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Conflito em Várzea Grande termina com servidor e mulher na delegacia

Assessor parlamentar e ex-mulher são presos em Várzea Grande após briga com agressões mútuas e danos materiais; ambos foram liberados pela Justiça.

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Assessor parlamentar preso Várzea Grande
Caso foi registrado no plantão de atendimento a vulneráveis em Várzea Grande.

Em depoimento, jovem de 26 anos detalhou momentos de terror ao tentar deixar a casa do assessor parlamentar da presiência da Câmara de Várzea Grande; defesa alegou agressão mútua e danos patrimoniais

A madrugada deste domingo (4) expôs as vísceras de um relacionamento marcado pelo álcool e pelo ciúme no bairro Jardim Glória I, em Várzea Grande. O que deveria ser um encontro social terminou na Central de Flagrantes, com a prisão de M.M.A., de 51 anos, assessor parlamentar da Câmara Municipal, e de sua ex-companheira, E.S.S., de 26 anos.

O caso, registrado sob a tipificação de lesão corporal recíproca, ganhou contornos dramáticos nos depoimentos oficiais. Enquanto a defesa do servidor público alega danos materiais e agressões físicas, a mulher descreve uma cena de cárcere privado e brutalidade física, afirmando que o ex-companheiro chegou a usar o peso do corpo para imobilizá-la.

“Ele me trancou dentro da casa”

Os autos do processo revelam que a Polícia Militar foi acionada via CIOSP às 3h50 para atender a uma “briga de casal”. No local, os agentes encontraram os ânimos exaltados e versões antagônicas.

Em seu interrogatório, E.S.S. foi categórica ao descrever a escalada da violência. Segundo ela, após uma crise de ciúmes motivada por uma ligação, ela tentou encerrar a noite e ir embora. Foi nesse momento que a tensão explodiu.

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“O suspeito não concordou e passou a me segurar. Passei a arranhá-lo para me defender, pois queria ir embora para minha casa”, relatou a jovem às autoridades.

A situação, segundo a vítima, evoluiu para o impedimento físico de sua liberdade. Ela narrou que M.M.A. trancou o imóvel e escondeu seus pertences pessoais em outro cômodo do terreno, o que a levou ao desespero.

“Eu estava trancada e, querendo sair, acabei quebrando as coisas na casa”, admitiu E.S.S., justificando os danos materiais como uma reação ao confinamento forçado.

A dinâmica da violência física

O ponto mais crítico do depoimento de E.S.S. descreve a agressão direta. Segundo ela, ao tentar pegar uma cadeira para atingir o carro do assessor — numa tentativa de forçar sua saída —, foi contida com força desproporcional, supostamente com o auxílio de um sobrinho menor de idade do acusado.

“Nesse momento, ele me enforcou e colocou o joelho nos meus peitos”, detalhou a vítima, descrevendo a manobra de imobilização que lhe causou lesões no tórax.

O silêncio e a versão do assessor

Conduzido à delegacia, M.M.A. adotou uma estratégia jurídica cautelosa. Durante o interrogatório formal, o assessor parlamentar invocou seu direito constitucional.

“Desejo permanecer em silêncio e manifestar-me apenas em juízo”, registrou o termo de interrogatório. No entanto, ele fez questão de formalizar seu desejo de “representar criminalmente contra Emilly Sabrina de Souza”.

Embora calado na delegacia, a versão de M.M.A. foi registrada pelos policiais militares que atenderam a ocorrência no local. Ao condutor do flagrante, o soldado Bruno Felipe de Oliveira, o assessor alegou que tentou impedir a saída da ex-mulher “devido ao horário”, visando a segurança dela.

Segundo o relato policial, M.M.A. afirmou que a mulher ficou agressiva, desferindo “socos, arranhões e mordidas”. Ele destacou ainda a fúria patrimonial, relatando que ela “arremessou uma garrafa de vinho contra a televisão”.

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Decisão Judicial

O caso foi analisado pelo delegado Ivar Polesso, que ratificou a prisão em flagrante de ambos, enquadrando o assessor na Lei Maria da Penha e a mulher por lesão corporal e dano.

Contudo, na audiência de custódia realizada no final da tarde de domingo, o juiz Wladymir Perri decidiu pela liberdade provisória dos envolvidos. O magistrado considerou que, apesar da reprovabilidade das condutas, não havia elementos para a prisão preventiva, uma vez que ambos são primários.

“Concedo a liberdade provisória (…) mediante comparecimento bimestral em juízo”, sentenciou o juiz, determinando a expedição imediata dos alvarás de soltura.

O que dizem os Policiais

O soldado Bruno Felipe de Oliveira, condutor da ocorrência, destacou em depoimento a complexidade da cena encontrada:

  • Sobre ela: Confirmou que a vítima relatou ter sido impedida de sair, sendo “segurada pelo braço e, posteriormente, enforcada”.

  • Sobre ele: Relatou que o assessor apresentava lesões de unhas e mordidas, além de confirmar a destruição de bens na residência, como o televisor atingido pela garrafa.

Para entender melhor: o direito ao silêncio

No Brasil, nenhum acusado é obrigado a produzir provas contra si mesmo. O “direito ao silêncio”, utilizado pelo assessor parlamentar neste caso, é uma garantia constitucional. Isso significa que o fato de ele não dar sua versão na delegacia não pode ser interpretado pelo juiz como uma confissão de culpa. A defesa técnica muitas vezes orienta essa conduta para ter acesso a todas as provas antes de formular a tese defensiva.

