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Proteção às vítimas deve orientar atuação do MP, defende palestrante

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A defesa da vida não termina com a condenação no plenário do Tribunal do Júri. Essa foi uma das principais mensagens transmitidas pelo procurador de Justiça Antonio Sergio Cordeiro Piedade durante a palestra “Tribunal do Júri nas Cortes Superiores – a atuação estratégica do Ministério Público”, que abriu a programação do X Encontro do Tribunal do Júri, promovido pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O evento, destinado a membros da instituição, teve início na noite de quinta-feira (6), na sede da Procuradoria-Geral de Justiça, em Cuiabá.Ao abordar os desafios contemporâneos da persecução penal, o procurador de Justiça defendeu uma atuação articulada entre primeira e segunda instâncias, além de uma presença mais estratégica do Ministério Público nos tribunais superiores para evitar a reversão de decisões e fortalecer a proteção às vítimas.“Não adianta nada um plenário feito com altivez, com convicção, e esse trabalho ir se esmaecendo no Tribunal de Justiça ou se perdendo nos tribunais superiores”, afirmou. Segundo ele, a integração institucional é indispensável para consolidar teses jurídicas e garantir que o esforço empreendido por promotores de Justiça nos julgamentos tenha efetividade até as últimas instâncias do Poder Judiciário.Antonio Sergio Cordeiro Piedade dividiu a exposição em quatro eixos temáticos. No primeiro momento, apresentou o referencial teórico das obrigações positivas do Estado, com ênfase na proteção à vida, nos direitos das vítimas e na aplicação de entendimentos da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Ele explicou que a proteção dos direitos humanos não se resume à contenção de abusos estatais, mas também exige uma atuação eficaz para investigar, processar e responsabilizar autores de crimes. “Punir é civilizatório. Punir acautela a sociedade. A impunidade é antônimo de direitos humanos”, defendeu, acrescentando que proteger direitos humanos também significa proteger as vítimas.Ao tratar das 21 condenações impostas ao Brasil pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, observou que apenas uma decorreu de excesso estatal, enquanto as demais tiveram origem em falhas na proteção de direitos fundamentais, especialmente pela demora ou ausência de respostas adequadas aos crimes. Conforme o expositor, são situações em que o “Estado brasileiro não conseguiu, dentro de um prazo razoável, dar uma resposta penal”.Ainda dentro desse primeiro eixo, o palestrante estimulou os colegas a humanizarem os processos, levando para o plenário e para as peças processuais o conceito de “dano ao projeto de vida”. Segundo ele, esse referencial teórico, adotado pela Corte Interamericana, evidencia os impactos profundos que o crime causa no destino, nos projetos e nas possibilidades de realização pessoal da vítima e de seus familiares. “Esse deve ser o mantra no Tribunal do Júri: o dano ao projeto de vida. Isso tem que ser trazido ao plenário, demonstrando, no devido processo legal, a necessidade do aumento da pena-base”, orientou.No segundo bloco, o palestrante abordou questões processuais penais controvertidas que vêm sendo debatidas nos tribunais superiores. Nesse contexto, reafirmou o protagonismo institucional do Ministério Público na proteção dos direitos fundamentais e na defesa das vítimas. “O Ministério Público é uma instituição de garantia. Nós somos a espada e o escudo da proteção dos direitos fundamentais. Nós somos os primeiros a nos insurgir contra um excesso, mas somos os primeiros a não permitir que se peque por uma proteção deficiente”, destacou.Um dos pontos centrais dessa etapa foi o Tema 1311, de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal (STF), que discute o uso do habeas corpus para contestar decisões de pronúncia mesmo após condenação pelo Tribunal do Júri. Para o procurador de Justiça, a ampliação desse instrumento pode comprometer a soberania dos veredictos e a segurança jurídica. Ele classificou o fenômeno como “efeito hiperbólico do habeas corpus” e alertou para o risco de anulação de julgamentos já concluídos. “Nós estamos em um momento em que o óbvio precisa ser dito, precisa ser debatido e nós precisamos trabalhar de forma articulada com relação a esse tema”, afirmou.No terceiro bloco da palestra, o procurador de Justiça apresentou casos concretos e resultados alcançados pelo Núcleo de Apoio para Recursos aos Tribunais Superiores (Nare), destacando decisões relevantes obtidas no Superior Tribunal de Justiça (STJ) a partir da atuação articulada