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Contas públicas

Lotufo terá que devolver R$ 473 mil por obra em hospital na pandemia

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Hospital Metropolitano. foto: Rogério Florentino.

Auditoria do estado viu dano aos cofres públicos na ampliação do Hospital Metropolitano e multou engenheira responsável.

Uma auditoria nas contas da saúde revelou um prejuízo significativo. A empresa Lotufo Engenharia e Construções Ltda foi condenada a devolver R$ 473.272,00. O valor, que ainda será corrigido, refere-se a irregularidades na obra de ampliação do Hospital Metropolitano de Várzea Grande. A construção ocorreu durante o período crítico da pandemia de Covid-19. A decisão do órgão de controle foi clara ao apontar “dano ao erário”.

 

Contas na mira

 

A condenação nasceu de um processo formal de investigação, a Tomada de Contas Ordinária nº 60.082-2/2021. O alvo era um contrato firmado com a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso. O Acórdão Nº 396/2025 – PV manteve quatro irregularidades graves contra a construtora, cujo CNPJ é 01.318.705/0001-14. Por isso, a determinação foi pela restituição integral do valor apontado como prejuízo.

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Enquanto a saúde pública enfrentava sua maior crise, as contas desta obra específica levantavam suspeitas que agora se confirmam.

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Responsabilidade em xeque

 

A decisão não se limitou à empresa. A engenheira civil orçamentista Raiane Bernardi Serra (CPF 016.900.341-81) foi responsabilizada pessoalmente. Ela recebeu uma multa de 18 UPFs/MT por três falhas que não conseguiu justificar ao longo do processo. Outro envolvido, Gilberto Gomes de Figueiredo, também teve uma irregularidade mantida contra si, mas escapou de multa. Já a empresa RRS Construtora Ltda conseguiu sanar todas as acusações que pesavam contra ela.

 

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Votação dividida

 

O veredito no plenário não foi um consenso. A decisão pela condenação seguiu, por maioria, o voto do conselheiro revisor, Valter Albano. Ficaram vencidos o presidente do tribunal, Sérgio Ricardo, o conselheiro Antonio Joaquim e o relator original do caso, Guilherme Antonio Maluf. Este grupo defendia uma punição ainda mais severa. Eles queriam manter um número maior de irregularidades, o que poderia aumentar os valores de restituição e as multas aplicadas aos responsáveis.

A divergência no topo do órgão de controle sinaliza a gravidade dos fatos apurados. Agora, tanto a Lotufo Engenharia quanto a engenheira multada têm um prazo de 60 dias para efetuar os pagamentos, usando recursos próprios. O tribunal também deu um passo adicional e determinou o envio de uma cópia completa do processo ao Ministério Público Estadual. Essa medida abre portas para que o caso se desdobre em novas investigações, desta vez nas esferas cível e até criminal.

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Eclipse com “lua de sangue” poderá ser visto em Mato Grosso

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O céu de agosto reserva dois eclipses, e apenas um deles interessa a quem vai olhar para cima em Mato Grosso. O eclipse solar total do dia 12 fica restrito ao hemisfério norte, sem qualquer visibilidade no Brasil. Já o eclipse lunar da virada de 27 para 28 de agosto será observável de todo o território nacional, a olho nu, sem equipamento e sem precisar sair da cidade.

Em Cuiabá e nas demais cidades do estado, a fase interessante começa às 22h33 do dia 27, quando a sombra da Terra passa a avançar visivelmente sobre o disco lunar. O ponto máximo ocorre às 0h12 do dia 28, já na madrugada de sexta-feira. Os horários seguem o fuso de Mato Grosso, uma hora atrás de Brasília, onde o mesmo instante marca 23h33 e 1h12. A fase parcial se estende por cerca de três horas e 18 minutos.

Tecnicamente, o fenômeno é um eclipse parcial. Na prática, chega perto do limite. Os cálculos da Nasa apontam magnitude umbral de 0,930, o que significa que 93% do diâmetro da Lua entrará na umbra, a parte central e mais escura da sombra terrestre. A porção encoberta não desaparece: ganha um tom avermelhado, resultado da luz solar que atravessa a atmosfera da Terra e é desviada para a superfície lunar.

