AGRONEGÓCIO
Cabotagem pode reduzir até 8,2% das emissões no transporte de cargas e ampliar eficiência logística no Brasil, aponta CNI
Cabotagem ganha protagonismo na agenda de logística e sustentabilidade no Brasil
O transporte de cargas por cabotagem no Brasil pode se tornar um dos principais vetores de redução de emissões e eficiência logística nos próximos anos. De acordo com estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o modal marítimo tem potencial para reduzir em até 8,2% as emissões líquidas de CO₂ do setor de transporte de cargas no país.
A análise reforça o papel estratégico da navegação costeira como alternativa ao transporte rodoviário, especialmente em um país com mais de 8 mil quilômetros de litoral.
Potencial de crescimento pode quadruplicar movimentação de contêineres
O estudo aponta que o Brasil possui condições para quadruplicar o volume de contêineres transportados por cabotagem no longo prazo, desde que haja avanços estruturais e regulatórios.
Entre os principais requisitos estão:
- Ampliação da infraestrutura portuária
- Melhoria no acesso aos portos
- Criação de novas rotas regulares
- Redução da burocracia operacional
- Mudança na cultura logística das empresas
Em um cenário mais conservador, considerando apenas os portos já habilitados, o volume poderia crescer 163%, com redução estimada de 4,5% nas emissões do setor de transportes.
Cabotagem pode reduzir custos e melhorar eficiência logística
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, a cabotagem representa uma oportunidade estratégica para o Brasil aproveitar sua geografia e fortalecer a competitividade da indústria.
Segundo o estudo, o modal marítimo emite, em média, entre 12% e 15% do CO₂ gerado pelo transporte rodoviário para o mesmo volume de carga.
Além da redução de emissões, a migração de cargas de longa distância para o transporte marítimo também contribui para:
- Redução de acidentes rodoviários
- Menor índice de roubo de cargas
- Diminuição de avarias
- Redução de congestionamentos
Integração entre modais é chave para eficiência do transporte no país
A eficiência logística varia conforme a distância:
- Até 500 km: transporte rodoviário é mais competitivo
- Entre 500 km e 1.500 km: ferrovia ganha vantagem
- Acima de 1.500 km: cabotagem se destaca como alternativa mais eficiente
Na comparação direta entre rodovias e cabotagem, a vantagem do modal marítimo começa a partir de 850 km a 1.050 km, dependendo do tipo de carga.
Brasil ainda utiliza pouco a cabotagem na matriz de transportes
Apesar do potencial, a cabotagem representa apenas 9% do transporte de cargas no Brasil, percentual inferior a economias com grandes litorais, como:
- Japão: 44%
- União Europeia: 32%
- China: 25%
Atualmente, a matriz brasileira é dominada pelo modal rodoviário, que responde por 66,2% do transporte de cargas, seguido pelo ferroviário (17,7%) e pela cabotagem (9,2%).
Burocracia e gargalos estruturais limitam expansão do modal
O estudo também aponta entraves operacionais que dificultam a expansão da cabotagem no país. Entre os principais gargalos estão:
- Excesso de exigências documentais, similares ao transporte internacional
- Atuação de múltiplos órgãos reguladores (Anvisa, Receita Federal, Marinha, entre outros)
- Deficiências de acesso aos portos
- Necessidade de dragagem e modernização portuária
- Limitação de capacidade dos terminais
Esses fatores podem gerar atrasos operacionais e até desvio de cargas para o transporte rodoviário, elevando custos logísticos.
Além disso, o estudo destaca a baixa familiaridade do setor produtivo com o modal, resultado da forte dependência histórica das rodovias no país.
Experiências de grandes empresas mostram viabilidade da cabotagem
Apesar dos desafios, empresas como ArcelorMittal, Grupo Moura, Mondeléz e Stellantis já utilizam a cabotagem e relatam ganhos em eficiência logística e previsibilidade de transporte.
