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AGRONEGÓCIO

AgroInfo 2026: Rabobank aponta cenário de margens pressionadas, recordes de produção e atenção ao clima para o agronegócio

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O Rabobank divulgou a edição de junho de 2026 do relatório AgroInfo, documento que reúne análises sobre os principais segmentos do agronegócio brasileiro e internacional. O estudo aponta um cenário marcado por produção recorde em diversas cadeias, forte influência do ambiente geopolítico global, desafios logísticos e crescente preocupação com os possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre a próxima safra brasileira.

Segundo o banco, embora a oferta permaneça robusta em grande parte dos mercados agrícolas, fatores como valorização do real, custos logísticos elevados, mudanças nos fluxos de comércio internacional e oscilações climáticas devem influenciar diretamente a rentabilidade do produtor nos próximos meses.

Soja: produção recorde e demanda aquecida sustentam mercado

O Rabobank projeta uma safra recorde de soja no Brasil em 2025/26, estimada em 182 milhões de toneladas, cerca de 10 milhões de toneladas acima do ciclo anterior. O resultado é atribuído à combinação de expansão da área cultivada e condições climáticas favoráveis.

As exportações seguem em ritmo forte. Entre janeiro e maio de 2026, os embarques cresceram 8% em relação ao mesmo período do ano passado e devem alcançar 113 milhões de toneladas no acumulado do ano. O esmagamento também apresenta expansão, impulsionado pela melhora das margens industriais e pelo aumento da demanda por derivados.

Apesar da valorização recente das cotações em Chicago, o banco destaca que os preços recebidos pelos produtores brasileiros permaneceram relativamente estáveis em reais, devido à compressão dos prêmios de exportação e à valorização da moeda brasileira frente ao dólar.

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Milho: safra robusta e custos logísticos pressionam preços

Para o milho, o Rabobank elevou sua projeção de produção para 138 milhões de toneladas, refletindo principalmente o bom desempenho do milho safrinha em Mato Grosso.

Por outro lado, a valorização do real e a forte concorrência internacional tendem a limitar as exportações brasileiras, que deverão somar cerca de 39 milhões de toneladas em 2026, abaixo do volume registrado no ano anterior.

Outro fator de atenção é o aumento superior a 10% nos custos do frete rodoviário no primeiro semestre, situação que reduz a competitividade do cereal e pode favorecer maior retenção do produto no mercado interno. Como consequência, os preços registraram queda aproximada de 2% no último mês.

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Algodão reforça liderança global nas exportações

O Brasil consolida sua posição como maior exportador mundial de algodão após registrar embarques recordes entre agosto de 2025 e maio de 2026. No período, as exportações somaram 3 milhões de toneladas, crescimento de 17% sobre a temporada anterior.

Para a safra 2025/26, a expectativa é de produção próxima de 4 milhões de toneladas, configurando a segunda maior da história brasileira. Apesar da redução de cerca de 2% na área cultivada, as condições climáticas favoráveis garantiram elevada produtividade.

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O banco ressalta, entretanto, que as incertezas econômicas globais, a inflação persistente e os conflitos geopolíticos continuam limitando o consumo mundial de produtos têxteis e podem influenciar a demanda por fibras nos próximos meses.

Carne bovina: exportações recordes, mas mercado monitora China

As exportações brasileiras de carne bovina seguem renovando recordes em 2026. Nos cinco primeiros meses do ano, o país embarcou 1,4 milhão de toneladas, gerando receita de US$ 7,8 bilhões, altas de 15% em volume e 35% em faturamento na comparação anual.

O desempenho foi impulsionado principalmente pela demanda da China e dos Estados Unidos. No entanto, o Rabobank alerta para uma possível desaceleração das compras chinesas a partir do segundo semestre, o que pode reduzir a demanda e pressionar os preços do boi gordo.

O relatório também destaca oportunidades para a carne brasileira no mercado norte-americano, favorecidas pela restrição da oferta local e pela competitividade do produto nacional.

Citricultura enfrenta nova redução de safra

O Fundecitrus projeta a safra 2026/27 em 255,2 milhões de caixas de laranja, volume 12,9% inferior ao registrado no ciclo anterior. A redução está associada à menor produtividade dos pomares, apesar do aumento no número de árvores produtivas.

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Entre os principais desafios enfrentados pela citricultura brasileira estão a disseminação do greening, as condições climáticas mais adversas, o aumento dos custos de produção e a retração do mercado global de suco de laranja.

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Segundo o banco, os preços da fruta continuam abaixo do custo de produção para grande parte dos produtores, cenário que pode resultar em redução da área cultivada nos próximos anos.

Leite apresenta recuperação gradual de preços

Após um período de forte correção em 2025, o mercado lácteo iniciou trajetória de recuperação em 2026. O preço médio pago ao produtor chegou a R$ 2,66 por litro para o leite entregue em abril, acima dos níveis observados no início do ano.

A desaceleração do crescimento da produção contribuiu para a melhora das margens dos pecuaristas, embora o banco ressalte que o consumo poderá ser impactado pela inflação, pelo elevado endividamento das famílias e pela possível influência do El Niño sobre a oferta de leite no Sul e Sudeste do país.

Celulose pode iniciar recuperação no fim de 2026

No segmento florestal, o Rabobank avalia que os estoques globais de celulose de fibra curta permanecem abaixo do equilíbrio, enquanto cortes de produção em diversas regiões do mundo ajudam a reduzir a pressão sobre o mercado.

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A expectativa é de recuperação gradual dos preços internacionais no último trimestre de 2026, impulsionada pela estabilização da demanda e pela menor disponibilidade do produto. Exportadores brasileiros também poderão ser beneficiados por uma eventual valorização do dólar frente ao real.

