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POLÍTICA NACIONAL

Trabalhadores informais em dia com as dívidas podem renegociá-las com bancos

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Trabalhadores informais que estejam com o pagamento de dívidas em dia poderão renegociar até R$ 15 mil por banco, com taxa de juros máxima de 1,99% ao mês e parcelas menores que as atuais. Além disso, os estudantes beneficiados pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) que estão com as parcelas em dia poderão ter acesso a um crédito especial para investir em seu próprio negócio.

É o que determina a Medida Provisória (MP) 1.373/2026, que cria os programas Desenrola Adimplentes e Fies Empreendedor. A MP foi assinada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na segunda-feira (29).

A MP estabelece que os beneficiados por esses programas não poderão fazer apostas em bets por seis meses (o CPF do beneficiado será bloqueado em todas as plataformas de bets regulamentadas no país).

Também prevê que a União poderá destinar R$ 3 bilhões ao Desenrola Adimplentes e R$ 1 bilhão ao Fies Empreendedor — segundo o governo, sem impacto na meta fiscal.

O Congresso Nacional terá 120 dias para analisar a medida provisória.

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Desenrola Adimplentes

De acordo com a MP, os trabalhadores informais podem renegociar suas dívidas com instituições financeiras — com as novas condições — desde que:

  • pelo menos quatro parcelas já tenham sido pagas até 28 de junho;
  • a parcela com atraso, se houver, não pode ter vencido há mais de 90 dias (contados até o dia 28 de junho ou até o dia da entrada no programa);
  • não sejam dívidas de: cartão de crédito (parcelado ou rotativo), cheque especial, crédito rural, consignado na folha de pagamento ou que possuam garantia real.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o público-alvo do programa são os trabalhadores informais que “estão pagando as contas em dia, com juros que variam de 6% a 12% ao mês”. O objetivo, segundo ele, é que os beneficiados possam se reorganizar financeiramente. Também podem ser contempladas dívidas com outras taxas de juros.

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O beneficiado não pode ser: trabalhador contratado pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), servidor público, pensionista ou aposentado.

Como renegociar?

O interessado deve entrar em contato com o banco no qual tem dívida para solicitar um novo acordo em até 90 dias, contados a partir de segunda-feira (29). De acordo com a MP, esse prazo poderá ser prorrogado para aquelas instituições financeiras com melhor desempenho no programa, “na forma estabelecida em ato do Ministro de Estado da Fazenda”.

Há canais oficiais do programa para orientação ao cidadão interessado.

O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal estão automaticamente incluídos no Desenrola Adimplentes — e poderão habilitar outras instituições financeiras. Caso uma instituição não esteja habilitada, o devedor pode renegociar por meio de outro banco habilitado, desde que seja aprovado na análise de risco da instituição.

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O valor da nova operação de crédito tem um limite: não pode ser maior que uma vez e meia o saldo devedor da dívida original renegociada. Por exemplo: se a pessoa renegocia uma dívida cujo saldo que falta pagar é de R$ 10.000, o valor total da nova operação de crédito não poderá passar de R$ 15.000 (ou seja: 1,5 vez o valor original).

A medida provisória determina que as instituições financeiras terão de excluir o devedor dos cadastros de inadimplentes em até cinco dias úteis após a formalização da renegociação e o pagamento da primeira parcela da nova operação (quando for o caso).

Quais as novas condições?

Desenrola Adimplentes

Condição de refinanciamento

Limite

Taxa de juros máxima

1,99% ao mês

Valor máximo por beneficiário, por banco

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R$ 15 mil

Prazo de quitação

equivalente ao da dívida original. Em algumas condições, pode haver de um a seis meses a mais

Valor da nova parcela

até 90% da paga atualmente, incluindo juros e taxas

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Parcela mínima mensal

R$ 50

Fies Empreendedor

O outro programa criado pela medida provisória — o Fies Empreendedor — não envolve renegociação de dívidas existentes, mas investimento no próprio negócio do beneficiado.