“Este eclipse será apenas parcial, mas será quase total, já que 93% da Lua vai entrar na sombra escura da Terra”, afirmou a astrônoma Josina Nascimento, do Observatório Nacional, em entrevista divulgada pela instituição.

A posição da Lua no céu favorece o observador brasileiro. No momento de maior cobertura, o satélite estará alto, o que dispensa a busca por mirantes, morros ou horizontes abertos. Um quintal, uma varanda ou uma rua com pouca iluminação artificial bastam. A duração longa também dá margem a nuvens passageiras sem que a observação se perca.

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Por que a Lua fica vermelha

Dentro da umbra, a Lua não fica no escuro absoluto. Ela continua recebendo luz do Sol, só que filtrada pela atmosfera da Terra. O ar espalha os tons azuis e deixa passar os avermelhados — o mesmo processo que tinge o céu no fim da tarde. Essa luz vermelha é desviada pela borda da atmosfera terrestre e vai parar na superfície lunar, o que dá ao disco eclipsado a cor de cobre.

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A intensidade do tom varia. Quanto mais poeira, fumaça e nuvem houver na atmosfera no momento do eclipse, mais escura fica a Lua. Em anos de grandes erupções vulcânicas, o disco chega a quase sumir da vista.

O eclipse lunar só acontece na Lua cheia, quando Sol, Terra e Lua se alinham nessa ordem. Como a órbita lunar é inclinada cerca de cinco graus em relação ao plano da órbita terrestre, o alinhamento perfeito não se repete todo mês — daí a raridade relativa do fenômeno.

A sombra projetada pela Terra tem duas camadas. A penumbra é uma sombra branda, que escurece a Lua de forma quase imperceptível. A umbra é a região central, onde a luz solar direta fica bloqueada. O eclipse penumbral costuma passar despercebido; o parcial e o total acontecem quando a Lua penetra a umbra.

Segundo o Observatório Nacional, este será o último eclipse lunar de grande magnitude visível de todo o país até o fim da década. Os previstos para 2027 são penumbrais. Em 2028, os dois parciais terão coberturas bem menores, inferiores a 3% e a 33%.

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O eclipse do Sol, e por que ele não chega aqui

O fenômeno do dia 12 é de outra natureza. Nele, a Lua se interpõe entre a Terra e o Sol e projeta uma sombra estreita sobre a superfície do planeta. Só quem está dentro dessa faixa vê o Sol completamente encoberto.

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A trajetória começa no extremo norte da Sibéria, na Rússia, cruza o Oceano Ártico, passa pela Groenlândia e pela Islândia e atinge a Europa continental no fim da tarde. Na Espanha, a faixa de totalidade se estende da costa norte — com Oviedo, A Coruña e Bilbao — até as Ilhas Baleares, e uma pequena área de Portugal também é alcançada. No ponto de maior eclipse, em águas internacionais, a totalidade dura pouco mais de dois minutos.

Fora dessa faixa, o Sol aparece apenas parcialmente coberto. É o caso da França, de boa parte da Europa, do norte da África e de trechos da América do Norte. O Brasil fica fora de qualquer uma das duas condições.

O eclipse solar total resulta de uma coincidência geométrica. O Sol tem diâmetro cerca de 400 vezes maior que o da Lua, mas está aproximadamente 400 vezes mais distante. Os dois discos, vistos da Terra, acabam com tamanho aparente semelhante.

Proteção só é exigida no eclipse solar

A diferença de segurança entre os dois fenômenos é absoluta. O eclipse lunar não oferece risco algum: pode ser acompanhado a olho nu, com binóculo ou telescópio, do começo ao fim.

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Já o eclipse solar exige filtro certificado pela norma ISO 12312-2 ou máscara de solda com vidro número 14. Óculos escuros comuns, chapas de raio X, filmes fotográficos, vidros escurecidos e telas de celular não protegem a retina. A exposição direta sem filtro adequado pode causar lesão permanente na visão.

Quem quiser acompanhar o eclipse solar de longe encontra transmissões ao vivo. A Agência Espacial Europeia exibe o fenômeno em seu canal no YouTube, e o Observatório Nacional também transmite os dois eventos gratuitamente pela mesma plataforma.

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