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Economia e Agronegócio

Estudo alerta: novas regras da União Europeia criam "fronteira verde" e desafiam agronegócio

Pesquisa acadêmica detalha o “Efeito Bruxelas”: como a Europa impõe leis ao Brasil sem tratados formais. Adaptação do agro é urgente para destravar R$ 37 bilhões em ganhos com o acordo Mercosul.

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novas regras da União Europeia
Novas exigências de "due diligence" ambiental da União Europeia obrigam produtores brasileiros. Foto ilustrativa criada por IA. a investirem em rastreabilidade para não perderem mercado.

Pesquisa* acadêmica detalha como o “Efeito Bruxelas” impõe leis europeias ao Brasil sem necessidade de tratados; impacto no PIB pode chegar a R$ 37 bilhões com novo acordo.

O Brasil vive um momento decisivo em sua inserção econômica internacional, onde as leis aprovadas em Bruxelas, sede da União Europeia (UE), têm tanta força sobre o produtor rural de Mato Grosso quanto as normas decididas em Brasília. Um estudo aprofundado, apresentado na Universidade de Lisboa em 2025, revela como o bloco europeu utiliza seu poder de mercado para exportar legislações ambientais e digitais, forçando uma adaptação imediata da economia brasileira.

O fenômeno, classificado academicamente como “Efeito Bruxelas”, descreve a capacidade da Europa de ditar as regras do jogo global sem precisar disparar um único tiro ou impor sanções diretas. Segundo a dissertação de mestrado de Sthefanny Ribeiro Pereira Taunay, “a UE não necessita impor coercitivamente seus padrões aos demais países; em vez disso, as próprias forças de mercado tornam os regulamentos europeus uma referência global”.

Para o agronegócio e a indústria brasileira, a mensagem é clara: ou se adaptam às normas ambientais e digitais europeias, ou estão fora do mercado mais rico do mundo.

O cerco ambiental e o impacto no campo

O ponto mais sensível para a economia brasileira — e especialmente para estados agroexportadores — é a regulação ambiental. O estudo destaca a entrada em vigor do Regulamento (UE) 2023/1115, focado em produtos livres de desmatamento, como um “divisor de águas para as exportações brasileiras”.

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Diferente de barreiras tarifárias antigas (impostos de importação), a nova barreira é regulatória. O documento aponta que o cumprimento das exigências de “due diligence” (diligência prévia) ambiental exigirá uma revolução nas práticas agrárias nacionais: rastreabilidade total: O exportador precisará provar, com tecnologia de ponta, que seu produto não vem de área desmatada; revisão institucional: O governo e as empresas terão que criar mecanismos de fiscalização que satisfaçam os auditores europeus; investimento tecnológico: A adaptação não será barata, exigindo inovação institucional imediata.

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Essa pressão regulatória cria o que especialistas chamam de “corrida para o topo”, onde o padrão mais rígido (o europeu) se torna o padrão mundial, obrigando produtores brasileiros a elevarem suas réguas de sustentabilidade para não perderem competitividade.

Acordo Mercosul-UE: bilhões em jogo

A pesquisa contextualiza o impacto econômico citando a conclusão das negociações do acordo de parceria entre Mercosul e União Europeia, ocorrida em dezembro de 2024. O documento traz projeções robustas do governo brasileiro para o ano de 2044, indicando que a integração profunda com o mercado europeu pode gerar um incremento de R$ 37 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB), um aumento de R$ 52,1 bilhões nas exportações totais e a expansão de R$ 13,6 bilhões em investimentos no país.

Contudo, esses ganhos estão condicionados à capacidade do Brasil de navegar o cipoal jurídico europeu. O estudo alerta que a “internalização de normas” ocorre muitas vezes por “pressões de mercado”, colocando a soberania regulatória brasileira em xeque.

A soberania digital e a LGPD

O “Efeito Bruxelas” não se limita à soja ou à carne. O estudo utiliza a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) brasileira como o exemplo clássico dessa influência. A lei brasileira foi “inspirada de forma inequívoca” no regulamento europeu (RGPD), demonstrando como o Brasil importa estruturas jurídicas inteiras para garantir que seus dados e serviços digitais continuem conectados ao mundo.

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Para o futuro, a pesquisa recomenda que o Brasil deixe de ser um “receptor passivo” de regras. A sugestão é a criação de mecanismos de “monitoramento permanente das agendas regulatórias da União Europeia”, permitindo que o país se antecipe a novas exigências como o Green Deal (Pacto Ecológico) e as leis de mercados digitais, protegendo o interesse nacional antes que a regra se torne uma imposição de mercado.

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*A INFLUÊNCIA DAS DECISÕES REGULATÓRIAS ECONÓMICAS DA UNIÃO
EUROPEIA SOBRE O BRASIL – Autora: STHEFANNY RIBEIRO PEREIRA TAUNAY 
UNIVERSIDADE DE LISBOA
FACULDADE DE DIREITO
MESTRADO EM DIREITO E PRÁTICA JURÍDICA
DIREITO INTERNACIONAL E RELAÇÕES INTERNACIONAIS

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AGRONEGÓCIO

Santa Catarina consolida 5º maior agronegócio do Brasil e lidera agroindustrialização nacional, aponta estudo da FACISC

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Santa Catarina reforçou sua posição entre os principais protagonistas do agronegócio brasileiro. Dados inéditos do Mapa do Agro Catarinense 2026, divulgado pela FACISC, mostram que o estado ocupa atualmente a quinta colocação entre os maiores agronegócios do país, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.

