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Improbidade administrativa

Nutricionista da SES paga R$ 657 mil por fraude em licença

Servidora da SES-MT que apresentou atestados falsos para cursar medicina em outro estado firma acordo com MP para devolver R$ 657 mil e tem direitos políticos suspensos.

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acordo servidora SES ressarcimento
Acordo foi homologado pela Justiça após investigação do Ministério Público apontar fraude em licenças médicas.

Acordo firmado com o Ministério Público encerra ação contra nutricionista da SES que usou licenças médicas para se qualificar em outros estados

Um esquema que transformou o sistema de licenças médicas do Estado em financiamento indevido de carreira privada chegou ao fim nesta semana. Leícia Iris de Assunção Prado, nutricionista concursada da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), comprometeu-se a devolver R$ 657.240,94 aos cofres públicos.

O montante é parte do Acordo de Não Persecução Cível (ANPC) homologado pela Justiça, após investigações comprovarem que a servidora apresentou atestados médicos repetidos para se ausentar do trabalho. Contudo, em vez de tratar a saúde, ela cursava medicina e residência em psiquiatria, presencialmente, em outros estados.

A manobra permitiu que Leícia recebesse seus salários integralmente, sem trabalhar, por longos períodos entre 2010 e 2021. Enquanto a folha de ponto em Mato Grosso era justificada por suposta incapacidade laboral, a servidora frequentava aulas na Faculdade de Ciências Biomédicas de Cacoal (RO) e, posteriormente, no Hospital da Associação de Saúde Mental de Goiás (ASMIGO).

O modus operandi

O caso, conduzido pela 11ª Promotoria de Justiça Cível de Cuiabá, expôs uma falha grave no controle de frequência do funcionalismo. Segundo o inquérito, a nutricionista deveria cumprir uma carga horária de 40 horas semanais. No entanto, as investigações cruzaram dados de deslocamento e registros acadêmicos, desmontando a tese de doença incapacitante.

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O promotor de Justiça Mauro Zaque de Jesus, responsável pela ação, foi taxativo ao descrever a conduta na petição inicial.

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“Ao final das investigações restou apurado que a compromissária usufruiu de licença para tratar de interesse pessoal (…) constatou-se que o período que a mesma recebeu seus vencimentos sem a correspondente contraprestação laboral foi de 2010 a janeiro 2015, bem como do ano de 2019 a junho de 2021”, destacou o promotor nos autos.

Na prática, os atestados serviram como uma “bolsa de estudos” ilegal, paga pelo contribuinte mato-grossense, financiando a transição de carreira da servidora da nutrição para a medicina.

A conta chegou

Pressionada pelas provas, a defesa da servidora, representada pelo advogado Samir Hammoud, buscou o Ministério Público para uma solução consensual. A estratégia evitou o prolongamento de um processo judicial que poderia resultar em sanções ainda mais severas.

O acordo estipula condições rígidas para reparar o dano ao erário. Além do ressarcimento financeiro, que corresponde a 50% do valor total do dano calculado (atualizado em mais de R$ 1,3 milhão), Leícia sofreu sanções políticas.

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As obrigações impostas pelo termo homologado incluem:

  • Devolução de valores: O pagamento de R$ 657.240,94 será parcelado em 48 vezes fixas de R$ 13.692,51.

  • Suspensão de direitos políticos: A servidora ficará inelegível por quatro anos, impedida de disputar qualquer cargo eletivo municipal, estadual ou federal.

O promotor Marcos Regenold Fernandes, que conduziu a negociação do ANPC, justificou a aceitação do valor acordado baseando-se na eficiência da recuperação dos ativos.

“A pactuação do ANPC promoverá, de forma mais célere e eficiente, a restituição aos cofres públicos, uma vez que há o risco de se chegar ao final do processo sem que haja patrimônio suficiente para promover o ressarcimento”, argumentou Regenold no documento oficial.

Fiscalização contínua

A homologação judicial, ocorrida na Vara Especializada em Ações Coletivas, valida o compromisso e tem força de sentença. O cumprimento do acordo, no entanto, não encerra a vigilância.

O Ministério Público instaurou um Procedimento Administrativo específico para monitorar o pagamento das parcelas mensais. Caso a servidora descumpra o combinado ou desista do acordo, uma multa de 20% sobre o valor a ser ressarcido será aplicada imediatamente, além da retomada da ação de improbidade administrativa completa.

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Governo sanciona pensão automática via Pix e ampla divulgação do 180

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Leis assinadas em Brasília garantem transferência bancária a beneficiárias e publicidade de canal de denúncias em locais de grande circulação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou na quarta-feira (29), em Brasília (DF), duas leis de proteção às mulheres. As medidas determinam o pagamento automático da pensão alimentícia e a divulgação em larga escala do Ligue 180.

A legislação impõe a transferência financeira direta da conta do devedor para a do credor nos casos em que não há desconto em folha. A publicidade obrigatória do canal de denúncias exige a exposição do serviço em transportes de massa e hospitais.

Pix Pensão

A regra batizada de Pix Pensão estabelece o depósito mensal na conta da pessoa beneficiária. A transferência do valor ocorre de forma automática pelo banco.

“Esse é um projeto que as mães do Brasil abraçaram. Porque o que tem para a CLT, para o assalariado, agora terá para todo mundo com essa lei”, disse a deputada Tábata Amaral (PSB-SP), relatora do projeto na Câmara, durante a cerimônia de sanção presidencial. “Se [o homem] tem filho e deve pensão, tem que ter o depósito na conta da mãe todo mês.”

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Canal de denúncias

A segunda lei sancionada determina a divulgação do Ligue 180 pelo governo federal. A medida abrange meios de comunicação de massa e locais públicos e privados de grande circulação.

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A exigência inclui escolas, casas de espetáculos, locais de diversão, órgãos públicos, hospitais e meios de transporte de massa.

A deputada Camila Jara (PT-MS), relatora do projeto, afirmou que a iniciativa ajuda a preservar vidas. “Falar da importância do Ligue 180 é evitar que as mulheres cheguem a perder sua vida pelo simples fato de serem mulheres. Essa é uma maneira de ampliar e garantir que ele funcione”, declarou.

Monitoramento eletrônico

O presidente assinou ainda dois decretos relativos ao Projeto Mulher Segura. O objetivo é fortalecer a capacidade do Estado de prevenir, monitorar e enfrentar a violência contra a mulher.

Os decretos regulamentam recentes alterações na Lei Maria da Penha. A principal previsão estabelecida é a possibilidade de monitoração eletrônica de agressores.

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“O que vocês estão fazendo é criar novos mecanismos para que a mulher fique mais exigente e protegida e os homens aprendam que é necessário ele criar juízo e não achar que a mulher é um objeto dele, que ele pode fazer o que quiser da mulher”, afirmou Lula.

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