com membros do MPMT. Entre os exemplos citados, estavam recursos que restabeleceram qualificadoras excluídas na fase de pronúncia e decisões que garantiram a manutenção de medidas cautelares em processos de homicídio.Ao defender o fortalecimento da atuação institucional perante as Cortes Superiores, destacou ainda o papel da Linha Unificada do Ministério Público Estratégico (Lume), criada no âmbito do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais de Justiça. Segundo ele, a iniciativa contribui para a construção de teses jurídicas comuns e para a defesa de pautas prioritárias do Ministério Público brasileiro.No quarto e último eixo, Antonio Sergio falou sobre linguagem, comunicação e estratégias de atuação em plenário, compartilhando experiências acumuladas ao longo de sua trajetória no Tribunal do Júri.A mesa da palestra foi presidida pela promotora de Justiça Élide Manzini de Campos, que atua no Tribunal do Júri. Ao apresentar o palestrante, ela destacou a trajetória acadêmica e institucional do procurador de Justiça, de quem recebeu a titularidade da promotoria em que atua. “A união que a gente tem, a experiência de vida, o quanto você amadurece, o quanto se torna uma pessoa melhor”, afirmou ao destacar os aprendizados proporcionados pela atuação na área e pela convivência com colegas do júri. O coordenador do Centro de Apoio Operacional (CAO) do Júri e presidente da Confraria do Júri, promotor de Justiça César Danilo Ribeiro de Novais, participou como debatedor. Durante sua manifestação, destacou a complexidade da atuação ministerial nos crimes dolosos contra a vida e a necessidade de aperfeiçoamento contínuo dos membros da instituição. Ao elogiar a trajetória e a contribuição do palestrante para a formação de promotores de Justiça, afirmou que a atuação no Tribunal do Júri exige atenção a todas as etapas da persecução penal. “O júri não começa no plenário. O júri começa muito antes, desde o boletim de ocorrência, desde o momento em que o corpo tomba”, ressaltou.Abertura – Representando o procurador-geral de Justiça, Rodrigo Fonseca Costa, na abertura do evento, a subprocuradora-geral de Justiça Administrativa, Januária Dorilêo, destacou a relevância do X Encontro do Tribunal do Júri como um espaço consolidado de capacitação, intercâmbio de experiências e fortalecimento da atuação institucional. Segundo ela, ao longo de uma década, o evento tornou-se referência ao reunir membros comprometidos com a excelência na atuação perante o Tribunal do Júri, promovendo o debate de temas atuais, o compartilhamento de boas práticas e o aperfeiçoamento técnico contínuo.A subprocuradora também enfatizou o reconhecimento nacional da atuação do MPMT na área do júri, atribuindo esse resultado à dedicação e à qualificação dos membros da instituição. “O Ministério Público de Mato Grosso orgulha-se de ter uma atuação no Tribunal do Júri reconhecida nacionalmente, resultado da dedicação de nossos membros, da qualidade técnica de nossos profissionais e do compromisso permanente com a busca da justiça”, afirmou. O promotor de Justiça César Danilo Ribeiro de Novais ressaltou a importância do encontro como espaço de aprendizado, troca de experiências e renovação das energias para a atuação ministerial. Segundo ele, o trabalho no Tribunal do Júri permite que promotores e jurados transcendam suas esferas individuais para atuar em defesa dos interesses coletivos e da proteção à vida. “Se o direito à vida é pleno, se o direito à vida é inviolável e grandioso como deve ser, ele deve ser defendido da melhor forma, em sua plenitude, com prioridade absoluta e proteção integral”, destacou.O coordenador do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional do MPMT, promotor de Justiça Caio Márcio Loureiro, destacou que a atuação do Ministério Público no Tribunal do Júri representa a reafirmação da proteção ao bem mais fundamental assegurado pela Constituição Federal: a vida. Segundo ele, todos os demais direitos somente existem em razão desse valor central. “Quando nós somos chamados a atuar no Tribunal do Júri, é preciso ter essa consciência de que ali atuamos para reafirmação de um princípio fundamental, que é o princípio da plenitude da tutela da vida”, ressaltou.Já o presidente da Associação Mato-grossense do Ministério Público (AMMP), promotor de Justiça Milton Mattos da Silveira Neto, enalteceu a importância dos cursos de capacitação para o aperfeiçoamento da atuação no Tribunal do Júri. Ele relembrou experiências marcantes da carreira e ressaltou que o plenário é um dos espaços de maior realização profissional para os membros do Ministério Público. “Eu acho que não tem nenhum lugar que o promotor de Justiça se realiza mais do que no plenário do Tribunal do Júri, porque ali a gente coloca a nossa alma”, destacou.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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TAC garante encerramento de lixão e recuperação ambiental

