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Judiciário estadual

Tribunais pagaram R$ 10,7 bilhões acima do teto em 2025; Mato Grosso responde por R$ 155,7 milhões

Levantamento da Transparência Brasil e República.org revela que tribunais de Justiça estaduais pagaram R$ 10,7 bilhões acima do teto constitucional em 2025, alta de 137% sobre 2023. O TJ-MT respondeu por R$ 155,7 milhões. Retroativos e licença-compensatória são os principais responsáveis pelos supersalários. O relatório pede lei nacional restritiva e fim da criação de benefícios por resolução interna.

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supersalários magistrados teto constitucional 2025
Tribunais de Justiça estaduais pagaram R$ 10,7 bilhões acima do teto constitucional em 2025, segundo a Transparência Brasil. Foto: Rogério Florentino)

Relatório da Transparência Brasil mostra que 98% dos magistrados estaduais receberam valores excedentes; alta de 137% sobre 2023

Os tribunais de Justiça estaduais despejaram mais de R$ 10,7 bilhões em salários acima do teto constitucional em 2025. O número representa um salto de 137% em relação ao que foi pago dois anos antes, segundo levantamento das organizações Transparência Brasil e República.org. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso ficou com R$ 155,7 milhões dessa conta.

O teto para magistrados estaduais era de R$ 46,3 mil por mês. A média salarial bruta no TJ-MT bateu R$ 68,9 mil, quase 50% acima do limite. O maior contracheque individual registrado no estado alcançou R$ 190,8 mil em um único mês. De cada dez magistrados estaduais no país, praticamente todos, 98%, receberam algum valor além do permitido ao longo do ano.

A mecânica é conhecida: gratificações, indenizações e pagamentos retroativos foram sendo reclassificados como verbas indenizatórias ao longo dos anos. Verbas indenizatórias não entram no cálculo do teto. Resultado: o limite virou ficção contábil.

Retroativos e licença-compensatória lideram os gastos

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No total nacional, retroativos somaram R$ 4 bilhões. A licença-compensatória, um benefício que converte acúmulo de processos em dinheiro, custou R$ 2,6 bilhões.

A origem da licença-compensatória é tortuosa. Uma gratificação por acúmulo de jurisdição foi criada em 2015 para magistrados federais e membros do Ministério Público. Em 2020, o CNJ a estendeu aos tribunais estaduais, invocando unicidade de carreiras. Dois anos depois, o CNMP transformou a gratificação em licença-compensatória, permitindo converter dias de folga em dinheiro pago fora do teto. O Judiciário replicou o modelo por paridade.

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No TJ-MT, o relatório não discrimina qual benefício pesa mais. Gratificações e indenizações, tomadas em conjunto, equivalem a 41% da remuneração bruta dos magistrados do estado.

MT gasta menos que vizinhos, mas está longe de ser modesto

Mato Grosso ocupa uma faixa intermediária entre os estados da região. Goiás pagou R$ 196 milhões acima do teto; Mato Grosso do Sul, R$ 182,8 milhões. Rondônia ficou logo atrás de MT, com R$ 148,8 milhões. Tocantins gastou R$ 61,1 milhões. O Amazonas registrou R$ 17,6 milhões, mas faltaram dados de dois meses no painel do CNJ.

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A média salarial de R$ 68,9 mil no TJ-MT parece módica quando comparada à de Mato Grosso do Sul (R$ 111,9 mil) ou Rondônia (R$ 100,6 mil). Fica acima de Pará (R$ 66,5 mil) e Goiás (R$ 65,1 mil).

O peso dos penduricalhos no TJ-MT também é menor que o dos vizinhos mais generosos. Em Mato Grosso do Sul, benefícios representam 63% do salário bruto. Em Rondônia, 60%. Em Tocantins, 54%. MT e Goiás dividem o patamar de 41%, logo acima do Pará, com 40%.

Nos picos individuais, a distância é ainda mais clara. Rondônia pagou R$ 1,78 milhão a um único magistrado em um mês. O pico mato-grossense, de R$ 190,8 mil, fica abaixo também de Mato Grosso do Sul (R$ 407,5 mil), Tocantins (R$ 322,5 mil) e Pará (R$ 282,6 mil).

Transparência melhorou, mas não resolve

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O TJ-MT publicou contracheques dos 12 meses de 2025 no Painel de Remuneração do CNJ, com completude total. Em 2023, o tribunal havia omitido um mês. O Amazonas, por outro lado, ficou devendo dois meses em 2025 e acabou excluído de parte das estatísticas médias.

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Entregar os dados, porém, não é o mesmo que controlar os gastos. A transparência permite que se saiba o tamanho do problema, mas não é ela que vai reduzi-lo.

O que muda daqui para a frente

A Transparência Brasil defende quatro medidas: lei nacional com definição restritiva de benefícios indenizatórios; revisão dos retroativos concedidos por decisão administrativa, com exigência de aval judicial para novos pagamentos; fim da possibilidade de que resoluções do CNJ ou leis estaduais criem benefícios por conta própria; e previsão obrigatória de impacto orçamentário anual para cada verba extrateto.