Nesse programa, quem estudou pelo Fies e se manteve adimplente (ou seja, com o pagamento das parcelas em dia) pode tomar empréstimo como pessoa física ou como empresa (desde que seja sócio).

O governo federal estima que a iniciativa pode alcançar entre 50 mil e 125 mil pessoas (há cerca de 500 mil ex-estudantes adimplentes com o Fies).

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O Ministério da Fazenda, responsável por publicar norma interna com as condições do programa, já antecipou no portal do governo federal os seguintes critérios:

Fies Empreendedor

Condição de refinanciamento

Limite

Tempo de adimplência

pelo menos 36 meses, sem renegociação das parcelas nesse período

Taxa de juros máxima

11% ao ano

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Valor máximo por beneficiário, por banco

R$ 180 mil para pessoas jurídicas e R$ 80 mil para pessoas físicas

Prazo de quitação

96 meses para pessoas jurídicas e 60 meses para pessoas físicas

Fundo garantidor

A medida provisória estabelece que as instituições financeiras — tanto no caso do Desenrola Adimplentes quanto no do Fies Empreendedor — poderão solicitar garantia do Fundo de Garantia de Operações (FGO) para a cobertura do risco de inadimplência.

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Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

POLÍTICA NACIONAL

Comissão debate criação de observatório sobre infecções sexualmente transmissíveis entre mulheres

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A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados debateu, em audiência pública nesta terça-feira (30), a criação de um observatório para acompanhar a Agenda Prioritária para o Enfrentamento do HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais, HTLV, Sífilis e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) em Mulheres Vulnerabilizadas no Brasil.

A proposta foi apresentada pela deputada Erika Kokay (PT-DF). Segundo ela, o observatório poderá acompanhar a implementação da agenda por meio de indicadores e orientar políticas públicas de acordo com a realidade de cada território.

“Queremos criar esse observatório, com apoio de emenda parlamentar, para acompanhar a implementação da agenda por meio de indicadores e orientar ações de acordo com a realidade de cada território.”

Erika Kokay também informou que solicitará a inclusão do recorte de gênero no programa Brasil Saudável, voltado para enfrentar problemas sociais e ambientais que afetam a saúde de pessoas em situação de maior vulnerabilidade social.

Renato Araújo / Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Enfrentamento de infecções sexualmente transmissíveis entre mulheres. Representante do Ministério da Saúde, Pâmela Cristina Gaspar.
Pâmela Gaspar: 61% das mulheres pretas poderiam ter evitado sífilis se tivessem acesso a programas oferecidos às mulheres brancas

Metas
Uma das metas da agenda é triplicar, até 2027, o número de mulheres que utilizam tratamentos preventivos contra essas infecções.

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A coordenadora do tema no Ministério da Saúde, Pâmela Gaspar, afirmou que o desafio é garantir recursos para colocar a agenda em prática.

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“Precisamos garantir a implementação dessa agenda, priorizando os recursos disponíveis e buscando novos investimentos voltados para as mulheres.”

Segundo dados apresentados por Pâmela Gaspar, as mulheres são fortemente afetadas por infecções como HIV/aids, tuberculose, hepatites virais, HTLV e sífilis. O impacto é maior entre mulheres pretas, pardas e moradoras das regiões Norte e Nordeste.

No caso da sífilis, por exemplo, 61% das mulheres pretas poderiam ter evitado a doença se tivessem tido acesso aos mesmos programas oferecidos às mulheres brancas.

Carência de dados
A representante do Movimento Nacional das Cidadãs Positivas, Silvia Aloia, afirmou que ainda faltam pesquisas sobre mulheres que vivem há muitos anos com HIV. Segundo ela, essas mulheres convivem com problemas como a lipodistrofia, caracterizada pela distribuição anormal da gordura corporal.

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Também durante a audiência, Carla Almeida, do Coletivo Feminista de Luta Contra a Aids Gabriela Leite, afirmou que as mulheres ainda não são incluídas em pesquisas específicas sobre a incorporação de novas tecnologias de prevenção e tratamento.

Reportagem – Silvia Mugnatto
Edição – Geórgia Moraes

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Fonte: Câmara dos Deputados

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