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Finanças Públicas

Decreto de Nobres libera 50% de verbas vinculadas e atinge taxa de luz

O Prefeito de Nobres regulamentou a desvinculação de receitas (DREM), permitindo uso livre de até 50% de verbas carimbadas até 2026. A medida inclui a taxa de iluminação e admite um vácuo legal nas contas de 2024.

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Desvinculação de Receitas Nobres
Recursos da taxa de iluminação (COSIP) poderão ser usados em outras despesas, segundo novo decreto.

Medida regulamenta a desvinculação de receitas (DREM), atinge a taxa de iluminação pública e reconhece “vácuo legal” nas contas de 2024.

Uma mudança silenciosa, mas profunda, acaba de alterar a estrutura do cofre municipal de Nobres. O prefeito José Domingos Fraga Filho assinou o Decreto nº 181/2025, que redesenha a gestão financeira da cidade pelos próximos sete anos. Na prática, a medida permite que a prefeitura utilize livremente recursos que, originalmente, teriam destino certo e obrigatório.

Essa manobra é conhecida tecnicamente como Desvinculação de Receitas de Municípios (DREM). O dinheiro que entra “carimbado” — ou seja, vinculado a uma finalidade específica — passa a integrar uma espécie de caixa livre. O gestor, portanto, ganha poder para decidir onde gastar essa verba.

O decreto, publicado na edição do dia 2 de dezembro do Jornal Oficial, estabelece percentuais agressivos. Entre setembro de 2025 e dezembro de 2026, a prefeitura poderá desvincular 50% das receitas elegíveis. A partir de 2027, esse índice cai para 30%, mantendo-se vigente até o fim de 2032.

A decisão segue a recente Emenda Constitucional nº 136/2025. Contudo, especialistas e órgãos de controle alertam que a medida não é um “cheque em branco”. Existem riscos fiscais, jurídicos e políticos nessa flexibilidade orçamentária.

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O polêmico uso da taxa de iluminação

Um dos pontos mais sensíveis do decreto envolve a Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública (COSIP). O texto cita nominalmente essa taxa como passível de desvinculação. Ou seja, o dinheiro pago pelo contribuinte para manter as ruas iluminadas poderá financiar outras despesas.

O Artigo 3º, parágrafo 2º do decreto, é taxativo sobre isso. Ele afirma que a contribuição integra, de forma inequívoca, o rol das receitas passíveis de desvinculação.

Essa inclusão gera controvérsia jurídica. O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu que a COSIP deve ser cobrada na fatura de energia justamente por seu caráter vinculado.

Sobre esse tema, o Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE-SC) emitiu um alerta importante na Nota Técnica TC-2/2023. O órgão esclarece que, embora possível, a manobra exige cautela.

“A desvinculação de receitas não é autorização incondicional para o uso ou destinação de recursos públicos. As receitas públicas, mesmo aquelas desvinculadas, devem ser destinadas às finalidades do interesse público”, diz o documento.

Portanto, retirar dinheiro da iluminação para cobrir outras áreas pode deteriorar o serviço. O Ministério Público de Contas (MPC) também condiciona o uso dessa margem à “equalização” das receitas com as despesas do setor.

O “limbo jurídico” de 2024

O decreto municipal expõe uma fragilidade na gestão fiscal recente de Nobres. O texto reconhece, explicitamente, um período de ausência normativa.

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Entre janeiro de 2024 e 8 de setembro de 2025, não havia base constitucional para desvincular receitas. O decreto admite essa lacuna. Nesse intervalo, segundo o próprio documento, as receitas deveriam ficar “INTEGRALMENTE VINCULADAS” (0% de desvinculação).

Isso levanta uma dúvida crucial sobre a execução orçamentária. A prefeitura respeitou essa trava durante o período citado? Ou o decreto surge agora para tentar organizar a casa retroativamente?

A justificativa oficial do Executivo menciona a necessidade de evitar “retroatividade indevida” ou “inconsistências contábeis”. O objetivo declarado é garantir segurança jurídica e transparência.

Saúde e Educação: a linha vermelha

Nem tudo pode ser mexido. O decreto respeita a barreira constitucional que protege as áreas sociais mais críticas. O parágrafo único do Artigo 2º determina que a desvinculação não se aplica às receitas da Saúde e do Ensino.

