Pesquisar
Close this search box.

Agronegócio em MT

Boi gordo, soja, algodão e milho fecham semana em alta no estado; demanda externa e biodiesel sustentam cotações

Os boletins semanais do Imea, divulgados em 30 de março de 2026, registram alta no boi gordo (1,82%), na soja (2,37%), no algodão (1,18%) e no milho (0,94%) em Mato Grosso. Demanda externa, valorização do dólar e crescimento do biodiesel sustentam cotações. A colheita da soja está em fase final, com produção projetada de 51,51 milhões de toneladas.

Publicado em

agronegócio Mato Grosso março 2026
Colheita da soja em MT atingiu 99,74% da área prevista; produção projetada pode ser a maior da história do estado

Boletins semanais do Imea registram valorização generalizada das principais commodities mato-grossenses, com exceção do bezerro e do milho em Campinas

Os quatro boletins semanais divulgados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) em 30 de março de 2026 apontam um cenário de preços sustentados para as principais commodities de Mato Grosso. Na semana encerrada em 27 de março, o boi gordo à vista avançou 1,82%, a pluma do algodão subiu 1,18%, a soja disponível valorizou 2,37% e o milho no estado teve alta de 0,94%. A demanda externa firme, a valorização do dólar e a crescente procura por biodiesel estão entre os fatores que deram suporte às cotações.

Boi gordo renova patamares

A arroba do boi gordo à vista em Mato Grosso foi cotada a R$ 336,27 na semana de 27 de março, segundo o Imea. O avanço foi de 1,82% no comparativo semanal e de 3,88% em relação ao mesmo período do mês anterior.

As escalas de abate permaneceram relativamente confortáveis, com média de 9,31 dias — queda de 0,69% na semana. Ainda assim, os preços não cederam. O Imea atribui o comportamento à demanda externa firme, com expectativa de continuidade dos volumes de exportação observados nos meses anteriores, e à valorização do preço médio da carne exportada.

No mercado interno, a demanda aquecida também contribuiu para o suporte. A ponta de agulha do boi, no atacado, subiu 1,92% e foi negociada a R$ 19,90 por quilo.

Advertisement

Na B3, os contratos futuros de curto prazo renovaram máximas. O vencimento para abril de 2026 registrou alta de 3,47% em relação à última semana de fevereiro, com média de R$ 363,06 por arroba. O contrato de maio subiu 3,45%, a R$ 359,31. O mercado futuro já precificou o recuo dos abates no país, aliado ao bom desempenho das exportações.

O preço da vaca gorda à vista, por sua vez, avançou 1,69%, a R$ 309,21 por arroba. Na direção oposta, o bezerro de ano (7 arrobas) recuou 4,28%, cotado a R$ 15,02 por quilo.

Soja na reta final da colheita

A colheita da soja em Mato Grosso atingiu 99,74% da área prevista para a safra 25/26 até 27 de março, avanço de 0,60 ponto percentual na semana. O indicador está 1,35 ponto acima da média dos últimos cinco anos. A produção projetada para a temporada pode ser a maior da história do estado: 51,51 milhões de toneladas.

As regiões Oeste e Centro-Sul praticamente concluíram os trabalhos, com 99,94% e 99,55% das áreas finalizadas. No Oeste, apenas municípios do Vale do Guaporé ainda operam. Já as regiões Nordeste (99,47%) e Sudeste (99,38%) apresentam leve atraso, reflexo do calendário de semeadura mais tardio e das condições climáticas ao longo do ciclo.

Leia Também:  Confiança da indústria brasileira sobe em maio e atinge maior nível em um ano, aponta FGV

No mercado, a soja disponível em Mato Grosso encerrou a semana cotada a R$ 102,84 por saca, alta de 2,37%. O diferencial de base entre o estado e a CME Group aumentou 6,00%, a R$ -31,69 por saca, acompanhando a valorização local. Na bolsa de Chicago, o contrato corrente avançou 0,85%, a US$ 11,54 por bushel.

