Pesquisar
Close this search box.

Agronegócio em alerta

O fim da Aliança Agrícola em Sinop, Querência e Porto dos Gaúchos

A Aliança Agrícola encerrou atividades no Brasil, fechando unidades estratégicas em Porto dos Gaúchos, Sinop e Querência. Entenda o impacto surpresa em MT.

Publicado em

Fechamento surpresa de russa
Unidade de Porto dos Gaúchos: investimento recente da Aliança Agrícola agora tem futuro incerto.

Sem aviso prévio, gigante Aliança Agrícola encerra atividades e deixa vácuo logístico em Sinop, Querência e Porto dos Gaúchos

 

O dia 14 de janeiro de 2026 entrou para a história recente do agronegócio como a data do silêncio. Sem nenhum aviso prévio, a Aliança Agrícola do Cerrado, braço brasileiro do poderoso grupo russo Sodrugestvo, encerrou todas as suas atividades no país. A decisão, tomada a milhares de quilômetros de distância, reverberou imediatamente em Mato Grosso, onde a empresa operava pontos estratégicos de logística e comercialização.

Reprodução da página da empresa.

A saída abrupta pegou o mercado totalmente no contrapé. Executivos da companhia simplesmente deixaram de responder a mensagens e telefonemas, em um movimento que fontes do setor classificaram como um verdadeiro “chá de sumiço”. Enquanto 344 funcionários eram demitidos nas unidades industriais de outros estados, os produtores rurais mato-grossenses ficaram sem interlocutores.

Advertisement

Em Mato Grosso, o impacto é silencioso, mas profundo, pois desarticula uma rede comercial consolidada. Registros oficiais confirmam que a empresa operava com três bases principais no estado: a filial de Porto dos Gaúchos, estratégica para armazenagem; a unidade de atacado em Sinop; e o estabelecimento comercial em Querência. Essas estruturas, agora inoperantes, deixam um vácuo preocupante na originação de grãos da região.

O mistério de Porto dos Gaúchos

A situação específica da filial de Porto dos Gaúchos desafia a lógica empresarial. A unidade não era um ativo obsoleto ou problemático. Pelo contrário, o armazém com capacidade estática para 66 mil toneladas foi inaugurado há menos de dois anos, em maio de 2024. A estrutura foi desenhada justamente para escoar a produção pelo Corredor Norte, uma rota vital para a competitividade do estado.

Logo, o fechamento dessa unidade levanta questões difíceis. Por que abandonar um investimento tão recente e robusto? Relatórios da administração de meados de 2024 citavam “grande sinergia” e planos de expansão. Agora, tanto a planta de Porto dos Gaúchos quanto as operações comerciais em Sinop e Querência tornam-se monumentos de um planejamento interrompido.

Leia Também:  Embargo às carnes abre crise comercial e Brasil ameaça retaliar a UE

Para o produtor local, a saída de um comprador desse porte reduz drasticamente a concorrência. Consequentemente, isso pode pressionar as margens de lucro em uma safra que já se desenha desafiadora. Além disso, resta a dúvida angustiante sobre o destino da soja já entregue ou contratada para a safra 2025/2026 nessas unidades.

Um bilionário e o silêncio russo

Por trás da decisão radical está a figura enigmática de Alexander Lutsenko. Aos 63 anos, o bilionário de origem bielorrussa e cidadania russa comanda o império Sodrugestvo a partir de Kaliningrad. Ex-oficial do exército soviético, Lutsenko construiu sua fortuna de US$ 2,5 bilhões com disciplina militar e faro aguçado para oportunidades.

Advertisement

Alexander Lutsenko. Foto: reprodução internet.

No entanto, a disciplina parece ter dado lugar à invisibilidade. Nem Lutsenko nem o executivo brasileiro Danilo Dalia Jorge vieram a público explicar os motivos reais. A falta de transparência fere princípios básicos de responsabilidade social corporativa, especialmente quando centenas de parceiros comerciais em cidades como Sinop e Querência dependem dessas explicações.

Especulações sobre geopolítica ganham força nos bastidores. O cenário internacional para empresas russas permanece complexo e volátil. Ainda assim, não há confirmação oficial de que sanções tenham motivado a retirada. O silêncio, nesse caso, apenas alimenta a insegurança jurídica e as teorias do mercado.

A conta que não fecha

Financeiramente, a Aliança Agrícola não parecia uma empresa à beira do abismo. Na safra 2024/2025, a companhia registrou receita líquida de R$ 4,6 bilhões. Embora represente uma queda de 7% em relação ao ciclo anterior, o negócio gerou caixa positivo. O EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 152 milhões, com margens compatíveis ao setor.

Leia Também:  Só um em cada cinco motociclistas de aplicativo contribui para a Previdência, aponta IBGE

Portanto, a justificativa puramente econômica perde força diante dos números. Credores afirmam que o endividamento estava controlado. A empresa, inclusive, emitiu Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) recentemente. Diante desses dados, a desmobilização repentina das unidades de Mato Grosso e do restante do país soa inexplicável.

Advertisement

Essa contradição entre balanços saudáveis e portas fechadas sugere fortes motivações extra-campo. Pode ser uma reestruturação global do Grupo Sodru ou uma ordem direta vinda de Moscou. De qualquer forma, a conta sobrou para o trabalhador brasileiro e para o produtor mato-grossense.

Até uma semana atrás a empresa anunciava vagas no seu perfil no linkedin.

O rastro do prejuízo

O encerramento das atividades ignora o impacto humano e econômico regional. Em Bataguassu (MS), a prefeitura teve que organizar um feirão de empregos emergencial. Já em Mato Grosso, o fechamento das filiais de Sinop, Querência e Porto dos Gaúchos rompe elos vitais da cadeia produtiva local.

A quebra de confiança é imediata e perigosa. O agronegócio opera fundamentalmente na base da palavra e do contrato. Quando uma das 20 maiores tradings do país desaparece da noite para o dia, o sinal de alerta acende para todos os players. Quem garante que outras multinacionais não farão o mesmo?

Agora, resta aos credores e parceiros a via judicial. A promessa de pagamento das rescisões existe, mas a ausência física dos gestores gera apreensão. O “chá de sumiço” da diretoria não apaga as obrigações legais deixadas para trás nas cidades mato-grossenses.

Advertisement

Leia também:

Remédio de luxo e vapes são apreendidos em Itiquira

Barbeiro e sushiman presos em flagrante por carro de luxo

Polícia prende mãe por “corrigir” filha

Esposa de ex-vereador denuncia calúnia em rede social

Advertisement

Educação ambiental climática ganha força no brasil sob pressão de extremos

AGRONEGÓCIO

Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil

Published

on

O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.

O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.

Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.

A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.

Advertisement

No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.

O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.

Leia Também:  Independência ou morte: Brasil alimenta o mundo, mas ainda depende do exterior

Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.

“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.

Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.

Advertisement

A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.

Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.

A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.

Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.

Advertisement
Leia Também: IA dos EUA mapeia 97% das áreas agrícolas do Brasil e destaca força mundial do agronegócio

Leia Também:  Teles Pires 2,81 metros abaixo da mediana e rio Cuiabá, que abastece 722 mil pessoas, no segundo 1º de setembro mais baixo desde 1968

O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.

Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.

Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.

O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.

Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.

Advertisement

O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

GRANDE CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA