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TECNOLOGIA

Escola Superior de Redes: 20 anos na capacitação de servidores

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A Escola Superior de Redes (ESR) chega a duas décadas de atuação como uma das principais engrenagens de capacitação tecnológica do Estado brasileiro. A instituição atua como a unidade educacional da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP, organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação) e supre uma demanda crônica por especialistas em Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) na administração pública. O treinamento contínuo transforma o cenário digital do Governo do Brasil ao garantir que servidores públicos consigam desenhar, expandir e defender redes complexas. O resultado desse aprendizado alcança o cidadão diariamente por meio de sistemas rápidos e blindados contra invasões em hospitais universitários, institutos de inovação e instituições federais de ensino. 

A concepção da unidade respondeu a uma lacuna urgente e direta. As universidades precisavam de equipes preparadas para lidar com os novos desafios de um mundo hiperconectado. O impacto dessa formação testou sua força durante marcos históricos, como a transição do país para o protocolo IPv6 (a versão mais atual do sistema global de endereçamento da internet). A escola liderou o treinamento massivo de técnicos de ponta a ponta do território nacional para evitar um apagão no fornecimento de IPs (os “endereços” das máquinas na rede) nos órgãos de pesquisa. 

A metodologia afasta-se da pura teoria. Os laboratórios virtuais simulam os ambientes exatos de conflito de sistemas que os servidores encontram em suas repartições. Para cobrir todas as necessidades de operação e gestão, a ESR divide seu catálogo atual em seis grandes trilhas de conhecimento. A Administração e Projeto de Redes garante a conectividade sem interrupções. A Administração de Sistemas gerencia os bancos de dados e serviços essenciais. O bloco de Segurança da Informação atua diretamente na defesa contra os sequestros de dados cibernéticos. 

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O portfólio avança para a Governança de Tecnologia da Informação (TI), orientando os gestores na otimização de recursos e na aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A trilha de Mídias Digitais cuida da acessibilidade e produção audiovisual, enquanto o Desenvolvimento de Sistemas atualiza os programadores nas linguagens de código exigidas pelo mercado atual. 

A construção do conhecimento no Norte do país 

A chegada da pandemia acelerou mudanças profundas e democratizou o ensino. A rápida expansão das ofertas para os formatos a distância e híbrido permitiu que um profissional de infraestrutura no interior da região Norte acessasse os mesmos laboratórios de alta complexidade que um gestor central em Brasília. 

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A trajetória de Caio Rego ilustra essa integração nacional. O servidor ingressou na Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), localizada em Santarém, ocupando um cargo técnico. Ele acompanhou a evolução da área de tecnologia até assumir a função de analista e alcançar o posto de superintendente de Tecnologia da Informação. O ponto de virada na carreira ocorreu quando as universidades começaram a receber exigências legais rigorosas para criar setores dedicados à proteção cibernética. 

Caio assumiu a coordenação da área quando a pauta era uma novidade no meio acadêmico. “Aquele era um momento em que as instituições estavam sendo cobradas legalmente para ter um setor de segurança da informação. Assumi a função sem ter nenhum conhecimento específico na área. Foi aí que entrou a Escola Superior de Redes. Ela foi fundamental para que eu obtivesse conhecimento nesse tema”, relata o superintendente. 

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Foto: Arquivo pessoal de Caio

O analista viajou para Brasília e Salvador para realizar formações focadas na família de normas ISO 27.000 (o padrão internacional mais respeitado para gestão de segurança da informação) e em gestão de riscos. Ele utilizou as diretrizes aprendidas em sala de aula para construir a política cibernética inteira da Ufopa. A universidade passou a desenvolver programas de conscientização e campanhas ativas para os estudantes. 

“Costumo dizer que saí do zero para um conhecimento muito amplo. A base de formação que a escola me deu foi muito boa e eu a levo comigo para o resto da vida. Inclusive fiz mestrado na área de segurança por conta dessas formações”, afirma Caio. Ele aponta que o modelo síncrono (com aulas ao vivo em horários definidos) representa um diferencial técnico exigente e necessário. “Eu prefiro muito essa interação com o professor. Às vezes, com a aula gravada, você deixa solto e acaba se perdendo, sem ter a disciplina de reservar aquele momento específico para se dedicar ao curso”. 

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Processos internos e respostas a incidentes 

O alinhamento estrito entre a sala de aula e a mesa de trabalho também guia as ações de Leandro Tenório. Analista de TI da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Leandro construiu metade de sua carreira na iniciativa privada antes de ingressar no serviço público. A ascensão para o cargo de analista despertou o interesse da chefia imediata em projetá-lo para atuar com a proteção de infraestrutura. 

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A universidade necessitava adequar seus processos internos ao Programa de Privacidade e Segurança da Informação (PPSI), uma diretriz robusta estabelecida pelo Governo do Brasil. A chefia e o analista desenharam um plano de carreira focado na resolução desses problemas reais e utilizaram as trilhas da ESR como espinha dorsal desse planejamento. 

