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Brasil bate recorde de faturamento, mas endividamento cresce entre famílias, empresas e produtores rurais

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O avanço do endividamento no Brasil deixou de ser um problema restrito à baixa renda e passou a refletir falhas estruturais de gestão financeira. Mesmo com o mercado de trabalho aquecido e níveis historicamente baixos de desemprego, famílias, empresas e produtores rurais seguem pressionados por dívidas crescentes, cenário que acende um alerta para a economia brasileira.

Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostram que, em março de 2026, cerca de 80,4% das famílias brasileiras estavam endividadas. A inadimplência permanece elevada, em torno de 29,6%, mesmo diante do aumento da renda e da melhora nos índices de emprego.

Para o administrador e especialista em finanças Renan Conrado Frigo, a origem do problema está menos na falta de dinheiro e mais na ausência de organização financeira.

“O endividamento raramente começa pela falta de renda. Ele surge, principalmente, pela falta de controle e planejamento. Quando não existe clareza sobre entradas, saídas e compromissos futuros, qualquer oscilação já compromete o orçamento”, afirma o especialista.

Empresas ampliam faturamento, mas perdem rentabilidade

O cenário também preocupa no ambiente corporativo. Dados da Serasa Experian apontam que o Brasil encerrou 2025 com recorde histórico de empresas inadimplentes. Ao todo, 8,9 milhões de negócios acumulavam dívidas, que somavam aproximadamente R$ 213 bilhões.

Além disso, o número de pedidos de recuperação judicial avançou nos últimos meses, refletindo dificuldades financeiras relacionadas à gestão de caixa, planejamento e controle de custos.

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Segundo Frigo, muitas empresas cometem um erro recorrente ao focar apenas no faturamento, sem analisar a lucratividade real da operação.

“Muitos empresários observam apenas o dinheiro que entra ou o saldo disponível em caixa, mas não conseguem enxergar o lucro efetivo do negócio. Isso cria uma falsa sensação de segurança e leva a decisões equivocadas”, explica.

Endividamento no agronegócio acende alerta em 2026

O agronegócio brasileiro, tradicionalmente visto como um dos pilares da economia nacional, também enfrenta aumento significativo no endividamento.

Dados do Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (OBRE) indicam que as dívidas do setor já alcançam R$ 98 bilhões em 2026. O avanço evidencia que nem mesmo segmentos com alta produtividade escapam de problemas ligados à gestão financeira e ao planejamento de risco.

Na avaliação do especialista, muitos produtores rurais ampliam produção e investimentos sem um acompanhamento adequado da saúde financeira da atividade.

“O crescimento da produção sem controle financeiro consistente pode transformar expansão em risco. Em muitos casos, o produtor aumenta faturamento, mas perde margem e liquidez”, destaca Frigo.

Crédito caro e desorganização financeira pressionam famílias

Entre as famílias brasileiras, o comprometimento da renda segue elevado. Informações do Banco Central mostram que aproximadamente 29,7% da renda mensal das famílias está comprometida com dívidas, especialmente crédito rotativo, financiamentos e empréstimos contratados sem planejamento adequado.

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Apesar disso, grande parte da população ainda não possui controle detalhado do orçamento doméstico, fator que contribui para o avanço da inadimplência.

Frigo ressalta que um dos erros mais comuns é confundir dinheiro disponível com saúde financeira.

“Ter dinheiro em caixa não significa necessariamente lucratividade. Da mesma forma, é possível apresentar lucro no papel e não ter liquidez suficiente para cumprir compromissos. Essa diferença, quando ignorada, amplia o risco de endividamento”, afirma.

Mistura entre contas pessoais e empresariais agrava problema

Outro ponto considerado crítico pelo especialista é a falta de separação entre finanças pessoais e empresariais, situação comum principalmente entre pequenos negócios e produtores rurais.

“Quando o empresário mistura as contas da empresa com as despesas pessoais, ele perde a capacidade de avaliar o desempenho real da operação e compromete tanto o negócio quanto a vida financeira da família”, explica.

O reflexo aparece em diversos setores da economia: empresas que aumentam faturamento, mas perdem rentabilidade; famílias que elevam renda sem reduzir dívidas; e produtores rurais que recorrem a renegociações e recuperação financeira após crescer sem planejamento.

Organização financeira passa a ser questão de sobrevivência

Diante de um cenário marcado por juros elevados, crédito mais caro e margens pressionadas, especialistas reforçam que a organização financeira deixou de ser diferencial competitivo e passou a representar uma condição essencial para a sobrevivência econômica.

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Para Renan Conrado Frigo, a solução passa por disciplina e mudança de mentalidade.

