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Esporte paralímpico

Competição nacional testa complexo aquático de R$ 13 milhões em Cuiabá

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Complexo Aquático Arena Pantanal

Etapa do Meeting em Mato Grosso reúne 154 competidores de natação e atletismo e serve como seletiva para rankings do país

A etapa estadual do Meeting Paralímpico reuniu 154 atletas com deficiência neste fim de semana e serviu como evento teste oficial para as novas instalações do Complexo Aquático Arena Pantanal, em Cuiabá. O evento tem organização do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) com apoio da Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Secel-MT).

A avaliação da estrutura, recém-inaugurada no bairro Verdão, aponta para uma redução no déficit histórico de espaços físicos adequados para treinamentos de alto rendimento no estado. Os tempos e marcas registrados nas provas compõem os rankings brasileiros da categoria e operam como seletiva direta para o calendário nacional do esporte adaptado.

No terceiro parágrafo, as percepções das lideranças esportivas confirmam o peso da entrega. “O Complexo Aquático Arena Pantanal é uma estrutura nova de extrema excelência para os atletas, uma estrutura adequada com uma equipe qualificada para uma competição de alto nível”, afirma o vice-presidente do CPB, Yohansson Ferreira.

A responsável pela realização do evento na capital mato-grossense, a árbitra paulista Adilma Arruda Rodrigues, defende a replicação do formato. “É esse modelo que a gente gostaria de ver em outros lugares do país. Está perfeito, achei a estrutura maravilhosa”, relata.

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Dimensões e recomposição estrutural

O Complexo Aquático Arena Pantanal recebeu aportes de R$ 13 milhões do Governo de Mato Grosso para sua consolidação estrutural. A obra, entregue em março, abrange uma área total construída de 2.504 metros quadrados.

O projeto arquitetônico executado incorporou vestiários climatizados e uma arquibancada coberta, estruturada com cadeiras que oferecem mais de 800 assentos. A capacidade total de público do complexo atinge 1,2 mil pessoas simultaneamente.

A piscina de competições foi submetida a uma recomposição estrutural completa. O equipamento segue o padrão de 50 metros de comprimento por 25 metros de largura, com profundidade unificada de 2,20 metros. A adequação visa garantir as condições técnicas exigidas para a homologação de resultados em esportes aquáticos oficiais.

Resultados clínicos e impacto na base

As provas de natação contaram com a participação de 22 atletas com deficiência. O evento evidenciou histórias de transição entre o esporte com foco em reabilitação médica e o esporte de alto rendimento.

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Welsley Almeida Nunes da Silva, de 16 anos, natural de Sorriso, conquistou duas medalhas de ouro na competição, vencendo as provas de 100 metros livre e 100 metros costas. O adolescente ingressou na natação após o diagnóstico de uma doença rara progressiva que causa o atrofiamento dos nervos.

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O atleta compete sob a orientação de dois treinadores distintos, que aplicam metodologias e espaçamentos de treino específicos. Um dos técnicos é seu próprio irmão, integrante da equipe Brasil Dourado, do município do norte do estado. Ao analisar o espaço das provas, Welsley validou as intervenções estaduais. “Ficou excelente. Também gostei dos vestiários e da arquibancada coberta com cadeiras”, afirma.

A percepção de melhoria é compartilhada pela rede de apoio dos esportistas. Amiga da família de Welsley, Alana Peixoto aponta o fim de uma lacuna estrutural. “Precisávamos há anos de uma estrutura física adequada para crianças. O lugar está maravilhoso”, avalia.

Na categoria sub-14, o nadador Bryan Assunção, de 12 anos, faturou a medalha de prata na prova dos 50 metros peito. “A sensação de vitória é muito boa. Meu sonho é ser um atleta de primeira, ser muito bom nisso”, diz o competidor.

Bryan é morador de Várzea Grande e desenvolve sua preparação no Centro de Referência Paralímpico do município. O espaço, inaugurado em 2023, resulta de uma parceria entre o CPB, a Secel-MT e a Prefeitura, responsável pela doação do terreno.

