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TECNOLOGIA

Técnica tradicional de reflorestamento já plantou mais de 250kg de sementes no interior da Amazônia em 2026

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Coleta, limpeza, secagem e classificação, formação da muvuca e a semeadura das sementes. Esse é o passo a passo para a técnica tradicional de reflorestamento conhecida como “muvuca de sementes”, método utilizado pelo projeto Floresta Olímpica do Brasil, uma iniciativa do Instituto Mamirauá em parceria com o Comitê Olímpico do Brasil (COB)

Iniciado em 2026, o programa tem aplicado a técnica junto aos moradores da Comunidade Bom Jesus da Ponta da Castanha, localizada na Floresta Nacional de Tefé, no Amazonas. Desde janeiro, a iniciativa já plantou cerca de 256kg de sementes de mais de 50 espécies diferentes em quatro hectares de áreas degradadas.

Segundo o analista do Mamirauá e coordenador operacional da iniciativa, Jean Quadros, o método se assemelha ao processo de recomposição do banco natural de sementes. “Esse plantio das espécies, todos de uma vez, busca imitar o que acontece naturalmente na floresta, onde a gente tem um banco de sementes com várias espécies, com vários grupos funcionais, e eles vão germinando no seu tempo”, explica.

O projeto deve seguir até 2030, com 6,3 hectares restaurados. “Nestes dois anos, a Floresta Olímpica do Brasil vem amadurecendo como projeto de restauração e fortalecimento comunitário. Com o apoio técnico do Instituto Mamirauá, encontramos soluções adaptadas à Amazônia que unem ciência e tradição, provando que o esporte também pode inspirar sustentabilidade e impacto social”, afirma a gerente de Cultura e Valores Olímpicos do COB, Carolina Araújo.

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Além do reflorestamento, a iniciativa também visa o protagonismo da comunidade local. “Me sinto honrado em participar diretamente desse projeto. A gente aprende a trabalhar de uma forma diferente com a natureza, sem precisar destruir para tirar o sustento. Hoje sabemos que é possível plantar, conservar a floresta em pé e ainda garantir renda para a nossa comunidade”, diz um dos ribeirinhos participantes, Silas Rodrigues.

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Em 2025, os moradores locais receberam treinamento para a aplicação da técnica e deram início ao processo. Com a iniciativa, espera-se que as áreas restauradas passem a gerar alimentos, oportunidades e renda para a comunidade. A expectativa também é que os ribeirinhos repliquem o método em outras áreas degradadas, ampliando os impactos da restauração no território.

O processo

O termo “muvuca” tem origem africana e remete à ideia de mistura. A prática de semear diferentes espécies ao mesmo tempo, no entanto, tem raízes em conhecimentos tradicionais de povos indígenas, que utilizavam o método para garantir a própria subsistência.

Segundo Jean Quadros, a técnica substitui os modelos mais utilizados. “Ao invés de a gente ter que plantar as mudinhas todas individualmente, a gente faz a semeadura de muitas sementes de diferentes espécies e grupos funcionais, todas de uma vez. A gente consegue fazer a semeadura de um hectare utilizando a técnica da muvuca em uma manhã, sendo que o plantio de mudas é muito mais demorado”, explica.

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Dentre das sementes selecionadas para a técnica, existem três grupos principais:

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  • Espécies pioneiras, com rápido crescimento e alta capacidade de cobertura do solo, como feijão de porco, feijão guandu, gergelim, crotalária, fedegoso e abóbora;
  • Espécies secundárias iniciais e tardias, responsáveis pela estruturação da vegetação, como embaúba, caju, urucum, maracujá, murici e pente de macaco;
  • Espécies clímax, de crescimento mais lento, que compõem a floresta madura, como jatobá, ipê amarelo, açaí, angelim, bacuri e buriti, entre outras espécies frutíferas.

A aplicação da técnica começa com a preparação do solo, especialmente em áreas degradadas, como antigos roçados. A vegetação existente é manejada e mantida como cobertura, ajudando a conservar a umidade e enriquecer o solo. Em seguida, a terra é revolvida para melhorar sua estrutura e fertilidade.

Com o terreno pronto, a mistura de sementes nativas é distribuída e levemente coberta. Cada espécie germina no seu próprio tempo, em um processo que reproduz a dinâmica natural da floresta.