O que é “lesão corporal recíproca”?

No direito penal, a lesão corporal recíproca ocorre quando duas pessoas se agridem mutuamente e não é possível distinguir quem iniciou o ataque ou quem agiu apenas em legítima defesa. Nesses casos, como o ocorrido em Várzea Grande, é comum que a autoridade policial conduza ambos à delegacia para que o Judiciário avalie a proporcionalidade das ações de cada envolvido.

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VÁRZEA GRANDE

Setembro Amarelo leva acolhimento, escuta e informação sobre saúde mental à comunidade de VG

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Uma manhã de acolhimento, escuta e muita emoção marcou a ação do Setembro Amarelo realizada na Unidade de Saúde da Família do Jardim Santa Isabel, em Várzea Grande. Coordenada pela equipe da unidade, sob responsabilidade da enfermeira Cida Campos, a programação levou informações sobre saúde mental para perto da comunidade de forma leve, participativa e descontraída.

A atividade começou com um alongamento conduzido pelo professor de Educação Física Jonas, preparando os pacientes para uma manhã de interação. Em seguida, a equipe propôs a dinâmica “Explosão de Alívio: você não está sozinho”.

Em um painel, balões traziam palavras que representam sentimentos e situações vivenciadas por muitas pessoas, como medo, raiva, ansiedade e insegurança. Cada participante escolhia um balão relacionado ao sentimento que estava enfrentando naquele momento. Ao estourá-lo, encontrava uma mensagem de encorajamento, como forma de enfrentar e ressignificar aquela emoção.

Depois, a atividade continuava com uma corda, utilizada pelos participantes para extravasar os sentimentos. A proposta era colocar para fora aquilo que, muitas vezes, fica guardado.

A aposentada Maria Lúcia Zanon Ramos, de 64 anos, participou da dinâmica e lembrou de um momento em que precisou do acolhimento da equipe da unidade durante um tratamento para depressão. Segundo ela, após suspender a medicação por conta própria, chegou à unidade nervosa e chorosa e encontrou profissionais dispostos a ouvi-la e orientá-la.

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“Quando fiz tratamento de câncer, também precisei muito de pessoas que me ouvissem. Eu precisava falar, desabafar. Então, quando a gente encontra um amigo, uma pessoa que dá atenção, isso é muito importante”, contou.

Na dinâmica, Maria Lúcia escolheu a mensagem “Bota para fora tudo que está dentro do meu coração”. Depois, usou a corda para representar esse momento de colocar para fora aquilo que sentia.

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“Eu sacudi aquela corda com toda a força para botar para fora tudo o que sinto dentro de mim”, relatou.

Atenção aos sinais começa dentro de casa

Durante a programação, o médico de família Anderson Leal também conversou com os pacientes sobre a importância de observar mudanças de comportamento, palavras e atitudes de familiares e pessoas próximas.

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Ele reforçou que sinais de sofrimento emocional não devem ser ignorados e que buscar ajuda é fundamental. As unidades de saúde podem realizar o acolhimento, orientar e encaminhar os pacientes quando necessário, de acordo com cada situação.

Para a gerente da unidade, Maristela de Moraes, realizar ações como essa junto à comunidade faz parte do papel da saúde pública.

“É muito importante a unidade estar à frente de ações como essa, próxima da comunidade, principalmente para tratar de um assunto tão importante como o Setembro Amarelo. Nosso papel como saúde é acolher, orientar e encaminhar os pacientes que estão enfrentando problemas como depressão e ansiedade”, destacou.

Olhar atento pode ajudar a identificar sinais

A responsável técnica da unidade, enfermeira Cida Campos, ressalta que o cuidado com a saúde mental precisa acontecer durante todo o ano, e não somente em setembro.

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“É muito importante que toda a equipe se mobilize, tanto pelos profissionais da saúde quanto pela população que precisa de ajuda. Temos que estar aqui de braços abertos para acolher, dar um abraço e uma palavra de conforto. O Setembro Amarelo reforça essa atenção, mas esse cuidado precisa existir o ano inteiro”, afirmou.

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Cida também chama a atenção para a necessidade de profissionais e familiares observarem mudanças no comportamento, principalmente entre adolescentes. Segundo ela, a unidade já recebeu casos de adolescentes em sofrimento emocional que apresentavam sinais de automutilação.

Em um dos casos, uma adolescente chegou acompanhada pela coordenadora da escola. Ela era retraída, falava pouco e costumava usar blusas de manga comprida mesmo em dias de calor. A escola não havia identificado inicialmente o motivo do comportamento, mas buscou a unidade para pedir orientação.

A equipe realizou o acolhimento e, diante dos sinais identificados, fez o encaminhamento adequado para acompanhamento especializado.

“É muito importante nós, profissionais da saúde, estarmos atentos. Muitas vezes, os adolescentes usam blusas de frio, capuz ou mangas compridas para esconder as marcas. Precisamos ter essa percepção no olhar e prestar atenção às mudanças de comportamento”, explicou Cida.

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Quando necessário, os casos são encaminhados para os serviços da Rede de Atenção Psicossocial, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), além de acompanhamento com profissionais especializados e ações integradas ao Programa Saúde na Escola.

A ação no Jardim Santa Isabel mostrou que falar sobre saúde mental também pode ser uma oportunidade para criar vínculos, estimular a escuta e lembrar que ninguém precisa enfrentar sozinho sentimentos que parecem difíceis de suportar.

Fonte: Prefeitura de Várzea Grande – MT

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