AGRONEGÓCIO
Carne bovina entra em ciclo de valorização com demanda global aquecida e oferta restrita
Mercado da carne bovina registra valorização sustentada no Brasil
O mercado da carne bovina no Brasil atravessa um ciclo consistente de valorização, sustentado principalmente pelo crescimento da demanda interna e internacional. A análise foi apresentada pelo consultor da Scot Consultoria, Felipe Fabbri, durante fórum realizado pela Nacional Hereford e Braford, em Esteio (RS).
Segundo o especialista, o movimento de alta observado desde 2024 na arroba do boi gordo está diretamente ligado ao consumo e não à restrição de oferta. O cenário indica que toda a cadeia produtiva vem sendo impactada positivamente, com reflexos na rentabilidade do produtor e também nos preços ao consumidor final.
Demanda global fortalece exportações brasileiras
No mercado internacional, o ambiente segue favorável para o Brasil. Países como China, Estados Unidos e México ampliaram suas compras de carne bovina brasileira, enquanto novos mercados continuam em processo de abertura comercial.
Ao mesmo tempo, grandes concorrentes globais enfrentam redução de rebanhos. Nos Estados Unidos, por exemplo, o efetivo bovino está em um dos menores níveis das últimas décadas, o que transforma o país em importador líquido.
Atualmente, cerca de 35% da produção nacional de carne bovina é destinada ao mercado externo, reforçando o papel estratégico do Brasil como fornecedor global.
Consumo interno cresce com melhora da renda
No mercado doméstico, o consumo também apresenta recuperação. De acordo com o analista, fatores econômicos como a redução do desemprego e o aumento da renda média têm ampliado o poder de compra da população.
Esse movimento tem impulsionado a demanda por produtos de maior valor agregado, fortalecendo cortes premium e carnes certificadas.
“Com mais renda, o consumidor passa a buscar produtos de maior qualidade”, destacou Fabbri.
Carne certificada ganha espaço e valor agregado
O avanço da carne de qualidade também foi destacado pelo diretor do Programa Carne Certificada Hereford, Eduardo Eichenberg. Segundo ele, o setor já observa valorização consistente em sistemas produtivos diferenciados.
Remates recentes ligados à associação registraram aumento médio próximo de 20% em comparação ao ano anterior, refletindo maior valorização de animais com padrão superior.
Entre os principais critérios valorizados pelo mercado estão rastreabilidade, sanidade, bem-estar animal e sustentabilidade.
Consumidor mais exigente redefine o mercado
A mudança no comportamento do consumidor tem sido um dos principais motores da transformação do setor. A decisão de compra, segundo especialistas, deixa de ser baseada apenas em preço e passa a considerar confiança e origem do produto.
Esse movimento fortalece cadeias produtivas estruturadas e sistemas de certificação, que garantem maior padronização e qualidade da carne ofertada ao mercado.
Perspectivas para 2026 são de mercado firme
As projeções apresentadas durante o fórum indicam manutenção de um cenário positivo para 2026. A expectativa é de continuidade da valorização da carne bovina, sustentada pela combinação entre demanda aquecida e oferta global mais ajustada.
Embora o ritmo de alta possa ser moderado, o setor deve seguir com preços firmes ao longo da cadeia produtiva.
Cadeia da carne debate desafios e oportunidades
O evento reuniu representantes de diferentes elos da cadeia produtiva para discutir tendências e desafios do setor. Participaram especialistas, dirigentes de associações, representantes de frigoríficos e produtores, reforçando a importância da integração entre os segmentos.
O debate destacou a consolidação da carne bovina brasileira como produto competitivo no mercado global, com espaço crescente para diferenciação e valorização de qualidade.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Plano Safra 2026/2027: CNA propõe crédito robusto, seguro rural fortalecido e orçamento previsível
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apresentou, nesta terça-feira (28), um conjunto de propostas para o Plano Safra 2026/2027, com foco em ampliar a previsibilidade orçamentária, melhorar o acesso ao crédito e fortalecer instrumentos de gestão de risco no campo.
