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Gestão Pública

'Mergulho de preços' em Juara: Após aditivo de 41%, contrato custa mais caro que propostas de 10 concorrentes eliminadas; entenda

Investigação aponta falhas no Pregão 013/2025 em Juara. Reajuste de 41% elevou contrato para valor superior ao de 10 concorrentes eliminadas. Documentos oficiais detalham a justificativa da Prefeitura.

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mergulho de preços Juara
Pregão em Juara: Gráfico mostra que prefeitura paga hoje mais caro do que se tivesse contratado a 11ª colocada.

Documentos indicam que empresa venceu licitação sem capital social exigido e obteve reajuste relâmpago, superando valores ofertados por empresas que perderam a disputa.

 

A gestão da saúde pública em Juara, a 709 km de Cuiabá, atravessa uma turbulência administrativa que lança dúvidas sobre a eficiência do gasto público. O foco da controvérsia é o Pregão Eletrônico 013/2025, vencido pela Hospmed Serviços Médicos Ltda. O que deveria ser uma contratação vantajosa transformou-se, segundo análise documental, em um caso clássico de “mergulho de preços” — onde o barato inicial sai muito caro ao final.

A empresa, que venceu a disputa com um lance agressivo, obteve um reajuste de 41% apenas cinco meses após assinar o contrato. Com a revisão, o município passou a pagar por plantão um valor superior ao que foi ofertado por dez concorrentes que foram eliminadas justamente pelo critério de preço na época do certame.

Além da questão financeira, o processo carrega vícios de origem. A vencedora foi habilitada mesmo apresentando capital social inferior ao exigido no momento da sessão pública e utilizou atestados de capacidade técnica com conteúdo inverossímil, emitidos por um município sem infraestrutura para os procedimentos descritos.

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Habilitação sem lastro?

O primeiro vício apurado reside na cronologia dos fatos. A sessão pública ocorreu em 08 de maio de 2025. O edital exigia, como regra inegociável, um Capital Social de 10% do valor estimado, cerca de R$ 210.000,00, mas a empresa não tinha esse capital.

Documento apresentado pela empresa.

Documento apresentado pela empresa .

Documentos da Junta Comercial, porém, mostram que no momento da abertura dos envelopes, a Hospmed possuía apenas **R$ 122.000,00** de capital registrado. A alteração contratual que elevou o montante para R$ 400.000,00 só foi registrada no dia seguinte, 09 de maio.

Essa validação de uma condição futura fere o Artigo 69 da Lei 14.133/21. A legislação determina que a habilitação deve ser comprovada na abertura, não depois. Ao aceitar um documento com eficácia posterior à sessão, a administração quebrou a isonomia do processo, mantendo no jogo uma empresa que, tecnicamente, estava inabilitada.

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Atestados duvidosos: O “milagre” de Araguainha

A qualificação técnica da empresa também levanta suspeitas. Para comprovar experiência, a Hospmed apresentou atestado emitido pela Prefeitura de Araguainha (MT). O documento certifica a realização de “cirurgias ortopédicas” e “internação para tratamento de osteomielite”.

O problema é geográfico e estrutural. Araguainha é o menor município do estado, com cerca de 1.000 habitantes, e não possui hospital com centro cirúrgico de média ou alta complexidade para tais procedimentos.

A incompatibilidade entre a estrutura real da cidade emissora e a complexidade dos serviços atestados sugere falsidade ideológica no documento. Na prática, o papel serviu para cumprir uma exigência burocrática, mas sem lastro na realidade operacional.

A conta chegou: salto para o 11º lugar

A manobra financeira ficou evidente na execução contratual. A Hospmed venceu o Lote 01 ofertando R$ 1.079,06 por plantão, valor que tirou as concorrentes do páreo. Contudo, em 28 de novembro de 2025, a Prefeitura concedeu um reequilíbrio financeiro, elevando o valor para R$ 1.522,14.

A evolução do valor do plantão médico, de R$ 1.079,06 em maio para R$ 1.522,14 em novembro, ilustrando o aumento de 41%.

