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Justiça fiscal

A conta de Buzetti: no estado da senadora, a riqueza do agro fabrica a miséria que o vale-gás tenta aliviar

Artigo analisa a crítica da senadora Margareth Buzetti a programas como o vale-gás, contrastando os R$ 8,6 bilhões em ajuda social com os mais de R$ 158 bilhões em renúncias fiscais para o agronegócio, e investiga o impacto dessa desigualdade na vida de mulheres em favelas de Mato Grosso.

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Análise sobre a disparidade entre os vultosos subsídios destinados ao agronegócio e as críticas aos programas sociais, evidenciando um paradoxo nas prioridades fiscais e sociais do Brasil.
Análise sobre a disparidade entre os vultosos subsídios destinados ao agronegócio e as críticas aos programas sociais, evidenciando um paradoxo nas prioridades fiscais e sociais do Brasil (foto: Rogério Florentino)

Enquanto a ajuda para comprar um botijão de gás vira alvo de críticas, o agronegócio recebe, entre subsídios e renúncias fiscais, um volume de recursos quase 60 vezes maior; um paradoxo que começa em Brasília e aterrissa na realidade das favelas de Mato Grosso.

No xadrez político de Brasília, certas jogadas revelam as prioridades de uma nação. A recente ofensiva da senadora por Mato Grosso, Margareth Buzetti (PSD), contra programas como o vale-gás e a isenção na conta de luz para os mais pobres acendeu um debate incômodo. Segundo a parlamentar, o custo desses benefícios, que ela classifica como eleitoreiros, recai sobre o “consumidor final”. A questão, no entanto, ganha outra dimensão quando a matemática entra em cena, expondo uma distorção de proporções colossais.

A matemática da desigualdade

A narrativa de austeridade fiscal seletiva desmorona diante dos números. Para cada R$ 1 que o Estado destina aos programas sociais criticados pela senadora, R$ 59 são direcionados para financiar e subsidiar o agronegócio. Juntos, o vale-gás e a tarifa social de energia custam R$ 8,6 bilhões anuais, um valor que representa apenas 0,16% de todo o gasto tributário federal.

Do outro lado, o agronegócio opera em outra realidade orçamentária. Apenas em renúncias fiscais — impostos que o setor deixou de pagar com o aval do governo — foram R$ 158,3 bilhões em 2024, consumindo 29,1% de todos os benefícios tributários do país. Um único item dessa lista, a isenção de impostos sobre agrotóxicos, somou R$ 21 bilhões, valor quase seis vezes superior a todo o orçamento do vale-gás. Some-se a isso os R$ 508 bilhões em financiamentos do Plano Safra e outras linhas de crédito, com juros subsidiados que custam ao Tesouro, implicitamente, R$ 32 bilhões por ano.

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A riqueza que não chega a todos

Mas onde essa discrepância se torna mais visível? Basta olhar para Mato Grosso, o estado da senadora e coração do agronegócio. Enquanto a riqueza brota da terra em forma de soja e milho, um outro tipo de colheita cresce nas periferias das cidades: a da pobreza. O Censo mais recente do IBGE revela um fenômeno que o brilho dos silos esconde. Rondonópolis, Sinop, Cáceres – cidades símbolo da pujança do campo – viram seus bolsões de miséria se expandirem.

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Juntos, esses três municípios, que estão entre os mais ricos do estado, abrigam quase 13 mil pessoas em moradias precárias. São famílias atraídas pela promessa de emprego que o agro acena, mas que acabam ilhadas em bairros sem asfalto, sem saneamento, sem a presença do Estado. É o paradoxo cruel de um desenvolvimento que atrai gente, mas não consegue oferecer um chão firme para todos. A riqueza que escoa em caminhões pelas rodovias parece não encontrar o caminho de volta para transformar a vida de quem ajuda a produzi-la.

Um rosto feminino na linha de frente

E quem está na linha de frente dessa batalha diária pela sobrevivência? O sol ainda nem nasceu, mas a luz de um único cômodo já está acesa. Ali, uma mulher prepara os filhos antes de sair para mais uma jornada de trabalho. Essa cena, que se repete em milhares de lares improvisados, tem um nome: estatística. Em Mato Grosso, 51,2% dos moradores de favelas são mulheres. Não por acaso, 72% dos lares que recebem o vale-gás em todo o Brasil são chefiados por elas.

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Elas são a infraestrutura humana que sustenta esses territórios esquecidos. São elas que driblam a falta de creche para poder trabalhar, que peregrinam em busca de um posto de saúde, que sentem o medo de voltar para casa numa rua escura. A ausência do poder público tem um peso, e esse peso recai, desproporcionalmente, sobre os ombros femininos. São elas que, no fim do dia, precisam decidir se o pouco dinheiro que ganharam vai para o aluguel ou para o botijão de gás — aquele mesmo, cujo auxílio é visto como um fardo por alguns.

