AGRONEGÓCIO
Exportações de frango recuam em volume no fim de abril, mas receita se mantém firme com apoio dos preços
As exportações brasileiras de carne de frango apresentaram recuo no volume embarcado na reta final de abril de 2026, mas mantiveram um desempenho consistente em receita, refletindo um cenário de ajuste no mercado internacional e sustentação dos preços.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram que, na quarta semana do mês, o Brasil exportou 380,5 mil toneladas de carnes de aves e miúdos comestíveis, gerando US$ 706,7 milhões em receita.
Na comparação com abril de 2025, quando os embarques somaram 440,3 mil toneladas e US$ 808 milhões, o cenário indica desaceleração no volume, mas resiliência no faturamento.
Receita diária cresce mesmo com menor volume
Apesar da retração no volume total, o desempenho diário foi positivo. A média de faturamento alcançou US$ 44,1 milhões por dia, superando os US$ 40,4 milhões registrados no mesmo período do ano passado.
Já o volume médio diário embarcado ficou em 23,7 mil toneladas, acima da média mensal, mas ainda insuficiente para compensar a queda no total exportado.
O movimento indica um mercado externo ainda ativo, porém mais seletivo e ajustado, com mudanças no perfil da demanda global.
Preço internacional sustenta desempenho
O preço médio da tonelada exportada foi de US$ 1.857, levemente superior aos US$ 1.834,8 registrados em abril de 2025.
Essa valorização foi determinante para sustentar o faturamento, mesmo diante da redução nos embarques. Em alguns comparativos, o preço apresentou pequenas oscilações, mas segue como principal fator de equilíbrio da receita.
Na prática, o cenário mostra que o mercado internacional continua demandando proteína avícola brasileira, porém com maior rigor na compra e ajustes nos volumes.
Custos de produção seguem no radar do produtor
Dentro da porteira, o custo de produção permanece como um dos principais pontos de atenção. Levantamento da Embrapa Aves e Suínos indica estabilidade nos custos do frango de corte em março, com leve alta no acumulado do ano e queda na comparação anual.
Apesar da estabilidade, o cenário exige cautela. A combinação de oferta elevada e dificuldade de valorização do produto pressiona as margens do produtor.
A ração segue como o principal componente do custo, com forte influência de insumos como milho e farelo de soja. Pequenas variações nesses grãos impactam diretamente a rentabilidade da atividade.
Margens apertadas preocupam a avicultura
O descompasso entre custo e preço recebido pelo produtor continua sendo um dos maiores desafios do setor.
Atualmente:
- O preço do frango vivo varia entre R$ 4,70 e R$ 5,00/kg
- A remuneração do produtor gira entre R$ 1,30 e R$ 1,70/kg
Esse modelo evidencia a dependência da eficiência produtiva dentro das granjas para garantir viabilidade econômica.
Além disso, fatores como juros elevados, oferta interna e cenário econômico ampliam a pressão sobre a atividade.
Expectativa é de alívio gradual nos custos
Para os próximos meses, a perspectiva é de leve redução nos custos de produção, impulsionada pela maior oferta de milho no mercado interno.
Esse movimento pode trazer algum alívio ao produtor entre abril e maio, especialmente no custo da ração. Ainda assim, o cenário segue exigindo gestão rigorosa e controle de despesas.
No mercado, a expectativa é de recuperação moderada nos preços da avicultura, com altas entre 0,5% e 1% no curto prazo.
Eficiência será decisiva no novo ciclo
Diante de um ambiente de margens apertadas e mercado externo mais seletivo, a eficiência produtiva se consolida como fator-chave para a sustentabilidade da atividade.
O produtor que conseguir otimizar custos, melhorar índices zootécnicos e aproveitar oportunidades de mercado terá maior capacidade de atravessar períodos de volatilidade e capturar ganhos quando houver recuperação mais consistente.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fim da alíquota zero de PIS/Cofins encarece insumos e pressiona custos de produção no agronegócio em 2026
Mudança tributária altera estrutura de custos do agronegócio
A entrada em vigor da Lei Complementar nº 224/2025, em 1º de abril de 2026, marcou uma mudança relevante na estrutura de custos do agronegócio brasileiro. A norma encerrou a alíquota zero de PIS e Cofins sobre insumos agrícolas, como fertilizantes e defensivos, e passou a reonerar parte desses produtos.