El Niño e cenário geopolítico permanecem no radar

De forma geral, o AgroInfo 2026 aponta que o agronegócio brasileiro seguirá sustentado por elevados níveis de produção e forte competitividade internacional. Entretanto, o possível retorno do El Niño, as tensões geopolíticas globais, os custos logísticos e as oscilações cambiais deverão permanecer entre os principais fatores de risco monitorados pelo mercado nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Barretos retoma liderança do agronegócio paulista em 2025 impulsionada pela alta do boi gordo

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A valorização da carne bovina devolveu à regional de Barretos a liderança do agronegócio paulista em 2025. Com um Valor da Produção Agropecuária (VPA) de R$ 10,2 bilhões, a região voltou a ocupar a primeira colocação no ranking estadual, posição que já havia alcançado em 2022 e 2023.

Os dados fazem parte do levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. O estudo analisa o desempenho das 40 regionais da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), abrangendo os 645 municípios paulistas.

Dez principais regionais concentram mais de 42% da produção estadual

As dez regionais com maior Valor da Produção Agropecuária movimentaram, juntas, R$ 73,62 bilhões em 2025, o equivalente a 42,2% de toda a riqueza gerada pelo agronegócio paulista.

Após Barretos, o ranking é formado por:

  • São José do Rio Preto – R$ 9,6 bilhões;
  • São João da Boa Vista – R$ 8,1 bilhões;
  • Franca;
  • Itapetininga;
  • Presidente Prudente;
  • Itapeva;
  • Jaboticabal;
  • Ourinhos;
  • General Salgado.

Segundo o levantamento, as oscilações nos preços das principais commodities agrícolas alteraram significativamente a distribuição regional da renda no campo durante o último ano.

Alta do boi gordo impulsiona pecuária e fortalece novas regiões

O principal fator por trás da mudança no ranking foi a expressiva valorização da carne bovina. Em 2025, os preços recebidos pelos pecuaristas cresceram, em média, 17,9% em todo o estado.

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Esse movimento fortaleceu regiões tradicionalmente ligadas à pecuária de corte e elevou sua participação na economia agropecuária paulista.

Um dos destaques foi a regional de General Salgado, que avançou da 17ª para a 10ª posição no ranking estadual. Na região, os produtos de origem animal responderam por 49,8% de toda a receita agropecuária.

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A regional de Ourinhos também ganhou espaço e passou a integrar o grupo das dez maiores economias do agronegócio paulista.

Queda da cana e da laranja reduz participação de polos tradicionais

Enquanto a pecuária avançou, culturas voltadas à indústria perderam competitividade em função da redução dos preços.

A desvalorização da cana-de-açúcar e da laranja destinada ao processamento industrial diminuiu o faturamento de importantes polos agrícolas, fazendo com que as regionais de Araraquara e Avaré deixassem o grupo das dez maiores do estado.

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Produtos para indústria continuam liderando o VPA paulista

Apesar da queda de preços em algumas cadeias, os produtos destinados à indústria continuam sendo o principal grupo econômico do agronegócio paulista.

Em 2025, esse segmento movimentou R$ 79,8 bilhões, correspondendo a 45,8% do Valor da Produção Agropecuária estadual.

Os principais produtos foram:

  • Cana-de-açúcar: R$ 53,8 bilhões;
  • Laranja para indústria: R$ 13,2 bilhões;
  • Café beneficiado: R$ 10,4 bilhões.

Na sequência aparecem os produtos de origem animal, responsáveis por R$ 54 bilhões, ou 31,3% do VPA paulista.

Dentro desse grupo, a carne bovina lidera com R$ 25,3 bilhões, seguida pela carne de frango, com R$ 14,6 bilhões. Juntas, ambas representam 72,9% do valor gerado pelos produtos animais.

Soja e milho sustentam grupo de grãos e fibras

O grupo de grãos e fibras respondeu por 9,4% do Valor da Produção Agropecuária do estado.

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A soja liderou o segmento com R$ 8,8 bilhões, seguida pelo milho, com R$ 4 bilhões, e pelo amendoim, com R$ 2 bilhões. Os três produtos representam mais de 90% do faturamento desse grupo.

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Cana permanece como principal cultura do agronegócio paulista

Mesmo com a redução dos preços, a cana-de-açúcar segue sendo o produto de maior peso econômico do estado.

A cultura representa 30,8% de todo o Valor da Produção Agropecuária paulista e lidera o faturamento em 17 regionais da CATI, entre elas Ribeirão Preto, Barretos, São José do Rio Preto, Araçatuba, Limeira, Piracicaba, Jaboticabal e Presidente Prudente.

Já os produtos de origem animal ocupam a primeira posição em 13 regionais, enquanto os grãos e fibras lideram apenas em Itapeva e Avaré.

No Vale do Ribeira, a regional de Registro tem nas frutas frescas seu principal motor econômico, com destaque para a banana, responsável por 84% do VPA regional.

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As olerícolas lideram o faturamento nas regionais de Santos, Mogi das Cruzes e Sorocaba.

Produção florestal mantém relevância regional

Os produtos florestais representam 1,7% do Valor da Produção Agropecuária paulista.

O eucalipto movimentou R$ 2,9 bilhões em 2025 e figura entre os cinco principais produtos em sete regionais da CATI — Jaú, Bauru, Piracicaba, Sorocaba, Bragança Paulista, Pindamonhangaba e Mogi Mirim — concentrando cerca de 74% da produção estadual.

O levantamento evidencia que as oscilações de mercado seguem redefinindo a geografia econômica do agronegócio paulista. Em 2025, a forte valorização da pecuária de corte foi decisiva para recolocar Barretos na liderança estadual e reforçar a importância do segmento animal na geração de renda para o campo.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fonte: Portal do Agronegócio

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