O levantamento foi apresentado nesta quinta-feira (28), em Florianópolis, e aponta que o agronegócio catarinense movimenta cerca de R$ 144 bilhões, equivalente a 6% de toda a produção agropecuária nacional. O setor responde por 35% da economia estadual, reúne aproximadamente 470 mil empresas, gera 1,6 milhão de empregos e contribui com R$ 12 bilhões em arrecadação.

Segundo o presidente da FACISC, Elson Otto, o desempenho catarinense ganha ainda mais relevância diante da comparação com estados de maior extensão territorial e agrícola.

“O estado disputa espaço com gigantes do agronegócio brasileiro e se destaca pela força da agroindústria, pela produtividade e pela capacidade empreendedora do produtor rural catarinense”, afirmou.

Santa Catarina lidera agroindustrialização no Brasil

Um dos principais diferenciais apontados pelo estudo é o elevado nível de industrialização do agro catarinense. Santa Catarina possui hoje a maior participação da agroindústria entre os principais estados produtores do país.

Enquanto outras regiões concentram grande parte da força econômica na produção primária, Santa Catarina tem 40% do agronegócio diretamente ligado à indústria de transformação, agregando valor à produção rural.

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De acordo com o diretor de Agronegócio e Ferrovias da FACISC, Lenoir Broch, o modelo catarinense fortalece a competitividade do setor.

“O estado construiu uma cadeia baseada em industrialização, exportação, tecnologia e geração de empregos. Isso torna o agronegócio mais diversificado e resiliente frente às oscilações do mercado”, destacou.

O estudo também revela que Santa Catarina possui a sexta maior força de trabalho do agronegócio brasileiro, com 1,6 milhão de pessoas ocupadas no setor. Na última década, o número de empregos cresceu 19%, terceiro maior avanço do país.

Quando o indicador é proporcional à população, o estado lidera o ranking nacional, com 195 trabalhadores do agro para cada mil habitantes.

Estado lidera produção nacional em 12 segmentos

O Mapa do Agro Catarinense 2026 evidencia a liderança do estado em diferentes cadeias produtivas estratégicas. Santa Catarina responde atualmente por:

  • 50% da produção brasileira de maçã;
  • 23% da produção nacional de carne suína;
  • 86% da produção de ostras, vieiras e mexilhões;
  • 44% das conservas de peixe;
  • 64% do alvejamento e tingimento de fios e tecidos.

Além das cadeias tradicionais, o estado também amplia participação em segmentos de maior valor agregado, como maracujá, pêssego, ovos de codorna, alevinos, máquinas para alimentos, papel, confecção e indústria têxtil.

Exportações do agro catarinense batem recorde

O comércio exterior também aparece como um dos pilares da expansão do setor. Santa Catarina encerrou 2025 com recorde histórico de US$ 8,4 bilhões em exportações do agronegócio.

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O estado ocupa a oitava posição entre os maiores exportadores do agro brasileiro e figura entre os cinco maiores exportadores nacionais quando considerada apenas a agroindústria.

Mesmo diante de desafios internacionais, como tarifas impostas pelos Estados Unidos e embargos chineses sobre proteínas animais, o agronegócio catarinense ampliou presença em mercados estratégicos da América do Sul, Oriente Médio, Europa, África e Oceania.

Santa Catarina também se destaca como um dos principais polos importadores do setor, com US$ 7,3 bilhões em compras internacionais, principalmente de fertilizantes e insumos industriais. O estado responde por cerca de 13% das importações nacionais desses produtos.

Para a economista da FACISC, Mariana Guedes, a diversidade produtiva explica parte da competitividade catarinense.

“O diferencial está na capacidade de industrialização e na variedade de cadeias produtivas presentes em todas as regiões do estado, permitindo atender mercados exigentes e diferentes ciclos econômicos simultaneamente”, avaliou.

Tecnologia fortalece competitividade no campo

O avanço tecnológico também ganha espaço no estudo. Santa Catarina possui atualmente 85 startups agtechs e ocupa a sétima posição nacional no segmento.

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No recorte específico de empresas desenvolvedoras de softwares voltados ao agronegócio, o estado sobe para a quarta posição no país, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco.

O ecossistema de inovação está distribuído em diferentes regiões catarinenses, com destaque para Florianópolis, Chapecó, Concórdia, Lages e Joinville.

Segundo a FACISC, o crescimento das agtechs está diretamente ligado à capacidade de desenvolver soluções práticas para aumentar produtividade, eficiência e sustentabilidade no campo.

Logística e clima seguem como desafios

Apesar do desempenho recorde, o estudo alerta para gargalos estruturais que ainda limitam o crescimento do agronegócio catarinense.

Eventos climáticos extremos, custos elevados de produção e dificuldades logísticas provocaram perda de competitividade em algumas culturas, como cebola, alho, milho, tomate, uva e pêssego.

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A entidade também defende maior investimento em infraestrutura, inovação logística, acessibilidade a insumos biotecnológicos e políticas de apoio ao pequeno produtor rural.

Mesmo diante desses desafios, o estudo aponta que Santa Catarina mantém potencial de crescimento acima da média nacional, sustentado pela diversidade produtiva e pela forte presença da agroindústria.

“Mesmo com limitações estruturais e climáticas, Santa Catarina segue ampliando produção, empregos e exportações. O estado ainda possui amplo espaço para crescer com investimentos em logística, infraestrutura e inovação”, concluiu Lenoir Broch.

Mapa do Agro Catarinense 2026

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fonte: Portal do Agronegócio

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