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Leandro concentrou seus estudos no combate aos incidentes de segurança. A aplicação prática gerou a implantação inédita de uma área e de processos de respostas a crises dentro da Unifesp. “A Escola Superior de Redes possui cursos que atendem desde quem não tem conhecimento nenhum até profissionais experientes. Você começa no básico, mas consegue atingir um nível bem avançado (algo que não se encontra em qualquer curso do mercado)”, explica o analista. 

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Foto: Arquivo pessoal de Leandro

O servidor traça um paralelo claro sobre a profundidade do ensino ao comparar a instituição educacional com os pacotes populares de capacitação da internet. “Os professores são ótimos e possuem muita experiência prática. Isso diferencia a escola desses cursos no formato Netflix que existem hoje no mercado. Esses serviços de assinatura em massa costumam oferecer conhecimentos superficiais, enquanto a Escola Superior de Redes oferece um conhecimento aprofundado de nível excelente, que não perde em nada para a iniciativa privada”, avalia Leandro. 

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A diversidade do portfólio evitou que as soluções da Unifesp ficassem restritas apenas à teoria de defesa. Leandro absorveu conhecimentos práticos em áreas como Plano Diretor de Tecnologia da Informação (PDTI) para conectar o trabalho da base de suporte à estratégia gerencial da reitoria. O aprendizado avançou por tecnologias de nuvem e ferramentas de automação (como Docker e Kubernetes) até chegar ao domínio do Graylog (uma plataforma complexa de gerenciamento de logs). 

Ele também precisou estudar a aplicação direta da lei para fugir da barreira do vocabulário jurídico. “Eu não tinha muita propriedade sobre a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), que envolve muitos termos jurídicos, enquanto nós de TI somos muito tecnicistas. Esse curso me deu uma excelente visão. As entregas práticas que fiz na instituição foram apoiadas por esse aprendizado”, finaliza.

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Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

TECNOLOGIA

MCTI anuncia R$ 84 milhões no Ceará para qualificação em inteligência artificial e inovação

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Com investimento de R$ 84 milhões, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou, nessa quinta-feira (25), em Fortaleza (CE), três novos projetos de Residência em Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs). As iniciativas vão preparar milhares de brasileiros para atuar em áreas estratégicas, aproximando estudantes, pesquisadores, universidades e empresas dos desafios tecnológicos que já moldam o presente e definirão o futuro do país.

O lançamento ocorreu durante o evento +TIC Ceará e integra as ações do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) para ampliar a formação de profissionais qualificados e fortalecer a capacidade nacional de desenvolver soluções tecnológicas. Os projetos abrangem inteligência artificial generativa, aprendizado de máquina, computação em nuvem, tecnologias imersivas, desenvolvimento de jogos digitais e aplicações voltadas à indústria.

Durante a cerimônia, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou que investir em pessoas é o caminho para garantir autonomia tecnológica ao país. “Essas iniciativas têm um objetivo comum, que é formar talentos, reduzir o déficit de profissionais qualificados e preparar o Brasil para dominar as tecnologias portadoras de futuro”, afirmou.

Ao comentar os novos investimentos, a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação do Ceará, Sandra Monteiro, ressaltou que as iniciativas fortalecem uma política construída de forma colaborativa e ampliam o alcance do ecossistema de inovação cearense. “As políticas públicas na área de tecnologia da informação e da inteligência artificial estão avançando para além do Ceará. Estamos transpondo os nossos limites”, disse.

Os programas

As iniciativas lançadas pelo MCTI abrangem diferentes áreas estratégicas da transformação digital e combinam formação técnica, pesquisa aplicada e aproximação com o setor produtivo. Juntos, os projetos ampliam a qualificação de profissionais em inteligência artificial, desenvolvimento de software, tecnologias imersivas e inovação para a indústria, criando oportunidades para estudantes, pesquisadores e empresas em todo o país. Conheça os programas:

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Academia de Talentos com Capacitação e Residência em IA – O projeto vai formar 4 mil participantes em tecnologias consideradas estratégicas para a inteligência artificial, como IA generativa, grandes modelos de linguagem (LLMs), agentes autônomos, aprendizado de máquina e computação em nuvem. Além da formação inicial, metade dos alunos seguirá para trilhas especializadas e 120 residentes participarão de imersões em empresas parceiras por seis meses. A iniciativa também prevê a capacitação de formadores, a articulação com 60 empresas e a criação de uma Rede de Talentos em IA, fortalecendo a formação de profissionais qualificados e ampliando a conexão entre instituições de ensino, pesquisa e setor produtivo em todo o país.

