Celebridades e Família
A dor da rejeição e a reinvenção da rotina materna
Claudia Raia expõe a difícil rejeição que sofreu do filho caçula, Luca, devido ao excesso de trabalho, e detalha como reorganizou sua vida para reconquistá-lo. Aos 58 anos, a atriz também rebate críticas sobre etarismo e compara suas três experiências maternas em fases distintas da vida.
Atriz revela ajustes drásticos na agenda profissional após notar distanciamento de Luca e discute o etarismo que tenta invisibilizar mulheres maduras.
A maternidade, muitas vezes pintada em tons pastéis nas redes sociais, possui bastidores complexos que poucas celebridades se dispõem a revelar. Claudia Raia, no entanto, escolheu o caminho da transparência radical. Aos 58 anos — completados neste mês de dezembro de 2025 —, a atriz vive um momento de celebração pública com seus três filhos, mas não esconde as turbulências recentes. Por trás das fotos sorridentes postadas nesta semana, houve um episódio doloroso: a rejeição de Luca, seu filho de apenas 2 anos, provocada pelo excesso de trabalho.
O cenário parecia perfeito nas redes. No último dia 3 de dezembro, Claudia compartilhou registros afetuosos de Enzo (28), Sophia (22) e Luca (2), legendando com um sonoro “Amo tantoo♥️✨”. A resposta dos herdeiros foi imediata, com Sophia declarando “Amo vocês mais que tudoooo”. Contudo, a harmonia digital escondia, até pouco tempo atrás, um drama silencioso dentro da mansão da família em São Paulo.
Em uma confissão corajosa feita ao Balanço Geral em setembro deste ano, a atriz admitiu que a rotina insana de ensaios e apresentações cobrou seu preço. O pequeno Luca, fruto de seu casamento com Jarbas Homem de Mello, começou a demonstrar frieza. “Ele virava de costas para mim, me rejeitava mesmo”, relatou Claudia.
Essa atitude, vinda de uma criança tão pequena, serviu como um alerta estridente. A atriz percebeu que, apesar de todo o amor, sua presença física era insuficiente. “Percebi que precisava ter um tempo para ele e isso mudou completamente nossa relação”, explicou.
Uma agenda reorganizada à força
A solução exigiu pragmatismo, uma característica marcante da “mãe capricorniana”, como ela mesma se define. Para reconquistar a confiança do caçula, Claudia precisou negociar com a própria ambição profissional. “Pelo menos uma ou duas horas por dia, eu estou dedicada a ele. Só deus sabe o que eu tenho que fazer na minha agenda para dar certo”, desabafou.
O esforço, felizmente, gerou frutos rápidos. Segundo a atriz, a mudança de comportamento do menino foi notável após a implementação desse “tempo de qualidade” blindado. “Ele é outra criança comigo”, celebrou ela, reafirmando que a maternidade exige, acima de tudo, presença real, não apenas intenção.
Três filhos, três “Claudias” diferentes
A experiência com Luca contrasta vivamente com as vivências anteriores de Claudia. A atriz costuma enfatizar como a maturidade alterou sua percepção sobre criar filhos. Ela teve Enzo aos 30 e Sophia aos 36, ambos do casamento de 17 anos com Edson Celulari. Agora, com Luca aos 56 (no nascimento), a dinâmica é outra.
“A maturidade traz sabedoria. Quando somos jovens, tentamos estar em 10 lugares ao mesmo tempo. Isso faz toda a diferença nas minhas três maternidades”, analisou Claudia em entrevista recente ao Mulheres Positivas. Hoje, ela prioriza “estar presente de forma plena”, algo que a juventude e a ânsia de construir carreira talvez não permitissem com tanta facilidade nas décadas de 90 e 2000.
O orgulho da prole é evidente. Enzo consolidou-se como produtor de cinema e influenciador, abraçando com ironia o título de “nepo baby”. Já Sophia formou-se em maio de 2025 em Artes e Comunicação pela prestigiada Universidade de Nova York (NYU), a mesma instituição que formou Lady Gaga e Spike Lee. “Hoje minha filha se forma, minha menina luz”, comemorou a mãe na ocasião.
Para entender melhor: O que é Etarismo?
O etarismo (ou ageísmo) é o preconceito, discriminação ou estereótipo contra indivíduos ou grupos com base na idade. No caso das mulheres, ele se manifesta frequentemente na ideia de que, após a menopausa ou certas idades (como os 50 anos), elas perdem sua relevância social, profissional e até afetiva. Claudia Raia combate ativamente essa noção, usando sua visibilidade para provar que a potência criativa e maternal não tem prazo de validade.
