TECNOLOGIA
Chamadas do Brics abrem novas oportunidades para pesquisas com impacto direto na vida da população
O avanço de soluções para saúde, segurança alimentar, energia limpa e previsão climática ganha novo impulso com a abertura de duas chamadas internacionais do Programa-Quadro de Ciência, Tecnologia e Inovação do Brics. As iniciativas ampliam a cooperação entre países emergentes e criam condições para que pesquisas desenvolvidas no Brasil se transformem em aplicações concretas, com potencial para melhorar serviços, reduzir custos e fortalecer a produção nacional.
As diretrizes da 7ª Chamada Coordenada (Regular) e da Chamada Piloto para Projetos Flagship foram disponibilizadas pelo secretariado internacional do programa, com investimento de US$ 3 milhões cada uma — cerca de R$ 15 milhões por edital. As inscrições estão abertas até 16 de junho e contemplam projetos em parceria entre, no mínimo, três países do bloco, formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito e Irã.
No Brasil, o processo conta com a participação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), entidade vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), responsável pela etapa nacional de submissão e financiamento. A proposta deve ser enviada primeiro na plataforma internacional, por meio do Joint Application Form (JAF), e posteriormente submetida ao sistema do CNPq, seguindo a regra de dupla submissão. Sem o comprovante da inscrição internacional, o projeto não é elegível para apoio no País.
A 7ª chamada regular abrange áreas estratégicas como recursos hídricos, computação de alto desempenho e inteligência artificial, energia, saúde, biotecnologia, produção de alimentos e materiais avançados. Já a chamada piloto de projetos flagship inclui temas como terra digital, ferramentas psicomoleculares e redes de dados associadas a telescópios inteligentes.
O chefe da Assessoria Especial de Assuntos Internacionais do MCTI, Carlos Matsumoto, destacou a continuidade da iniciativa como um dos fatores que fortalecem a cooperação científica entre os países do bloco. “A gente tem lançado chamadas a projetos multilaterais de pesquisa no Brics há muitos anos. Essa regularidade é fundamental porque os pesquisadores já sabem que, ano após ano, podem contar com financiamento ao submeter projetos de excelência. Isso amplia a colaboração com países em desenvolvimento e abre novas perspectivas de avanço científico”, afirmou.
As propostas devem ser elaboradas por consórcios internacionais liderados por pesquisadores com doutorado e vínculo institucional. O financiamento é descentralizado, com cada país apoiando suas equipes conforme regras próprias. A seleção considera critérios como qualidade científica, viabilidade, inovação e equilíbrio na cooperação entre os participantes.
Criado a partir de acordo firmado em 2015, o Programa-Quadro do Brics se consolidou como um dos principais instrumentos de articulação científica entre economias emergentes. As chamadas coordenadas permitem integrar competências, compartilhar infraestrutura e desenvolver soluções conjuntas em temas considerados prioritários para o desenvolvimento sustentável.
Como participar
TECNOLOGIA
MCTI defende fortalecimento da ciência e da soberania em política de minerais críticos
Os minerais críticos vêm ganhando centralidade no cenário global. Os ingredientes invisíveis, ou terras raras, são a base material de tecnologias essenciais e viabilizam sistemas impulsionados pela transição energética e pela expansão de tecnologias digitais — de celulares a carros elétricos. O assunto está no debate central na agenda de ciência, tecnologia e, principalmente, inovação, além de ser estratégico para o desenvolvimento econômico e a soberania tecnológica do País. No Brasil, o tema avança no Congresso Nacional, com a proposta de criação de uma política nacional para o setor, citada no Projeto de Lei 2.780/2024.
A matéria em discussão estrutura uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). A proposta busca fomentar a pesquisa, a indústria, a distribuição, o comércio e o consumo dos produtos gerados. Além disso, ela cria um Comitê de Minerais Críticos e Estratégicos (CMCE) — que ficaria vinculado ao Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM) e destinado à formulação de diretrizes com vistas ao desenvolvimento do setor mineral brasileiro.
Para o MCTI, o projeto de lei é um primeiro passo. “O projeto cria um arcabouço mínimo, mas não aprofunda essa questão”, avalia o chefe da Assessoria Especial de Assuntos Parlamentares e Federativos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luiz Rodrigues. De acordo com o ministério, a inclusão de recursos para ciência e tecnologia é um dos pontos positivos do texto, como a previsão de investimento mínimo de 0,4% da receita bruta das empresas em pesquisa e inovação. “O projeto avança ao destinar recursos para ciência, tecnologia e inovação. Não é o valor que desejávamos, mas foi o possível dentro do consenso político”, afirmou.
O MCTI entende que o desenvolvimento pleno da cadeia produtiva exigirá medidas adicionais. “Se o projeto for entendido como suficiente, a gente continua na situação atual”, alertou Rodrigues, ao destacar que o Brasil ainda enfrenta limitações estruturais para avançar nas etapas de maior valor agregado.
A avaliação da pasta é que o projeto em tramitação deve ser visto como ponto de partida para uma agenda mais ampla. “Ele não é o fim da discussão. É o início”, disse.
Para o ministério, a futura política nacional de minerais críticos deve incorporar de forma central a dimensão científica e tecnológica, com metas claras e integração com outras estratégias de desenvolvimento. A expectativa é que, a partir da aprovação do projeto, o debate avance para novas iniciativas capazes de consolidar uma cadeia produtiva mais robusta e menos dependente de tecnologias externas.
Minerais críticos
“Os minerais críticos são fundamentais na economia digital e na transição energética, com aplicações que vão de comunicação crítica a materiais de alto valor tecnológico”, explica Luiz Rodrigues.
Além do potencial geológico, o cenário internacional reforça a importância do tema. Atualmente, a cadeia global de minerais críticos — especialmente no caso das terras raras — é concentrada. “Esse mercado hoje é fortemente concentrado, especialmente na China, o que abre uma oportunidade para o Brasil se posicionar e avançar na cadeia produtiva”, disse.
Apesar das oportunidades, o avanço do País no setor depende de superar gargalos tecnológicos. Segundo Rodrigues, o domínio das etapas mais sofisticadas de processamento ainda é restrito a poucos países, o que limita a capacidade de agregação de valor. Segundo a Agência Internacional de Energia (International Energy Agency, IEA), a China responde por cerca de 91% do refino global de terras raras e cerca de 94% da produção de ímãs permanentes, etapa final de alto valor. “Não é só uma questão de investimento. É preciso investir em ciência, tecnologia e inovação e construir arranjos que deem capacidade ao País de avançar no processamento”, destacou.
Entre os desafios apontados estão a necessidade de ampliar investimentos em pesquisa, fortalecer a articulação com a política industrial e desenvolver modelos institucionais capazes de viabilizar o processamento no País. “Sem ampliar o investimento em ciência, tecnologia e inovação e estruturar arranjos produtivos, não será possível avançar no processamento no Brasil”, afirmou.
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