As plantas tendem a desenvolver raízes mais profundas, tornando-se mais resistentes. O resultado é uma recuperação mais eficiente, com formação de florestas diversas, resilientes e adaptadas às condições amazônicas.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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TECNOLOGIA

Unidades de pesquisa do MCTI participam de encontro internacional para cooperação científica na Amazônia

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Pesquisadores do Instituto Mamirauá, do Museu Emílio Goeldi e do Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas (INPA), unidades de pesquisa vinculadas ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), participaram da III Reunião Anual da Rede Bioamazônia, grupo que busca integrar e fortalecer o intercâmbio de conhecimento entre os países amazônicos. Além das instituições brasileiras, também integram a rede institutos de outros quatro países. 

O encontro, que começou no dia 11, na cidade de Letícia, na tríplice fronteira amazônica, entre Colômbia, Brasil e Peru, e vai até este 15 de maio, tem como tema central “Conflitos e Ameaças na Pan-Amazônia: contribuições da ciência para a sustentabilidade do bioma”. Durante o evento, especialistas debaterão de forma colaborativa os principais desafios enfrentados pela Amazônia. 

Segundo o diretor-geral do Instituto Mamirauá, João Valsecchi, a rede parte do entendimento de que nenhum centro de pesquisa isoladamente reúne todas as capacidades necessárias para compreender a complexidade e enfrentar os desafios da Amazônia. “Por outro lado, e diante disso, questões cada vez mais urgentes — como mudanças climáticas, perda de biodiversidade e pressão sobre os modos de vida tradicionais — implicam em tomada de decisão baseada em evidências científicas e com ampla escuta, a fim de orientar políticas públicas, estratégias de conservação e iniciativas de desenvolvimento sustentável”, ressaltou Valsecchi. 

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O evento aborda temas como o desenvolvimento hidrelétrico na Amazônia e a energia limpa, a contaminação por mercúrio, as espécies migratórias, a perda de conhecimentos tradicionais, os incêndios e o manejo integrado do fogo, e o comércio de espécies amazônicas (legal x ilegal). 

De acordo com o diretor do INPA, Henrique Pereira, a reunião é fundamental para consolidar uma articulação inédita entre os principais institutos de pesquisa da Pan-Amazônia. “Mais do que um espaço de debate, este encontro representa um avanço concreto na cooperação entre os países amazônicos em temas estratégicos, como biodiversidade, mudanças climáticas, bioeconomia e sustentabilidade do bioma”, destacou Pereira, vice-presidente da rede e coordenador do grupo de trabalho sobre conflitos e ameaças. 

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A atividade marca uma etapa de consolidação da Rede Bioamazônia, com o objetivo de avançar em uma agenda estratégica comum orientada por missões. Por meio de um trabalho coordenado, colaborativo, multidisciplinar e transfronteiriço, os pesquisadores e especialistas presentes buscarão identificar e priorizar os desafios regionais em biodiversidade e bioeconomia, identificar oportunidades para o fortalecimento das capacidades científicas e institucionais e desenvolver propostas conjuntas de cooperação entre os institutos membros da rede. 

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Para o diretor do Museu Goeldi, Nilson Gabas Júnior, as expectativas com as ações da rede são grandes. “Nós não somos uma rede que se propõe a fazer as mesmas coisas, só que em maior escala. É uma rede que se propõe a fazer perguntas e, a partir delas, respondê-las com a contundência de oito instituições da Amazônia.”, disse. 

A Rede Bioamazônica, financiada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), é um instrumento regional que reúne oito institutos científicos de cinco países do bioma amazônico, somando mais de mil pesquisadores. No Brasil, os representantes são o Instituto Mamirauá, o INPA e o Museu Paraense Emílio Goeldi; na Bolívia, o Instituto de Ecologia da Universidade Maior de San Andrés (IE/UMSA); na Colômbia, o Instituto de Pesquisa de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt (HUMBOLDT) e o Instituto Amazônico de Pesquisas Científicas SINCHI (SINCHI); no Equador, o Instituto Nacional de Biodiversidade (INABIO); e, no Peru, o Instituto de Pesquisas da Amazônia Peruana (IIAP). 

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Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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