Agro e clima
Chuva irregular em Mato Grosso acende atenção para lavouras e pastagens
Boletins oficiais indicam precipitação localizada no noroeste do Estado, tempo mais estável nas demais áreas e temperatura acima da média em grande parte de MT em maio
Mato Grosso entra na semana sob um cenário climático de atenção para o campo, mas sem indicação oficial de risco geo-hidrológico relevante no boletim mais recente do Cemaden. A previsão do INMET para 4 a 11 de maio aponta chuva irregular, com acumulados de até 40 mm em sete dias no noroeste de Mato Grosso, enquanto as demais áreas do Estado devem ter predomínio de tempo estável e chances mínimas de chuva fraca e isolada. Para maio, o instituto também prevê temperaturas médias até 1°C acima da climatologia em grande parte de Mato Grosso, condição que pode acelerar a perda de umidade do solo e pressionar lavouras e pastagens em áreas com menor disponibilidade hídrica.
Estado fica fora dos principais alertas de risco imediato
O boletim de riscos geo-hidrológicos do Cemaden publicado na madrugada de 11 de maio não inclui Mato Grosso entre as áreas com risco moderado de inundações, enxurradas, alagamentos ou movimentos de massa. O risco hidrológico moderado aparece para Amazonas, Pará, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. Já o risco geológico moderado foi apontado para áreas do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas.
Para Mato Grosso, a notícia não é de emergência climática urbana, mas de monitoramento agroclimático. O sinal oficial mais relevante é a combinação entre chuva localizada, predomínio de estabilidade em boa parte do Estado e temperatura acima da média em maio.
Chuva irregular divide o mapa de Mato Grosso
Na previsão semanal do INMET, o noroeste de Mato Grosso aparece como uma das poucas áreas do Centro-Oeste com previsão de chuva irregular, com acumulados de até 40 mm em sete dias. Nas demais áreas de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além de Goiás e Distrito Federal, o instituto aponta predomínio de tempo estável, com chances mínimas de chuva fraca e isolada.
Para o mês de maio, o próprio INMET projeta chuva abaixo da média no extremo sudoeste de Mato Grosso e no centro-sul de Mato Grosso do Sul. Nas demais áreas do Centro-Oeste, predominam totais próximos à média histórica do mês. A leitura é importante porque maio marca a transição mais evidente para o período seco em parte do Centro-Oeste.
Impacto potencial: solo, algodão, arroz e pastagens
O boletim mensal do INMET traz uma leitura direta para a agropecuária do Centro-Oeste: chuvas próximas ou abaixo da média, associadas a temperaturas elevadas, tendem a reduzir a umidade do solo ao longo do período e podem resultar em déficit hídrico. Para o algodão, a redução da disponibilidade hídrica pode limitar crescimento, formação de estruturas produtivas e enchimento das maçãs, sobretudo em áreas com menor retenção de água no solo. Na pecuária, a tendência de queda da umidade no solo pode reduzir o vigor das pastagens e afetar a disponibilidade de alimento para o rebanho.
Há, no entanto, uma diferença regional dentro do próprio Estado. O INMET informa que, em áreas do extremo norte de Mato Grosso, a previsão de chuvas acima da média pode dificultar o avanço da colheita de arroz. Ou seja: o Estado pode ter, ao mesmo tempo, áreas sob risco de menor disponibilidade hídrica e áreas onde a persistência de chuva pode atrapalhar operações de campo.
CPTEC/INPE reforça transição para o período seco
A nota técnica sazonal MJJ/2026 do CPTEC/INPE, produzida em cooperação com INMET e Funceme, indica que, com o fim do período chuvoso nas regiões Sudeste e Centro-Oeste e o início da estiagem, espera-se redução da precipitação na porção central do país. O documento também ressalta que não se descartam episódios marcantes de chuva durante o inverno, associados a incursões de sistemas frontais.
Essa leitura ajuda a explicar por que a pauta em Mato Grosso não deve ser tratada apenas como “falta de chuva”. O ponto central é a irregularidade: chuva localizada no noroeste, estabilidade em grande parte do Estado, temperatura acima da média e risco de redução progressiva da umidade do solo.
NOAA mantém El Niño no radar, mas sem relação direta com o evento local
No cenário global, o Climate Prediction Center, da NOAA, informa que as condições atuais são de neutralidade do fenômeno El Niño–Oscilação Sul. Ao mesmo tempo, o órgão mantém “El Niño Watch” e aponta 80% de chance de neutralidade no trimestre abril-junho e 61% de chance de formação de El Niño em maio-julho, com persistência ao menos até o fim de 2026.
