Crise institucional
Crise no IBGE de Lula escala com demissões na área do PIB
A crise no IBGE de Lula escala após a exoneração de Rebeca Palis e a debandada de especialistas do PIB. O conflito central reside na Fundação IBGE+, uma entidade privada criada sob sigilo que permite financiamento externo, ameaçando a autonomia técnica e a credibilidade das estatísticas oficiais brasileiras.
A instituição da IBGE+ gerou uma debandada técnica sem precedentes e acusações de retaliação política no órgão responsável pelas estatísticas do país.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) atravessa sua crise mais aguda em décadas. O estopim foi a criação da Fundação IBGE+, uma entidade de direito privado concebida pela gestão de Márcio Pochmann. Embora o governo defenda a medida como uma saída para restrições orçamentárias, o corpo técnico enxerga uma ameaça direta à independência dos dados nacionais.
A crise escalou para o campo das demissões. Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais e responsável pelo cálculo do PIB, foi exonerada em janeiro de 2026. O ato provocou uma reação em cadeia. Cristiano Martins, seu vice, entregou o cargo em solidariedade. Logo depois, Claudia Dionísio e Amanda Tavares, gerentes cruciais para o PIB trimestral, também saíram.
O “IBGE paralelo” e o sigilo na criação
A Fundação de Apoio à Inovação Científica e Tecnológica do IBGE (IBGE+) nasceu sob forte desconfiança. Servidores denunciam que o projeto foi tocado em sigilo por 11 meses. “Essa medida foi implementada sem consulta aos quadros técnicos, à comunidade científica e à sociedade civil”, alerta o sindicato ASSIBGE.
Para os críticos, a fundação cria um “IBGE paralelo”. O temor é que interesses privados influenciem a metodologia das pesquisas. Roberto Olinto, ex-presidente do órgão, é categórico. Ele afirma que a direção atual faz um trabalho de “gradual perda de credibilidade”. Olinto ainda ressalta que o financiamento extraorçamentário via fundação é desnecessário para a produção estatística tradicional.
A defesa de Pochmann e o embate ideológico
Márcio Pochmann rebate as críticas com dureza. Ele classifica as denúncias como “muita fake news” e “muita mentira”. Em discurso recente, o presidente comparou a resistência interna aos tempos da ditadura militar. “Vamos estudar o que foi o IBGE nos anos 1960 e 1970”, desafiou Pochmann, sugerindo que a direção atual apenas exerce sua autoridade legítima.
O argumento central da gestão é pragmático. Bancos públicos e estatais não podem transferir recursos diretamente ao IBGE por impedimentos legais. A fundação seria a “ponte” para captar esse dinheiro. “A direção é para tomar medidas necessárias”, justificou Pochmann ao defender as mudanças administrativas.
Riscos à soberania das estatísticas
A comunidade econômica externa expressa preocupação. Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, alerta que a incerteza prejudica o planejamento da nação. A saída de nomes técnicos experientes no meio de uma mudança de base do PIB gera insegurança nos mercados.
Diante do caos interno, o Ministério do Planejamento recuou. Em 29 de janeiro de 2025, o governo suspendeu temporariamente a IBGE+ para mapear “modelos alternativos”. A decisão foi uma vitória momentânea para os servidores, mas o clima de desconfiança persiste. O futuro da soberania geoestatística brasileira agora depende do diálogo com o Congresso.
Para entender melhor
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ICT (Instituição de Ciência e Tecnologia): Entidade da administração pública que tem como missão a pesquisa básica ou aplicada de caráter científico ou tecnológico.
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NIT (Núcleo de Inovação Tecnológica): Estrutura instituída para gerir a política de inovação de uma ICT, facilitando parcerias entre o setor público e privado.
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Contas Nacionais: Sistema que mensura a atividade econômica de um país, resultando em indicadores como o PIB.
A aissão pública sob risco
Na prática, o IBGE funciona como a bússola da economia brasileira. Suas atribuições vão além de contar pessoas; o instituto é o guardião do Sistema de Contas Nacionais. É a partir de seus cálculos que o mercado define juros e o governo planeja políticas públicas. Para que isso funcione, a independência técnica é inegociável, seguindo protocolos internacionais da ONU que exigem que as estatísticas sejam imunes a pressões políticas ou financeiras.
O nó crítico da IBGE+
Os problemas práticos da nova fundação não são apenas burocráticos, mas existenciais para o órgão. Ao ser criada em sigilo por 11 meses, a IBGE+ atropelou a transparência institucional. No dia a dia, o maior entrave é a possibilidade de “captura” por interesses privados: o estatuto permite que empresas ou entidades estrangeiras financiem pesquisas específicas. Isso abre caminho para que o setor privado influencie metodologias ou a priorização de levantamentos, o que especialistas apontam como uma “privatização branca” de dados que deveriam ser estritamente públicos.
Além disso, a inconstitucionalidade apontada por pareceres jurídicos trava a segurança de longo prazo. Como a fundação não foi criada por lei específica, mas por escritura pública, cada contrato assinado nasce sob o risco de ser anulado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O resultado prático é a paralisia: técnicos experientes, temendo a politização do dado, preferem entregar seus cargos a validar um modelo de gestão que consideram opaco e autoritário.
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CUIABÁ
Nota de Pesar
Fonte: Câmara de Cuiabá – MT
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