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Meio ambiente

Nova massa de ar polar poupa Mato Grosso e calor retorna a Cuiabá

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Calor MT

Frente fria concentra risco de geadas no Sul do país no final de maio, enquanto a capital mato-grossense registra máximas de até 38 ºC nos próximos dias

Cuiabá registra temperaturas entre 20 ºC e 30 ºC nesta segunda-feira (25). A condição climática local, caracterizada por céu com muitas nuvens, ausência de chuvas e vento fraco de sul, afasta a ocorrência de frio intenso na capital mato-grossense neste momento.

O cenário no Centro-Oeste diverge da dinâmica observada na região Sul do Brasil, que enfrenta nova frente fria com mínimas próximas a 3 ºC e alerta para geadas. A atual incursão de ar polar perdeu força ao avançar pelo continente e atinge Mato Grosso apenas de forma periférica, consolidando o retorno do ar seco e o aquecimento gradual da atmosfera regional.

As projeções indicam que a manutenção das altas temperaturas domina a segunda metade do mês no estado. O padrão reflete a transição climatológica típica do outono, que intercala massas de frio rápidas com veranicos prolongados, dinâmica acentuada pelas anomalias térmicas globais.

Retorno das altas temperaturas

Mapas de monitoramento apontam que Cuiabá volta a registrar máximas entre 33 ºC e 38 ºC no período de 25 a 30 de maio. As temperaturas mínimas para a mesma janela oscilam entre 22 ºC e 27 ºC, confirmando a retomada do calor típico da região central do país.

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Os índices de umidade relativa do ar acompanham a elevação térmica e variam entre 26% e 38% nos momentos mais críticos da tarde. A combinação de tempo seco e calor exige atenção, pois o bloqueio atmosférico impede a formação de instabilidades significativas. Apenas o extremo norte de Mato Grosso mantém previsão de chuvas fracas, enquanto a massa de ar seco predomina nas demais áreas.

O boletim divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) reforça o cenário de contrastes. No intervalo entre 18 e 25 de maio, o órgão projeta máximas de até 36 ºC nas áreas centrais de Mato Grosso e no noroeste de Goiás, com precipitações irregulares. Simultaneamente, o Sul permanece sob forte massa de ar polar associada à formação de um ciclone extratropical próximo à costa do Rio Grande do Sul.

Histórico de recordes na primeira quinzena

A ausência de frio severo no fim do mês difere drasticamente do quadro observado semanas antes. A primeira onda de frio de 2026 atuou com força entre os dias 8 e 13 de maio, impulsionada por uma massa polar continental que alcançou o Centro-Oeste e partes da região Norte, provocando friagem no Acre e em Rondônia.

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Em 11 de maio, Cuiabá contabilizou o dia mais frio do ano até então. Os termômetros caíram para 14 ºC de mínima, com máxima restrita a 25,5 ºC. O choque térmico ocorreu após uma sequência de calor intenso entre 4 e 10 de maio, quando a cidade suportou máximas de 36 ºC. A queda abrupta levou as temperaturas a patamares até 5 ºC abaixo da média sazonal em diversas áreas do Centro-Sul.

O interior mato-grossense registrou marcas de um dígito durante o ápice do evento polar. Estações meteorológicas marcaram 9,5 ºC em Chapada dos Guimarães, 10,8 ºC em Alto Taquari e 10,9 ºC em Primavera do Leste, evidenciando a amplitude do pulso frio inicial. A partir de 12 de maio, no entanto, o sistema começou a enfraquecer, permitindo a elevação gradual dos termômetros.

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Um segundo pulso de ar frio, de menor intensidade, cruzou a região a partir de 17 de maio. O evento sustentou mínimas na casa dos 19 ºC a 23 ºC e máximas limitadas a 27 ºC em Cuiabá por um curto período, antes de a atmosfera voltar a aquecer na reta final do mês.

A influência do fenômeno El Niño

A ocorrência de múltiplas incursões de ar polar no mesmo mês alinha-se ao padrão histórico de maio. Especialistas em climatologia indicam que o período concentra os primeiros episódios de frio forte do ano, conferindo às temperaturas características antecipadas de inverno a partir da segunda semana do mês.

