Narcotráfico e logística
PF flagra drogas em caminhão com carga da Conab em MT
Motorista foi preso pela PF em Itaúba (MT) com 391 kg de drogas na cabine de um caminhão. Ele confessou o crime e afirmou que a carga de milho pertencia à Conab.
Motorista confessou transporte de quase 400 kg de entorpecentes na cabine; carga lícita teria como destino o Piauí
Uma operação integrada das forças de segurança desmantelou, neste sábado (17), um esquema de tráfico interestadual que utilizava o transporte oficial de grãos como fachada. A Polícia Federal prendeu em flagrante o motorista Benicio Euzébio da Silva Neto, de 41 anos, no município de Itaúba (MT). Ele transportava 391 kg de drogas na cabine de uma carreta carregada com milho, supostamente a serviço da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
A ação contou com o Grupo Especial de Fronteira (Gefron), Polícia Militar e PF. O veículo, uma Scania branca, foi interceptado na BR-163 após monitoramento de inteligência. A mistura entre o transporte de uma commodity vital para a economia e o crime organizado expõe, mais uma vez, a vulnerabilidade logística nas rotas de escoamento do agronegócio.
O cheiro que denunciou o crime
A abordagem não exigiu cães farejadores ou scanners complexos num primeiro momento. A ousadia do transporte era tamanha que os agentes identificaram a ilicitude pelo olfato. Segundo o Boletim de Ocorrência, “durante a abordagem foi sentido um forte odor de entorpecente, chamando a atenção das equipes policiais”.
O policial militar Luan Menezes Araújo, que participou da ação, reforçou a facilidade na detecção durante seu depoimento.
“Pelo fato de a droga estar dentro da cabine, era bem perceptível a presença do entorpecente em razão do forte odor”, relatou o militar.
Ao realizarem a busca na boleia do caminhão, os agentes encontraram um verdadeiro arsenal químico empilhado. Foram contabilizados 234 volumes de maconha, dois de skank (a “supermaconha”), 152 de pasta base e 10 de cloridrato de cocaína.
A confissão e a rota da Conab
Em seu interrogatório, Benicio não negou o crime. Ele alegou que a motivação foi o desespero financeiro. O motorista afirmou que estava em Sinop, limpando o caminhão no Posto São Roque, quando foi aliciado.
“Diante da necessidade financeira aceitou o pedido”, registra o termo de interrogatório. Ele detalhou ainda que “ganharia 80 mil reais pelo transporte” até o município de Confresa (MT).
Contudo, o detalhe mais alarmante surgiu na explicação sobre a carga lícita. O motorista afirmou categoricamente às autoridades que “essa carga de milho é da Conab e o frete era pela transportadora Prospero”. Segundo ele, o grão havia sido carregado em um armazém em Sinop e tinha como destino Teresina, no Piauí.
Essa declaração aponta para um uso parasitário da logística estatal. O tráfico aproveitou-se de uma rota oficial, documentada com nota fiscal, para tentar escoar quase meia tonelada de drogas pela malha rodoviária federal.
Conexões com facção criminosa
Embora o motorista tenha alegado no interrogatório formal não conhecer os aliciadores — descrevendo apenas um “Gol branco” —, as informações de inteligência policial apontam para uma estrutura maior. O Boletim de Ocorrência é taxativo ao vincular o material apreendido a uma das maiores facções do país.
“As informações indicam que a droga pertence a organização criminosa Comando Vermelho”, cita o documento oficial. O registro policial ainda complementa que, em entrevista informal no momento da prisão, “o suspeito confirmou tal informação”.
Decisão e medidas cautelares
O delegado da Polícia Federal, Gustavo Coutinho Vasquez, foi rígido em sua análise jurídica. No despacho que ratificou a prisão, ele destacou a gravidade concreta do delito e a periculosidade da ação.
“Portanto, são fartos os indícios de autoria e materialidade”, escreveu o delegado.
Vasquez representou imediatamente pela conversão da prisão em flagrante em preventiva. Ele argumentou que a liberdade do motorista representaria um risco, dada a quantidade de droga — “quase meia tonelada” — e a sofisticação logística.
“Represento pela conversão da prisão em flagrante de Benicio Euzébio da Silva Neto em prisão preventiva”, determinou a autoridade policial, negando a fiança.
Além da prisão, o delegado solicitou a quebra de sigilo dos dados telefônicos do preso e a “autorização judicial para destruição da substância apreendida”, visando eliminar o material ilícito após a perícia. A carga de milho e o caminhão permaneceram apreendidos, aguardando decisão judicial sobre sua destinação ou restituição aos proprietários legais, caso comprovada a boa-fé da transportadora.
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Fonte: Câmara de Cuiabá – MT
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