Esses casos indicam que, quando bem estruturado, o modal pode se tornar uma alternativa competitiva dentro da cadeia de suprimentos nacional.
Marco Legal da Cabotagem avança, mas setor pede equilíbrio regulatório
O Marco Legal da Cabotagem (Lei 14.301/22) foi destacado pela CNI como um avanço importante para estimular o setor e fortalecer a indústria naval brasileira.
A regulamentação mais recente, publicada em 2025, incluiu critérios de sustentabilidade para embarcações e já resultou na entrada de novas empresas e ampliação da frota.
No entanto, especialistas alertam que exigências excessivas podem gerar o efeito contrário ao desejado.
Segundo o especialista em infraestrutura da CNI, Ramon Cunha, regras muito rígidas podem aumentar custos e burocracia, reduzindo a competitividade do modal frente ao transporte rodoviário.
Ele reforça que a cabotagem já é significativamente mais eficiente do ponto de vista ambiental, sendo até seis vezes menos poluente que o transporte rodoviário, considerando distância e volume transportado.
Cabotagem como vetor de competitividade e descarbonização no Brasil
O estudo conclui que a expansão da cabotagem representa uma oportunidade estratégica para o Brasil avançar na redução de emissões, melhoria da logística e diminuição do Custo Brasil.
Com maior integração entre modais e investimentos em infraestrutura, o país pode transformar sua extensa costa em um ativo logístico decisivo para a competitividade do agronegócio e da indústria.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Ministro André de Paula participa de reunião do Coagro e reforça parceria com setor produtivo
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, participou, nesta quarta-feira (29), da primeira reunião ordinária do Conselho Temático da Agroindústria (Coagro) da Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizada na sede da entidade, em Brasília (DF). O encontro reuniu representantes do setor produtivo para debater temas estratégicos voltados ao fortalecimento da agropecuária e da agroindústria nacional.
Na abertura da reunião, o ministro destacou que sua participação teve como objetivo reforçar a aproximação institucional entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Coagro, reconhecendo a relevância do conselho para o desenvolvimento do setor.
André de Paula também ressaltou o compromisso da Pasta com o diálogo permanente e a construção conjunta de soluções, afirmando que o Mapa atuará em parceria com o setor produtivo para dar celeridade às pautas apresentadas. “A escuta ativa e a convergência entre os diferentes segmentos são fundamentais para o avanço de agendas estratégicas”, disse.
O vice-presidente do Coagro, Pedro Nogueira, destacou que o conselho é o mais recente da CNI e foi criado para reunir e representar as demandas da agroindústria brasileira. “Aqui passou a ser o fórum do debate das demandas da agroindústria. É um conselho muito atuante, com a participação de entidades nacionais representativas de todas as atividades agrícolas do Brasil”, afirmou.
Nogueira também enfatizou a integração entre agropecuária e indústria. “Não há nada que é feito hoje na agricultura sem a indústria da agricultura. Não dá mais para fazer essa separação”, destacou.
O diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, reforçou a importância da construção de uma agenda conjunta entre governo e setor produtivo, baseada na experiência e no conhecimento dos desafios do agro.
Pautas estratégicas para o setor
Durante a reunião, os conselheiros debateram uma agenda ampla voltada ao fortalecimento do agro nacional. Entre os temas em destaque estiveram políticas públicas para o setor de lácteos, insumos agropecuários, cadeia produtiva do arroz e incentivo à inovação.
Também foram discutidas pautas relacionadas à agroindústria, como o fortalecimento de cadeias produtivas, entre elas proteína animal, açúcar, etanol e biotecnologia, além de desafios regulatórios e ampliação do acesso a mercados internacionais.
Ao final do encontro, foi reforçada a importância da parceria entre governo e setor produtivo, com diálogo constante, apoio institucional e atuação coordenada para enfrentar desafios estruturais, ampliar a competitividade e garantir o crescimento sustentável do setor.
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