O fator que diferencia 2026 é a influência projetada do El Niño para o outono e o inverno. O fenômeno tende a reduzir a frequência de eventos frios persistentes no Centro-Sul. Análises sazonais emitidas pela Epagri/Ciram projetam “temperatura acima da média climatológica” para a estação.

A dinâmica explica o dinamismo térmico experimentado por Mato Grosso. A configuração favorece a ocorrência de episódios de frio agudo, porém de curta duração, que logo cedem espaço a massas de ar quente e bloqueios secos.

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Impactos na agropecuária e setores vulneráveis

As variações abruptas alteram o mapa de riscos para o setor produtivo. Enquanto agricultores da região Sul e de partes de Mato Grosso do Sul monitoram o risco de geadas tardias que podem comprometer lavouras, os produtores mato-grossenses enfrentam o desafio oposto: a persistência do calor seco. O cenário afeta cadeias sensíveis ao estresse térmico animal e exige readequação no manejo das culturas devido às chuvas mal distribuídas.

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A oscilação também impacta a infraestrutura social e de saúde. A passagem do frio extremo afeta populações rurais e pessoas em situação de rua, seguidas rapidamente pelos desafios respiratórios impostos pela baixa umidade e pela elevação das temperaturas na segunda metade do mês, sobrecarregando o sistema de atendimento primário.

Como foi feito

A análise consolida dados e previsões meteorológicas emitidas por órgãos oficiais e serviços privados entre março e 25 de maio de 2026. A verificação da primeira onda de frio (8 a 13 de maio) baseia-se em dados de estações oficiais do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgados pela imprensa local, além de análises sinóticas da Climatempo. As projeções para o fim de maio apoiam-se em modelos numéricos de previsão validados operacionalmente, cruzados com os boletins agroclimatológicos sazonais do Inmet, que estabelecem a tendência trimestral, e relatórios da Epagri/Ciram sobre os efeitos macroclimáticos do fenômeno El Niño no comportamento das massas de ar no Centro-Sul do país.

 

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CLIMA

El Niño ameaça Mato Grosso com calor intenso e risco de queimadas

NOAA eleva para 82% a chance de formação do El Niño em 2026. Em Mato Grosso, alerta principal recai sobre temperaturas elevadas, baixa umidade e risco de incêndios no Pantanal e Cerrado.

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Probabilidade de formação do fenômeno sobe para 82%; órgãos alertam para impactos na agricultura e no Pantanal no segundo semestre

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) elevou para 82% a probabilidade de formação do fenômeno El Niño entre maio e julho de 2026, colocando o Brasil em estado de atenção. O diagnóstico, divulgado em 14 de maio, indica que o sistema de alerta “El Niño Watch” permanece acionado diante do aquecimento das águas do Pacífico equatorial.

O fenômeno ameaça desequilibrar o regime de chuvas e elevar as temperaturas no segundo semestre, com impactos diretos na produção de alimentos e na segurança hídrica nacional. No Brasil, uma nota técnica conjunta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Funceme e Censipam confirma a tendência e projeta que o evento pode persistir até o início de 2027.

Para Mato Grosso, o risco não está associado a uma seca generalizada, mas a um conjunto de fatores que elevam a vulnerabilidade ambiental e produtiva. O estado deve enfrentar calor mais persistente, baixa umidade relativa do ar e um aumento crítico no risco de incêndios florestais a partir do fim do inverno.

Aquecimento do Pacífico e os sinais oceânicos

O monitoramento global indica que o Pacífico equatorial segue oficialmente em condição neutra, mas a transição para a fase quente do El Niño Oscilação Sul (ENOS) é considerada iminente. Segundo a NOAA, as anomalias de temperatura da superfície do mar nas regiões Niño variam entre +0,4°C e +1,0°C. O aquecimento mais intenso ocorre na região Niño 1+2, na costa da América do Sul.

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O fortalecimento do calor acumulado no oceano superior, na camada entre zero e 300 metros de profundidade, sustenta o alerta. Esse calor subsuperficial serve como combustível para o aquecimento da superfície e favorece o acoplamento entre o oceano e a atmosfera, necessário para a consolidação do fenômeno.

