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Educação e saúde

Fiasco no Enade: UFMT lidera e privadas falham

O resultado do Enade 2025 confirmou um abismo na formação médica em Mato Grosso. Enquanto a UFMT consolidou sua excelência, faculdades privadas em Cáceres e Cuiabá reprovaram na avaliação oficial e sofrerão cortes de vagas. Confira a análise detalhada e o ranking do estado.

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Estudantes de medicina em sala de aula; contraste de desempenho no Enade 2025 coloca UFMT no topo e expõe falhas graves em faculdades privadas de MT.Foto: Rogério Florentino.

Enquanto universidades federais mantêm alto desempenho, faculdade em Cáceres registra apenas 15% de alunos proficientes e enfrenta corte de vagas.

O diagnóstico é severo e o paciente corre risco. A divulgação dos resultados do Enamed 2025 — o novo formato do Enade para a medicina — revelou um cenário de disparidade alarmante no ensino médico de Mato Grosso. Se por um lado as instituições públicas e algumas privadas mantêm padrões elevados, por outro, o Ministério da Educação (MEC) identificou cursos que estão diplomando profissionais sem o conhecimento mínimo esperado para exercer a medicina com segurança.

A situação mais crítica do estado, e uma das piores do país, encontra-se em Cáceres. O Centro Universitário Estácio do Pantanal (Unipantanal) obteve nota 1 no Conceito Enade, a pior graduação possível na escala que vai até 5.

Os dados são frios, mas as consequências são reais. Apenas 15,4% dos concluintes da instituição demonstraram proficiência na prova. De 27 alunos inscritos, apenas 4 atingiram o desempenho mínimo exigido. O resultado coloca a instituição na mira direta da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres).

O bisturi do MEC: cortes e suspensões

Não se trata apenas de uma nota baixa. Segundo o protocolo de supervisão estratégica divulgado pelo governo federal, instituições classificadas na Faixa 1 com menos de 30% de proficiência — caso da Unipantanal — sofrem sanções imediatas e pesadas.

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A faculdade de Cáceres entra automaticamente em regime de cautelar que prevê:

  • Suspensão de ingresso de novos alunos;

  • Redução de 50% das vagas autorizadas;

  • Suspensão de novos contratos do Fies;

  • Proibição de participar de programas federais como o Prouni.

O objetivo da medida é estancar a “ameaça ao interesse público”, conforme define o decreto regulatório, impedindo que a instituição continue colocando no mercado profissionais com formação considerada deficitária.

Cuiabá em alerta amarelo

Na capital, a luz de alerta acendeu para a Universidade de Cuiabá (UNIC/UNIME). A instituição, uma das maiores do estado, amargou o Conceito 2. Menos da metade dos seus formandos (45,7%) demonstrou proficiência adequada no exame.

Embora escape das sanções mais drásticas aplicadas à Estácio do Pantanal, a UNIC entra na mira da supervisão. Pela regra vigente para a Faixa 2 (proficiência entre 40% e 59,9%), a instituição fica proibida de aumentar o número de vagas até que sane as irregularidades acadêmicas e prove melhoria na qualidade do ensino.

O abismo entre o público e o privado

A análise dos números de Mato Grosso expõe um abismo qualitativo. Enquanto parte do setor privado patina, as instituições públicas consolidam sua liderança.

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A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) lidera o ranking estadual. O campus de Sinop atingiu impressionantes 89,7% de proficiência, seguido de perto pela unidade de Cuiabá, com 85,3%. Ambas garantiram o Conceito 4, indicador de alta qualidade.

No sul do estado, a recém-criada Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) também mostrou vigor, com 83,9% de alunos aptos e Conceito 4. Já a estadual Unemat, em Cáceres, obteve Conceito 3, com 63,3% de proficiência — um desempenho satisfatório, mas distante da excelência das federais.

No setor privado, o destaque positivo ficou com o Centro Universitário de Várzea Grande (Univag), que se descolou das concorrentes com Conceito 3 e quase 70% de proficiência, posicionando-se como uma opção segura fora da rede pública.