“Gestão financeira não é complexidade. É disciplina. Controlar fluxo de caixa, entender custos e projetar cenários são práticas básicas que fazem diferença em qualquer atividade. Sem isso, até o crescimento pode virar um fator de risco”, conclui.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Preço do feijão dispara no Brasil com geadas, escassez e retenção de oferta no campo

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O mercado brasileiro de feijão atravessa um dos momentos mais tensionados dos últimos anos, impulsionado pela combinação entre escassez de produto de qualidade, retenção de oferta pelos produtores e preocupações climáticas sobre a segunda safra 2025/26.

As cotações do feijão carioca avançaram fortemente ao longo da semana e atingiram níveis históricos em importantes regiões produtoras do país. Ao mesmo tempo, o feijão preto passou a acompanhar o movimento de valorização, sustentado pela migração parcial da demanda e pelo aumento das incertezas climáticas no Sul do Brasil.

Segundo análise de Evandro Oliveira, da Safras & Mercado, o cenário atual é de forte aperto estrutural no abastecimento, especialmente para lotes nobres de feijão carioca.

Escassez de feijão de qualidade pressiona mercado físico

De acordo com o analista, a comercialização ao longo da semana foi marcada por baixa liquidez e extrema seletividade nas negociações.

A chamada “Bolsinha” operou diversos pregões praticamente vazios, com volumes frequentemente inferiores a 2 mil sacas e negócios concentrados em operações pontuais realizadas por amostras.

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A dificuldade para formação de lotes homogêneos elevou ainda mais a disputa pelos grãos de maior qualidade.

“A ausência de feijões nota 9 ou superiores aumentou a seletividade do mercado, enquanto os padrões intermediários passaram a substituir parcialmente os lotes extras”, explica Evandro Oliveira.

Feijão carioca rompe novos recordes de preços

O ambiente de oferta restrita fez as cotações dispararem nas principais regiões produtoras.

No mercado FOB, o interior de São Paulo e o Noroeste de Minas Gerais romperam a marca de R$ 430 por saca no feijão carioca extra.

Em operações CIF São Paulo, negócios pontuais chegaram a validar preços próximos de R$ 470 por saca, consolidando novos recordes históricos para a cultura.

O movimento de valorização também atingiu os padrões intermediários.

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No interior paulista, as negociações romperam a faixa de R$ 400 por saca, enquanto diversas praças registraram forte alta nas pedidas.

Segundo o analista, os produtores seguem retraídos nas vendas, liberando apenas pequenos volumes ao mercado e sustentando um ambiente de forte disputa por qualidade.

Problemas climáticos ampliam preocupação com a segunda safra

Além da oferta limitada, o mercado monitora com atenção os impactos climáticos sobre a segunda safra de feijão.

Paraná e Minas Gerais enfrentaram atrasos no plantio, excesso de chuvas, redução de área cultivada e avanço lento da colheita, fatores que já comprometem a disponibilidade de produto nobre no mercado.

Agora, as geadas no Sul do país passaram a ser um novo fator de risco para a cultura.

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“As geadas começaram a ser monitoradas como ameaça para peneira, enchimento dos grãos e qualidade final da produção”, alerta Oliveira.

Com estoques historicamente apertados e empacotadoras operando no limite da reposição, o mercado segue sem capacidade rápida de recomposição da oferta.

O resultado é um cenário estruturalmente positivo para os preços no curto prazo.

Feijão preto acelera valorização com migração do consumo

O mercado do feijão preto também mudou de direção ao longo da semana e passou a registrar altas expressivas.

Segundo Safras & Mercado, a disparada do feijão carioca ampliou significativamente a competitividade do feijão preto no abastecimento doméstico.

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Inicialmente, o segmento operava com baixa liquidez e demanda enfraquecida. Porém, a diferença extrema entre os preços das duas variedades passou a estimular substituição parcial do consumo, principalmente entre compradores mais sensíveis ao custo final.

As cotações avançaram rapidamente nas principais regiões produtoras.

No interior de São Paulo, os negócios saíram da faixa de R$ 186 por saca para níveis acima de R$ 220 por saca no Tipo 1 extra.

No Paraná, o mercado saltou de R$ 160–165 por saca para valores próximos de R$ 200 por saca, enquanto Santa Catarina também registrou forte reação nas pedidas.

Geadas no Sul sustentam viés positivo para o feijão preto

O clima voltou a influenciar diretamente o sentimento do mercado do feijão preto, principalmente porque grande parte da segunda safra paranaense é composta pela variedade preta.

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O risco de geadas, excesso de umidade e perdas de qualidade elevou significativamente a preocupação dos agentes do setor.

“Os compradores passaram gradualmente a aceitar reajustes maiores diante do avanço da demanda e da necessidade de reposição”, afirma Oliveira.

O mercado segue atento à evolução da colheita, ao comportamento do consumo interno e à continuidade da migração parcial da demanda do carioca para o preto.

Com o feijão carioca permanecendo em patamares extremamente elevados, o feijão preto ainda apresenta espaço para novas valorizações nas próximas semanas, consolidando um cenário mais firme para o mercado nacional de feijão.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fonte: Portal do Agronegócio

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