AGRONEGÓCIO
Segurança jurídica no campo: FPA aponta enfraquecimento de normas fundiárias entre 2023 e 2025
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) avalia que houve enfraquecimento das normas de proteção fundiária no Brasil nos últimos anos. Entre 2023 e 2025, ao menos 15 atos normativos federais alteraram regras relacionadas à questão fundiária, com reflexos diretos sobre o direito à propriedade privada rural, segundo a entidade.
De acordo com o levantamento, parte significativa das medidas promove flexibilizações em procedimentos legais, especialmente no que diz respeito à desapropriação de terras e à regularização fundiária.
Flexibilização de regras levanta preocupações
Entre os pontos destacados está a retirada da exigência de previsão orçamentária para desapropriações. A revogação do memorando-circular nº 01/2019 do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em abril de 2023, e o Decreto 12.002/2024 são citados como exemplos dessa mudança.
Outra medida apontada é o Decreto 11.637/2023, que permite a titulação de terras para pessoas jurídicas, como associações e cooperativas de assentados, além de priorizar a titulação coletiva. Na avaliação da FPA, o modelo pode abrir margem para maior atuação de grupos organizados no acesso à terra via reforma agrária.
Já a Instrução Normativa 132/2023 do Incra ampliou a possibilidade de participação de entidades externas no cadastramento de famílias para o Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA).
Regularização fundiária e entraves legais
A FPA também aponta ausência de regulamentação da Lei 14.757/2023, que trata da regularização fundiária na Amazônia. Sem regulamentação, dispositivos como a atualização de laudos de vistoria antigos não podem ser plenamente aplicados.
Além disso, normas recentes passaram a incorporar critérios ambientais ao processo fundiário. O Decreto 11.688/2023, por exemplo, direcionou áreas passíveis de regularização para políticas ambientais e retirou o Ministério da Agricultura de instâncias técnicas sobre o tema.
Na mesma linha, a Portaria 1.309/2025 ampliou a participação do Ministério do Meio Ambiente nas atribuições do Incra e permitiu o envolvimento de organizações da sociedade civil em levantamentos fundiários.
Programa Terra da Gente concentra críticas
O Programa Terra da Gente, instituído em 2024, é apontado como o principal eixo da atual política de reforma agrária. Segundo parlamentares da FPA, o decreto que criou o programa apresenta pontos considerados controversos do ponto de vista jurídico.
Entre eles, está a possibilidade de utilização de terras vinculadas a garantias judiciais, como bens penhorados, sem previsão clara de compensação orçamentária. Outro ponto levantado é a previsão de cancelamento de títulos fundiários já emitidos, inclusive em áreas de faixa de fronteira.
A entidade também destaca que o decreto não diferencia propriedades produtivas daquelas que não cumprem função social, tema previsto na Constituição Federal.
Avanço de desapropriações e reação no Congresso
Em março de 2025, sete decretos classificaram áreas como de interesse social para desapropriação. Segundo a FPA, parte dessas medidas pode conflitar com dispositivos legais que restringem assentamentos em áreas invadidas ou em propriedades de porte médio.
Diante desse cenário, parlamentares protocolaram o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 167/2024, que busca sustar os efeitos do Programa Terra da Gente. A proposta aguarda análise na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.
Projetos buscam reforçar segurança jurídica
Outras iniciativas legislativas tramitam no Congresso com foco na segurança jurídica no campo. O Projeto de Lei 4.357/2023 propõe definir de forma mais objetiva o conceito de função social da propriedade rural, condicionando sua caracterização ao trânsito em julgado de decisões judiciais em casos de crimes ambientais ou trabalhistas.
Já o Projeto de Lei 8.262/2017 trata da retomada da posse de propriedades invadidas, permitindo ação por parte do proprietário com apoio policial, dentro de prazos estabelecidos.
Outra proposta, o PL 709/2023, prevê sanções administrativas a invasores de terras, incluindo restrições ao acesso a programas públicos, crédito subsidiado e cargos públicos por um período determinado.
