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Bem-estar animal

“Isso aqui é o matadouro”: vídeo mostra cães mortos e vivos em barracão sem luz do Zoonoses de Cuiabá

Publicado em

Zoonoses de Cuiabá

Prefeitura confirma o apagão e a morte de três animais, e diz que os cães isolados por cinomose já foram transferidos para clínicas conveniadas. As ONGs Tampatinhas e OPAMT estiveram no local e gravaram as imagens.

Um vídeo gravado nesta segunda-feira (27) dentro de um barracão do Centro de Controle de Zoonoses de Cuiabá (CCZ) mostra cães vivos e filhotes mortos no mesmo espaço, sem luz elétrica e sem ventilação. As imagens foram feitas por uma protetora independente e chegaram à reportagem no início da tarde. Em nota, a Prefeitura confirmou a interrupção de energia e a morte de três dos 13 cães que estavam isolados por cinomose.

Assista ao vídeo clicando na imagem abaixo:

A gravação tem 6 minutos e 13 segundos e foi feita com um celular. Quase todo o percurso acontece no escuro, iluminado apenas pela lanterna de outro aparelho. Pelas portas abertas, do lado de fora, entra sol forte. Dentro do barracão, não há luz.

O que a gravação registra

Logo no início, um homem abre um portão azul de barras. A câmera entra e encontra cães pequenos amontoados junto a uma parede amarela, sobre piso de cimento manchado. “Mostra a luz aqui, moço”, pede a mulher que filma. “Põe iluminação aqui, pelo amor de Deus, moço.”

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Ela percorre baias fechadas, aponta a lanterna para os cantos e volta a insistir no mesmo ponto: “Animais aqui, ó, sem uma ventilação.” Em outro trecho, com a câmera voltada para o chão, diz: “Os filhotes, morto, olhem bem. Morto, morto, junto com o vivo.”

O grupo não está sozinho. Duas vozes masculinas aparecem na gravação, e uma delas responde às perguntas sobre o motivo de os animais estarem ali: “Evitar na quarentena, por conta de contaminação.” Adiante, um dos homens diz duas palavras que explicam a escuridão: “Sem energia.”

“Sem energia? Cadê a ventilação desses animais?”, ela devolve. Pouco depois: “Não tem água.”

Em outro momento, com a voz alterada, ela se dirige à cidade: “População de Cuiabá, cadê a comida? Cadê a água? Isso é bem-estar animal? Não, isso não é bem-estar animal.” E, mais à frente, resume o que está vendo: “Isso aqui é o matadouro. Realmente, isso aqui é o matadouro.”

A versão da Prefeitura

A Prefeitura de Cuiabá divulgou nota sobre o episódio. Todos os cães que permaneciam em isolamento no barracão do CCZ já foram transferidos para clínicas veterinárias conveniadas, onde seguem em atendimento.

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Pela nota, o isolamento foi emergencial e começou no sábado (25), depois que 13 cães receberam diagnóstico de cinomose, uma “doença viral altamente contagiosa entre cães”. A medida teria como objetivo impedir que a doença alcançasse os demais animais acolhidos pela rede municipal, enquanto se providenciavam vagas nas clínicas credenciadas.

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No domingo (26), foi identificada a interrupção no fornecimento de energia elétrica no barracão, regularizada na manhã de segunda-feira. Três dos 13 cães isolados morreram em decorrência da evolução da doença, segundo a Prefeitura. Não há laudo divulgado sobre as mortes.

Autoridades e protetores independentes estiveram no barracão na manhã de segunda, acompanhados por servidores da Prefeitura e com acesso às instalações. A gravação é diurna, embora os cômodos apareçam escuros, e nela alguém confirma que o local está sem energia, as imagens foram feitas durante essa visita.

Onde as duas versões não se encontram

Os pontos centrais do episódio aparecem nas duas descrições. Houve isolamento por cinomose, houve falta de energia no barracão e houve mortes de animais. Na gravação, a protetora estima três cães mortos, o mesmo número do balanço oficial.

Na nota, dois pontos respondem ao que a gravação mostra. O primeiro: durante o período de isolamento, os animais receberam água e alimentação. Na gravação, a protetora pergunta pela comida e pela água e, adiante, diz que não há água no local.

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O segundo ponto é a permanência de animais mortos junto aos vivos. Os cães que morreram receberam a destinação adequada, conforme os protocolos sanitários. Não há indicação de em quanto tempo isso aconteceu, nem detalhamento do procedimento. Na gravação, a protetora aponta carcaças no mesmo espaço dos animais vivos.

O apagão no Zoonoses de Cuiabá e a apuração policial

A origem da interrupção de energia continua em aberto. A Prefeitura remeteu a apuração às forças policiais, sem indicar qual órgão conduzirá o trabalho nem registrar se houve boletim de ocorrência.

Os cômodos aparecem fechados e às escuras em todo o trecho interno da gravação. É o ponto que a protetora repete do começo ao fim, quase sempre nas mesmas palavras: sem luz, sem ar, sem saída para os animais.

Cobranças na gravação

Em três momentos a mulher que filma se dirige ao prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini. “O que que é isso, prefeito Abilio? Por favor”, diz em um deles. Em outro: “É melhor ficar na rua mesmo, prefeito. É melhor ficar na rua do que recolher animais e colocar num local desse.”

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A Câmara também aparece. Sem citar nome, ela cobra o parlamentar que teria destinado emenda ao local: “O vereador colocou 100 mil de emenda para cá. O vereador, pelo amor de Deus. Veja se isso aqui é lugar de colocar animal.”

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O canil municipal já era alvo de denúncias antes deste episódio. A administração rebateu as acusações publicamente e citou vistorias do CRMV-MT e do Juizado Volante Ambiental.

Os animais transferidos seguem em clínicas conveniadas, sem informação pública sobre quais unidades os receberam e quantos foram encaminhados a cada uma. A investigação sobre a origem do apagão ainda não teve órgão responsável divulgado até o fechamento desta reportagem.

O outro lado

Leia a íntegra da nota enviada pela Prefeitura de Cuiabá:

A Prefeitura de Cuiabá informa que todos os cães que permaneciam em isolamento no barracão do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) já foram transferidos para clínicas veterinárias conveniadas, onde seguem recebendo atendimento especializado.

Os animais foram isolados de forma emergencial no sábado (25), após 13 cães serem diagnosticados com cinomose, doença viral altamente contagiosa entre cães. A medida teve como objetivo evitar a disseminação da doença para os demais animais acolhidos pela rede municipal, enquanto eram providenciadas vagas nas clínicas credenciadas.

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Durante os dois dias de isolamento, os animais receberam água e alimentação. No domingo (26), foi identificada uma interrupção no fornecimento de energia elétrica no barracão, situação que foi prontamente regularizada na manhã de segunda-feira (27). As causas da interrupção serão investigadas pelas forças policiais.

Dos 13 cães isolados, três morreram em decorrência da evolução da doença. Os animais receberam a destinação adequada, conforme os protocolos sanitários.

Na manhã desta segunda-feira, autoridades e protetores independentes estiveram no local. Todos foram acompanhados por servidores da Prefeitura, tiveram acesso às instalações e receberam os esclarecimentos solicitados.

A Prefeitura de Cuiabá permanece à disposição das autoridades para prestar todas as informações necessárias à apuração dos fatos e reafirma seu compromisso com a transparência, o cumprimento dos protocolos sanitários e o bem-estar animal.

 

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