforma Gov.br.

O formulário tem cerca de 23 a 25 perguntas obrigatórias, que mapeiam a realidade social, econômica e educacional dos participantes. Os dados informados não podem ser alterados.

Só quem responder ao questionário poderá ver o local de prova, em data que o Inep ainda vai divulgar.

Datas e duração das provas

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As provas serão aplicadas em dois domingos de novembro, dias 8 e 15, no turno da tarde.

  • Primeiro dia (8 de novembro): duração de 5 horas e 30 minutos. Os candidatos fazem a redação e as provas de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias (língua portuguesa, literatura, língua estrangeira, artes, educação física e tecnologias da informação) e de Ciências Humanas e suas Tecnologias (história, geografia, filosofia e sociologia).
  • Segundo dia (15 de novembro): duração de 5 horas. Os candidatos fazem as provas de Ciências da Natureza e suas Tecnologias (biologia, química e física) e de Matemática.
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Mais informações estão no Guia do Enem, do MEC.

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