O debate, portanto, é muito mais profundo do que uma simples planilha de custos. Questionar a ajuda a quem vive no limite, enquanto se normalizam subsídios que se concentram na mão de poucos — onde 15% dos maiores agricultores captam 70% de todo o crédito rural —, é como tapar o sol com a peneira. Revela uma desconexão profunda entre o discurso de Brasília e a realidade de um Brasil que luta, todo santo dia, pelo básico. Uma luta que, em Mato Grosso, tem o rosto de mulher.

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AGRONEGÓCIO

Carne suína: percepção de oferta confortável pressiona preços e trava mercado no Brasil

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O mercado brasileiro de carne suína registrou uma semana de comportamento misto entre o quilo vivo e os cortes negociados no atacado. A pressão predominante veio da percepção de que a oferta de animais segue confortável, fator que limita reajustes e mantém o setor em ritmo lento de negociações.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Allan Maia, a indústria adotou uma postura mais reticente nas compras do suíno vivo em Minas Gerais ao longo da semana. O movimento reflete a percepção de equilíbrio — ou até excesso — na oferta disponível, o que reduz o poder de barganha dos produtores.

Ao mesmo tempo, os frigoríficos monitoram o escoamento da carne suína no mercado interno, que apresenta leve melhora, mas ainda sem força suficiente para sustentar altas mais consistentes nos preços.

Consumo pode ganhar tração na primeira quinzena de julho

De acordo com Maia, as expectativas do setor se concentram na primeira metade de julho, período tradicionalmente associado ao aumento da circulação de renda com o pagamento de salários.

Além disso, o avanço do inverno em diversas regiões do país tende a favorecer o consumo de proteínas, especialmente carnes de preparo doméstico. Outro fator de atenção é a competitividade da carne suína frente à bovina, o que pode ampliar a demanda no varejo.

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No cenário externo, as exportações seguem como principal variável positiva para o setor em 2026, funcionando como importante amortecedor para o mercado interno.

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Preços do suíno vivo recuam na média nacional

Levantamento da Safras & Mercado apontou que a média do quilo do suíno vivo no Brasil recuou de R$ 5,34 para R$ 5,28 ao longo da semana.

No atacado, a média dos cortes de carcaça ficou em R$ 8,89, enquanto o pernil foi negociado a R$ 11,18.

Cotações variam entre estabilidade e ajustes regionais

No mercado paulista, a arroba suína subiu de R$ 101,00 para R$ 102,00, indicando leve reação pontual.

Em outras regiões, o comportamento foi mais heterogêneo:

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  • No Rio Grande do Sul, o quilo vivo na integração caiu de R$ 5,55 para R$ 5,15, enquanto no interior avançou de R$ 5,10 para R$ 5,15
  • Em Santa Catarina, a integração recuou de R$ 5,55 para R$ 5,15, enquanto o interior subiu de R$ 5,05 para R$ 5,10
  • No Paraná, o mercado livre avançou de R$ 4,90 para R$ 5,00, e a integração manteve R$ 5,60
  • Em Mato Grosso do Sul, Campo Grande ficou estável em R$ 5,10, enquanto a integração recuou de R$ 5,55 para R$ 5,15
  • Em Goiás, os preços subiram de R$ 5,40 para R$ 5,50
  • Em Minas Gerais, o interior caiu de R$ 6,00 para R$ 5,90, enquanto o mercado independente ficou estável em R$ 6,10
  • Em Mato Grosso, Rondonópolis manteve R$ 5,50, enquanto a integração recuou de R$ 5,55 para R$ 5,15
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O cenário geral reforça um mercado fragmentado, com variações pontuais e ausência de tendência única.

Exportações seguem em queda no comparativo anual

As exportações brasileiras de carne suína in natura somaram US$ 212,827 milhões em junho, considerando 14 dias úteis, com média diária de US$ 15,202 milhões.

O volume embarcado atingiu 84,663 mil toneladas, com média diária de 6,047 mil toneladas, enquanto o preço médio ficou em US$ 2.513,8 por tonelada.

Na comparação com junho de 2025, houve:

  • queda de 5,2% no valor médio diário
  • recuo de 1% na quantidade média diária
  • redução de 4,3% no preço médio

Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e reforçam um cenário de leve perda de ritmo nas exportações, apesar de o setor seguir relevante para o equilíbrio da cadeia produtiva.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fonte: Portal do Agronegócio

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