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Crédito rural

Novas regras sobre crédito rural passam valer a partir de hoje

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novas regras ambientais crédito rural 2026
Novas regras condicionam crédito rural a checagem de desmatamento por satélite; médios e grandes produtores são os primeiros afetados.

Novas regras do CMN condicionam financiamento com juros controlados a checagem de desmatamento por satélite; médios e grandes produtores são os primeiros atingidos

A partir desta quarta-feira, 1º de abril de 2026, médios e grandes produtores rurais com imóveis acima de quatro módulos fiscais só terão acesso a crédito rural com juros controlados se passarem por uma checagem obrigatória de desmatamento por satélite. As alterações no Manual de Crédito Rural, aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional, obrigam os bancos a consultar os sistemas Prodes e BiomasBR antes de liberar qualquer financiamento para esse perfil de propriedade. Para a agricultura familiar, a mesma exigência começa a valer apenas em 4 de janeiro de 2027.

O gerente agora é o satélite

A mecânica é direta: se o sistema indicar supressão de vegetação nativa após 31 de julho de 2019 no imóvel do solicitante, o banco trava o financiamento. O crédito só é liberado se o produtor provar que o desmate foi legal ou que a área está em recuperação. A comprovação exige documentos específicos — Autorização de Supressão de Vegetação, Autorização de Uso Alternativo do Solo, Projeto de Recuperação de Área Degradada, adesão ao Programa de Regularização Ambiental, Termo de Ajustamento de Conduta ou laudo técnico descartando desmatamento posterior à data de corte.

A novidade não substitui vedações que já existiam. Imóveis sem Cadastro Ambiental Rural válido, com embargos ambientais, sobrepostos a unidades de conservação, terras indígenas ou territórios quilombolas, ou cujos donos constem em cadastros de trabalho análogo à escravidão continuam impedidos de acessar o crédito — inclusive para renovação de contratos em andamento.

Na prática, quem define se o produtor recebe ou não o dinheiro do banco é o satélite. A expressão “inversão do ônus da prova” tem circulado entre advogados e consultores de direito agrário: basta o sistema detectar alteração na cobertura vegetal para que caiba ao produtor apresentar a papelada que comprove regularidade.

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O que o governo diz

O Ministério da Fazenda declarou que o objetivo é “coibir o desmatamento ilegal por meio da restrição de acesso ao crédito rural com recursos direcionados e controlados, mediante consulta a lista de imóveis com possível indício de desmatamento”. A lógica oficial combina enforcement ambiental com gestão de risco financeiro: ao condicionar o dinheiro público à regularidade do imóvel, o governo espera reduzir inadimplência e preservar a imagem do agronegócio brasileiro em mercados que cobram rastreabilidade socioambiental.

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O cronograma escalonado é parte dessa estratégia. Ao empurrar a checagem para a agricultura familiar para janeiro de 2027, a Fazenda tenta evitar um bloqueio em massa de operações num segmento com menor capacidade burocrática. Povos e comunidades tradicionais em Reservas Extrativistas, Florestas Nacionais e Reservas de Desenvolvimento Sustentável ganharam um regime ainda mais flexível: até 30 de junho de 2028, podem acessar o Pronaf mesmo sem plano de manejo publicado na unidade de conservação, desde que o órgão gestor autorize.

Em paralelo, o CMN reajustou preços de garantia da agricultura familiar pelo PGPAF e ampliou condições do Pronaf — uma tentativa de sinalizar que o mesmo pacote que endurece as travas ambientais procura amortecer o impacto para os menores.

O agro reclama, mas não do princípio

As entidades de produtores não questionam a pertinência de coibir desmatamento ilegal. A FAEP, federação paranaense que reivindica ter ajudado a adiar a regra para abril de 2026, admite que a supressão irregular de vegetação nativa é proibida pelo Código Florestal. O problema, segundo a entidade, é o instrumento escolhido: o Prodes não diferencia desmate legal de ilegal, pode classificar como supressão de vegetação nativa a remoção de pomares ou espécies exóticas e teria “baixa precisão dos limites dos polígonos” de área degradada.

A FAEP defende que o CAR analisado deveria ser o filtro central, já que o Código Florestal já prevê que descumprimentos levem o cadastro à condição de pendente ou cancelado — o que por si só impediria o crédito. Na avaliação da federação, transferir para bancos e satélites uma atribuição de órgãos ambientais pode travar produtores regulares por falhas do próprio sistema de monitoramento.

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Quem sente o aperto primeiro

A Frente Parlamentar da Agropecuária tem pressionado o CMN e o Banco Central por novos adiamentos, alegando que produtores com licenças ambientais válidas e análises bancárias concluídas podem ser barrados por constarem nas listas de imóveis com indícios de desmatamento. A bancada ruralista fala em risco de travamento sistêmico do crédito em regiões de fronteira agrícola, particularmente na Amazônia Legal, onde a lentidão na análise do CAR pelos governos estaduais e federal agrava o problema.

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O contexto econômico adiciona pressão. O setor enfrenta endividamento elevado e margens comprimidas, e parte do agronegócio avalia que o endurecimento dos filtros chega no pior momento possível. Ao mesmo tempo, analistas do próprio setor reconhecem que, no médio prazo, a vinculação do crédito a critérios ambientais rígidos tende a favorecer produtores com situação ambiental consolidada e a facilitar o acesso deles a mercados que exigem rastreabilidade.