Inforgráfico

 

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CONSUMIDOR

App da ANP para postos dá nota de 0 a 5 e recebe denúncia de preço abusivo

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app da ANP para postos

Ferramenta gratuita já lista estabelecimentos autorizados em Mato Grosso; a parte da nota ligada ao monitoramento de qualidade no estado ainda depende de licitação

Cards com passo a passo no final da matéria.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) lançou em 13 de julho o app da ANP para postos, chamado ANP com VC – Postos, que exibe uma nota de 0 a 5 para cada estabelecimento e abre canal direto de denúncia, inclusive por preço abusivo. A ferramenta é gratuita, roda em celular e computador e já lista postos autorizados em cidades de Mato Grosso. A nota não é dada pelo consumidor: sai de um cálculo da própria agência, feito com o histórico de fiscalização e o monitoramento de qualidade dos combustíveis.

Quem dá a nota

O nome sugere participação do público, e é aí que mora a confusão. O “VC” não quer dizer que o motorista atribui estrelas ao posto. A classificação exibida na tela é administrativa: nasce do histórico de qualidade de cada estabelecimento nos últimos cinco anos, com base nos resultados das ações de fiscalização e do Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis (PMQC). Punições mais recentes pesam mais na conta.

Os dois componentes têm naturezas diferentes. O PMQC dá um retrato amplo da qualidade do combustível no mercado e não gera autuação. Já a fiscalização mira estabelecimentos com indício de irregularidade e pode terminar em multa e outras sanções. A nota junta esse histórico em um número só.

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No mapa, cada posto ganha uma cor conforme a nota, do vermelho, na pontuação zero, ao verde, na pontuação cinco. Quem abre o aplicativo libera a localização ou digita a cidade e vê os postos próximos em lista ou em mapa. Também dá para procurar um endereço específico pelo CNPJ.

O que o app da ANP para postos exibe de cada estabelecimento

Ao clicar em um posto, o usuário encontra os resultados das fiscalizações dos últimos cinco anos, que medem a qualidade do combustível e a exatidão do volume entregue pelas bombas, além das análises do PMQC, dos dados cadastrais e da situação da autorização. A página informa ainda a origem do combustível vendido, a empresa que de fato abasteceu aquele posto.

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Esse último dado costuma passar despercebido pelo consumidor. Segundo a ANP, ele aumenta a transparência, porque “mesmo postos que exibem marca comercial de uma distribuidora podem vender produto de outro fornecedor, como de uma usina de etanol, de transportador-revendedor-retalhista (TRR) ou mesmo de outra distribuidora, desde que informado de forma clara ao consumidor”.

A denúncia fica em dois botões dentro do próprio aplicativo, um para preço abusivo e outro para irregularidades em geral. O que o cidadão registra pode alimentar as ações de fiscalização seguintes. A instalação acontece pelo endereço oficial do serviço, com um botão que adiciona o aplicativo ao celular ou ao computador, e a agência publicou um vídeo com o tutorial de navegação.

Cobertura em MT

Em Mato Grosso, a camada mais simples do aplicativo já responde: os postos autorizados aparecem na busca, e a base cadastral de revendedores em operação, mantida pela agência, é pública e pode ser exportada. Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Sinop, Tangará da Serra e Primavera do Leste estão entre as cidades que já constam nesse cadastro.

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O ponto sensível é o PMQC. O novo modelo do programa, em que os próprios agentes regulados pagam pelas análises de laboratório, começou por Goiás e pelo Distrito Federal. A expansão para Mato Grosso e Tocantins foi aprovada pela diretoria da ANP em dezembro de 2024 e ficou condicionada a uma licitação para credenciar os laboratórios. Em maio de 2026, a agência conduzia essa licitação para Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso e Tocantins. Na prática, a fatia da nota que depende do monitoramento de qualidade tende a chegar mais rala nos postos mato-grossenses do que nos estados onde o programa já roda há mais tempo.

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Há também um limite jurídico que o próprio dado de fiscalização carrega. Quem foi autuado tem direito ao contraditório e à ampla defesa, e só o julgamento definitivo do processo confirma se a infração de fato ocorreu. A nota serve como sinal regulatório para orientar a escolha, não como condenação do posto.

Lançamento no aperto contra a fraude

O aplicativo estreou um dia antes de o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovar, em 14 de julho, uma resolução que endurece o combate à adulteração de combustíveis. A norma foi apresentada como resposta ao avanço de esquemas de adulteração e lavagem de dinheiro no setor. Entre as exigências estão a escrituração eletrônica certificada das operações de compra, venda e estoque nos postos, mais rastreabilidade da cadeia e atuação coordenada entre ANP, Ministérios Públicos, Procons, polícias, órgãos fazendários e o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

A ANP divulgou a lógica geral da nota e informou que infrações recentes pesam mais no resultado. A fórmula detalhada e os pesos aplicados no cálculo não foram publicados.

A conclusão da licitação dos laboratórios do PMQC deve definir quando o componente de qualidade do programa passará a pesar por inteiro nas notas dos postos de Mato Grosso. Até o fechamento desta reportagem, o aplicativo era distribuído apenas pelo site oficial da agência, sem versão publicada nas lojas de aplicativos.

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