Advertisement

Biodiesel puxa preço do óleo de soja

O avanço dos preços do petróleo no mercado internacional elevou o custo do diesel e tornou os biocombustíveis mais competitivos. A consequência direta: maior procura por óleo de soja para esmagamento, principal matéria-prima do biodiesel.

O preço do óleo de soja em Mato Grosso subiu 1,48% na semana, negociado a R$ 5.886,75 por tonelada. Em fevereiro de 2026, a produção de biodiesel no estado alcançou 195.343 metros cúbicos — alta de 114,38% em relação ao mesmo mês do ano anterior e 64,07% acima da média dos últimos cinco anos.

Mato Grosso respondeu por 22,65% da produção nacional de biodiesel em 2025. A ampliação da mistura obrigatória para B16, prevista ainda para 2026, tende a intensificar a demanda por óleo de soja no mercado interno.

Algodão valoriza com dólar e Nova York

A alta do dólar e a valorização do algodão na bolsa de Nova York elevaram as paridades de exportação em Mato Grosso. Na quinzena encerrada em 27 de março, o contrato de julho de 2026 ficou precificado na média de R$ 119,88 por arroba, alta de 4,18% em relação à quinzena anterior. O contrato de dezembro subiu 4,82%, a R$ 128,94.

O aquecimento da demanda internacional sustentou a firmeza dos preços na ICE de Nova York. O contrato de dezembro de 2026 foi cotado na média de 72,88 centavos de dólar por libra-peso, alta de 0,88% na semana. O preço da pluma Imea acompanhou o movimento externo e subiu 1,18%, a R$ 113,56 por arroba.

Advertisement

Quanto à fenologia, a Conab informou que, até 21 de março, as lavouras de algodão no Brasil estavam com 18,10% das áreas em fase vegetativa, 53,90% em floração e 28,00% em formação de maçãs. No estado, o Instituto Mato-grossense do Algodão (Ima-MT) registrou alta incidência do bicudo-do-algodoeiro no período pré-safra — praga que pode provocar queda de botões e maçãs e reduzir a qualidade da fibra.

Milho sustentado por etanol e geopolítica

O preço do milho disponível em Mato Grosso subiu 0,94% na semana, a R$ 46,54 por saca, pressionado pela menor oferta do grão no mercado local. Já na CME Group, o contrato corrente avançou 0,51%, com média de US$ 4,64 por bushel. No acumulado de março, as cotações em Chicago registram alta de 5,30% ante fevereiro.

Leia Também:  Dia Nacional da Mata Atlântica: sistemas agroflorestais com cacau e erva-mate unem preservação ambiental e geração de renda

O movimento em Chicago está apoiado por dois fatores. Primeiro, a liberação emergencial da comercialização do E15 (mistura de 15% de etanol na gasolina) no verão americano, que eleva a demanda por milho destinado ao biocombustível. Segundo, as expectativas de menor área semeada de milho nos Estados Unidos, o que limita a oferta futura.

Nos EUA, a produção de etanol de milho cresceu 2,09% até 20 de março, alcançando 1,12 milhão de barris por dia — 6,24% acima da média dos últimos três anos. A EIA projeta uma produção total de 405,53 milhões de barris para 2026. Esse cenário contribui para sustentar os preços internacionais do biocombustível, num momento em que o Brasil projeta uma safra 25/26 com produção recorde de etanol.

Outro fator de sustentação é a manutenção dos preços do petróleo Brent, pressionado por tensões geopolíticas e pelo fechamento de rotas de exportação no Oriente Médio.

Advertisement

No sentido oposto, a paridade de exportação do milho em Mato Grosso caiu 1,43%, a R$ 38,04 por saca, reflexo da queda no prêmio de Santos. A cotação do milho no Cepea-Campinas também recuou 1,38%, a R$ 70,68 por saca.

Próximos passos

A expectativa para a próxima semana no boi gordo é de manutenção das cotações, segundo o Imea. Na soja, a colheita deve ser totalmente encerrada nos próximos dias. No algodão, o início da semeadura nos Estados Unidos pode trazer novas dinâmicas para os preços da pluma. No milho, o mercado segue operando sob grau de incerteza quanto ao avanço dos conflitos geopolíticos e seus impactos nas commodities.