Próximos passos

O CMN e o Banco Central devem avaliar nos próximos meses os efeitos práticos das novas checagens sobre o fluxo de crédito rural, especialmente nas regiões onde os índices de análise do CAR são mais baixos. A FPA segue articulando pedidos de novo adiamento ou ajustes técnicos na resolução. Em janeiro de 2027, a agricultura familiar entra no mesmo filtro automático, o que amplia o universo de produtores afetados. Até lá, a experiência dos bancos com a consulta ao Prodes em escala nacional vai indicar se os temores de travamento se confirmam ou se o sistema se adapta sem bloqueios generalizados.

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AGRONEGÓCIO

Tarifa de 25% dos EUA ameaça exportações brasileiras e exige reação imediata das empresas

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A possível aplicação de uma tarifa adicional de 25% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros acendeu um alerta entre exportadores e autoridades brasileiras. A medida, proposta pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), ainda está em fase de consulta pública e audiência, mas já exige atenção das empresas que mantêm negócios com o mercado norte-americano.

Embora a lista preliminar contemple exceções relevantes, como café, carne bovina, energia, metais, terras raras e componentes aeronáuticos, especialistas alertam que os impactos podem ultrapassar a questão tarifária e atingir diretamente a competitividade das empresas brasileiras.

Investigação envolve temas além das tarifas

Segundo Fernando Canutto, sócio do Godke Advogados e especialista em Direito Internacional Empresarial, o processo conduzido pelos Estados Unidos possui alcance mais amplo do que uma simples discussão sobre tarifas de importação.

A investigação inclui temas estratégicos como comércio digital, meios de pagamento, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, políticas anticorrupção e questões relacionadas ao desmatamento.

Na avaliação do especialista, o avanço da investigação pode criar um ambiente de maior insegurança regulatória para empresas brasileiras que atuam no comércio internacional, exigindo monitoramento constante e planejamento antecipado.

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Brasil tem três caminhos para responder à medida

No campo institucional, o governo brasileiro dispõe de diferentes mecanismos para contestar ou negociar a proposta norte-americana.

A primeira frente é diplomática, conduzida por órgãos como o Itamaraty, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e a Câmara de Comércio Exterior (Camex), que podem atuar diretamente junto ao USTR para tentar modificar ou reduzir os efeitos da medida.

Como a proposta ainda está em fase de consulta pública, existe espaço para negociações e eventuais ajustes antes de uma decisão definitiva.

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A segunda alternativa envolve o sistema multilateral de comércio, por meio da Organização Mundial do Comércio (OMC). O Brasil já manifestou, em episódios anteriores, posicionamento contrário à adoção de medidas unilaterais fora das regras multilaterais estabelecidas pela entidade.

A terceira possibilidade está prevista na Lei de Reciprocidade Econômica (Lei nº 15.122/2025), que criou instrumentos para que o Brasil possa responder a ações comerciais consideradas prejudiciais à competitividade nacional.

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No entanto, especialistas alertam que qualquer reação deve ser cuidadosamente calibrada para evitar prejuízos às cadeias produtivas brasileiras, importadores e consumidores.

Empresas precisam revisar contratos e operações

Mesmo sem uma definição sobre a implementação das tarifas, especialistas recomendam que empresas exportadoras iniciem imediatamente uma análise detalhada de sua exposição ao mercado norte-americano.

O primeiro passo é identificar quais produtos poderão ser atingidos pela sobretaxa e avaliar os impactos sobre contratos em andamento e negociações futuras.

Em muitos casos, uma tarifa adicional de 25% pode comprometer a viabilidade econômica de operações já contratadas, especialmente em setores que trabalham com margens reduzidas.

Além disso, torna-se fundamental revisar cláusulas contratuais, estratégias de precificação, alternativas logísticas e possibilidades de diversificação de mercados.

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Setores mais vulneráveis podem sentir maior impacto

Os segmentos mais expostos aos efeitos da medida tendem a ser aqueles que exportam produtos não contemplados pelas exceções anunciadas pelos Estados Unidos.

Empresas que atuam em mercados altamente competitivos, com baixa margem de lucro e pouca capacidade de repassar custos aos compradores americanos, podem enfrentar maiores dificuldades caso a tarifa seja efetivamente implementada.

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Por outro lado, setores ligados ao café, carne bovina, energia, mineração estratégica e indústria aeronáutica devem sofrer impacto direto mais limitado devido à exclusão preliminar desses produtos da lista tarifária.

Lista de exceções revela interesses estratégicos dos EUA

Para Ricardo Inglez de Souza, sócio do IW Melcheds Advogados e especialista em Comércio Internacional, a composição da lista de exceções evidencia uma lógica geopolítica e econômica por trás da proposta norte-americana.

Segundo ele, os produtos isentos são justamente aqueles em que os Estados Unidos dependem fortemente do fornecimento brasileiro ou enfrentam dificuldades para substituí-los rapidamente por outros mercados.

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Entre os itens preservados estão carne bovina, café, frutas tropicais, petróleo, fertilizantes, aeronaves e componentes aeronáuticos.

Na avaliação do especialista, a medida busca proteger cadeias estratégicas de abastecimento norte-americanas ao mesmo tempo em que aumenta a pressão sobre outros segmentos exportadores brasileiros.

Cenário exige planejamento e gestão de riscos

Enquanto o processo segue em análise nos Estados Unidos, empresas brasileiras com operações internacionais devem reforçar suas estratégias de gestão de risco e acompanhar de perto a evolução das negociações.

Além dos possíveis impactos financeiros, a discussão evidencia o crescente peso das questões geopolíticas, regulatórias e ambientais nas relações comerciais globais.

Para exportadores, a antecipação de cenários, a revisão de contratos e a diversificação de mercados podem ser decisivas para reduzir riscos e preservar a competitividade diante de um ambiente internacional cada vez mais complexo e imprevisível.

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Fonte: Portal do Agronegócio

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