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Esse aumento de 41% não apenas corrigiu o preço; ele distorceu o resultado da licitação. Ao pagar R$ 1.522,14, a Prefeitura aceitou um custo maior do que as propostas de dez empresas que perderam a disputa meses antes. A empresa Hospmed foi bastante convincente quando apresentou seus argumentos para rebater os recursos das outras empresas enfatizando que os tinham sido “…minuciosamente elaborados, por uma equipe especializada em cotação…” e que as empresas estvam “…cobrando valores exorbitantes ou superfaturados para suas licitações…”, veja documento abaixo:

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Trecho de documento juntado pela empresa no pregão justificando o menor preço ofertado.

Veja no comparativo abaixo como o reajuste anulou a economia inicial e tornou o contrato mais oneroso que as opções descartadas:

*Valores unitários estimados com base na divisão do Valor Global da proposta pela quantidade total de 1.600 plantões do Lote 01.

Juridicamente, o reequilíbrio exige fato imprevisível. A “variação de mercado”, alegada para o aumento, é risco ordinário do negócio. Ao cobrir esse risco, o município validou a estratégia de ofertar um preço inexequível para ganhar e aumentar depois, gerando um prejuízo potencial ao erário.

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Possível manipulação no Lote 03

No Lote 03 (Diretor Técnico), a distorção ocorreu na origem. Para definir o preço máximo, a Prefeitura usou cotações privadas de até R$ 70.000,00, ignorando a referência pública do PNCP, que era de R$ 30.000,00.

Isso inflou a média, fazendo com que a proposta vencedora de R$ 31.250,00 parecesse um grande desconto. Na verdade, o valor estava apenas dentro do preço real de mercado. Essa engenharia de preços, somada à habilitação questionável e ao reajuste posterior, desenha um cenário de direcionamento que exige apuração rigorosa dos órgãos de controle.

Argumento da defesa: CNAE como “mera formalidade”

Além das inconsistências financeiras e documentais, a habilitação da empresa também foi questionada administrativamente sob a ótica da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). A denúncia original apontava que a empresa não possuía o código de atividade específico para o objeto da licitação no momento do certame.

Em sua defesa apresentada nos autos do processo licitatório, a Hospmed minimizou a importância dessa exigência legal. A empresa argumentou que a classificação não seria um impeditivo técnico real. Segundo trecho do recurso administrativo interposto pela vencedora:

“Ainda temos o fato de que um CNAE não determina que a empresa é possuidora de todos os serviços, na verdade, atualmente o CNAE não passa de uma mera formalidade, tendo em vista ser uma informação cadastral e não de fato.”

Essa tese de “mera formalidade”, contudo, contrasta com o rigor exigido em contratações públicas, onde a compatibilidade entre a atividade econômica registrada e o objeto licitado é um dos pilares para garantir a regularidade fiscal e técnica da proponente.

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Diário Oficial: A fundamentação da Prefeitura para o aumento

A decisão administrativa que autorizou o reequilíbrio financeiro foi publicada no Diário Oficial em 01 de dezembro de 2025. No documento, o prefeito Valdinei Holanda Moraes acata integralmente o pedido da Hospmed, fundamentando-se em uma “nova pesquisa de preços” e em extensa argumentação jurídica sobre a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro dos contratos.

Argumento de “dever legal”

A Prefeitura sustenta que o reajuste não é uma escolha, mas uma obrigação constitucional para evitar o enriquecimento ilícito da administração. A decisão cita o Art. 37, inciso XXI da Constituição Federal e o Art. 124 da Lei 14.133/2021, argumentando que eventos imprevisíveis ou de consequências incalculáveis justificam a revisão.

Para embasar a tese, o texto oficial recorre a citações de doutrinadores renomados, como Celso Antônio Bandeira de Mello e Hely Lopes Meirelles, reforçando que a relação “encargo-remuneração” deve ser mantida para que o contratado não sofra redução nos lucros normais. O documento chega a afirmar que “o contrato administrativo se desequilibra quando o lucro pretendido pelo particular é excessivamente minorado”.