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Programa Industr.IA – Com R$ 58 milhões em investimentos, o programa vai aproximar universidades, instituições de pesquisa e empresas para desenvolver soluções de inteligência artificial aplicadas a desafios concretos da indústria brasileira. A iniciativa mobilizará grupos de pesquisa das cinco regiões do país, fortalecendo a cooperação entre academia e setor produtivo e ampliando o uso da ciência e da inovação para aumentar a competitividade da indústria nacional. Elaborado em parceria com o Fórum Nacional de Pró-Reitores de Pesquisa e Pós-Graduação (Foprop), o projeto reforça o protagonismo das instituições de ensino e pesquisa no desenvolvimento tecnológico do país.

Residência Tecnológica no Desenvolvimento de Software Gráfico em Tempo Real – O projeto vai capacitar 500 estudantes do interior do Ceará para atuar em áreas como jogos digitais, animação, modelagem 3D, computação gráfica e tecnologias imersivas. Após a formação inicial, 50 participantes serão selecionados para uma residência tecnológica com desenvolvimento de projetos em parceria com empresas do setor. A iniciativa fortalece a economia criativa e digital, amplia a formação prática de profissionais e promove inclusão social ao destinar 50% das vagas a afrodescendentes e beneficiários de programas sociais.

Resultados de programas já concluídos

Ainda no evento também foi apresentado o balanço de programas de residência tecnológica apoiados pelo MCTI.

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O EmbarcaTech, voltado à formação em sistemas embarcados e Internet das Coisas (IoT), recebeu investimento de aproximadamente R$ 56,7 milhões e capacitou cerca de 6 mil estudantes, incluindo 600 residentes bolsistas, fortalecendo a formação de profissionais para áreas como indústria, saúde, educação e segurança.

Também foram apresentados os resultados do Capacita Brasil, programa que contou com investimento de aproximadamente R$ 35,1 milhões para qualificar 8,4 mil estudantes e jovens em áreas como ciência de dados, computação em nuvem, desenvolvimento de software, redes 5G e programação, além de competências voltadas ao empreendedorismo e à inserção no mercado de trabalho.

Ao comentar os resultados dos programas e os novos investimentos anunciados, a ministra Luciana Santos destacou que o objetivo é preparar o Brasil para liderar as tecnologias emergentes. “Essas iniciativas têm um objetivo comum, que é formar talentos, reduzir o déficit de profissionais qualificados e preparar o Brasil para dominar as tecnologias portadoras de futuro”, destacou.

Na avaliação do reitor do Instituto Federal do Ceará (IFCE), Wally Menezes, o balanço reflete uma política de longo prazo que tem ampliado o acesso à educação, à pesquisa e à inovação em todo o país. “Vale muito a pena investir em educação. Nós não podemos parar nunca e jamais de investir em ciência. Para se garantir soberania, precisamos construir juntos”, enfatizou.

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Com os novos projetos, o MCTI amplia a estratégia de formação de talentos para a transformação digital, contribuindo para que o Brasil fortaleça sua capacidade científica, tecnológica e industrial em setores considerados estratégicos para o desenvolvimento nacional.

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Para o diretor do Departamento de Ciência, Tecnologia e Inovação Digital do MCTI, Hugo Valadares, o país vive um momento decisivo para ampliar sua capacidade de desenvolver tecnologias próprias e formar profissionais especializados em inteligência artificial.

“O Brasil tomou uma decisão. Nós não vamos apenas comprar tecnologia, nós vamos desenvolver a tecnologia, nós vamos formar pessoas de altíssima capacidade e vamos ser protagonistas no debate sobre inteligência artificial”, afirmou o diretor.

Ciência e tecnologia pela autonomia das mulheres

Durante a programação, a ministra Luciana Santos também participou da assinatura de um Protocolo de Intenções entre o MCTI, o Instituto Maria da Penha (IMP) e o Instituto Federal do Ceará (IFCE). O acordo estabelece as bases para uma cooperação institucional voltada à promoção da autonomia econômica, da inclusão produtiva e da qualificação tecnológica de mulheres em situação de violência doméstica e familiar.

Luciana Santos ressaltou que a ciência e a tecnologia também devem contribuir para ampliar direitos e criar oportunidades para mulheres em situação de vulnerabilidade.

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“Com essa parceria, vamos avançar em pesquisas que aprofundem a compreensão sobre a inserção de mulheres vítimas de violência no mercado de trabalho e desenvolver programas concretos de capacitação tecnológica, por meio da Lei de Informática, para garantir oportunidades e caminhos reais de emancipação e dignidade. Porque a autonomia financeira é um dos passos para o enfrentamento do ciclo da violência”, concluiu a ministra.

A parceria prevê a articulação entre as instituições para estruturar futuras iniciativas de formação em competências digitais, tecnologia da informação, inteligência artificial, inovação social e empreendedorismo, contribuindo para ampliar as oportunidades de inserção produtiva desse público. O protocolo também poderá subsidiar a construção do Programa Resgata Digital, iniciativa voltada ao fortalecimento da autonomia financeira de mulheres por meio da capacitação tecnológica.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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