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Vigilância sanitária

Anvisa mantém recomendação para o consumidor não usar produtos Ipê, mesmo após recurso

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produtos Ypê Anvisa recomendação

Recurso administrativo da Química Amparo suspendeu juridicamente a proibição editada na semana passada; Anvisa mantém a recomendação de que lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes da marca com lotes terminados em 1 não sejam usados

A proibição de fabricar, vender e usar 23 produtos da Química Amparo, dona da marca Ypê, está suspensa desde 8 de maio de 2026, quando o recurso da empresa foi protocolado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária. O efeito suspensivo é automático e tem base no artigo 17 da RDC 266/2019, que regula a tramitação de recursos administrativos no órgão. Mesmo assim, a agência reiterou que a avaliação técnica do risco sanitário não mudou e pediu, em nota oficial, que o consumidor não use os produtos cujo número de lote termina em 1.

Quem comprou o sabão líquido para roupas, o detergente para louças ou o desinfetante de uso geral nas semanas anteriores ao caso pode estar com o produto em casa, ainda lacrado. Ainda assim, a recomendação da agência é a mesma: não abrir o frasco, separar o lote e procurar o serviço de atendimento da fabricante para troca, devolução ou ressarcimento. O Procon de Campinas reproduziu o pedido em orientação publicada no início da semana e acrescentou que o consumidor pode formalizar reclamação caso a empresa não cumpra a substituição.

Caso Ypê: linha do tempo dos principais eventos entre novembro de 2025 e 10 de maio de 2026.

Em ato assinado no dia 5 de maio e publicado no Diário Oficial da União dois dias depois, a Anvisa editou a Resolução-RE nº 1.834. A agência determinou o recolhimento dos lotes terminados em 1 e suspendeu a fabricação, a venda, a distribuição, a propaganda e o uso desses produtos. A motivação aparece no próprio texto: “falhas graves” em etapas críticas do processo produtivo da unidade de Amparo, no interior de São Paulo, com risco de contaminação microbiológica.

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A inspeção que embasou a resolução foi feita no fim de abril por equipes da própria Anvisa, do Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo e da Vigilância Sanitária de Amparo. Os fiscais apontaram falhas em garantia da qualidade, em produção e em controle de qualidade. O laudo técnico que detalha o grau de contaminação não foi tornado público.

Por que o recurso parou a proibição

No direito administrativo sanitário brasileiro, o efeito suspensivo de recursos é regra geral. A Lei 9.782/1999, que criou a Anvisa, prevê que recursos contra atos da agência sobem à Diretoria Colegiada com efeito suspensivo, e a RDC 266/2019 detalha esse trâmite. Pelo artigo 17 da resolução, o recurso é recebido com efeito suspensivo automático, salvo nas hipóteses previstas na própria norma e em legislação correlata.

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Foi o que a Química Amparo invocou ao protocolar a defesa administrativa em 7 de maio. Com o protocolo, a proibição ficou suspensa: a empresa pode, juridicamente, retomar fabricação, distribuição e venda dos produtos listados até que a Diretoria Colegiada decida o mérito. A decisão, segundo a própria agência, está prevista para os próximos dias e ainda não foi publicada.

A RDC prevê uma exceção. A Diretoria Colegiada pode retirar o efeito suspensivo de um recurso quando entender que há risco sanitário relevante. Foi esse o pedido que a Anvisa formalizou em sua nota de 8 de maio, ao registrar que solicitou avaliação do colegiado sobre a manutenção ou não do efeito suspensivo no caso. Na mesma nota, o órgão informou que “mantém a avaliação técnica do risco sanitário” e recomendou que os produtos listados não sejam usados.

Recolhimento voluntário em novembro de 2025

Em novembro de 2025, a Química Amparo já havia comunicado um recolhimento voluntário e cautelar de alguns lotes de sabão líquido para roupas após detectar, em análises internas, a bactéria Pseudomonas aeruginosa. O microrganismo é associado a infecções de pele, ouvido, vias urinárias e pulmões, especialmente em pessoas com baixa imunidade.

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O episódio foi citado pela Anvisa ao contextualizar a inspeção de 2026. Não há, nas comunicações públicas, detalhes sobre quantos lotes foram afetados em 2025 nem sobre quais ações corretivas a empresa implementou na unidade de Amparo entre o recall e a nova autuação. Os autos de inspeção e os planos de adequação não foram divulgados.

Status das medidas previstas na Resolução-RE nº 1.834/2026 antes e depois do efeito suspensivo do recurso.

O que o consumidor faz, na prática

A orientação da Anvisa é não usar nenhum frasco com lote terminado em 1, mesmo lacrado. Quem já tem o produto em casa deve isolá-lo e procurar o SAC da Química Amparo para troca ou ressarcimento. Comerciantes precisam tirar os lotes da prateleira e devolver ao distribuidor. Lavanderias e restaurantes que usam saneantes em volume também devem suspender o uso e abrir protocolo com o fornecedor.

Quem teve contato com o produto e apresentou reação na pele ou nos olhos deve procurar o serviço de saúde mais próximo, informar o vínculo com o produto e registrar o ocorrido na vigilância sanitária do município.

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Postar vídeo defendendo o uso pode ser crime

O artigo 68 do Código de Defesa do Consumidor pune com detenção de seis meses a dois anos e multa quem fizer publicidade que sabe ou deveria saber ser capaz de induzir o consumidor a comportamento prejudicial à saúde ou à segurança. O artigo 67 do mesmo código prevê pena para publicidade enganosa ou abusiva. A regra alcança quem decidir promover, em rede social, produto que está sob alerta da agência reguladora.