A Dança dos Números: Pedido x Concessão O documento revela que a empresa Hospmed solicitou valores ainda mais altos do que os concedidos:

  • Lote 01 (Plantão): A empresa pediu R$ 1.650,00. A Prefeitura concedeu R$ 1.522,14.

  • Lote 03 (Diretor Técnico): A empresa pediu R$ 56.500,00. A Prefeitura concedeu R$ 37.333,33.

A administração alega que a decisão seguiu o “Princípio da Economicidade”, optando pelo menor valor entre o de mercado e o almejado pelo fornecedor.

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A nova pesquisa de preços

Para justificar os novos valores, a Prefeitura realizou cotações com diversas empresas. O Diário Oficial lista nominalmente quem participou e quem ignorou o pedido de orçamento:

  • Cotaram preços: Elo Serviços de Saúde, And Serviços de Saúde, Neomed Atendimento Hospitalar e Brito Serviços Médicos.

  • Não responderam: Vitalis Soluções, Zeus Serviço Saúde (2ª colocada no pregão), Creative Health, Dutra Emergências Médicas, entre outras.

Chama a atenção que a justificativa para o aumento se baseia na “variação efetiva do custo de produção” e na “mão de obra na região de Juara” , aceitando a tese de que a proposta original da empresa (feita apenas 5 meses antes) tornou-se inviável devido a “fatos imprevisíveis”.

PARA ENTENDER MELHOR: O DICIONÁRIO DA LICITAÇÃO Termos técnicos aparecem com frequência em casos de gestão pública. Entenda o que cada um significa neste contexto:

  • Mergulho de preços: É uma estratégia predatória (e ilegal) onde uma empresa oferece um preço muito abaixo do mercado (inexequível) apenas para vencer a licitação, planejando pedir aumentos logo depois para recuperar o lucro.

  • Reequilíbrio econômico-financeiro: É um ajuste no valor do contrato permitido por lei, mas apenas quando ocorre algo imprevisível (como uma pandemia ou uma guerra) que torna o serviço muito mais caro. Não serve para corrigir erros de cálculo da empresa.

  • Álea empresarial (risco do negócio): São os riscos normais de qualquer empresa, como a inflação comum ou variação de custos de equipe. A prefeitura não deve pagar por isso; esse risco é do empresário (álea ordinária).

  • Capital social: É o valor que os sócios investem na empresa. Em licitações, ele serve como garantia de que a empresa tem “musculatura financeira” para aguentar o contrato caso haja atrasos de pagamento.

  • Inexequibilidade: Quando o preço ofertado é tão baixo que não cobre sequer os custos básicos do serviço, indicando que a proposta não pode ser cumprida sem prejuízo ou fraude futura.

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VÁRZEA GRANDE

Zoonoses de Várzea Grande faz alerta para alta de casos positivos e pede atenção da população aos sinais da doença

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Várzea Grande sempre foi uma região considerada endêmica para a Leishmaniose Visceral Canina (LVC), uma doença de caráter zoonótico causada por um protozoário do gênero Leishimania, transmitida pela picada do mosquito-palha e portanto afetando tanto humanos quanto animais. Não passa diretamente de uma pessoa para outra, no entanto, começa silenciosa e justamente por isso, vai se proliferando por meio do ataque dos mosquitos palhas, pois precisa do mosquito Lutzomyia longipalpis e outras espécies do gênero para disseminação da doença.

No ambiente urbano, o cão atua como o principal reservatório do protozoário. Portanto, o aumento de casos nos animais eleva diretamente o risco de contágio para os seres humanos.

Como explica o Médico Veterinário e Responsável Técnico do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ VG), Luciano Miranda, a pressão da doença no Município deixa as autoridades em Saúde Pública sempre em alerta. “Somente neste ano, de janeiro a junho, já registramos quase 500 testes realizados em animais suspeitos de LVC em Várzea Grande. Uma das explicações para alta incidência está no avanço do desmatamento urbano, com as habitações e a circulação de pessoas avançando cada vez mais nessas regiões. Um exemplo dessa realidade no Município é a região do Jardim Maringá, em plena expansão, e concidentemente tendio um aumento de sua incidência nessa região.