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O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Querência, firmou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), no dia 31 de agosto, com o Município para garantir uma solução definitiva para a gestão dos resíduos sólidos urbanos, o encerramento do antigo lixão municipal e a recuperação ambiental da área degradada.A atuação ministerial teve início em 2013, quando foi instaurado inquérito civil para apurar irregularidades no gerenciamento e na destinação final dos resíduos sólidos no município. Naquele mesmo ano, vistoria realizada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) constatou a disposição inadequada de resíduos em lixão a céu aberto, sem impermeabilização do solo, com infiltração de chorume, ocorrência de queimadas e presença de catadores no local.Mesmo após diversas tentativas de resolução extrajudicial, a situação persistiu. Diante disso, o Ministério Público ingressou, em 2020, com uma ação civil pública visando interromper a disposição irregular dos resíduos, assegurar a destinação ambientalmente adequada e promover a recuperação da área degradada.Nos últimos anos, o município passou a encaminhar os resíduos sólidos urbanos para um aterro sanitário licenciado localizado em Água Boa, medida que representou um importante avanço na política de gestão de resíduos. Contudo, segundo o MPMT, a mudança da destinação final não elimina os passivos ambientais acumulados ao longo de décadas de utilização do lixão, tornando necessárias ações para o encerramento técnico da área e sua recuperação ambiental.Foi nesse contexto que o Ministério Público e o Município construíram uma solução consensual voltada à reorganização da política municipal de resíduos sólidos. O TAC estabelece obrigações específicas, responsáveis, cronograma de execução, mecanismos de fiscalização e prazos para a implementação das medidas.Entre as ações previstas estão o encerramento definitivo do lixão, a elaboração de diagnóstico ambiental e do Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD), a regularização e o licenciamento da estrutura de transbordo dos resíduos, a manutenção da destinação final em aterro sanitário licenciado, o fortalecimento da coleta seletiva, a inclusão socioprodutiva dos catadores, o desenvolvimento de ações de logística reversa e a avaliação da sustentabilidade econômico-financeira dos serviços de limpeza urbana.O acordo também prevê a criação de um grupo de trabalho multidisciplinar para coordenar e acompanhar a execução das medidas, além do cumprimento de etapas condicionadas aos processos de licenciamento e aprovação ambiental.Para garantir a efetividade do TAC, a 1ª Promotoria de Justiça instaurou procedimento administrativo específico para monitorar o cumprimento das obrigações assumidas. Também foi elaborado um controle detalhado dos prazos, que será compartilhado com o Município e com o Conselho Municipal de Meio Ambiente para acompanhamento e fiscalização das ações.Segundo a promotora de Justiça Daniela Moreira Augusto, o objetivo é solucionar de forma definitiva um problema ambiental que se arrasta há mais de uma década.“O TAC foi construído para ser efetivamente cumprido. Não se trata apenas de encerrar um processo ou de impedir o descarte de resíduos em determinado local. O encerramento de um lixão exige uma série de medidas, como a recuperação da área degradada, a mitigação dos passivos ambientais e a estruturação adequada do sistema de transbordo. Por isso, optamos por um acordo estrutural, com obrigações concretas, responsáveis definidos, prazos estabelecidos e acompanhamento permanente”, destacou.O cumprimento das obrigações será fiscalizado pelo Ministério Público, com participação do Conselho Municipal de Meio Ambiente. O TAC prevê ainda a apresentação de relatórios bimestrais de acompanhamento e estabelece multa diária em caso de descumprimento injustificado, sem prejuízo da adoção das medidas judiciais e extrajudiciais cabíveis.Com a formalização do acordo, o MPMT busca assegurar a execução de ações concretas para o encerramento definitivo do lixão, a recuperação ambiental da área degradada e a consolidação de um sistema municipal de manejo de resíduos sólidos ambientalmente adequado, sustentável e alinhado à legislação vigente.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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