GASTO PÚBLICO
Contratos milionários marcam fim de ano em Itaúba e Juscimeira
Itaúba renova contrato de R$ 12,2 milhões com OSCIP e Juscimeira gasta R$ 960 mil em shows de Réveillon no fim de 2025.
Atos oficiais publicados nesta segunda-feira revelam ofensiva de gastos no apagar das luzes de 2025; gestão de Itaúba estende terceirização até 2026.
O encerramento de 2025 não trouxe economia aos cofres públicos de Mato Grosso. Pelo contrário, o ritmo das impressoras oficiais acelerou nesta segunda-feira (29). Em duas frentes distintas, mas igualmente onerosas, as prefeituras de Itaúba e Juscimeira definiram o destino de cifras milionárias. De um lado, uma renovação contratual massiva para gerir a máquina pública; do outro, cachês artísticos de peso para a festa da virada.
Somados, os documentos revelam um compromisso financeiro que ultrapassa a marca de R$ 13,2 milhões. A movimentação expõe a facilidade com que o dinheiro público flui quando o calendário aperta e o ano fiscal se encerra.
A “canetada” de R$ 12 milhões em Itaúba
O prefeito de Itaúba, Antônio Ferreira de Oliveira Neto, mais conhecido como Toninho Tijolinho (PSB), optou por manter um modelo que, na prática, terceiriza o coração da prefeitura. O Executivo assinou, num único dia — 18 de dezembro —, cinco aditivos contratuais com o Instituto de Promoção Humana e Ambiental Paiaguás. Trata-se de uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP).
Foto: arquivo pessoal.
Não houve licitação nova, mas a extensão de uma dependência antiga. Os documentos oficializam o “sétimo termo aditivo” aos acordos originais de 2022. Com isso, a vigência foi estendida por mais 365 dias, indo até o fim de 2026. O custo para manter essa engrenagem girando será de exatos R$ 12.240.000,00.
O objeto dos contratos é amplo. O texto oficial cita a “formação de vínculo de cooperação” para o fornecimento de bens e serviços em diversas áreas vitais do município.
Onde o recurso será aplicado
A fatia mais grossa desse bolo orçamentário está na Saúde. Para esta pasta, o aditivo prevê o repasse de R$ 5,04 milhões. O valor será pago em parcelas mensais de R$ 420 mil ao longo do próximo ano.
Logo atrás, aparece o setor de infraestrutura. A Secretaria de Obras, Transporte e Serviços Urbanos consumirá R$ 4,2 milhões via Instituto Paiaguás. A capilaridade da terceirização, no entanto, não para por aí.
A Assistência Social e a Educação receberão, cada uma, R$ 1,2 milhão para a gestão terceirizada. Até mesmo a área meio da prefeitura — Planejamento, Fazenda e Administração — entrou no pacote, com um custo de R$ 600 mil. Essa renovação em massa levanta questionamentos recorrentes sobre a realização de concursos públicos, já que a gestão opta por manter a flexibilidade da contratação via terceiro setor.
Juscimeira: A festa de quase um milhão
Enquanto Itaúba foca na máquina administrativa, Juscimeira abriu o cofre para garantir a trilha sonora da virada. O prefeito Alexandre Russi homologou, na véspera do Natal (24), uma série de contratos artísticos que somam R$ 960 mil.
Foto: Arquivo pessoal.
O destaque absoluto da planilha de gastos é a dupla sertaneja Clayton & Romário. Sozinhos, eles abocanharam a maior parte do orçamento festivo. A contratação da empresa C & R Produções e Eventos Ltda custou R$ 650.000,00 aos cofres municipais. O objetivo é a apresentação de um show nacional na noite de 31 de dezembro.
Cachês e prioridades
A disparidade dos valores chama a atenção. Para completar a grade, a prefeitura contratou outras atrações com cifras menores, mas ainda significativas. A empresa Sevenn Produções receberá R$ 160 mil. Esse montante paga três apresentações: o Grupo Trio Maravilha (dia 30), além de Ivan e Allan e João Felipe (dia 31).
A lista de despesas segue com a dupla Alex e Medina. Eles foram contratados por R$ 80 mil para subir ao palco no dia 30. Por fim, o cantor regional Fagner Delmond custará R$ 70 mil.
Em tempos de demandas sociais crescentes, o investimento de quase um milhão em dois dias de festa coloca em xeque a definição de prioridades locais. O extrato justifica a despesa como necessária para o evento de Réveillon, mas o impacto nos cofres é imediato e significativo para um município de pequeno porte.
Para entender melhor: O que é uma OSCIP?
A sigla significa Organização da Sociedade Civil de Interesse Público. É um título fornecido pelo Ministério da Justiça a entidades privadas sem fins lucrativos. Na prática, muitas prefeituras usam OSCIPs para terceirizar a contratação de pessoal e serviços.
Isso agiliza a gestão e evita a burocracia de concursos públicos imediatos, mas frequentemente gera críticas de órgãos de controle sobre a transparência dos gastos e a precarização dos vínculos trabalhistas.
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Fonte: Câmara de Cuiabá – MT
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