Debate segue no centro da agenda do agro
O conjunto de medidas e propostas evidencia que a questão fundiária segue como um dos principais pontos de atenção do agronegócio brasileiro. O debate envolve temas como segurança jurídica, reforma agrária, regularização fundiária e o equilíbrio entre produção, direitos de propriedade e políticas públicas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Granja mineira é a primeira do Brasil a conquistar certificação de alto padrão em bem-estar animal na suinocultura
Certificação inédita marca avanço do bem-estar animal na suinocultura brasileira
A granja de suínos da Auma Agronegócios, localizada em Patos de Minas (MG), tornou-se a primeira do Brasil a receber a certificação de bem-estar animal da Produtor do Bem. O reconhecimento abrange todas as etapas da produção — gestação, maternidade, creche e terminação — e considera critérios técnicos amplos relacionados à ambiência, sanidade, manejo, alimentação e gestão operacional.
O selo possui validade de um ano e representa a primeira certificação concedida pela entidade no setor suinícola brasileiro, estabelecendo um novo marco de exigência técnica no país.
Protocolo mais rigoroso redefine práticas de manejo no país
O diferencial do modelo está no nível de exigência superior aos protocolos tradicionais utilizados no Brasil e em parte dos sistemas internacionais.
Um dos principais destaques é a adoção do sistema “cobre-solta”, em que as matrizes são inseminadas e, na sequência, alojadas em grupo. A prática elimina o período de permanência em gaiolas após a inseminação — etapa que ainda é comum em diversos sistemas, onde as fêmeas podem permanecer confinadas por até 35 dias.
Segundo especialistas, o modelo favorece maior liberdade de movimento e expressão de comportamentos naturais, sendo considerado uma das práticas mais avançadas em bem-estar animal na suinocultura moderna.
Empresa reforça estratégia de produção responsável e sustentável
Para a CEO da Auma Agronegócios, Lucimar Silva, a certificação consolida o posicionamento da empresa em relação à sustentabilidade e à responsabilidade produtiva.
O bem-estar animal é tratado como pilar estratégico, diretamente ligado à eficiência produtiva, qualidade dos alimentos e sustentabilidade da cadeia. A executiva destaca que o reconhecimento valida práticas já incorporadas à cultura organizacional e fortalece a governança dos processos.
A Auma já possui outras certificações socioambientais em diferentes atividades agrícolas, e a nova conquista reforça o histórico de produção consciente do grupo.
Melhorias operacionais impactam diretamente os indicadores produtivos
De acordo com o gerente de produção do Ecossistema Auma, Baltazar Vieira, o bem-estar animal é tratado como valor estrutural da operação, com implementação iniciada em 2022.
Entre os resultados já observados estão:
Redução da taxa de natimortos de 8% para 3% após três meses de adoção de enriquecimento ambiental
- Fim do uso de ocitocina há dois anos
- Eliminação do corte de dentes
- Redução do corte de cauda sem aumento de canibalismo
Segundo o gestor, as melhorias em nutrição, sanidade, infraestrutura e capacitação das equipes refletem diretamente no desempenho zootécnico e no valor agregado da produção.
Mercado pressiona por padrões mais elevados de bem-estar animal
A certificação ocorre em um cenário de crescente exigência de mercados nacionais e internacionais por padrões mais rigorosos de bem-estar animal, especialmente em cadeias voltadas à exportação e ao varejo institucional.
Embora o Brasil ainda adote amplamente sistemas híbridos, a transição para modelos com soltura precoce de matrizes vem avançando, em linha com práticas já consolidadas em mercados europeus.
Soluções como alimentação individualizada em sistemas coletivos também têm sido incorporadas para reduzir disputas e melhorar o desempenho produtivo.
Certificação inédita traz modelo técnico e transparente para o setor
Segundo o diretor-executivo da Produtor do Bem, José Ciocca, o modelo de certificação é estruturado em critérios multinível, com avaliação independente, acompanhamento técnico e apoio ao produtor durante a implementação das melhorias.
O sistema busca garantir não apenas a conformidade, mas também a evolução contínua das práticas de manejo.
“A conquista demonstra que é possível conciliar produtividade com manejo tecnicamente fundamentado. O Grupo Auma avançou além do convencional e se torna referência para o setor”, destacou Ciocca.
Suinocultura brasileira entra em nova fase de exigência técnica
A certificação da Auma Agronegócios sinaliza uma mudança relevante na suinocultura nacional, com maior integração entre produtividade, sustentabilidade e bem-estar animal.
O avanço reforça a tendência de profissionalização do setor e aproxima o Brasil de padrões internacionais cada vez mais exigentes, especialmente em mercados premium e cadeias exportadoras.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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