Impacto direto na saúde da população

Para quem depende do SUS ou de planos de saúde em Mato Grosso, os números do Enamed 2025 servem como um alerta de consumidor. O exame avalia competências essenciais, como diagnóstico clínico, conduta ética e saúde coletiva.

Quando uma faculdade forma uma turma onde 85% dos alunos não atingem a nota mínima, o sistema de saúde recebe profissionais que podem ter dificuldades em realizar diagnósticos precisos ou gerenciar tratamentos complexos. A supervisão do MEC tenta agir justamente como um filtro de qualidade que, neste ciclo, barrou a expansão de cursos que priorizaram a quantidade de vagas em detrimento do ensino.

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Enquanto UFMT atinge excelência e lidera ranking, faculdades privadas amargam notas baixas e sofrem punições do MEC

Os dados do Enamed 2025 traçam uma fronteira clara na qualidade do ensino médico do estado. A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) se isolou na liderança, transformando seus campi em ilhas de excelência: em Sinop, quase 90% dos formandos provaram ter competência técnica para atuar, garantindo o Conceito 4. A unidade de Cuiabá segue o mesmo padrão de rigor, com 85,3% de aprovação.

O cenário muda drasticamente na rede privada. Instituições que cobram mensalidades na casa dos milhares de reais entregaram desempenhos críticos. A Estácio do Pantanal (nota 1) e a UNIC (nota 2) não apenas falharam em formar a maioria de seus alunos com o mínimo exigido, como agora enfrentam o rigor da lei. Para o MEC, a lógica aplicada foi dura: enquanto a pública entrega médicos prontos para o SUS, as faculdades reprovadas terão suas expansões congeladas até provarem que priorizam o ensino acima do lucro.

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CONSUMIDOR

Preço de ultraprocessados cai e fica menor que o de alimentos in natura

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impacto reforma tributária cesta básica

Pesquisa da UFMG e do Idec aponta que inversão de valores ocorreu em 2024; produtos industrializados devem baratear ainda mais até 2026

O preço médio de alimentos ultraprocessados no Brasil registrou queda de cerca de 16% entre os anos de 2018 e 2024. O declínio fez com que, a partir do ano passado, a média de custo dos produtos industrializados se tornasse inferior à dos alimentos in natura ou minimamente processados.

A convergência de valores antecipa uma alteração de mercado prevista inicialmente pelos pesquisadores apenas para 2026. A mudança na dinâmica de custos afeta o padrão de consumo das famílias e levanta discussões sobre a aplicação de impostos seletivos.

Os dados integram estudos conduzidos pelo Grupo de Estudos de Inquéritos Populacionais de Saúde (GEIPS) e pelo Grupo de Estudos, Pesquisas e Práticas em Ambiente Alimentar e Saúde (GEPPAAS) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), elaborados em parceria com o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec).

A trajetória dos custos

O relatório elaborado pelas entidades avalia a configuração atual como um “cenário preocupante”. Em 2018, o valor médio dos produtos ultraprocessados era de R$ 22,20. O preço recuou para R$ 18,80 em 2024. A categoria de alimentos processados acompanhou o movimento de queda, passando de R$ 26,10 para R$ 22,60 no mesmo intervalo.

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Os alimentos in natura ou minimamente processados e os ingredientes culinários seguiram trajetória oposta. O grupo custava, em média, R$ 18,90 em 2018. Durante a pandemia de Covid-19, os produtos registraram aumento, atingindo o pico de R$ 21,30 em 2021. Em 2024, após ligeira redução, a categoria fechou com média de R$ 18,60.

O levantamento detalha o impacto nos itens que compõem a rotina alimentar do país. O arroz polido encareceu de R$ 4,50 em 2018 para R$ 5,90 em 2024. O feijão passou de R$ 7,10 para R$ 9,30 no período, mantendo-se em patamar acima de R$ 9 desde 2020. A banana prata saltou de R$ 6,60 para R$ 8,20, com alta ininterrupta a partir de 2021. O estudo classifica a cotação do azeite no ano passado, estabelecida em R$ 63,70 por quilo, como um “valor alarmante”.

