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Fronteira

Bolívia anuncia forças especiais treinadas pelos Estados Unidos na fronteira com Mato Grosso

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Governo de Rodrigo Paz descreve duas unidades policiais de elite, com instrutores estrangeiros; as Forças Armadas foram mobilizadas em separado.

O governo da Bolívia anunciou na terça-feira (29/9) a criação de duas unidades policiais de elite, com instrutores estrangeiros e apoio dos Estados Unidos, em regiões que fazem fronteira com o Brasil. Uma delas deve ficar na região de San Ignacio de Velasco e San Matías, esta perto da fronteira com o Brasil; a outra, em Santa Ana del Yacuma, no Beni. As unidades são policiais, não militares; a PF já registrou a entrega de presos na fronteira com Mato Grosso, em La Curicha.

O que o governo boliviano anunciou

O ministro de Governo, Marco Antonio Oviedo, fez o anúncio em Riberalta, no Beni. Disse que as duas unidades serão muito bem equipadas, terão instrutores de fora e passarão por cursos de superespecialização. Para integrá-las, o policial precisa ter concluído o Garras del Valor, curso policial ministrado no Trópico de Cochabamba.

Nas coberturas de 29 de setembro, não constam prazo, número de agentes, custo nem a posição do governo dos Estados Unidos. Em 19 de setembro, o ministério falou em implantar a unidade no menor tempo possível, sem data. A localização da unidade de Santa Cruz vem com ressalva: Oviedo disse que ela poderia ser instalada em San Ignacio ou em San Matías.

O tema não é novo. Em 14 de agosto, o Ministério de Governo já falava em unidades de caráter permanente em Guayaramerín e San Matías. Em 19 de setembro, em San Ignacio de Velasco, divulgou nota em que descreve uma unidade de elite para patrulhar San Ignacio, San Matías e a linha de fronteira com o Brasil. A nota diz que ela será formada por policiais egressos do Garras del Valor e receberá formação com instrutores norte-americanos, colombianos, argentinos e chilenos, e que será distinta da unidade do Beni. Uma cobertura da imprensa boliviana do mesmo dia, que cita o ministro, situa a base da unidade em Santa Ana, no Beni, o que a nota oficial não diz.

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Polícia, Forças Armadas e declarações inconsistentes

Há duas medidas na mesma região. Em 15 de setembro, depois de uma sequência de assassinatos em San Ignacio de Velasco, o ministério anunciou a militarização imediata da zona, com presença maciça da Polícia Boliviana e de unidades especiais das Forças Armadas, sob o estado de exceção em vigor no país.

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Nas fontes localizadas, os instrutores estrangeiros estão ligados às unidades policiais, não às tropas das Forças Armadas. Não consta que militares bolivianos serão treinados por norte-americanos.

Há uma inconsistência nas próprias declarações do governo. A nota de 15 de setembro já descrevia uma unidade de elite situada entre San Ignacio e a fronteira de San Matías e outra em operação no Beni. A de 19 de setembro e as declarações de 29 de setembro tratam as unidades como algo a criar. O ministério não esclareceu se são estruturas novas, reforço de grupos existentes ou ambos.

O que se sabe sobre o apoio dos Estados Unidos

Sobre a participação norte-americana, o que há de documentado é a versão do lado boliviano. Oviedo disse que o governo conversou com Washington sobre a instalação das unidades. O anúncio veio depois de uma missão boliviana aos Estados Unidos, na semana anterior, com reuniões nos departamentos de Estado, de Guerra e do Tesouro, na Oficina de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei (INL) e na DEA.

Em junho, a Chancelaria boliviana informou uma Carta de Acordo com os Estados Unidos, com US$ 20 milhões para cooperação técnica, capacitação e equipamento especializado em segurança pública e combate ao crime organizado. O acordo foi assinado pelo então chanceler Fernando Aramayo e pela encarregada de negócios dos EUA em La Paz, Debra Hevia. Nenhuma das fontes localizadas liga esse dinheiro às novas unidades.

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Nas fontes localizadas, não há manifestação do Departamento de Estado nem da embaixada dos EUA sobre o anúncio de 29 de setembro. O componente norte-americano das unidades, portanto, depende da palavra do governo de Rodrigo Paz.