Esses recursos continuam intocáveis. A regra visa assegurar que os mínimos constitucionais (15% para saúde e 25% para educação) não sejam fraudados pela engenharia financeira.

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O TCE-SC reforça que a regra busca garantir que “seus percentuais mínimos e obrigatórios permaneçam devidamente mantidos”. Qualquer tentativa de burlar isso resultaria em rejeição de contas e improbidade administrativa.

Os riscos da “ilusão de uso livre”

Para o gestor, a DREM parece uma solução mágica para a rigidez do orçamento. O Ministério do Planejamento, em âmbito federal, defende que vinculações excessivas “geram ineficiência alocativa”.

No entanto, replicar isso no município traz perigos. Órgãos de controle avisam que a liberdade não é absoluta. O dinheiro desvinculado não pode financiar despesas sem interesse público claro.

Além disso, há o risco de quebra contratual. Receitas que garantem operações de crédito não podem ser desviadas. Fazer isso implicaria em violação de contratos bancários, gerando prejuízos aos cofres públicos.

O decreto de Nobres entra em vigor imediatamente. A fiscalização caberá à Controladoria Interna e, externamente, ao Tribunal de Contas e à Câmara Municipal. Resta saber como essa flexibilidade será usada na prática: como ferramenta de gestão ou como atalho para gastos sem planejamento.

Cronograma da desvinculação em Nobres

Entenda como o dinheiro será liberado ano a ano:

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  • Até 31/12/2023: Aplica-se a regra antiga (até 30%), conforme a Emenda 93/2016.

  • Janeiro/2024 a Setembro/2025: Bloqueio Total. O decreto reconhece que não há lei para desvincular verbas neste período. Tudo deve ser gasto na área de origem.

  • Setembro/2025 a Dezembro/2026: O auge da liberação. A prefeitura pode usar livremente 50% das receitas carimbadas.

  • Janeiro/2027 a Dezembro/2032: A alíquota se estabiliza em 30% até o fim da vigência.

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Lucas do Rio Verde

Mostra de Dança será realizada neste domingo em Lucas do Rio Verde

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A Prefeitura de Lucas do Rio Verde, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, realiza neste domingo (26), a partir das 17h, na Praça dos Migrantes, a Mostra de Dança. O evento é aberto ao público e tem como objetivo valorizar, difundir e incentivar as diversas linguagens da dança presentes no município, além de promover a integração entre artistas, grupos e escolas.

Ao todo, serão cerca de 50 apresentações, reunindo mais de 300 artistas entre escolas, academias, empresas, coletivos, associações e dançarinos, profissionais e amadores, residentes em Lucas do Rio Verde, além de grupos convidados da região.

A programação foi organizada por faixas etárias e modalidades, contemplando as categorias Infantil (4 a 12 anos), Juvenil (13 a 18 anos), Adulto (19 a 59 anos) e Sênior (60 anos ou mais). As apresentações poderão ser individuais, em dupla, trio ou grupo, com limite de até 15 integrantes por coreografia, considerando as dimensões do palco.

Cada apresentação terá duração máxima de seis minutos, podendo incluir elementos cênicos simples, figurinos e adereços, desde que não comprometam a segurança e a dinâmica do evento. Toda a estrutura de palco, iluminação e sonorização será disponibilizada de forma padronizada pela organização.

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Como forma de reconhecimento, todos os participantes inscritos, entre dançarinos, coreógrafos e representantes receberão certificado emitido pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.

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Além de valorizar a cultura, a Mostra também terá caráter solidário. Durante o evento, cada participante fará a entrega simbólica de 1 kg de alimento não perecível, que será destinado a entidades que atuam com cozinhas comunitárias no município.

De acordo com a secretária de Cultura e Turismo, Luciana Bauer, a iniciativa reforça o compromisso do município com o fortalecimento da cultura local. “A Mostra de Dança é uma oportunidade de valorizar os nossos talentos, incentivar a participação da comunidade e ampliar o acesso às diferentes expressões artísticas. É um momento de encontro, diversidade cultural e celebração da arte”, destacou.

Fonte: Prefeitura de Lucas do Rio Verde – MT

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