 

Embora a probabilidade de um El Niño fraco seja de 72% para o trimestre maio-julho, o cenário muda na virada do ano. A partir de julho, as chances de intensidade moderada aumentam e, no trimestre de dezembro a fevereiro de 2027, as categorias forte e muito forte concentram 60% das probabilidades. Conforme ressalva o Climate Prediction Center (CPC) da NOAA, “a intensidade do El Niño não corresponde necessariamente à intensidade dos impactos”, o que significa que mesmo eventos mais fracos podem gerar extremos regionais.

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Impactos regionais e o alerta para a Amazônia

A distribuição das chuvas no Brasil costuma sofrer alterações severas sob a influência do El Niño. Na Região Sul, o fortalecimento da corrente de jato subtropical favorece volumes acima da média e inundações. No sentido oposto, as regiões Norte e o norte do Nordeste tendem a registrar escassez de precipitação.

O documento federal aponta que a Amazônia Legal está exposta a um duplo risco: redução do nível dos rios e aumento da incidência de fogo. A nota técnica brasileira recorda que, na seca de 2015 associada ao fenômeno, o fogo aumentou 36% em relação à média dos 12 anos anteriores. O déficit hídrico nas bacias amazônicas pode comprometer a geração de energia em hidrelétricas, a pesca e a navegabilidade, isolando populações ribeirinhas.

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No Sudeste, a variabilidade é a marca do fenômeno. O deslocamento da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) para latitudes mais baixas pode favorecer chuvas em São Paulo e Minas Gerais, enquanto áreas ao norte dessas regiões enfrentam bloqueios atmosféricos e ondas de calor prolongadas.

O cenário crítico em Mato Grosso e no Pantanal

Diferente de outras regiões do país, o Centro-Oeste possui uma dinâmica particular. Segundo a nota técnica do INPE e INMET, o “Centro-Oeste não tem correlação elevada com El Niño nem com La Niña”. Por essa razão, o fenômeno não serve como indicador isolado para prever chuvas ou secas no estado.

Contudo, há consenso sobre a elevação das temperaturas. A tendência para Mato Grosso é de marcas térmicas acima da média histórica, especialmente durante a primavera. O Instituto Nacional de Meteorologia projeta para maio temperaturas até 1°C acima da climatologia em grande parte do território mato-grossense.

O risco de queimadas é a principal preocupação para o segundo semestre. A combinação de ar seco e calor persistente favorece a propagação de incêndios no Cerrado e na Amazônia mato-grossense. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) já aponta atenção para a bacia do rio Paraguai, com “risco de intensificação da seca hidrológica” na região do Pantanal. Embora o número de municípios em seca severa no país tenha caído de 251 para 85 em abril, o órgão destaca que “Mato Grosso segue como destaque do Centro-Oeste nesse recorte”.

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Desafios para a segunda safra de milho e algodão

O agronegócio mato-grossense monitora o clima para garantir a produtividade da segunda safra 2025/26. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o Brasil produzirá 108,455 milhões de toneladas de milho nesta etapa, um volume 4,2% menor que o ciclo anterior, apesar do aumento de 2,1% na área plantada.

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Em Mato Grosso, o plantio ocorreu dentro da janela recomendada, e o desenvolvimento das lavouras é considerado satisfatório. Entretanto, a redução das chuvas no início de abril já acendeu o alerta em algumas regiões produtoras. Conforme o boletim oficial da Conab, “as próximas semanas de chuva devem confirmar ou não as estimativas” de produtividade recorde no estado.

No caso do algodão, o cenário meteorológico recente foi favorável, mas a atenção agora se volta para a sanidade vegetal. A pressão do bicudo-do-algodoeiro e do complexo de lagartas, somada a janelas mais restritas para aplicação de defensivos em função da irregularidade climática, exige monitoramento constante dos produtores.

A próxima atualização diagnóstica da NOAA está agendada para 11 de junho. Até lá, a recomendação dos órgãos brasileiros é de planejamento preventivo para os setores de energia, saúde e defesa civil, priorizando o manejo do fogo antes do pico do período seco em Mato Grosso.

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