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Na seção dos ultraprocessados, o refrigerante sabor cola recuou de R$ 5,60 para R$ 4,70 por litro entre 2018 e 2024. A mortadela caiu de R$ 21,10 para R$ 15,10, com redução contínua após 2020. A margarina encerrou o ano passado custando R$ 13,90 por quilo, cifra inferior aos R$ 15,80 registrados em 2018. O iogurte com sabor diminuiu de R$ 16 para R$ 14,70 por quilo no mesmo recorte temporal.

Projeções e clima

A pesquisa aponta que eventos extremos vinculados às mudanças climáticas, como secas, enchentes e ondas de calor, afetam diretamente a produção agrícola. O impacto restringe a oferta de frutas, verduras, legumes e grãos, pressionando os preços e afetando a disponibilidade para a população.

A tendência projetada pelas entidades para o biênio 2025-2026 indica manutenção da queda de preço dos ultraprocessados. A categoria tem previsão de atingir média de R$ 18,40 por quilo em 2025 e R$ 17,90 por quilo em 2026.

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Os alimentos in natura, minimamente processados e os ingredientes culinários processados devem manter estabilidade relativa. A projeção para o grupo é de R$ 19,50 em 2025 e R$ 19,60 em 2026. Diante dos números, o relatório alerta para a necessidade de políticas públicas de isenção fiscal para alimentos saudáveis e de tributação sobre os industrializados.

Reforma Tributária

Um segundo estudo elaborado pela UFMG e pelo Idec avaliou os desdobramentos da Reforma Tributária sobre a dieta nacional. O texto indica que a mudança nos hábitos dependerá da aplicação do imposto seletivo e das regras de isenção sobre a nova cesta básica.

Os dados mostram que os itens da cesta básica apresentam menor sensibilidade a variações de preço, com consumo alterado em menor escala. Em contrapartida, produtos ultraprocessados e bebidas adoçadas possuem alta sensibilidade em relação à renda e ao preço. Se o rendimento familiar cresce, a ingestão destes produtos aumenta de forma acelerada. Quando frutas e verduras ficam mais caras, ocorre a substituição por itens como pães, biscoitos e refrigerantes.

A modelagem indica que restringir o imposto seletivo exclusivamente aos refrigerantes é medida insuficiente para conter o avanço no consumo dos ultraprocessados. A simulação da Reforma Tributária demonstra que as alterações causam pouca variação no consumo total de alimentos, mas promovem redistribuição: há pequena redução nos gastos com itens básicos e aumento moderado na compra de ultraprocessados.

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Como foi feito

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A análise dividiu-se em dois estudos. O primeiro aferiu a evolução de preços utilizando a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017/2018, o Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor (SNIPC) e a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD contínua). Os valores foram deflacionados para dezembro de 2024 e os itens separados pelo sistema de classificação Nova. O recorte avaliou dados de janeiro de 2018 a dezembro de 2024. As projeções até o final de 2026 usaram modelos ARIMA.

O segundo estudo analisou o impacto da Reforma Tributária empregando a POF 2017-2018 (IBGE), com informações de mais de 57 mil domicílios em todas as regiões. O trabalho simulou dois cenários: o imposto seletivo apenas sobre refrigerantes (proposta atual) e o tributo incidente sobre todos os ultraprocessados (proposta da sociedade civil).

Entenda os termos metodológicos

  • QUAIDS (Quadratic Almost Ideal Demand System): modelo econométrico para medir como mudanças de preço e renda afetam o consumo.
  • Elasticidades de demanda: métrica que define a variação do consumo de um produto mediante alteração de preço ou renda.
  • Diferenças-em-Diferenças (DiD): técnica de simulação que isola o efeito causal da Reforma Tributária sobre a alimentação.
  • Bootstrap paramétrico: técnica estatística usada para validar resultados na pesquisa.

 

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