A medida integra um processo de corte linear de 10% nos incentivos fiscais federais e impacta diretamente itens essenciais da produção agrícola, com reflexos imediatos no custo das lavouras.
PIS e Cofins voltam a incidir sobre insumos estratégicos
Com a mudança, produtos que anteriormente estavam desonerados voltam a ser tributados, ainda que em patamar reduzido. No regime não cumulativo, a incidência gira em torno de 0,925%.
O PIS (Programa de Integração Social) e a Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) são tributos cobrados sobre a receita das empresas e, até então, eram utilizados como instrumentos de desoneração no setor agropecuário.
Apesar da alíquota inferior a 1%, o impacto é ampliado pela relevância dos insumos na composição do custo de produção agrícola, especialmente em culturas como soja e milho.
Impacto direto em fertilizantes e defensivos
De acordo com especialistas tributários, o efeito da reoneração tende a ser significativo no campo. O advogado e sócio da Lastro Soluções Tributárias para o Agro, Gustavo Venâncio, destaca que muitos produtores não tinham o PIS e a Cofins como parte da rotina de custos.
Segundo ele, embora a alíquota seja pequena, a incidência sobre insumos amplamente utilizados gera aumento relevante nas despesas de produção.
O cenário se agrava porque fertilizantes e defensivos representam parcela expressiva dos custos operacionais das principais culturas agrícolas do país.
Setor enfrenta pressão financeira e redução de margens
A mudança tributária ocorre em um momento de maior pressão financeira no agronegócio. Após períodos de preços mais elevados, produtores enfrentam margens comprimidas, aumento de endividamento e custos ainda elevados de produção.
Nesse contexto, qualquer acréscimo tributário tende a impactar diretamente a rentabilidade das lavouras e pode influenciar decisões de compra, planejamento e negociação ao longo da safra.
Incertezas operacionais dificultam aplicação da regra
Além do impacto econômico, a implementação da nova tributação ainda gera dúvidas no setor. Um dos principais desafios está na definição dos procedimentos fiscais, especialmente no uso de códigos fiscais (CST) na emissão de notas.
Segundo especialistas, ainda não há padronização clara para a operacionalização da cobrança, o que gera insegurança tanto para fornecedores quanto para produtores rurais.
Mercado se antecipa e ajusta operações
Diante das incertezas, o mercado já começou a se adaptar antes mesmo da entrada em vigor da regra. Empresas aceleraram entregas e incentivaram a retirada antecipada de insumos para evitar a incidência tributária.
Com a vigência da medida, o custo adicional passou a ser incorporado aos preços e às negociações, refletindo diretamente no valor final pago pelo produtor.
Medida é temporária e amplia cenário de incerteza
Outro fator de atenção é o caráter temporário da reoneração, válida até dezembro de 2026, período anterior à implementação das novas regras da reforma tributária sobre o consumo, prevista para 2027.
Segundo a advogada e diretora da Lastro, Viviane Morales, o curto intervalo entre as mudanças aumenta a insegurança e reduz a previsibilidade para o planejamento do produtor rural.
Recomendações exigem atenção à gestão fiscal no campo
Diante do novo cenário, especialistas recomendam maior atenção às operações fiscais. A conferência de notas, verificação de alíquotas e entendimento da composição de preços passam a ser ainda mais importantes na gestão da atividade agrícola.
Mais do que um ajuste pontual, o fim da alíquota zero de PIS e Cofins representa uma mudança estrutural na política de incentivos ao agronegócio. A reintrodução da tributação sobre insumos estratégicos tende a impactar toda a cadeia produtiva, com efeitos já perceptíveis nos custos, negociações e planejamento do setor em 2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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