A entrada do jovem na modalidade ocorreu por prescrição médica focada na sua deficiência nas pernas. Sua mãe, a fotógrafa e profissional de mídias sociais Crislaine Evelyn de Arruda Marques, relata o processo. “Primeiramente, coloquei para o Bryan na natação por indicação médica para fortalecer o músculo e o organismo porque ele tem deficiência na perna”, pontua.

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A transição para os treinos no Centro de Referência alterou o foco familiar, revelando melhoras físicas, mentais e emocionais. “O esporte desperta uma sensação de confiança, uma busca por ser melhor”, diz Crislaine. Ao avaliar as novas instalações do Verdão, ela elogia o conforto das cadeiras e classifica a estrutura como “coisa de cidade grande”.

Transição de modalidade no atletismo

Enquanto a natação ocorria na Arena Pantanal, o Meeting promoveu simultaneamente provas de atletismo no Centro Olímpico de Treinamento (COT) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

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Calvin Vinicius, atleta baiano de 20 anos residente em Várzea Grande desde 2015, conquistou a medalha de ouro no arremesso de peso. O competidor, que integra a classe F36 (paralisados cerebrais), atingiu a marca de 8,43 metros.

A trajetória de Calvin ilustra a retenção de talentos através da migração entre modalidades. Seu início no esporte adaptado ocorreu no badminton, disputando a classe SL4 (comprometimento nos membros inferiores). Em 2023, ele representou Mato Grosso nas Paralimpíadas Escolares, mas encerrou a participação sem alcançar o pódio.

O revés motivou a mudança drástica de equipamento e rotina. “Decidi então ir para o atletismo. Já gostava da modalidade e acredito que tenho mais chances de ir à Seleção Brasileira”, relata Calvin, cuja verdadeira especialidade é o lançamento de dardo — prova que não foi ofertada para sua classe específica nesta etapa do Meeting.

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A readequação biomecânica gerou resultados rápidos. “No início, foi um desafio. Mas agora é uma paixão. Descobri meu verdadeiro potencial e que posso ir mais longe do que eu imaginava”, avalia o arremessador. “Tenho orgulho de representar o esporte paralímpico. Sigo buscando evoluir, quebrar meus próprios limites e conquistar resultados ainda melhores”.

O Meeting Paralímpico opera como principal ferramenta do CPB para a descentralização do esporte adaptado no território nacional. As etapas deste fim de semana ocorreram de forma simultânea em Cuiabá, Manaus e Natal. O circuito percorre todas as Unidades da Federação e tem encerramento programado para o período de 6 a 8 de agosto, no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo.

 

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Papa Leão XIV publica encíclica inédita e pede desarmamento da IA

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enciclica inteligencia artificial

Documento de 200 páginas traça paralelo com energia nuclear e condena algoritmos que perpetuam injustiças e sistemas de armas autônomos.

O Papa Leão XIV publicou nesta segunda-feira (25) a primeira encíclica de seu pontificado, intitulada Magnifica humanitas, na qual defende a custódia da pessoa humana diante do avanço tecnológico. O texto exige o fim do uso da inteligência artificial como mecanismo de exclusão e alerta para as mudanças radicais na condução de conflitos armados no mundo.

A publicação formaliza a posição oficial da Igreja Católica perante as ferramentas automatizadas. O pontífice argumenta que a inteligência artificial exige regulação imediata e precisa ser resgatada “das lógicas que a transformam em instrumento de domínio, exclusão ou morte”. Para o líder católico, o momento exige a aplicação do conceito de desarmamento ao setor de tecnologia para garantir que as ferramentas operem em prol do bem comum.