 

Leia também:

TJ-MT pagou R$ 155,7 milhões acima do teto em 2025; média salarial de magistrados chegou a R$ 68,9 mil

Advertisement

Bloqueio do Estreito de Ormuz encarece diesel e fertilizantes e ameaça safra 2026/27 em Mat

Dino extingue aposentadoria compulsória como pena para juízes

Em MT uma mulher é assassinada a cada 7 dias: feminicídios disparam 11% e deserto de proteção mantém MT no topo letal pelo 5º ano

EXCLUSIVO: ex-assessor acusa deputado Dr. João de confiscar salários e manter funcionários fantasmas;VÍDEO

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Expocitros encerra debates sobre greening, clima e sustentabilidade

Published

on

Responsável por liderar a produção e as exportações globais de suco de laranja, a citricultura brasileira encerrou na última semana um de seus principais fóruns de discussão em meio a desafios que vão do avanço do greening às mudanças climáticas e à necessidade de ampliar a sustentabilidade da produção.

Realizadas entre os dias 26 e 29 de maio, em Cordeirópolis (376 km da capital, São Paulo), a 51ª Expocitros e a 47ª Semana da Citricultura reuniram cerca de 12 mil participantes entre produtores, pesquisadores, consultores, empresas, cooperativas, estudantes e lideranças do agronegócio.

O encontro ocorreu em um momento estratégico para o setor. Apesar de manter a posição de maior produtor e exportador mundial de suco de laranja, a citricultura brasileira convive com pressões sanitárias e climáticas que têm impactado diretamente a produtividade dos pomares.

A safra 2025/26 do cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro foi encerrada em 292,9 milhões de caixas, volume 26,9% superior ao ciclo anterior, mas ainda afetado pelos efeitos do déficit hídrico e da elevada incidência de greening.

Leia Também:  Debates em Eunápolis focam na produtividade do cacau, café e silvicultura

Considerada atualmente a principal ameaça à citricultura mundial, a doença já atinge 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola brasileiro, segundo levantamento do Fundecitrus. Embora o ritmo de crescimento tenha desacelerado nos últimos dois anos, pesquisadores alertam que o avanço do greening continua pressionando a produção e elevando os custos de manejo das propriedades.

Advertisement

Foi justamente diante desse cenário que a programação técnica da Semana da Citricultura concentrou debates sobre sanidade vegetal, irrigação, fertilidade do solo, bioinsumos, manejo fitossanitário, sustentabilidade, mercado internacional e novas tecnologias voltadas ao aumento da eficiência produtiva. O objetivo foi discutir estratégias capazes de aumentar a resiliência dos pomares diante dos desafios sanitários e climáticos que afetam a atividade.

Segundo avaliação do Centro de Citricultura Sylvio Moreira/IAC, a edição de 2026 reforçou a importância da integração entre pesquisa, empresas e produtores para garantir a competitividade do setor nos próximos anos. “Encerramos esta edição com a certeza de que a citricultura brasileira segue forte, conectada à pesquisa, à inovação e às demandas globais”, afirmou.

Outro destaque da edição foi a manutenção do selo de Evento Carbono Neutro, refletindo uma tendência cada vez mais presente na cadeia citrícola. A agenda ambiental ganhou espaço entre produtores e empresas diante das exigências dos mercados internacionais e da crescente demanda por sistemas produtivos alinhados a critérios de sustentabilidade.

Leia Também:  Balança comercial brasileira soma US$ 41,3 bilhões em maio e agro impulsiona exportações

Com mais de cinco décadas de história, a Expocitros e a Semana da Citricultura seguem como os principais espaços de discussão técnica e estratégica da cadeia citrícola brasileira. Em um cenário de transformações sanitárias, climáticas e econômicas, os eventos reforçaram a necessidade de inovação, pesquisa e planejamento como pilares para sustentar a liderança do Brasil no mercado global de citros.

Advertisement

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

GRANDE CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA