CÂMARA FEDERAL
“Revolta popular elege ‘Cacareco’”, afirma Bezerra sobre Abílio
Presidente do MDB em Mato Grosso, o ex-deputado federal Carlos Bezerra comparou a eleição do deputado federal Abílio Brunini (PL) à “vitória” do rinoceronte “Cacareco”, que ocorreu em São Paulo em 1959.
Na época o animal “recebeu” 100 mil votos, número que daria a qualquer candidato uma cadeira de vereador na Câmara Municipal. O episódio ficou marcado como um dos mais famosos casos de voto de protesto em massa da história da política brasileira.
Ao ser questionado sobre a eleição de Abílio, que atualmente enfrenta inúmeras críticas pela sua atuação no Congresso Nacional, Bezerra associou a votação a uma escolha baseada na revolta.
“Não quero fazer nenhuma menção a isso, mas tem muitos candidatos que surgem de uma revolta popular. Foi o caso do “Cacareco”. Deram votos para um rinoceronte em São Paulo. Então, a revolta popular termina elegendo Cacareco”, afirmou.
Bezerra ainda falou sobre as eleições de 2022 e afirmou que foi prejudicado pelo estilo de campanha que ocorreu na época. O emedebista tentava se reeleger na Câmara Federal, mas acabou perdendo.
O pleito foi marcado pela polarização de direita e esquerda, que foi inflamada pela disputa entre Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL) à presidência. Neste contexto, Abílio e outros candidatos bolsonaristas acabaram ocupando a bancada de Mato Grosso.
“Não estou estabelecendo nada aqui, mas essa eleição foi uma eleição cheia de fake news, de radicalismo e terminou prejudicando alguns. Inclusive eu fui prejudicado por esse processo”, disse.
Atuação na Câmara
Bezerra fez críticas aos deputados federais eleitos em Mato Grosso e, sem citar nomes, afirmou que alguns parlamentares são fracos em trabalho.
“O povo que fez isso, o que vamos fazer? É vontade popular. Eu fui deputado com maior volume de projeto aprovado, fui relator, presidente, agora infelizmente temos alguns eunucos, que não sabem onde começou e onde termina a coisa. Isso é ruim para o Estado e para o Brasil”, afirmou.
VITÓRIA GOMES/MN
CÂMARA FEDERAL
Nikolas Ferreira aciona MP contra Acadêmicos de Niterói após desfile com ala de “conservadores em lata”
O deputado Nikolas Ferreira e a OAB-RJ apontam intolerância religiosa na ala “Neoconservadores em conserva” do desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou Lula na Sapucaí. A escola defende a liberdade artística.
Deputado e OAB-RJ apontam intolerância religiosa em enredo que homenageou Lula na Sapucaí; escola alega perseguição política e defende liberdade artística.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) anunciou, nesta quarta-feira (18), que protocolará uma representação no Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) contra Wallace Alves Palhares, presidente da escola de samba Acadêmicos de Niterói. O parlamentar acusa a agremiação de intolerância religiosa durante o desfile realizado no último domingo (15), na Marquês de Sapucaí, que teve como enredo uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O ponto central da controvérsia é a ala batizada de “Neoconservadores em conserva”. Segundo o deputado, a alegoria, que fantasiava foliões como latas de sardinha, retratou cristãos e conservadores “como se fossem algo a ser descartado”. Para Ferreira, a encenação “ultrapassou o limite da crítica política e entrou no terreno perigoso do preconceito religioso”.
A representação deve ser formalizada nesta quinta-feira (19), com base na Lei 7.716/89, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor, e na Constituição Federal. “Carnaval é cultura. Fé é direito fundamental. Já a intolerância religiosa é crime”, afirmou o deputado em nota à imprensa.
OAB-RJ endossa críticas
A movimentação jurídica ganhou reforço institucional na última terça-feira (17), quando a seccional do Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) emitiu uma nota de repúdio. A entidade classificou o episódio como “intolerância religiosa”, argumentando que a apresentação feriu “o direito fundamental de liberdade religiosa” e configurou “afronta direta à ordem constitucional”.
A Frente Parlamentar Católica também se manifestou, alinhando-se ao discurso de que a sátira ofendeu a fé cristã ao ridicularizar publicamente o grupo religioso em uma transmissão de alcance internacional.
A defesa da escola
A Acadêmicos de Niterói, que estreou no Grupo Especial com o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, defende-se sob o argumento da autonomia artística. Em nota, a agremiação afirmou ser vítima de “tentativa de interferência direta na nossa autonomia artística”, citando pedidos anteriores para mudança de enredo e questionamentos sobre o samba. A escola sustenta que as ações buscam “enquadrar e silenciar” sua liberdade de criação no carnaval.
Contexto político e verbas públicas
Além da questão religiosa, o desfile é alvo de disputa eleitoral. Opositores classificaram a apresentação como um “desfile-comício em rede nacional” financiado com dinheiro público. Reportagens indicam que a escola teria recebido repasses da Prefeitura de Niterói, com valores citados em torno de R$ 4 milhões em contextos gerais da cidade para o carnaval, e especificamente cerca de R$ 1 milhão para este desfile segundo algumas fontes.
Nikolas Ferreira informou que, caso o presidente Lula registre candidatura oficial, pretende ingressar também com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) por abuso de poder político e econômico. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) havia negado pedidos prévios para barrar o desfile, considerando-o, a princípio, uma manifestação cultural.
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