O massacre virtual e a invisibilidade
A trajetória até a harmonia atual não foi isenta de crueldade externa. Quando anunciou a gravidez aos 55 anos, em 2022, Claudia foi alvo de um julgamento severo. A sociedade, que muitas vezes aplaude a paternidade tardia masculina, não teve a mesma benevolência com ela.
“Fui massacrada nas redes”, relembrou a atriz. Os comentários variavam desde sugestões de que ela deveria ser avó até críticas sobre seu corpo. “Peguei num lugar onde as mulheres estavam com 50 anos, no sofá, descansando, filhos crescidos, e eu fiz um filho”.
Mas Claudia, produtora desde os 19 anos, nunca aceitou o papel de coadjuvante em sua própria vida. Ela enxerga nessas críticas um sintoma de um problema estrutural maior: a tentativa de apagar mulheres maduras. “Mesmo com a carreira que construí, vejo como mulheres de 50 ou 60 anos desaparecem dos papéis de protagonismo”, questionou ela em novembro de 2024.
Para a atriz, a luta é contra a “invisibilidade”. Em declaração contundente à revista Pais & Filhos, ela disparou: “Vivemos em uma sociedade machista, que diminui, achincalha e abafa essa mulher. É como se ela perdesse a utilidade quando perde a fertilidade”.
A arte imita a vida (e a menopausa)
Longe de se aposentar, Claudia e Jarbas transformaram seus desafios pessoais em matéria-prima artística. O casal protagonizou o espetáculo “Conserto para Dois”, uma maratona teatral onde interpretam 12 personagens com trocas de figurino de apenas 10 segundos. “É uma dinâmica né, é uma insanidade”, definiu Jarbas.
Além disso, em 2025, a peça “Cenas da Menopausa” colocou o tema no centro do palco. Claudia interpreta Teresa, uma corretora sobrecarregada enfrentando os sintomas do climatério. “Eu peço licença para contar sobre a minha menopausa e me vulnerabilizar em frente ao público”, explicou ela à VejaSP. A peça, que passou por Portugal e São Paulo, tornou-se um espaço de catarse coletiva, onde mulheres finalmente se sentem ouvidas.
Claudia segue provando que a vida — e a maternidade — após os 50 não é um epílogo, mas um novo e vibrante capítulo, desde que se tenha coragem para reorganizar a agenda e enfrentar os preconceitos.
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Operação Sem Livramento cumpre 36 ordens judiciais em Cuiabá, Várzea Grande e Barra do Garças; justiça bloqueou R$ 87 mil dos investigados após noite de terror na zona rural.
Agentes da Polícia Civil deflagraram, nas primeiras horas desta quinta-feira (22), uma ofensiva contra uma organização criminosa especializada em terror rural. A Operação Sem Livramento cumpre 36 ordens judiciais contra suspeitos de roubo, extorsão e tortura psicológica. As equipes vasculham endereços em Cuiabá, Várzea Grande e Barra do Garças.
O alvo é uma rede estruturada que não apenas roubava, mas impunha horas de pânico às vítimas.
A justiça determinou buscas e apreensões em 15 endereços ligados ao bando. Além da devassa nas residências, o Judiciário autorizou a quebra de sigilo de dados e o bloqueio de até R$ 87 mil nas contas dos envolvidos. A ação é coordenada pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Veículos (DERFVA).
Noite de terror e crueldade
As investigações começaram após um crime brutal em novembro de 2024. O cenário foi um sítio no município de Nossa Senhora do Livramento.
Naquela noite, uma família inteira acabou rendida.
Os criminosos amarraram adultos e crianças. As vítimas permaneceram sob a mira de armas e agressões físicas por horas. Enquanto mantinham a família em cárcere privado, os assaltantes exigiam transferências bancárias via Pix.
A violência não se restringiu aos humanos. Para demonstrar controle e silenciar o ambiente, o grupo executou um papagaio da família e feriu um cachorro da propriedade. A crueldade serviu como ferramenta de intimidação extrema.
Ao fugirem, os bandidos levaram um Citroën C3, notebooks, celulares e ferramentas de trabalho das vítimas.
Rede organizada
A apuração da DERFVA revelou que o grupo opera com planejamento prévio e divisão clara de tarefas. Há os executores diretos, os responsáveis pela logística e os encarregados de dar destino aos bens roubados.
O delegado Maurício Maciel Pereira Junior, responsável pelo caso, afirma que o mapeamento permitiu identificar não apenas os assaltantes, mas a rota do dinheiro.
“Com o avanço das apurações, foi possível identificar outros integrantes do grupo criminoso, mapear a atuação da organização e identificar eventuais empresas utilizadas para ocultação e lavagem de dinheiro”, explica o delegado.
As ordens foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0. A ação integra a operação Inter Partes, braço do programa Tolerância Zero do Governo de Mato Grosso, focado na asfixia financeira e logística de facções.
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