Apesar do bairro ser destaque nesse mapeamento, o Médico Veterinário faz questão de ressaltar que a doença não pode mais ser ‘marginalizada’, pois já se encontram casos de cães positivos que vivem com seus tutores em apartamentos. Essa constatação só reforça o sinal de alerta para a prevenção e cuidados com nossos pets”.

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SINAIS DE ALERTA – O Dr. Luciano chama à atenção para sintomas clássicos como o emagrecimento sem sentido algum, onde o animal muitas vezes está comendo bem, porém o pet nunca engorda e fica na situação cada vez mais de emagrecimento. Isso porque provavelmente a doença já atingiu fígado, o baço, que são um dos órgãos mais acometidos pela doença. No geral o animal come, mas o fígado atacado e inflamado, não consegue atuar de forma normal em seu auxílio à digestão, levando ao emagrecimento progressivo. Além do emagrecimento, existem as feridinhas, queda de pelos, etc onde essas feridas acabam por nunca se cicatrizarem, principalmente em extremidades de focinho e pavilhão auricular, etc. Em relação à crença de que unhas compridas são sinal de leishmaniose, Miranda esclarece que nem sempre essa observação é o suficiente para se condenar um animalzinho, pois fatores externos, como o piso liso farão com que o cãozinho não tenha o desfaste de suas unhas. Aí existem pessoas que por causa da unha trazem o cãozinho no CCZ para eutanásia”.

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Sobre a eutanásia, ela só é feita no CCZ VG quando há comprovação do diagnóstico da doença, conforme determinação do Ministério da Saúde. “O diagnóstico é essencial, pois hão doenças que parecem ser a leishmaniose sendo confundidas com a mesma, daí sendo interessante fazermos os testes diagnósticos para a comprovação ou não da doença. Dentre doenças que podem ser confundidas com a Leishimaniose, temos

doenças bacterianas, fúngicas, doenças auto imunes e até mesmo a sarna. “Infelizmente a população muitas vezes chega aqui impondo eutanásia no animal sem qualquer comprovação. Diante da nossa negativa em relação ao sacrifício, há agressões com palavras e ameaças de todo tipo”, lamenta.

Em caso de suspeita, o tutor pode levar o animalzinho até o CCZ VG para realizar a testagem e confirmação ou não da doença. O CCZ diariamente realiza o teste de triagem dos casos suspeitos sendo o diagnóstico final realizado pelo laboratório do Estado (Lacen), necessitando assim da comprovação de todos os testes citados para a comprovação da doença.

“A população em geral precisa entender que cachorro com excesso de carrapatos, cachorro com viroses como Parvovirose e Cinomose não são casos de atendimento do CCZ por não se tratarem de zoonoses. Nós não somos centro de descarte de animais. Somos um centro de controle e prevenção de zoonoses”, desabafa o Responsável Técnico.

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MANEJO – A equipe veterinária do setor de monitoramento de zoonoses reforça que os números refletem uma urgência de mobilização social. “Precisamos que a população entenda que o combate ao vetor é a única forma de interromper essa cadeia de transmissão e esse combate é o mesmo que vale para o Aedes aegypti”, reforça o Médico Veterinário.

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Como não há campanhas públicas de vacinação em massa contra a leishmaniose voltadas para animais, as diretrizes do Ministério da Saúde focam no manejo ambiental e na proteção individual dos cães. A recomendação técnica principal foca no uso de barreiras químicas e físicas.

“O uso contínuo de coleiras repelentes à base de deltametrina e a limpeza rigorosa de quintais, eliminando folhas e frutos caídos (matéria úmida) são no entanto as únicas barreiras eficientes para proteger as famílias e os pets”, completa.

SERVIÇO – Os moradores que precisarem realizar testes em seus animais ou denunciar focos de alta infestação podem entrar em contato com o CCZ de Várzea Grande em horário comercial, localizado na Rua 42, Bairro Jardim Paiaguás I, ou, pelo (65) 98476-5719.

Fonte: Prefeitura de Várzea Grande – MT

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