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Editada em 1977, a lei federal de infrações sanitárias prevê ainda multa e proibição da propaganda para quem fizer publicidade de produto sob vigilância em desacordo com a determinação do órgão regulador. As duas regras alcançam tanto a empresa anunciante quanto o influenciador que receba para falar do produto, desde que ciente da recomendação da agência.

Falar bem da marca em conversa privada não configura publicidade. Já um vídeo patrocinado que ensina onde comprar e ignora o alerta da agência pode ser enquadrado nos artigos 67 e 68 do CDC.

Penas previstas em lei para publicidade que induz uso de produto sob alerta sanitário.

Próximos passos

A Diretoria Colegiada ainda precisa julgar o mérito do recurso e, em decisão separada, definir se o efeito suspensivo continua valendo até o fim do processo. Em comunicado publicado em 8 de maio no site institucional, a Química Amparo afirmou que vai manter voluntariamente paradas as linhas dos produtos atingidos pela resolução, mesmo com o veto suspenso, enquanto dialoga com a agência.

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CONSUMIDOR

Greve da Caixa continua após rejeição da proposta final do banco

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Cartazes vermelhos de bancários anunciam a greve da Caixa na porta de vidro de agência fechada no Distrito Federal

Plano de saúde dos empregados concentra o impasse, e a Caixa avalia recorrer à Justiça do Trabalho por meio de dissídio coletivo

Os empregados da Caixa Econômica Federal rejeitaram a proposta final apresentada pelo banco e decidiram manter a greve nacional iniciada na quinta-feira (10). Até o fechamento desta reportagem, a greve da Caixa seguia por tempo indeterminado, enquanto as entidades sindicais tentavam retomar as negociações. O principal ponto de divergência é o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos funcionários.

Na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, 68% dos trabalhadores votaram contra a proposta em assembleia encerrada às 23h de sexta-feira (11). O texto apresentado pela instituição previa mudanças no modelo de custeio do plano de saúde e nas regras de coparticipação.

Caixa avalia dissídio coletivo

Antes da votação, a Caixa afirmou que a proposta era final e indicou que poderia recorrer à Justiça do Trabalho caso fosse rejeitada. O banco deve avaliar o ingresso de um dissídio coletivo, instrumento pelo qual a Justiça do Trabalho estabelece condições para solucionar o impasse entre empregados e instituição.

Apesar da rejeição, a Caixa afirmou que mantém o diálogo aberto com as entidades representativas dos trabalhadores e que pretende buscar um entendimento.

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Como a greve da Caixa começou

A paralisação começou na quinta-feira (10), depois que os trabalhadores rejeitaram uma proposta anterior para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), mais de 90% das bases sindicais haviam rejeitado aquele texto.

Em São Paulo, no Paraná e em outras regiões, agências amanheceram fechadas no início da greve. Os caixas eletrônicos continuaram disponíveis.

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O que a Caixa ofereceu

A proposta rejeitada tinha validade até sexta-feira (11). Ela reunia um prêmio de R$ 3 mil por empregado e o pagamento, em 18 de setembro, do salário reajustado, da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), do Super Caixa e do próprio prêmio.

No plano de saúde, o banco oferecia elevar de 6,5% para 8% o limite de participação da Caixa no custeio do Saúde Caixa, antecipar a parcela da empresa referente à 13ª mensalidade de 2028, 2029 e 2030 e pagar valores relativos ao PAMS a partir de 2027. O pacote incluía ainda R$ 236 milhões em ações de prevenção à saúde a partir de janeiro de 2027 e a criação de grupos de trabalho para discutir melhorias na eficiência do plano e novas fontes de financiamento.

As regras propostas para o Saúde Caixa

As mudanças no plano de saúde concentraram a maior parte das divergências. A contribuição dos empregados ficaria entre 2,3% e 4,1% sobre o salário-base, conforme a faixa etária, com cobrança por dependente entre R$ 480 e R$ 660, a depender da idade. O teto anual de coparticipação subiria de R$ 3,6 mil para R$ 4,8 mil por grupo familiar, com limite de 9% para o grupo familiar e piso de R$ 50 por beneficiário.

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A proposta previa também a cobrança de 13 mensalidades, o aumento de R$ 75 para R$ 150 no valor da consulta em pronto-socorro, fora do teto, a isenção de coparticipação em atendimentos por telemedicina e o recadastramento anual obrigatório.

Titulares que atualmente estão fora do plano teriam uma janela de 90 dias para aderir. Após o cancelamento, porém, não seria possível retornar ao Saúde Caixa.

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Atendimento durante a paralisação

A Caixa orienta os clientes a priorizar os canais digitais e remotos enquanto durar a greve: o aplicativo Caixa, o internet banking, o WhatsApp Caixa, o Caixa Tem e os aplicativos Cartões Caixa, Habitação Caixa, DPVAT e FGTS. Também seguem disponíveis os caixas eletrônicos, a rede Banco24Horas, as lotéricas e os correspondentes Caixa Aqui.

O atendimento telefônico permanece disponível pelo Alô Caixa, nos números 4004-0104, para capitais e regiões metropolitanas, e 0800-104-0104, para as demais localidades.

Banco do Brasil

A situação é diferente no Banco do Brasil. Na maior parte dos sindicatos, a categoria aprovou uma proposta apresentada pela instituição e trabalhou normalmente na sexta-feira (11). A paralisação permanece em 18 bases sindicais, onde os trabalhadores não encerraram o movimento.

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Os próximos desdobramentos dependem da decisão da Caixa sobre o ingresso do dissídio coletivo na Justiça do Trabalho e da tentativa das entidades sindicais de retomar as negociações. Enquanto isso, a greve segue por tempo indeterminado.

 

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