San Matías e a entrega na fronteira com Mato Grosso

Um dos elos com Mato Grosso está em um caso da PF na região de San Matías. A PF informou que, em 10 de agosto, depois de abordagem de policiais bolivianos na região, identificou dois brasileiros: um com dois mandados de prisão em aberto, por furto e homicídio, e outro com restrição migratória para entrar na Bolívia. Os dois foram expulsos e entregues em 12 de agosto, em La Curicha, na linha de fronteira com Cáceres.

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A estratégia Fronteiras Seguras foi anunciada em 13 de agosto, em Guayaramerín,. O plano prevê operações conjuntas e troca de informações entre a Polícia Boliviana e a Polícia Federal brasileira, um escritório da PF em La Paz e, de forma recíproca, escritórios bolivianos no Brasil. O governo boliviano cita Cobija, Guayaramerín, San Matías e Puerto Suárez como corredores do narcotráfico, onde diz haver disputa entre o PCC e o Comando Vermelho, facções que classifica como narcoterroristas.

A cooperação com a PF aparece também em outros casos, fora de Mato Grosso. Em 19 de setembro, a força antidrogas boliviana prendeu em Santa Cruz de la Sierra um brasileiro descrito pela PF como integrante de facção e foragido, com alerta vermelho da Interpol. Ele foi entregue às autoridades brasileiras em 21 de setembro. Em 22 de setembro, a mesma força prendeu em Guayaramerín um homem apontado pela PF como fundador e principal liderança de uma facção do Ceará.

O contexto da violência

As autoridades bolivianas atribuem parte dos crimes recentes na Chiquitânia, região de Santa Cruz, à disputa entre PCC e Comando Vermelho por rotas do tráfico. Nos dias anteriores ao anúncio de 19 de setembro, houve assassinatos em San Ignacio de Velasco, e os relatos divergem sobre o total: três mortos em um despacho de agência, quatro em outra cobertura. As autoridades apontam como suspeitos seis brasileiros que dizem ligados ao PCC, enviados de forma preventiva a um presídio de segurança máxima. São acusações das autoridades bolivianas.

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Oviedo anunciou ainda uma reunião de alto nível com autoridades brasileiras para ampliar a troca de inteligência entre as duas polícias. Não há data divulgada.

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Instituto lança ferramenta gratuita de IA para ajudar mulheres a pesquisar candidaturas nas eleições de 2026

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Plataforma organiza as prioridades de cada eleitora para orientar comparações entre candidaturas no pleito deste ano

O Instituto Lamparina apresentou, na terça-feira (29/09), a meajudAÍ, uma ferramenta gratuita voltada a ajudar mulheres a pesquisar e comparar candidaturas nas eleições de 2026. Disponível em meajudai.chat, a plataforma abrange os seis cargos em disputa neste pleito.

O funcionamento é simples: a partir de informações sobre as prioridades da eleitora e das respostas que ela mesma fornece, a ferramenta monta um prompt — comando que pode ser usado em outras inteligências artificiais para guiar a pesquisa sobre candidaturas e propostas.

Segundo o instituto, a iniciativa é gratuita e não indica candidaturas nem orienta a usuária sobre em quem votar. A proposta é ajudar cada eleitora a organizar os temas que considera prioritários antes de decidir seu voto.

“Em uma eleição com tantos cargos, candidaturas e informações circulando ao mesmo tempo, queríamos criar uma ferramenta simples que ajudasse as meninas e as mulheres a começar pelo que importa para elas”, afirmou a diretora executiva da entidade, Gabi Juns, em nota à imprensa.

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A meajudAÍ cobre as disputas para deputado estadual e federal, as duas vagas ao Senado, o governo estadual e a Presidência da República.

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De acordo com o instituto, o site não pede nome nem e-mail: armazena apenas as respostas do formulário, como idade, gênero, estado e causas selecionadas pela usuária. As conversas realizadas depois, já nas ferramentas de IA, não são acessadas pela organização.

A plataforma também direciona as usuárias a fontes oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde é possível consultar dados sobre candidaturas, local de votação e regras do pleito. As organizadoras afirmam não ter qualquer vínculo com o TSE, partidos, candidaturas ou campanhas.

O Instituto Lamparina alerta ainda que ferramentas de inteligência artificial podem apresentar erros ou informações desatualizadas e recomenda que as usuárias confirmem os dados em fontes oficiais durante a pesquisa.

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