O documento foi entregue pelo presidente da entidade, João Martins, ao ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e reúne dez prioridades consideradas essenciais para sustentar a produção agropecuária em um cenário de incertezas econômicas e climáticas.
Planejamento e previsibilidade no centro das propostas
Entre os principais pontos defendidos pela CNA está a necessidade de alinhar o orçamento público ao ciclo produtivo do agro. A entidade alerta que o descompasso entre o Orçamento Geral da União (OGU) e o calendário agrícola compromete o planejamento de produtores, cooperativas e instituições financeiras.
Segundo a CNA, a falta de previsibilidade e a insuficiência de recursos têm sido agravadas por juros elevados, o que eleva o custo do crédito subsidiado e exige aportes adicionais ao longo do ano.
A proposta é garantir maior estabilidade por meio de um modelo que assegure volume adequado de recursos e evite descontinuidades em políticas agrícolas estruturantes.
Novo modelo plurianual ganha destaque
Outro eixo central do documento é a criação de um Plano Safra com base plurianual. A CNA defende que, embora o plano seja anunciado para um ciclo completo, sua execução ainda segue uma lógica anual, sujeita a contingenciamentos e revisões.
A entidade propõe uma programação de médio prazo que permita maior previsibilidade e eficiência, incluindo:
- Equalização de juros com sinalização antecipada de recursos
- Subvenção ao seguro rural com horizonte ampliado
- Criação de reservas para eventos climáticos extremos
- Planejamento gradual de investimentos em armazenagem, irrigação e recuperação de solos
Para a CNA, essa mudança é fundamental para dar mais racionalidade à política agrícola e melhorar a capacidade de planejamento do setor.
Cenário desafiador pressiona produtores
No documento, a entidade destaca que o agronegócio brasileiro enfrenta um ambiente adverso, marcado por volatilidade internacional, custos elevados, restrições financeiras e instabilidade climática.
Mesmo diante desse cenário, o setor tem mantido a produção, porém com aumento do endividamento e redução das margens. Nesse contexto, o próximo Plano Safra é considerado decisivo não apenas pela ampliação de recursos, mas pela necessidade de reestruturar os instrumentos de política agrícola.
A CNA reforça que o fortalecimento dessas políticas é essencial para garantir a estabilidade da produção, conter a inflação de alimentos e assegurar a segurança alimentar.
Propostas visam crédito, seguro e sustentabilidade
As sugestões foram construídas em conjunto com federações estaduais, sindicatos e produtores rurais de todas as regiões do país. O objetivo é tornar a política agrícola mais eficiente, reduzir vulnerabilidades e promover o desenvolvimento sustentável do setor.
Entre os pilares das propostas estão:
- Ampliação do acesso ao crédito rural
- Fortalecimento do seguro rural
- Melhoria dos mecanismos de renegociação de dívidas
- Integração com instrumentos de mercado e gestão de riscos
As 10 propostas da CNA para o Plano Safra 2026/2027
- Criação de um Plano Agrícola e Pecuário com base plurianual
- Garantia de R$ 4 bilhões para o seguro rural (PSR) e modernização da legislação
- Disponibilização de R$ 623 bilhões em crédito rural
- Medidas de apoio à saúde financeira do produtor
- Atualização dos limites de renda para enquadramento em programas como Pronaf e Pronamp
- Aprovação da nova Lei do Agro (“Lei do Agro 3”)
- Redução da burocracia no crédito rural e combate à venda casada
- Prioridade para programas de investimento como RenovAgro, PCA e Proirriga
- Ampliação dos fundos garantidores
- Expansão do financiamento privado via mercado de capitais
Direcionamento estratégico para o agro brasileiro
Com as propostas, a CNA busca consolidar uma política agrícola mais robusta e previsível, capaz de sustentar o crescimento do agronegócio brasileiro em um ambiente de maior risco.
A entidade reforça que o Brasil precisa fortalecer seus instrumentos de financiamento e gestão para manter sua posição como um dos principais produtores e fornecedores de alimentos do mundo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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