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Cuiabá recebeu R$ 1,29 bilhão em repasses da União desde a posse de Abilio, um quinto da receita

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Balanço enviado pela Prefeitura ao Tesouro Nacional mostra que transferências federais responderam por 19,2% da receita municipal em 2025

A Prefeitura de Cuiabá recebeu R$ 1,29 bilhão em repasses da União entre janeiro de 2025 e abril de 2026, conforme o Relatório Resumido da Execução Orçamentária que o próprio município enviou ao Tesouro Nacional. Em 2025, ano fechado, o repasse federal somou R$ 977,2 milhões e correspondeu a 19,2% de toda a receita realizada pela capital, de R$ 5,09 bilhões.

O peso dos repasses da União na receita

O relatório mostra transferências de todas as origens equivalendo a 45,6% da receita de 2025. Dentro desse bolo, a União entra com 42,1%, a maior fatia isolada. Dividido pela população de 694.244 habitantes registrada no mesmo relatório, o repasse federal de 2025 equivale a R$ 1.407,63 por morador.

Nos quatro primeiros meses de 2026, últimos com balanço publicado, a União transferiu R$ 310,9 milhões, ou 17,3% da receita do período. O relatório do segundo bimestre é o mais recente disponível no sistema do Tesouro, o que deixa maio, junho e julho fora do cálculo.


O que o prefeito dizia sobre verba federal

Ao longo de 2025, as declarações do prefeito Abilio Brunini foram em outra direção. A participação federal no programa habitacional da capital apareceu como pequena, a placa com o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou condicionada à saída do petista da Presidência, e em setembro veio a frase de que Cuiabá não precisava de dinheiro do governo federal.

Em março de 2026, a direção da cobrança mudou. O alvo passou a ser o Ministério das Cidades, responsabilizado pelo atraso no abastecimento dos convênios firmados com a Caixa Econômica Federal, com prejuízo a contratos do bairro Serra Dourada. No mesmo mês, o ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho, esteve na capital e anunciou novas unidades do Minha Casa, Minha Vida em Mato Grosso. A réplica do prefeito foi que não se veem obras federais na cidade.

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Na habitação, 60% de cada casa

A conta federal também aparece no principal programa de moradia da gestão. As 2 mil unidades previstas na nova etapa do Casa Cuiabana terão 60% do custo pago pela União, cada imóvel avaliado em R$ 195 mil, segundo a divisão apresentada pela secretária municipal de Habitação e Regularização Fundiária, Michelle Dreher, em entrevista de 28 de julho. Cerca de 20% sairiam do programa estadual Ser Família Habitação e os 20% restantes do município.

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Os números foram apresentados como estimativa: a titular da pasta ressalvou não ter em mãos o cálculo exato por imóvel.

O canal do dinheiro é o Fundo de Arrendamento Residencial, fundo público abastecido com recursos do Ministério das Cidades e administrado pela Caixa. O banco opera o repasse e a análise dos cadastros, sem financiar as obras com capital próprio.

Obras em dois bairros e fila de 85 mil

O primeiro ciclo do programa prevê 692 apartamentos, sendo 500 no Jardim Comodoro e 192 no Tijucal, com entregas marcadas para outubro e dezembro. Os empreendimentos foram selecionados pelo Ministério das Cidades em etapa anterior do Minha Casa, Minha Vida, na gestão do então prefeito Emanuel Pinheiro.

O cadastramento aberto em 2025 recebeu mais de 85 mil inscrições em dois meses, com quase 45 mil deferidas em dezembro. Foram sorteados mil candidatos, metade como titular e metade em cadastro de reserva. A lista definitiva depende da análise documental da Caixa e tem publicação prevista para setembro. Das 2 mil novas unidades protocoladas em 2025, 1.200 foram aprovadas e aguardam assinatura de contrato.

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Famílias inscritas no Bolsa Família ficam isentas de pagamento. As demais pagarão parcelas de R$ 80 por cinco anos, com renda bruta mensal limitada a R$ 2.850. O déficit habitacional da capital está estimado em cerca de 44 mil moradias.

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Outras frentes federais travadas

Até outubro de 2025, três projetos de Cuiabá haviam sido aprovados no Novo PAC, entre cerca de 40 propostas protocoladas pela gestão municipal. A construção da Casa da Mulher Brasileira, iniciada em 2023 em parceria com o governo federal, teve o contrato rescindido em novembro de 2025 por atrasos e falhas de execução, e teve novo aporte de R$ 9,5 milhões anunciado neste mês pelo Ministério das Mulheres.

Em maio, o governador em exercício de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, oficializou parceria com a Prefeitura para viabilizar 10 mil unidades na capital pelo Ser Família Habitação, com participação da iniciativa privada.

A disputa pela autoria dos programas

Em julho, o ex-ministro Gilberto Carvalho, coordenador da campanha à reeleição de Lula, acusou a Prefeitura de Cuiabá e o governo de Mato Grosso de camuflar recursos do Minha Casa, Minha Vida nos programas Casa Cuiabana e Ser Família Habitação. Ele comparou a prática ao crime de apropriação indébita. A placa de lançamento da ampliação do Residencial Comodoro não traz menção ao programa federal nem à Caixa.

No mesmo mês, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso suspendeu em caráter liminar o decreto municipal que alterava parâmetros urbanísticos para empreendimentos habitacionais na capital. A decisão da desembargadora Clarice Claudino da Silva atendeu a ação direta de inconstitucionalidade do diretório municipal do PSD, com base em invasão de competência legislativa pelo Executivo.
O relatório do terceiro bimestre de 2026, que fechará o primeiro semestre, tem publicação prevista para os próximos meses no sistema do Tesouro Nacional. A lista definitiva de beneficiários do Casa Cuiabana sai em setembro, e a assinatura dos contratos das 1.200 unidades aprovadas está prevista para este ano.

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TRE-SP multa Lula em R$ 15 mil por campanha eleitoral antecipada

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Decisão atinge fala do presidente em evento na capital paulista; Simone Tebet e Marina Silva não sofrem sanções

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) multou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em R$ 15 mil por campanha eleitoral antecipada. A decisão é fruto de uma representação apresentada pelo diretório paulista do partido Missão.

O processo questionou uma fala de Lula durante um evento realizado em 19 de maio, em São Paulo. A manifestação foi transmitida pelo canal oficial do presidente no YouTube.

Argumentos e decisãoPolitica

O partido Missão alegou na ação que o presidente teria pedido votos em favor de Simone Tebet e Marina Silva, pré-candidatas ao Senado por São Paulo.

Para o juiz auxiliar de Propaganda, Ronnie Herbert Barros Soares, a fala “contém inequívoca solicitação de apoio eleitoral”.

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A defesa de Lula argumentou que a manifestação tinha caráter institucional e não possuía conteúdo eleitoral, apontando a “inexistência de pedido explícito de voto”.

Simone Tebet e Marina Silva, que também foram acionadas na representação, não sofrem sanções. O juiz entendeu que as pré-candidatas não têm responsabilidade pela declaração. Cabe recurso da decisão.

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