A apresentação do documento marcou uma quebra de protocolo no Vaticano. Pela primeira vez na história, um Papa compareceu pessoalmente à Sala do Sínodo para introduzir o texto de um documento magisterial ao público. “A confiança de que, juntos, podemos discernir as grandes questões do nosso tempo e, portanto, o futuro da humanidade”, afirmou o Papa durante a cerimônia. A plateia reuniu cardeais, professores e especialistas em alta tecnologia, configuração que o pontífice classificou como um símbolo da “gravidade do momento” atual.

A Igreja declara, por meio do texto, possuir a missão de “decifrar coisas novas à luz do Evangelho e da dignidade do ser humano”. A preocupação central reside na influência invisível dos códigos de programação sobre a vida civil e sobre a estrutura de decisões institucionais.

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Paralelo histórico com a Revolução Industrial

A estrutura da Magnifica humanitas estabelece uma conexão direta com eventos do final do século 19. O Papa Leão XIV, cujo nome de batismo é Robert Francis Prevost, baseia sua argumentação na resposta da Igreja à revolução industrial. Há 135 anos, o Papa Leão XIII, nome de batismo Pecci, observou as consequências da transformação industrial, que resultou no empobrecimento e desenraizamento de famílias trabalhadoras. Naquela ocasião, Pecci “compreendeu que a Igreja não podia permanecer à margem” e redigiu a encíclica Rerum Novarum.

Prevost assinou a Magnifica humanitas no dia 15 de maio, data exata do aniversário de publicação da Rerum Novarum, consolidando o simbolismo histórico. O líder da Igreja Católica descreve o cenário atual como uma nova “mudança de época” com potencial de ameaça aos direitos fundamentais. O documento de hoje trata a inteligência artificial como as novas “res novae” (coisas novas) da sociedade contemporânea.

No texto, o Papa declara sentir-se “chamado a olhar para outra grande transformação com os olhos da fé, com a clareza da razão, com a abertura ao mistério e com os gritos dos pobres e da terra que ressoam em” seu “coração”.

Sistemas de armas e algoritmos de exclusão

O documento compila aproximadamente 200 páginas dedicadas a analisar como a automação afeta múltiplas áreas da vida civil. Um dos focos centrais da encíclica recai sobre a indústria bélica. O Papa afirma que a tecnologia está “mudando radicalmente a forma como a guerra é travada”.

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A redação do texto envolveu o recebimento de relatos confidenciais e públicos sobre os rumos da indústria bélica e de software. “Também chegaram até mim outros relatos, bastante perturbadores, sobre sistemas de armas cada vez mais autônomos, praticamente fora do controle humano”, relata o pontífice na encíclica.

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Além do uso militar, o Papa critica a automação de sistemas de gestão civil e empresarial. O texto aponta para o risco de algoritmos tomarem decisões discriminatórias. “Estou recebendo relatos muito preocupantes sobre algoritmos que podem negar acesso à saúde, trabalho e segurança com base em dados contaminados por preconceito e injustiça”, registra o documento.

A encíclica descreve essas falhas operacionais como “decisões que correm o risco de gerar novas formas de exclusão e sofrimento”. A redação do texto deu peso ao “silêncio de quem não tem voz quando as decisões são tomadas”, referindo-se às populações submetidas a triagens algorítmicas sem possibilidade de recurso.

Desarmamento e analogia nuclear

A conclusão diagnóstica da encíclica, classificada pelo próprio autor como perturbadora, exige ação drástica: “A Inteligência Artificial deve ser desarmada”. O Papa justifica o uso do termo armamentista. “A palavra é forte, eu sei”, admite Leão XIV no texto, “mas foi escolhida deliberadamente porque este momento precisa de palavras capazes de chamar a atenção, despertar as consciências e indicar o caminho a seguir para a humanidade.”

O raciocínio papal iguala a gestão da inteligência artificial à regulação do arsenal atômico global. A Igreja aponta seu próprio histórico de engajamento pelo desarmamento nuclear, classificado como um “serviço à paz e à dignidade da família humana”. Para o Vaticano, “a Inteligência Artificial requer hoje que seja desarmada”, operando sob a premissa de que, “como a energia nuclear, deve estar a serviço de todos e do bem comum”.