Os dados semanais de temperatura da superfície do mar nas regiões Niño também mostram aquecimento recente: +0,5°C no Niño 4, +0,4°C no Niño 3.4, +0,5°C no Niño 3 e +0,7°C no Niño 1+2.
Para Mato Grosso, acompanhar a possível volta do El Niño é importante porque o Estado depende diretamente da regularidade das chuvas para a produção agrícola, a formação das pastagens, o abastecimento de água e o controle do risco de queimadas. Mesmo que o aquecimento do Pacífico ainda não explique, sozinho, a chuva irregular desta semana, ele funciona como um sinal de alerta para os próximos meses.
Na prática, a evolução do El Niño pode alterar o comportamento das chuvas e das temperaturas no Brasil, afetando o planejamento da segunda safra, a recuperação do solo, o manejo do gado e as decisões de produtores rurais. Por isso, o dado da NOAA deve ser lido como contexto climático de fundo: não é uma previsão direta para Mato Grosso, mas uma informação relevante para antecipar riscos e acompanhar mudanças no padrão do tempo ao longo de 2026.
Entenda o que isso significa
O El Niño é um fenômeno climático ligado ao aquecimento anormal de uma parte do Oceano Pacífico. Quando essa área esquenta mais do que o normal, ela pode influenciar o clima em várias partes do mundo, inclusive no Brasil.
Quando a NOAA diz que o cenário atual é de neutralidade, significa que o Pacífico ainda não está oficialmente em El Niño nem em La Niña. É como se o sistema climático estivesse em uma fase intermediária, sem um fenômeno dominante.
Já o termo “El Niño Watch” funciona como um aviso de acompanhamento. Não quer dizer que o El Niño já começou, mas que os meteorologistas estão observando sinais de que ele pode se formar nos próximos meses.
As porcentagens ajudam a medir essa possibilidade. Quando o boletim aponta 80% de chance de neutralidade entre abril e junho, significa que, nesse período, o mais provável ainda é que o clima continue sem El Niño formado. Mas, quando aponta 61% de chance de El Niño entre maio e julho, indica que a chance de o fenômeno começar aumenta a partir desse intervalo.
Os números das regiões Niño mostram o aquecimento da superfície do mar em diferentes partes do Pacífico. Por exemplo, +0,5°C significa que aquela área do oceano está meio grau mais quente do que a média histórica. Parece pouco, mas, em escala oceânica, esse aquecimento pode influenciar ventos, chuvas e temperaturas em várias regiões do planeta.
Para Mato Grosso, isso não significa que a chuva irregular desta semana seja causada diretamente pelo El Niño. O dado deve ser entendido como um sinal de contexto climático. Ele ajuda produtores, técnicos e governos a acompanharem possíveis mudanças no padrão de chuva e temperatura ao longo dos próximos meses.
O que acompanhar nos próximos dias
Para produtores rurais, técnicos e gestores públicos, os pontos de atenção em Mato Grosso são três: a distribuição real da chuva no noroeste do Estado, a evolução da umidade do solo nas áreas com tempo mais firme e o comportamento das temperaturas ao longo de maio. A ausência de alerta geo-hidrológico do Cemaden para Mato Grosso reduz o tom de emergência, mas não elimina a relevância econômica do monitoramento climático.
Nota metodológica:
A reportagem foi elaborada a partir do cruzamento de boletins e dados oficiais, seguindo a ordem de apuração NOAA/CPC, CPTEC/INPE, INMET e Cemaden. A NOAA foi usada para contextualizar o cenário climático global, especialmente a evolução do El Niño–Oscilação Sul. O CPTEC/INPE serviu para interpretar os sinais climáticos no Brasil. O INMET foi adotado como referência para previsão meteorológica, chuva, temperatura e impactos agroclimáticos. O Cemaden foi consultado para verificar a existência de risco geo-hidrológico, como alagamentos, enxurradas, inundações e deslizamentos. Os dados foram tratados como previsão ou tendência, e não como registro observado, quando essa era a natureza da informação original.
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AGRONEGÓCIO
China lidera avanço da balança comercial brasileira e garante superávit de US$ 10,5 bilhões em abril
A balança comercial brasileira fechou abril de 2026 com superávit de US$ 10,5 bilhões, impulsionada principalmente pelo forte avanço das exportações para a China e pelo desempenho recorde das vendas externas no período. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (7) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Segundo o levantamento oficial, o Brasil exportou US$ 34,1 bilhões em abril, maior valor já registrado para o mês. As importações somaram US$ 23,6 bilhões, enquanto a corrente de comércio atingiu US$ 57,8 bilhões.
No acumulado dos quatro primeiros meses de 2026, as exportações brasileiras chegaram a US$ 116,6 bilhões, frente a US$ 91,77 bilhões em importações. Com isso, o saldo positivo da balança comercial alcança US$ 24,8 bilhões, enquanto a corrente de comércio soma US$ 208,3 bilhões.
China amplia compras e reforça posição como principal parceiro do Brasil
A China voltou a liderar o desempenho do comércio exterior brasileiro em abril, consolidando sua posição como principal destino das exportações nacionais.
As vendas brasileiras para o mercado chinês cresceram 32,5% no mês, totalizando US$ 11,61 bilhões. Já as importações vindas da China avançaram 20,7%, alcançando US$ 6,05 bilhões.
Com isso, o superávit comercial brasileiro com os chineses chegou a US$ 5,56 bilhões apenas em abril, enquanto a corrente de comércio entre os dois países avançou 28,2%, somando US$ 17,66 bilhões.
No acumulado de janeiro a abril, as exportações brasileiras para a China cresceram 25,4%, atingindo US$ 35,61 bilhões. As importações apresentaram leve queda de 0,4%, ficando em US$ 23,96 bilhões.
O resultado garantiu ao Brasil um saldo positivo de US$ 11,65 bilhões no comércio bilateral com os chineses no período.
União Europeia mantém saldo positivo para o Brasil
O comércio entre Brasil e União Europeia seguiu positivo em abril, mesmo com leve retração das exportações brasileiras para o bloco europeu.
As vendas externas recuaram 1,7% no mês, somando US$ 4,70 bilhões. As importações também diminuíram, com queda de 3,1%, totalizando US$ 3,94 bilhões.
Com isso, o saldo comercial favorável ao Brasil ficou em US$ 760 milhões no mês.
No acumulado de 2026, o desempenho segue positivo. As exportações brasileiras para a União Europeia cresceram 6,5%, alcançando US$ 16,97 bilhões, enquanto as importações caíram 2,4%, para US$ 15,55 bilhões.
O resultado é um superávit de US$ 1,43 bilhão no comércio com o bloco europeu entre janeiro e abril.
Comércio com Estados Unidos perde força em 2026
Os Estados Unidos apresentaram retração tanto nas exportações quanto nas importações em abril.
As vendas brasileiras para o mercado norte-americano caíram 11,3%, ficando em US$ 3,12 bilhões. Já as importações recuaram 18,1%, somando US$ 3,10 bilhões.
O saldo comercial ficou praticamente estável, com superávit de apenas US$ 20 milhões no mês.
No acumulado do ano, porém, o cenário é negativo para o Brasil. As exportações para os Estados Unidos recuaram 16,7%, atingindo US$ 10,90 bilhões, enquanto as importações diminuíram 13%, para US$ 12,27 bilhões.
Com isso, o Brasil registra déficit comercial de US$ 1,36 bilhão com os norte-americanos em 2026.
Argentina reduz compras de produtos brasileiros
O comércio com a Argentina também perdeu ritmo em abril, refletindo a desaceleração das compras do país vizinho.
As exportações brasileiras para os argentinos caíram 18,5%, totalizando US$ 1,30 bilhão. Em contrapartida, as importações cresceram 21,2%, alcançando US$ 1,18 bilhão.
O saldo comercial permaneceu positivo em US$ 120 milhões, embora a corrente de comércio tenha recuado 3,4%, fechando em US$ 2,48 bilhões.
Entre janeiro e abril, as exportações brasileiras para a Argentina caíram 18,4%, somando US$ 4,74 bilhões. As importações avançaram 0,4%, atingindo US$ 3,92 bilhões.
Ainda assim, o Brasil mantém superávit de US$ 810 milhões no comércio bilateral com o país vizinho no acumulado do ano.
Exportações recordes reforçam força do agro e da indústria brasileira
O resultado da balança comercial reforça a importância das exportações brasileiras para o desempenho da economia nacional, especialmente em setores ligados ao agronegócio, mineração e indústria de transformação.
A forte demanda chinesa por commodities brasileiras segue sendo um dos principais motores do comércio exterior, enquanto os números mostram uma recuperação consistente da competitividade brasileira em mercados estratégicos ao redor do mundo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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