O documento impõe um critério ético aos desenvolvedores, determinando que “as decisões sobre a tecnologia nunca devem ser separadas da consciência e da responsabilidade”. Leão XIV adverte que a perda do controle analítico sobre a tecnologia ameaça a estabilidade global. “A paz, e não apenas a ausência de guerra, é a justiça em ação. Mas quando a tecnologia enfraquece nosso senso crítico, a própria paz fica em risco. Desarmar, porém, não basta. Precisamos construir.”

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A tragédia no Peru e a reconstrução conjunta

Para ilustrar o conceito de construção de um novo cenário tecnológico, a encíclica resgata uma experiência pessoal do Papa Leão XIV. Em 2017, durante seus anos de trabalho no Peru, fortes chuvas e inundações provocadas pelo fenômeno El Niño atingiram a região norte do país sul-americano.

“Muitas famílias viram suas casas engolidas pela lama, e o mesmo aconteceu com muitas estradas”, relata o Papa. A vivência na zona de desastre fundamenta o argumento central sobre a governança tecnológica. “Ali”, escreve o pontífice, “aprendi que reconstruir não significa simplesmente substituir o que foi destruído. Significa consertar laços, restaurar a confiança e reacender a esperança no futuro. Além disso, ninguém reconstrói sozinho.”

A metáfora do desastre natural é aplicada à necessidade de inclusão de todos os setores da sociedade no desenvolvimento da IA. O texto exige uma visão integral para orientar os algoritmos. O Papa detalha que a solução exige o trabalho conjunto entre “quem projeta os sistemas e quem sofre suas consequências, os países mais ricos e os mais pobres, as instituições e os indivíduos, os centros de poder e as periferias”. O objetivo, aponta o documento, é evitar um cenário voltado “para poucos privilegiados” e garantir benefícios “para toda a família humana”.

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A sabedoria da Igreja e as próximas etapas

A encíclica resgata os ensinamentos dos Papas Paulo VI e João Paulo II, especificamente o conceito de “civilização do amor”, para justificar a intervenção da instituição no debate científico. O texto aborda o tema “com humildade e franqueza”, reconhecendo os limites de atuação da Santa Sé.

“Não possuímos respostas técnicas, nem pretendemos substituir quem tem competência”, esclarece Leão XIV. A intervenção ocorre no campo ético. “Mas contribuímos com uma sabedoria sobre o humano que o nosso tempo necessita desesperadamente: cada pessoa é única e insubstituível, um sujeito livre e inteligente, dotado de consciência, capaz de buscar a Deus, servir aos outros e cuidar da nossa casa comum.”

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No fechamento do documento, o pontífice exige ação coordenada. O texto convoca leitores a enfrentar os desafios atuais e a cooperar para o estabelecimento de uma sociedade fraterna. “Aprendamos a ouvir uns aos outros, a enfrentar com coragem os desafios do presente e a cooperar na construção de uma sociedade mais humana e fraterna”, escreve. A expectativa formalizada por Leão XIV com a publicação da Magnifica humanitas é criar uma geração de “artesãos da esperança” dedicados a “construir o canteiro de obras do nosso tempo”.

Como foi feito

A formulação da encíclica Magnifica humanitas consolida um período de dez anos de reflexão interna da Santa Sé sobre os impactos das novas tecnologias. O método de trabalho adotado pelo Papa Leão XIV baseou-se na escuta de diversos estratos sociais e técnicos. O processo incluiu o recolhimento de dados de cientistas e engenheiros que atuam no alívio de sofrimentos através da tecnologia, além de diálogos com líderes políticos e servidores públicos responsáveis pela formulação de marcos regulatórios. A base do documento também incorporou os depoimentos de pais e professores focados no desenvolvimento educacional e na proteção das novas gerações.

 

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